
Ariel Coelho. Foto: E Trauer
Ariel Coelho preparando vocalistas para os rigores do rock!
escrito por Antonio Celso Barbieri
Muito já foi dito à respeito da baixa qualidade de grande parte dos vocalistas do rock brasileiro. É verdade que no passado ser um vocalsita de rock era uma tarefa muito difícil porque o vocalista geralmente aprendia no esquema da "tentativa e erro" onde sua técnica nem sempre, para prejuizo de suas próprias cordas vocais, obedecia à algum treino específico. Durante o seu aprenizado, informação sobre a arte do canto era uma coisa praticamente inexistente ou ligada exclusivamente ao canto lírico e, o máximo que o vocalista iniciante conseguia obter era alguma dica de outro vocalista mais experiente. Quem não ouviu falar de alguma formula mágica de gargarejo para proteção da garganta tipo mel mistrurado com suco de limão ou coisa parecida? Ainda hoje é comum muitos músicos, colocarem todo o seu tempo disponível, recursos financeiros, esforço e dedicação para aprenderem a tocar um intrumento tipo guitarra, baixo ou bateria, enquecendo-se que a voz támbem é um instrumento e, como tal, também precisa ser aperfeiçoado. A verdade é que não podemos inteiramente culpar nossos vocalistas pois o ensino específico de técnicas vocais para cantores de rock é uma atividade relativamente nova no Brasil.
Eu mesmo, luto com as minhas limitações vocais e só agora venho realmente sentindo algum progresso. No meu apredizado, a Internet e o Youtube em particular tem sido ferramentas maravilhosas e indispensáveis.
Coincidentemente, recentemente, no Facebook, por indicação de Kátia Gally conheci o trabalho do Professor Ariel Coelho. Ariel ensina técnica vocal para o canto popular desde 1996. De lá pra cá tem ministrado cursos, oficinas, workshops e workshows em diversas cidades brasileiras. Como resposta a uma enorme lacuna na pedagogia vocal brasileira, desde 1996 Ariel Coelho vem direcionando gradativamente todos os seus esforços didático-pedagógicos para uma verdadeira e sólida sistematização teórico-metodológica em Técnica Vocal Aplicada ao Rock.
Nessa direção, idealizou e criou o único curso no mundo cujo corpo teórico-metodológico foi desenvolvido especificamente para o canto rocker, com todas as suas características técnico-vocais. Fundou o Instituto Rock Voice (Centro de Excelência em Formação de Rock Singers), com sede em Florianópolis/SC onde oferece vários cursos: com destaque para EAD, Oficinas Temáticas, Cursos Modulares de Formação, Sessões de Coaching, Workshops e Workshows. Então, este curso com sede na capital catarinense tem como objetivo instrumentalizar cantores e cantoras para o uso adequado das técnicas vocais aplicadas ao canto popular, com ênfase especial no rock e seus subgêneros.
De resto, se firma como único do Brasil a investir na formação integral dos seus alunos, incluíndo 9 disciplinas complementares e, atualmente, através de parcerias institucionais oferece formação básica (formato modular) em Blumenau/SC (Escola de Música do Teatro Carlos Gomes), Criciúma/SC (Instituto de Música Gilson Naspolini), São Paulo/SP (Do It Studio) e Niterói/RJ (MusiCanto), Curitiba/PR, Porto Alegre/RS e Belo Horizonte/MG.
Ariel Coelho, é coordenador e professor do Curso Livre de Técnica Vocal aplicada ao Rock, é cantor profissional há 23 anos, multinstrumentista, professor de canto e técnica vocal há 18 anos, membro da Associação Brasileira de Canto – ABC, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia – SBFa, da Federação Iberoamericana de Pesquisas da Voz Cantada e Falada – FIVCH, criador e coordenador do Curso Livre de Técnica Vocal Aplicada ao Rock. Ele é também o lead vocal das bandas CODA Classic Rock e Brazilian Pink Floyd.
Antonio Celso Barbieri
Visite também:
Ariel Coelho Website
Fanpage do Curso
EMAIL
Entrevista
BARBIERI: "Quando foi que você começou a cantar e quem o ajudou no começo? Conte-nos um pouco sobre as suas dificuldades pessoais iniciais."
