Abolir as eleições para trazer de volta a Democracia...

capitalismo desigual

Abolir as eleições para trazer de volta a Democracia...

escrito por Antonio Celso Barbieri


A ideia de que as eleições são democráticas é recente. Os gregos e os pensadores do século XVIII favoreceram a seleção aleatória por sorteio. O escritor Brett Henning comenta como um sistema de sorteio poderia substituir nossa democracia oligárquica.

Barbieri explica: Oligarquia é a forma de governo no qual uma pequena parcela da população controla de forma quase que ditatorial o restante da população.
Oligo = Poucos / Arquia = Poder, ou seja, o poder exercido por poucos.

A democracia foi inventada pelos gregos? Sim!

Eles tinham eleições com o uso de votos entre os homens não-escravos? Não!

De fato, os homens livres de Atenas (as mulheres não podiam participar) usavam uma máquina onde seus nomes eram colocados em buraquinhos onde, depois alguns nomes eram sorteados aleatoriamente para servir em uma assembleia de cidadãos.

Foi só no século XIX, mais de dois milênios depois, que a democracia se tornou sinônimo de eleições por voto. Esta é uma revelação histórica que foi esquecida e é mencionada no novo livro de Brett Hennig chamado “O Fim dos Políticos” mostrando que esta mitologia atual do conceito de democracia naturalmente escolheu convenientemente enterrar esta verdade.

Radicais do século XVIII não tinham ilusões sobre o fato de as eleições não serem eventos democráticos. James Madison, arquiteto da constituição dos Estados Unidos e o quarto presidente daquele país, através dos escritos de Aristóteles, Rousseau e Montesquieu, sabia muito bem disto pois estes pensadores consideravam um governo realmente democrático, aquele que selecionava aleatoriamente por sorteio, ao contrário de um governo “aristocrático” (ligado à burguesia) que elegia por voto.

"A seleção por sorteio é de natureza democrática e a seleção por voto é de natureza aristocrática", escreveu ele.

Barbieri Explica: “Então, fazer democracia de verdade seria colocar o nome de toda a população de um país, com direito a voto, numa urna e fazer um sorteio!”

"Historicamente, o sorteio - seleção aleatória ou loteria - na antiga democracia ateniense era usado para a escolha da maioria dos cargos políticos. Na época foi amplamente aceito que as eleições por voto produziriam uma elite (a palavra elite deriva da palavra eleições). Eles também acreditavam que o profissionalismo na política era perigoso”, comenta este ativista e acadêmico australiano, agora residindo em Edimburgo na Escócia.

"Depois das várias revoluções, revoluções estas que foram as precursoras das repúblicas modernas, os proprietários que saíram vitoriosos usaram as eleições como um dispositivo para selecionar seus líderes de dentro desta mesma classe proprietária".

As eleições na sociedade capitalista, apenas para aqueles no poder, produzem o governo da riqueza. Por exemplo, a média da riqueza familiar dos EUA em 2010 foi de 62.000 libras, enquanto a riqueza média de um membro do Congresso dos EUA foi 930.000 libras. Este não é apenas um problema do Ocidente. Na Assembleia Nacional Popular da China, os sete membros mais ricos possuem uma riqueza conjunta de 72,4 bilhões de libras! Estes valores em comparação com a riqueza dos membros do Congresso Norte Americano fazem este último até parecer muito insignificante.

Hennig, que anteriormente foi motorista de táxi, engenheiro de software e doutor em astrofísica, pergunta: Imaginem só, se o quadro fosse diferente, no começo dos Estados Unidos, que tipo de legislação seria criada por uma assembleia representativa em que apenas 15%  recebiam alimentos, 50% eram mulheres e a maioria eram trabalhadores?

O autor diz que foi atraído para o sistema de sorteio depois de anos de campanha e envolvimento na política progressista Australiana: "Eu acabei acreditando no sistema de sorteio, depois de muitos anos trabalhando em várias campanhas de justiça social, ajuda à refugiados, contra a guerra, mudanças climáticas e subsequentemente juntando-me a um suposto partido político ético.

"Depois de subir nas estruturas do poder interno do partido, fiquei muito desiludido com os jogos de poder e o carreirismo político dos indivíduos que participavam dele. Na época eu estava lendo a trilogia de Hardt e Negri sobre a filosofia política e comecei a pesquisar formas democráticas de administração, eventualmente cruzando com o sistema de sorteio. Isto transformou minha visão da democracia e como seria uma democracia ideal ".

