Devas logo criado por Barbieri em 1977.

Carioca & Devas
escrito por Antonio Celso Barbieri
Ano: 1977
Não me recordo como foi que acabei conhecendo Carioca, um músico virtuoso. Só sei que assisti um ensaio de sua banda Devas e fiquei hipnotizado pelo Rock Progressivo que faziam. O som da banda soava um pouco como o da banda Yes mas, com mais influência de música clássica e também com pitadas de música medieval e elementos da música folclórica brasileira. Devas possuía um som único e interessante. Não resisti a tentação de produzir um concerto. Fui no Teatro Arthur Azevedo que fica localizado no bairro da Moóca na capital de São Paulo e reservei os dias 18, 19, 20 e 21 de agosto de 1977, um fim de semana. Neste show além de Carioca nos violões e vocal, participaram Gê Cortes no baixo, Peco na bateria e mais dois músicos, o guitarrista e o tecladista que infelizmente não recordo os nomes. (alguém sabe?)
Ronaldo Freitas também conhecido como Carioca
Já nos ensaios percebi que visualmente a banda era fraca com os músicos tocando sentados. Portanto, além da iluminação, aluguei um projetor com carrossel giratório para fazer, no pano de fundo do palco, retro-projeção de slides. Os slides mostravam fotos que havia tirado das páginas da minha coleção de revistas inglesas, de ficção científica chamada Science Fiction Mothly (hoje uma coleção rara). Eram imagens, totalmente desconhecidas do grande público, de paisagens futurísticas e seres estanhos. Duas destas imagens acabariam virando as capas para os álbuns Korzus ao Vivo e São Power que produziria para a gravadora Devil Discos em 1986. Para técnico de som contei com a ajuda inestimável do meu grande amigo George Romano, hoje um gênio da eletrônica e atualmente dono da empresa Intermusic - Eletrônica Indústria e Comércio Ltda. Sua empresa é uma assistência técnica autorizada no reparo das mais famosas marcas mundiais de instrumentos eletrônicos (teclados, sintetizadores, mesas de som, baterias eletrônicas, etc.). Seus clientes são a nata dos músicos brasileiros. Bom, retornando ao Devas, o show correu muito bem tecnicamente mas não foi bom de público. Lamentavelmente, no mesmo fim de semana esteve apresentando-se pela primeira vez no Brasil o lendário Joe Cocker. A notícia do show do Joe Cocker só veio à público quando o show do Devas já estava anunciado e não pudemos fazer mais nada à respeito.

Pra mim, este show do Devas tem um significado todo especial porque foi o primeiro show que produzi onde coloquei publicidade nos jornais, fiz panfleto e mini-poster, mandei imprimir ingressos, aluguei caminhão para transportar equipamento, etc. Quer dizer, considero que este show tenha sido a minha primeira produção realmente profissional. Infelizmente nem eu nem a banda tínhamos muito conhecimento à respeito de divulgação de shows, tanto na rua quanto na imprensa. A última vez que vi Carioca foi neste show. Hoje penso que, talvez tenha havido um sentimento de desapontamento ou culpa de ambas partes. A verdade é que ninguém procurou uma aproximação e a colaboração entre Devas e Barbieri acabou aí.
Minha irmã Lenita pousando para a afinação dos holofotes.
Minha irmã Lenita e minha mãe Dona Helena, ambas infelizmente já falecidas.
A única imagem que tenho deste show é uma foto da minha irmã Lenita no palco servindo como referência para a afinação dos holofotes de luz. Minha mãe também estava lá e ajudou na bilheteria vendendo os ingressos e, depois do show, quando perguntei se tinha gostado ela respondeu, toda sem jeito, que não tinha resistido e tirado uma soneca o show inteiro :-)
O mini poster publicitário do show. Arte do Barbieri.
Alguns dias antes deste show acontecer, num dos ensaios na residência de Carioca, levei meu gravador de rolo Akay 4000DS Mk-II e lá, gravei algumas músicas. Alguns anos depois, vendi o gravador Akay e fiquei só com um monte de fitas num canto da casa juntando poeira. Muitos anos se passaram e, já morando em Londres, quando passava em frente à uma loja de equipamentos usados vi na vitrine um gravador Akay igualzinho ao que eu tinha, em muito bom estado e por um preço bem barato. Movido pelo saudosismo, não resisti a tentação e comprei-o imediatamente. Algum tempo depois, quando estive no Brasil em férias, na volta, trouxe todas as minhas fitas de rolo para Londres. Infelizmente, descobri que o tempo, a umidade e a oxidação tinham degradado muito a qualidade das gravações. De qualquer forma, muito embora a qualidade desta gravação esteja bastante pobre, achei por bem mostrar aqui para todos vocês pois trata-se de um registro raro com mais de 30 anos que, mostra o grande potencial artístico musical do Carioca e sua banda Devas.
Antonio Celso Barbieri
Na época recordo-me que fiquei muito orgulhoso de ver meu primeiro ingresso impresso!!!
Há!!! Imaginem a minha emoção, em 1977, vendo meu primeiro "tijolinho" no Estadão!!!
CARIOCA: Linha de Tempo
1955 - RONALDO FREITAS Nasce no Rio de Janeiro. Desde muito cedo começa seus estudos de música e monta suas primeiras bandas de rock, onde atua como cantor e guitarrista.
1970/79 - Lider do grupo de rock progressivo "Carioca e Devas", apresentando-se por todo Brasil.
1977/78 - Começa a trocar a guitarra de 2 braços por violões de 6, 8, 10 e 12 cordas. Além de pesquisar outros estilos musicais e diferentes afinações em seus instrumentos.
1979/80 - Realiza seu 1º álbum Mistério da Amazônia. Ele traduz em música instrumental sua interpretacão da amazônia indígena, com seus diferentes matizes, tonalidades e riquezas culturais, nos apresenta o boi bumba, e muitos outros, desde então com muito lirismo, bom gosto e muito boa execução. Este álbum é muito aplaudido pela crítica especializada.
1980 - Faz sua primeira viagem a Europa, onde trabalha em estúdios, rádios e realiza vários concertos pelos diversos paíse por onde passou.
1981 - Excurciona com Egberto Gismonti e Grava para Carmo/ECM.
1982/85 - Além de vários concertos pelo Brasil, trabalha como arranjador para mais de 30 LPs independentes e como professor ensinando em São Paulo e no estado do Paraná. Neste período também compôs trilhas para teatro, teatro de bonecos, balé e cinema, e essas atividades, todas, vem realizando até os dias de hoje.
1986/87 - Grande tournée: Australia, Japão, Índia, Bali, Indonésia, Europa - Concertos, palestras e workshops.
1988 - Residindo na Suíça, junto com Ted Barlocher funda a Escola de Samba do Apito, hoje com mais ou menos 80 integrantes, muitos concertos com diferentes formações, muitos arranjos para CDs e composições para trilhas, muitas gravações para rádio e televisão, transmitidos para Europa e África do Sul, além de muitos workshops por vários países da Europa, Ásia e Américas do Sul e Central.
2000 - Um dos trabalhos do ano 2000, foi sua participação como Convidado Especial no Festival do Grande Encontro Planetário de 05/05/2000, na Costa Rica onde apresentou concertos palestra e workshop.Apresentação no Jazz Festival do Rio de Janeiro e apresentação no SESC Paulista com gravação para a TV SENAC.Ainda no ano 2000, realiza mais uma tournée pela Europa, apresentando-se na Alemanha, Suíça, Itália, Ibiza, e no Oriente Médio em várias cidades de Israel, dentre elas Jerusalem, Tel-Aviv, no Castelo do Rei David, na Galiléia e na Jordânia.
2001/06 - Viaja em turné se apresentando e dando workshops em países como França, Suíça, Itália, Espanha, Alemanha, Canadá, Havaí e Israel.