ARIEL: "Buenas, fui criado em meio a uma família paterna expressamente musical (pai, tios, avô e bisavôs, todos músicos profissionais). Além disso, minha mãe foi maestrina de coral e desse modo, a música sempre foi muito presente em minha vida desde a mais tenra infância. Daí que entre os 08 e 12 anos de idade eu passei por estudos de piano, teclado, violão popular e clássico, contra-baixo elétrico e bateria. E foi literalmente por acidente que me tornei vocalista! Isso foi em 1991, quando então guitarrista e tecladista da minha primeira banda de rock (Acácia Negra, 1989/1993) e responsável pelos arranjos vocais e backing vocals, quando num certo dia, no meio de um show, meu irmão mais velho – que era o vocalista e baixista da banda – , simplesmente anunciou que eu iria cantar uma música (acredito que ele tenha me visto cantarolar a mesma noutrora)... foi apavorante! Mas gostei do “veneno” e assumi o vocal da banda daí em diante. Mas minha profissionalização efetiva veio na sequência (1993), quando comecei a cantar em bandas de baile do/no sul do país, pois foi nesse contexto que iniciei pra valer os meus estudos de canto, pois os repertórios eram por demais exigentes do ponto de vista da plasticidade vocal (dada a significativa variedade de estilos musicais executados numa mesma apresentação). E posso dizer seguramente que os meus primeiros tutores vocais (no âmbito do canto popular) não foram senão os cantores de baile do sul do Brasil, da época. Eu sugava as informações que podia de todos eles, ouvia e acolhia as suas orientações, ficava atento aos mínimos detalhes das suas práticas vocais. Mas não tardou para eu ingressar no processo de educação vocal formal (leia-se: passar pelo aprendizado sistemático dos cânones do canto erudito... pelo menos assim se pensava uma educação vocal formal naquele tempo)... isso foi entre 1993/1994 e 1998/1999. Daí em diante, nunca mais parei de estudar canto, técnica vocal e tudo mais que tivesse/tenha relação direta e/ou indireta com o fenômeno. Sobre as minhas dificuldades iniciais, do ponto de vista da operacionalização da coisa toda, eu ressaltaria o fato de que eu tive mesmo que sair de casa bastante cedo para os dias atuais (de 13 para 14 anos... algo assim), pois as bandas eram todas de outras cidades e tinham um ritmo intenso de trabalho. Ou seja, eu fui “convidado pela vida” a aprender bem rapidinho a me virar sozinho desde cedo e acabou que eu não via outro sentido para tal situação senão a de me tornar o melhor que eu pudesse naquilo que eu havia escolhido ser! E do ponto de vista técnico-vocal, as minhas dificuldades iniciais foram aquelas que de alguma maneira todos os cantores populares tiveram/têm: (1) dar conta da questão da plasticidade vocal exigida pelo canto popular (e aqui tem que ficar bem claro que entram simplesmente TODOS os gêneros considerados não-eruditos) e (2) aos trancos e barrancos, tentar adaptar o aprendizado do canto erudito à aplicação do/no canto popular."
BARBIERI: "É verdade que tocar piano ajuda a desenvolver o ouvido para o canto?"
ARIEL: "Sim, é certamente o instrumento mais completo para esta função. Mas é preciso dizer também que no fundo todo e qualquer instrumento que contribua com o processo de musicalização integral de uma pessoa, seja ele de natureza percussivo, harmônica ou apenas melódica, ajuda consequentemente a desenvolver as percepções que a prática do canto exige. O que está em jogo aqui é a própria qualidade do processo de musicalização; e não o instrumento usado para tal finalidade."
BARBIERI: "Dizem que com a idade perdemos nossa capacidade de ouvir certas frequências tanto na faixa do agudo como do grave. O envelhecimento prejudica a voz? Existe algo que possamos fazer para preserva-la?"
ARIEL: "Se considerarmos que a produção da voz resulta de um conjunto de mecanismos corporais (e não apenas da “garganta”), se não se mantiver um estilo de vida saudável, com uma rotina de exercícios físicos genéricos e específicos (condicionamento e técnica vocal, no caso do canto), o envelhecimento pode prejudicar a voz sim. Mas caso esses fatores sejam controlados, a voz mantém basicamente as mesmas características até uma idade bem avançada (como exemplo, ver o caso do Gleen Hughes no âmbito do canto popular e mais especificamente do canto rock; e ver o caso do tenor Angelo Loforese, no âmbito do canto erudito)."
BARBIERI: "Sempre achei heavy metal, a "opera" do rock. Considero Freedie Mercury e Ronnie James Dio dois grandes exemplos de excelentes vocalistas de rock com qualidades operisticas. Você concorda? Você acha que técnicas de canto operístico podem ajudar o vocalista de rock?"
ARIEL: "Sem sombra de dúvidas muitos dos rock singers pioneiros, ao buscarem instrução vocal formal e/ou simplesmente se espelharem/inspirarem naquilo que era até então entendido como sinônimo de “bem cantar” (do ponto de vista técnico e estético), acabaram sim ajustando, de alguma maneira, o seu modo de cantar ao universo sonoro proposto pela estética erudita. De resto, todo aprendizado vocal (seja empírico ou sistemático) contribui para o amadurecimento técnico de um cantor. E, nesse sentido, as técnicas operísticas podem contribuir sim para a formação de um rock Singer. Mas é preciso chamar a atenção para o fato de que o conjunto das manobras fisiológicas é diferente para cada proposta estético-vocal; daí que para ser um rock singer tecnicamente treinado (e considerando que o canto rock é absolutamente plástico), a metodologia de ensino deve definitivamente ultrapassar as fronteiras estético-vocais, focando mesmo na ampliação das possibilidades vocais em termos de arranjos fisiológicos (o que inclui a questão dos drives vocais)."
