fernando amaral
Não deixe de clicar nesta foto acima, de Fabio Amaral, para ver suas respostas às minhas "20 Perguntas".

Fabio "Indio" Amaral
Certamente um dos melhores guitarristas do Brasil!

Fabio Amaral, segundo ele mesmo!
Abaixo segue uma coleção de textos exclusivos onde este excelente guitarrista nos leva à uma viagem no tempo pela história do Rock Brasileiro.

O ROCK NAS BOCAS DE SANTOS

"Em 1969, morava em Santos e tinha apenas 14 anos. Depois da meia noite, pegava o carro dos meus pais e com mais 4 amigos da mesma idade íamos para um lugar que não existe mais... as Bocas de Santos! Eram uns 5 quarteirões com uma boate do lado da outra. Elas tinham nomes como Sueden, Zanzicar, Night & Day, Suomi, Beer House, etc. Estas boates exibiam bandas incríveis tocando o melhor do rock da época, como Jimi Hendrix, Gues Who, Santana, Animals, Stepenwolf, Credence, Stones, Beatles e muito mais. Estas bandas tocavam com uma perfeição absurda e com os instrumentos que ninguem no Brasil possuia como Fender, Ludwing, Rikenbaker, Gibson e todos aqueles pedais de efeitos.

Era só atravessar a rua, entrar nos navios para comprar o que quizesse. Os portugueses eram donos das boates e financiavam os equipamentos e instrumentos... Pouca gente sabe mas o rock começou ali. O baterista e compositor Vigna, hoje meu vizinho tocava lá... Os guitarristas eram os melhores e competiam entre eles como o Zico, Mathias, Rico, Satanás entre outros... A cultura local funcionava assim, os marinheiros traziam os discos e pediam pra eles tocarem e depois de 2 ou 3 meses quando eles voltavam as bandas ja estavam tocando igual, as boates tinham aquela aparência dos filmes com pole dance espelhos, palcos, prostitutas e muitos alemães, holandeses, suecos, noruegueses, dinamarqueses, ingleses, americanos e asiáticos... Eu e meus amigos faziamos vaquinha pra dar algum dinheiro para os porteiros deixarem a gente entrar e assistir a tudo aquilo. Lá pelas 4 ou 5 hs da madrugada voltavamos pra casa passando pelo Gonzaga, aquela parte pacata da cidade e, no outro dia queríamos voltar de novo, era como um vício ter acesso á toda aquela cultura, informação e excitação... chegando em casa na ponta dos pés eu deitava na minha cama e ficava relembrando tudo o que eu escutei, vi e aprendi ... Bons tempos! Depois de uns anos eu voltei lá para fotografar tudo aquilo e, frustrado, descobri que não existe mais nada das casas e boates foi como um sonho..."

aos 13 anos ja  tocava guitarra
Aos 13 anos já tocava
show rock santos 70
Fabio Amaral em Santos nos anso 70.

NO MEIO DO ROCK

"Um dia fui visitar um amigo, hoje falecido, que alugava um quarto de um cara bem conhecido. Chegando lá, sobre a cama, vi uma guitarra Fender Stratocaster que pertecia à um cara ainda mais conhecido. Enquanto esperava meu amigo tomar seu banho, não resisti, peguei a guitarra e começei tocar uma música do Yngwie Malmsteen. De repente, vestindo um penhoar, apareceu na porta do quarto uma senhora. Ela deveria ter uns 80 anos.

"Que linda musica!". Ela disse e continuou:
"Toco umas musicas nesse estilo quer ouvir?"
"Claro que sim! Eu amo música! Foi minha resposta imediata.

Então, esta senhora me levou até a sala onde tinha um grande piano de calda e começou tocar uma peça que acabou comigo de tão linda.

Mais tarde, quando voltei para casa, fiquei preocupado porque lembrei de um filme de um jovem que apaixonara-se por uma senhora muito mais velha. Parecia que isso estava acontecendo comigo. Só não sabia se estava me apaixonando pela senhora de 80 anos ou pelo que ela representava pra mim pois, parecíamos ter o mesmo gosto musical...

Os personagens desta história são: O meu amigo era o baixista Coquinho, o quarto que ele alugava era o do Arnaldo Baptista, a guitarra que encontrei em cima da cama pertencia ao Sergio Dias Baptista e a senhora, era a mãe deles, a pianista e concertista clássica Clarisse Leite Dias Baptista primeira concertista brasileira a apresentar-se no Teatro Municipal. Arnaldo, Sergio e Rita Lee fundandam a banda Os Mutantes... Oswaldo "Coquinho" Gennari foi um dos fundadores da banda Patrulha do Espaço."

erasmo carlos e fernando amaral
Erasmo Carlos e Fabio Amaral
fernando amaral book
O livro de Fabio Amaral
fernando amaral rack
O rack de Fabio Amaral

TUDO NO TEMPO CERTO! COMO FOI A GRAVAÇÃO DO ÁLBUM "RIGHT TIME"!