Carioca (Ronaldo freitas)
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DISCOGRAFIA 01 - Mistérios da Amazônia |

Comentários
Olá querido só a música tem essa força de mesmo nós não sabendo um do outro a música liga-nos numa vibração sonora que nos traz de uma hora para outra todos esses tempos que estavam guardados no sub-conciente.
Desde ja agradeco por cuidar desss grandes momentos e traze-los atona. Isso me faz feliz e renanscer uma vez mais para o universo da musica e so tenho a te dizer happy birthday to you e que a idade apenas catalogue os anos mas, o coração fique sempre no presente cheio de amor. Amem! Seja feliz!
Barbieri Responde: Que bom saber de você!!! Please, envie-me um email contando o que tem feito e por onde você anda!
Carioca no sabia de tu pasado de rockero
xxxxZorah
ola barbieri nunc e tarde de mais musica e sonhos nao envelhecem amem
Nossa Celso! Que viagem! Não sei se vc se lembra de mim, mas eu toquei baixo nesse show que teve um significado importante porque foi o primeiro show que eu toquei na minha vida! Lembro que vc alugou uma câmera de eco e uma máquina de fumaça! Obrigada por postar! Bjs Gê
Massavilha Barbieri! Será que eu fui nesse show? Era amigo da banda, frequentavam a minha casa e lembro de um show no Teatro da FGV. Antes de ir para a Inglaterra dei para o Peco, baterista, um tambor Cherokee que trouxe dos EUA em 73 e a Silvia Helena tocava nos sows do Apokalypsis. A Gê Cortes a gente vê na TV (banda Alats Horas) mas o resto da banda nunca mais vi, inclusive o Carioca, que era meu amigo também.
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.
Hey! Thank you for this article, great history and stories.
Thanks again!
CK
we love you Carioca! A'ho!
Poim Poim - Lynelle
Prezado Barbieri, a internet nos reserva dessas surpresas como esta sua página com uma antiga gravação do DEVAS. Conheci o DEVAS justamente nesse show do Arthur Azevedo. Sete meses depois eles tocaram no MASP (tenho o folheto do programa até hoje guardado). Pedi autorização à banda e tirei várias fotos durante a apresentação. A maioria ficou ruim porque ainda não estava acostumado com a máquina reflex e os filtros de efeitos. No final do show o Carioca me deu seu telefone e endereço e pediu para que eu tirasse algumas fotos durante o próximo ensaio da banda, na casa dele lá pros lados da Cantareira, que eles precisavam. para divulgação. Entreguei as fotos e os negativos prá ele e restaram comigo as fotos do show do MASP, que estão eternamente coladas num album Kassuga (impossível desgrudá-las): só tirando foto de foto. Os negativos dessas fotos nem sei por onde andam. Também nunca mais vi a banda ao vivo. Caso queira completar a informação, o pianista que tocava com eles era o Neno (Diogenes Lima de Camargo). O outro guitarrista já não estava (ou não tocou) com eles no show do MASP. Um grande abraço.