BARBIERI: "Acredito que muitos vocalistas começam sem muita técnica copiando o estilo do seu músico preferido. Isto pode criar vicios negativos difíceis de corrigir?"
ARIEL: "Sim, é fato que a maioria dos vocalistas começam se espelhando e imitando como conseguem as vozes que admiram (ainda que alguns não admitam e/ou nem tenham consciência reflexiva do fato). Daí que se tiverem a “sorte” dessas vozes inspiradoras estarem sendo produzidas de modo tecnicamente adequado, tudo OK e as suas técnicas empiricamente desenvolvidas não lhes trarão maiores problemas, ainda que “vícios”. Mas caso essas mesmas vozes inspiradoras não estejam sendo produzidas tecnicamente de modo adequado, teremos nos imitadores além dos “vícios” (que aqui sim se tornam nocivos), a própria inadequação técnico-vocal como um todo. E aí seria o caso de um trabalho de higienização técnico-fisiológica, alargamento estético-vocal e readequação dos arranjos fisiológicos empregados, visando a plasticidade própria do canto rock em todas os seus nuances e matizes."
BARBIERI: "Existe algum segredo para ajudar o vocalista principiante à encontrar a sua própria voz?"
ARIEL: "Então, considerando que a principal característica técnica do canto rock é exatamente a sua plasticidade vocal (que, lembrando, ultrapassa questões meramente estéticas), um bom começo é entrar de cabeça num processo de alargamento estético-vocal (fenômeno conhecido como crossover estético-vocal), que na prática significa cantar de tudo um pouco dentro e mesmo fora do universo rocker. A fórmula é simples: quanto mais experiências estético-vocais tivermos (cada qual com as suas técnicas subjacentes), mais “material interno” (leia-se: memórias musculares de diferentes possibilidades de arranjos fisiológicos) teremos para processualmente construirmos a nossa própria identidade vocal. E percebam que aqui o preconceito estético-vocal não é benvindo."
BARBIERI: "Você já pensou em criar um curso online para aqueles que não podem ou não tem condições econômicas para embarcar num curso completo?"
ARIEL: "Buenas, desde que o Curso Livre de Técnica Vocal Aplicada ao Rock foi criado, o mesmo oferece a modalidade EAD, ainda que de modo bem simples (skype, individual), é verdade. Mas temos plena consciência da necessidade de ampliarmos esse tipo de serviço, pois a demanda cresce exponencialmente a cada ano que passa. E nessa direção estamos buscando viabilizar parcerias com universidades para podermos desenvolver atividades de EAD em técnica vocal com uma infraestrutura mais adequada e, assim podermos atender à todos os(as) interessados(as) nas aulas e demais atividades online do curso. Assim que tivermos isso mais bem alinhavado, disponibilizaremos as informações no site www.arelcoelho.com.br."
BARBIERI: "Gostaria de terminar esta entrevista com você deixando 10 conselhos úteis para aqueles que querem começar a cantar rock."
ARIEL: "Pois bem, esses são os meus conselhos básicos aos candidatos à rock singers: (1) Jamais confundam estilo de vida rocker com indisciplina; (2) Combatam diária e assiduamente a ansiedade, não permitindo que a mesma ofusque o processo de ensino-aprendizado vocal, com todo o seu esquema passo-a-passo; e acabe lhes impelindo ao sempre permissivo jogo do passo-maior-que-a-perna; (3) Estudem canto e/ou técnica vocal com professores de canto popular devidamente habilitados para o ensino seguro das técnicas vocais próprias do canto rock; (4) Sejam organizados, focados e disciplinados nos treinos diários de canto e/ou técnica vocal; (5) Invistam constantemente no seu alargamento estético-vocal (crossover estético-vocal); (6) Invistam constantemente no seu aprimoramento musical (instrumentos, história da música, teoria musical, percepção musical, composição, etc.); (7) Invistam constantemente no seu aprimoramento antropológico-musical-rocker (história do rock com todas as suas vertentes, biografias, etc.); (8) Invistam constantemente no seu aprimoramento artístico (teatro, dança, performance, etc.); (9) Invistam constantemente no seu aprimoramento tecnológico-musical (microfones de qualidade, sistemas de monitoração com ou sem fio adequados, pedaleiras de efeito, etc.); e (10) Cuidem diária e assiduamente das suas saúdes física e psicológica."
CLIQUE AQUI PARA LER AS RESPOSTAS DADAS NA COLUNA "AS 20 PERGUNTAS"
Ariel Coelho live! Foto: E Trauer
Vídeos
Workshops
Algumas músicas sendo cantadas por Ariel Coelho
Workshow
Banda Coda
Autoral
Projeto Brazilian Pink floyd
Entrevistas realizadas
Ariel Coelho - Técnica Vocal Aplicada ao Rock - Florianópolis/SC
Ariel Coelho - Rock Vocal Coach
www.arielcoelho.com.br