"Tinha acabado de voltar de Nova York trazendo 300 Kgs de equipamento estéreo para guitarra incluindo um Mesa Boogie pre amplificador Quad, potência Simulclass 395, mais 2 caixas Mesa Boogie case, Lexicon reberbs, Harmonizer, Rocktron, Dbx 166, praticamente tudo que era o sonho de todo guitarrista de rock em 1990. Pensei:  "Agora é a hora de gravar meu álbum que chamaria Right Time.

Nessa época eu dava aulas de guitarra no Souza Lima e depois fui convidado para ir para o IGT através do meu amigo Wander Taffo e, como professor, eu tinha total acesso aos materiais didáticos que entre eles, existiam pilhas e mais pilhas de fitas de vídeos VHS dos melhores guitarristas do mundo. Fitas que levava para minha casa e estudava tudo que me interessava.

Eu queria juntar todas as técnicas que eu estava aprendendo com todos aqueles timbres maravilhosos dos equipamentos de ultima geração em composições nas minhas novas musicas, através do meu computador Atari com o software Notator hoje Logic Pro e minha guitarra Indy Model equipada com midi onde eu podia gravar, editar, programar e dessa forma fazer uma pre produção perfeita.

Até então, eu estava fazendo o disco todo sozinho, programando eu mesmo os baixos e as baterias. Neste período me ligaram pra saber se eu poderia fazer a programação dos delays através do meu computador Atari para o Gabi Som em um carnaval em Braganca Paulista, e na época o Gabi era a quarta maior empresa do mundo de locação de equipamentos para shows e eventos. Disse que sim, se me pagassem uma certa quantia. Na verdade, nunca tinha visto tanto equipamento pesado para PA em toda minha vida. Meu trabalho deu tudo certo e aconteceu os 5 dias do carnaval.

Depois quando fui ao escritório do Gabi receber conheci o estúdio dele o Concorde Studio e tive uma idéia, sugeri trocar aquele pagamento, em horas de estúdio no estúdio dele, para gravar meu disco, pois o lugar tinha todos os equipamentos que eu sonhava para gravar e muito mais.  Gabi concordou, assim comecei a comprar as fitas de 2 polegadas 996 e comecei a gravar. Primeiro levei todo meu estúdio para lá. Depois, convidei Renatão para ser o técnico e Sandro Haick para tocar bateria. Eu soltava o som no e fone de ouvidos para ele ouvir e gravar. Foi incrível! Ele ouvia uma vez e, já gravava na segunda tocada! Foi assim das 4 hs da tarde até as 8 da manha!

Eu tinha convidado o Coquinho pra gravar os baixos mas como ele estava em uma turne convidei o Neto Batista. Então, passamos mais uma noite inteira gravando. Um noite foi muito difícil porque ele estava com uma frebre de 38 graus. No final, ele tomou diversos remédios e conseguimos acabar as 10 faixas. Os próximos dias já estavam agendados para eu gravar as guitarras quando eu recebi uma proposta do Marcelo Rossi para grava-las no Bebop Estudio que era ainda maior e com muito mais condições, aquilo foi a maior oportunidade da minha vida! Eu mal acreditava estar gravando na sala A  aquilo era um sonho…

no bebop studios
Fabio Amaral no Bebop Studio

Assim das 3hs da tarde até as 9 hs da manhã durante vários dias fui gravando as guitarras com diversas experiências que resultou no disco de guitarra que, até hoje, é referencia de som de guitarra do Estudio Bebop.

Me recordo de ter perguntado ao Beto (técnico) se eu poderia usar 8 microfones diferentes para os 8 alto falantes das 2 caixas Marshall 1960. Ele disse que sim e, de dentro da técnica eu ia tocando e escutando um por um Newman, AKG, Sennheiser, EV, entre outros e ia mixando o volume entre eles, dessa forma cada mic com a sua especificação de freqüência captava a freqüência produzida, passando pelo console gigantesco Mozart da Neve, Lexicon 380 revebers e delays, compressores UAD 1176 e os gravadores analógicos Studer.

Uma noite, as 4hs da manha, me liga o Luiz Carlini, meu camarada desde 1970, dizendo que estava com os discos do Satriani, do Vai e o meu. Ele tirava um e colocava outro e a qualidade continuava a mesma e me perguntou como eu tinha feito tudo aquilo, eu respondi: estudei as técnicas deles todos, comprei os equipamentos certos, fiz uma pré produção de um ano e gravei em 2 super estúdios com os melhores equipamentos, músicos e técnicos além, de ter aplicado minhas idéias malucas de produtor. Então ele perguntou quanto tinha custado. Eu disse paguei com o equipamento de guitarra algo em torno de U$10.000 dólares.  Ele falou que valia o gasto porque o som tinha ficado excelente!"

pre producao do disco no meu estudio1
Fabio Amaral, com seu computador Atari.

right  time cover

right time back cover

O album Right Time foi gravado em 1995. Depois de um ano de pre produção, o álbum levou uns 2 meses para ser gravado. Fabio Amaral agora dá aulas de tecnologia e produção musical usando Logic Pro, Ableton Live e Sintetizador Virus. Fabio também, compõem e produz trilhas para cinema no formato surround e, monta e configura estudios de gravação.

indy model by fabio amaral
Indy Model by Fabio Amaral.