O livro o “Fim dos Políticos” fornece um guia para a história do governo representativo e joga um olhar esperançoso sobre qual seria uma boa alternativa realmente democrática. Suas conclusões são familiares a qualquer um que estiver alerta sobre décadas recentes. Os chamados representantes não refletem as opiniões de seus eleitores. Na verdade eles apenas atendem aos interesses dos ricos. Hennig cita um estudo de Martin Gilens de 2012 que revela uma "total falta de resposta dos governos aos pobres".

"Os observadores honestos concordam que o que ocorre em nossas democracias é uma negociação amplamente restrita entre as elites. Os padrões de responsabilidade estão mais próximos da plutocracia do que da democracia ", segundo Gilens.

Barbieri explica: de forma básica, plutocracia é uma situação em que os ricos tem total controle de um governo de estado.

Tradicionalmente, como resposta a esse problema, as pessoas de esquerda aproximaram-se do socialismo ou da socialdemocracia. A dificuldade hoje, porém, é encontrar uma forma institucional que represente verdadeiramente as pessoas.

Nem a democracia liberal nem o socialismo de Estado passaram o teste da história. Qual deve ser a nossa luta neste momento? O sistema de sorteio oferece uma forma de assegurar que a maioria na sociedade seja representada diretamente por meio de um novo modelo de democracia deliberativa. É claro que é uma mudança radical, revolucionária e que exigirá um enorme salto em nosso pensamento e muita persuasão.

"Nossa imaginação política tem sido atrofiada pelo domínio da ideia de que as eleições são fundamentais para a democracia", diz Hennig. "As eleições são construções elitistas. Olhe para a composição de nossos parlamentos! Devemos promover o sistema de sorteio, criar experiências com o sistema de sorteio e instituí-la em diferentes níveis para popularizá-la ".

Isso já está acontecendo. A Irlanda está atualmente realizando uma assembleia de cidadãos composta por 99 pessoas selecionadas aleatoriamente onde discutem sobre a proibição constitucional do aborto, alterações climáticas, tudo em parlamentos de duração determinada. "Há alguns anos, eles realizaram uma assembleia de cidadãos que levou ao referendo bem-sucedido sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo", ressalta Hennig.

A Fundação Sorteio está trazendo o G1000 para o Reino Unido em setembro - um fórum que reúne até 1.000 pessoas selecionadas aleatoriamente de uma área local para falar sobre questões locais. E na Escócia, há uma campanha para criar uma segunda câmara do Parlamento escocês, onde seria criada uma assembleia de cidadãos resultante de um sorteio.

Esta ideia inevitavelmente se depara com a mesma objeção recebida por todas as tentativas para se criar uma democracia popular: as pessoas comuns não podem ser confiáveis. "A objeção mais comum é, infelizmente, que a pessoa "média" é simplesmente muito estúpida", diz Hennig. "No entanto, as evidências das assembleias resultantes de sorteios até hoje contradizem completamente essa suposição. As pessoas comuns podem fazer e tomar decisões equilibradas e informadas cujo resultado as outras pessoas podem confiar.

"Os benefícios do sorteio incluem reduzir drasticamente o custo das eleições, uma vez que nenhuma campanha é necessária, sem angariação de fundos de empresas e grupos de pressão, reduzindo o perigo de influência indevida e corrupção. "Em vez de, a cada poucos anos, colocarmos um X numa urna eletrônica, todos ficaríamos colados na frente da TV  para saber se alguns de nós teríamos sido escolhidos para legislar nos próximos anos", ele escreve.

Isso está muito longe de uma visão tradicional anarquista ou comunista. "Qualquer grupo que pretenda impor sua própria filosofia moral abrangente a toda uma sociedade deve ser rejeitado como totalitário", escreve Hennig.

Embora esta crítica seja frequentemente aplicada à esquerda, os governos modernos de direita estão fazendo algo semelhante. Basta pensarmos na primeira ministra britânica Theresa May seu Partido Conservador com seus esforços em curso para refazer a Grã-Bretanha como uma versão elitista de uma sociedade mais desumana do que já é.

