Barbieri grava no Abbey Studios e no aniversário de um ano, faz homenagem às vítimas do Tsunami japones
No dia 16 de fevereiro de 2012, à convite de Marco Antonio Mallagoli, o responsável pelo famoso fã-clube Revolution, um dos mais famosos fã-clubes especializados em Beatles da América do Sul, gravei ao piano uma música no Abbey Road Studios.
Esta fantástica experiência aconteceu no mesmo estúdio onde os Beatles gravaram a maior parte dos seus álbuns, o Studio II. A música que gravei, chamada simplesmente Improviso IV, na verdade foi parte um tema, mais ou menos oriental, que se repete, composto e desenvolvido durante a preparação para este grande dia no qual, abre espaço para o improviso propriamente dito. A maior parte do tempo em que estudava e compunha, encontrei dificuldades para achar um conceito ou ideia que unisse o projeto como um todo. Foi só lá pela última semana que o quebra-cabeças começou tomar forma e eu descobri um caminho à seguir.
Barbieri tocando e gravando no Abbey Road. Foto: Marcelo Carvalho
Sempre fui interessado pela música tradicional japonesa e também pela música árabe. Entretanto um lado de mim é muito rock. Para mim, por exemplo, o Heavy Metal sempre será "opera do rock". Outra coisa que percebi logo quando comecei fazer música é que minha música sempre teve um elemento associado com o visual, como se fosse um tipo de trilha sonora. Tirando a questão técnica de lado, que obviamente reconheço tenho muito que aperfeiçoar, existe uma certa intensidade emocional no meu trabalho que reflete bem a minha natureza nervosa.
Nesta peça musical que aqui vocês poderão ouvir, vi minha música como um Tsunami, esbarrando nas teclas, descontrolado, deslizando e levando tudo pelo caminho. Foi como se as forças da natureza tivessem empurrado meus dedos contra as teclas do piano. Ter tocado e gravado no Abbey Road Studios foi um experiência física e visceral. Tive que lutar e esforçar-me para manter meu controle. Foi a primeira vez que toquei em público e, na presença de técnicos de som ultra profissionais e amigos que, sabiam mais música do que eu. Portanto, considerando-se os prós e os contras, fiquei feliz com o resultado final. Na verdade, é assim mesmo que tem que ser, primeiro temos que ficar felizes com nós mesmo :-)
Desde o começo, senti que esta música pedia que eu lhe desse um nome que fosse associado ao Japão. A sincronicidade, confirmou tudo pois, quando liguei a TV, fiquei sabendo que o aniversário deste fatídico Tsunami que assolou o Japão, o ano passado, estava bem próximo. Foi então que percebi que minha música teria uma função...
Gostaria de lembrar que, durante esta tragédia que custou tantas vidas, o povo japones deu uma aula de civismo, humanidade e decência para o mundo. Quero que saibam que meu coração estará com eles neste momento tão difícil em que relembrarão o dia em que perderam os seus entes queridos.
Antonio Celso Barbieri

Barbieri tocando e gravando no Abbey Road. Foto: Patrick Burke
Comentários
Parabéns pelo seu trabalho, a sua peça ficou muito bonita! Apesar dela nos fazer lembrar de uma tragédia, um fato triste, a sua composição é um presente para todos que pelo menos uma vez ouviu as peças com mais de 6, 7 ou 10 minutos de grandes músicos da década de 70 e que contavam,relatavam e expressavam histórias, enredos e emoções. As imagens casaram muito bem com a composição, e como voce mesmo disse, parece mesmo que seus dedos foram levados por um tsuname.
Parabéns mais uma vez pelo trabalho, pelo privilégio de tocar no Abbey Road Studios, obrigada por compartilhar esse momento tão emocionante e importante e espero de coração que esse seja o início de muitos outros trabalhos de qualidade que com certeza voce irá realizar. (Como sempre!)
Abraços,
aeeeeeeeeeeeeeeee irmão fiquei feliz pacas por vc...e além de tudo isso que vc mencionou...foi bom ve-lo com saúde..abç. paulão
Barbieri, que vídeo fantástico, uma homenagem emocionante. Como você disse a música casou exatamente com as imagens e a mensagem ficou completa. Meus parabéns e obrigado por compartilhar este grande momento. (comentário copiado do FaceBook)
Caro Barbieri: Quando fui ver o vídeo esperava simplesmente ver um brasileiro tocando nos estúdios Abbey Road e me sentindo de certa forma pisando e tocando naquele estúdio também (nessas coisas todos viramos meio patriotas). Mas quando comecei a ouvir a música (que como bem disseste parece seguir o rumo das águas agigantando-se e levando tudo adiante), mesmo que algumas das imagens eu já tinha visto pela televisão e pela internet, ver de novo sem a música parece meio como assistir "Deus e o diabo na terra do sol" sem a música do Sérgio Ricardo, fica impossível separar as imagens da música. Parabéns pelo belíssimo trabalho.
Barbieri Responde: Emocionante!!! Camarada Sérgio, suas palavras amigas significam muito para mim! Obrigado mesmo!!!
Thanks Celso, a surprise....I didn't realise you played the piano....great elegy as if you're consciously struggling against the compulsion to create movie music [which would have tried to exaggerate the dramatic] so forcing the listener/viewer to consider the spontaneity of your performance, the gravity of the reality...thanks, hoe you are well and getting rewarded for your work..