Barbieri comenta e desabafa: Qualquer semelhança com o golpista Temer e sua corja de corruptos não é mera coincidência. Aliás, independentemente da minha visão política pessoal, a verdade é que depois de todo este tempo, com todas estas delações premiadas onde para não ficar na cadeia qualquer um deste corruptos entregaria até a própria mãe não foi ainda encontrado nenhuma prova concreta de que Dilma ou  Lula cometeram alguma coisa incorreta! Aliás um dos motivos alegados para tirem Dilma do poder foi que ela só tinha 13% de aprovação popular. Bom, Temer está com apenas uns 4% de aprovação de desde o golpe que o colocou no poder o desemprego aumentou para 18%. A pergunta que fica é: porque é que ainda está no poder? Só para lembrar aqueles tapados que como os “três macaquinhos”, procuram manter os olhos, boca e ouvidos fechados, deixe-me lembra-los: durante o governo do PT foram gerados mais de 20 milhões de empregos, o Brasil exportou muito mais do que nos governos anteriores, consolidou sua posição mundial no BRIC, fez alianças comerciais milionárias com China, Rússia, Iran e muitos outros países. No plano nacional, tirou milhões de pessoas da miséria absoluta, ajudou muita gente pobre com a bolsa família (uma pequeno valor mensal distribuído em forma de mantimentos para os mais necessitados). Criou uma cota obrigatória para que negros pudessem entrar para a faculdade e também subirem na escada social.

Infelizmente a nossa imprensa comprada fez uma campanha corrupta e imoral ao ponto de hoje em dia a palavra “povo”, “pobre” e “trabalhador” virar uma palavra ofensiva!

Me causa nojo, ver aqui no face gente pobre (materialmente e de espírito) querendo passar por classe média ou rico. Gente endividada nos cartões de crédito até o pescoço por ter comprado um carro usado, um TV de tela plana e um iPhone, gente que passeia nos shopping centers da vida sem um “puto” no bolso mas de cabeça erguida e olhando com arrogância para um boliviano coitado cujo único pecado é querer ter uma vida melhor para ele e sua família. Isto sim é que é uma hipocrisia lamentável!  Gente que vai na igreja, dá o dinheiro que não tem ao pastor mas ignora o sofrimento ao seu redor!

É este mesmo povo que deu um chute no pé e colocou esta corja no poder. Corja esta que agora está tirando os últimos direitos do trabalhador.  Trabalhador que acabará morrendo antes de se aposentar! O Cara caga, senta em cima da merda, sente que está fedendo, mas, arrogantemente usa o que ele ouviu na Globo, Veja, Isto É, etc. como se fonte de informação honesta para se justificar. Ele não consegue ver que está cavando a própria cova! Ele não consegue entender que vivemos um momento revolucionário! Que, se continuar assim, como resultado da sua arrogância, muita gente vai morrer! A maioria da classe média brasileira, apoiando este governo golpista à serviço do capital internacional,  neste momento está agindo de forma criminosa! Sim, estou PUTO!

Mas, voltando ao livro do escritor Brett Henning:

"O fosso crescente entre a igualdade política teórica da democracia e a crescente desigualdade econômica exige urgentemente uma reparação radical."

Na Europa e na América do Norte (e no Brasil), as eleições não fizeram quase nada para mudar isso. Em vez disso, elas deram legitimidade às nossas elites que agora, inescrupulosamente, negociam entre si, argumenta Hennig.

Em países como Irlanda, Austrália e Países Baixos, onde foi tentado a nível local ou de cidade, a legitimidade da tomada de decisões feitas por assembleias resultantes de um sistema de seleção por sorteio, o apoio à estas decisões foi considerada alta. As pessoas confiaram e respeitaram os resultados, ao contrário do que aconteceu com muitas das decisões feitas pelos parlamentos que, na verdade, não representam o povo, mas, infelizmente exercem controle sobre nós.

Mas se a uma seleção por sorteio fosse adotada a nível nacional, nem tudo seria fácil! "Por exemplo, o domínio de servidores públicos, especialistas e burocratas poderia ser um problema", admite Hennig. "No entanto, sem eleições, várias formas de influência - em particular através dos principais meios de comunicação, doações institucionais e apoiadores corporativos - seriam eliminadas. Talvez conseguíssemos acabar com os malefícios dos lobistas da indústria das armas, do tabaco, do álcool, da indústria farmacêutica, etc.  Tenho fé de que as pessoas comuns capacitadas poderiam resistir à dominação dos burocratas e lobistas.

"Um parlamento de trabalhadores e servidores, recebendo um salário decente e com deliberação baseada em evidências, provavelmente protegeria os direitos dos trabalhadores, pagaria os servidores públicos e taxaria os ricos, diz Hennig. E me digam! Quem, com toda a honestidade, não gostaria de ver o fim dos políticos?"

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