chuck berry
Chuck Berry, o pai do Rock'n'Roll!

Chuck Berry: Morre o "Pai do Rock'n'Roll"!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Perdemos o "Pai do Rock’n’Roll"! Morreu ontem, sábado, 18 de março de 2017, aos 90 anos Chuck Berry!

Keith Richards é fã e John Lennon foi fã declarado! A contribuição de Chuck Berry à história do rock é indescritível!

Naturalmente tenho que dizer que além de ir ouvir novamente seus clássicos originais, de todos os milhares de covers gravados de suas músicas, escolhi aqui para tocar no meu som:

Carol - Rolling Stones (Get Yer Ya-Ya's Out!), 1969
Johnny B Goode - Johnny Winter (Johnny Winter And), 1971
Johnny B. Goode - Jimi Hendrix (Hendrix In The West), 1971
Roll Over Beethoven - The Electric Light Orchestra, 1972

Também coloquei para tocar dois medleys executadas ao vivo onde ele é muito bem lembrado:

Alvin Lee (Ten Years After) Festival de Woodstock com a música "I Going Home" e Uriah Heep em seus álbuns ao vivo que sempre terminavam com um medley com destaque para o álbum Uriah Heep Live (o capa preta) gravado em 1973.

Abaixo segue a biografia desta grande lenda do rock. Não se iludam! Sem Chuck Berry provavelmente o rock de hoje, como conhecemos, em todas as suas variações, nunca teria existido!

Chuck Berry - Um Resumo Biográfico

De todos os artistas inovadores do rock & roll, de todos os “pais” deste gênero, ninguém foi mais importante para o desenvolvimento deste estilo musical do que Chuck Berry. Ele foi seu maior compositor, o principal formador deste estilo instrumental, um dos seus maiores guitarristas, e um dos seus maiores intérpretes. Simplesmente, sem ele não haveria Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Bob Dylan, nem uma miríade de outras lendas do rock. Se este povo foi lenda ele foi um Deus. Ninguém conheceria o padrão de ”introdução de guitarra a lá Chuck Berry", o raio de energia emitido pela sua guitarra para chamar a banda e explodir num rock em qualquer configuração. Os ritmos do rockabilly não teriam sido incorporados ao agora padrão da pegada 4/4 do rock & roll. Não teríamos no rock moderno nenhum jogo de palavras obsessivo cheio de repetições. Na verdade, toda a história (e nível artístico) das composições no rock & roll teria sido muito mais pobre sem ele. Como Brian Wilson disse, ele escreveu "todas as grandes canções e já veio com toda a música do rock & roll." Aqueles que não o reivindicam como uma influência seminal ou professam um gosto para sua música e postura de palco mostram sua ignorância do desenvolvimento do rock assim como seu lugar como o primeiro grande criador deste estilo. Elvis pode ter alimentado imagens de rock & roll, mas Chuck Berry foi o seu coração e mentalidade original.

Ele nasceu em St. Louis (USA), dentro de uma grande família. Seu nome de batismo é Charles Edward Anderson Berry. Ele foi um aluno brilhante, desenvolvendo desde o início um amor pela poesia e pelo blues de raiz, ganhando até um concurso de talentos do ensino médio com uma interpretação de violão e vocais de uma canção da grande banda de Jay McShann, chamada ”Confessin'the Blues". Com algum ensinamento do barbeiro do seu bairro, Berry progrediu de uma guitarra tenor de quatro cordas até um modelo oficial de seis cordas e logo estava trabalhando na cena local de um clube do leste de St. Louis, e também se apresentando em todos os lugares que podia. Ele rapidamente descobriu que o público negro gostava de uma grande variedade de música e se dedicou à tarefa de reproduzir o máximo possível tudo que ouvia. O que ele descobriu que realmente gostava - além dos blues e das melodias de Nat King Cole - era a visão e o som de um homem negro tocando a “hillbilly music”, um tipo de música country dos brancos que, aliado ao seu talento inegável, junto com seu aparentemente inesgotável suprimento de versos novos para velhos clássicos, rapidamente fez dele um nome no circuito. Em 1954, ele acabou assumindo um lugar no pequeno grupo do pianista Johnny Johnson assim como uma residência no Cosmopolitan Club. Não demorou muito para que surgisse o Chuck Berry Trio que se tornaria a principal atração da comunidade negra, tendo a banda Kings of Rhythm, de Ike Turner, como sua única competição real.

Mas Berry tinha ideias maiores; Ele desejava gravar e lançar discos. Então, ele fez uma viagem a Chicago onde teve uma conversa de dois minutos com seu ídolo Muddy Waters, que o encorajou a contatar a gravadora Chess Records. Ao ouvir a fita demo caseira de Berry, o presidente da gravadora, Leonard Chess, mostrou-se interessado por uma música de “hillbilly” chamada "Ida Red" e rapidamente agendou uma sessão para 21 de maio de 1955. Durante a sessão, o título foi alterado para "Maybellene”. Neste dia o rock & Roll efetivamente nasceu e o resto é história. Embora esta gravação tenha chegado apenas próximo do vigésimo lugar na listagem da Billboard, a sua influência global foi, na área musical, enorme e totalmente inovadora. Finalmente havia sido lançado uma gravação de rock & roll de um artista negro, mas, com um apelo universal que, foi imediatamente abraçado pelos adolescentes brancos e pelos músicos do sul que tocavam hillbilly (um jovem Elvis Presley, ainda um ano inteiro antes do seu estrelato nacional, rapidamente adicionou-o na sua lista de artistas para serem convidados para dividir o palco em shows e festivais). Parte do segredo de sua originalidade era o ardente solo de guitarra de 24 compassos de Berry no meio desta faixa, os esquemas de rima imaginativos nas letras e o puro som da gravação, todos sinalizando que o rock & roll tinha chegado e não era nenhuma moda. É importante salientar que, o altamente influente Disc Jockey de Nova York, Alan Freed, ajudou colocar este registro para um público adolescente branco. Também pudera, Chess o dono da gravadora, deu-lhe parte do crédito na música como sendo um dos compositores em troca dele toca-la em todo lugar. Mas, para seu crédito, Freed foi também o primeiro DJ e promotor branco a usar consistentemente Berry em suas produções de rock’n’roll nos teatros Brooklyn Fox e Paramount (tocando predominantemente para o público branco); E quando Hollywood veio chamando um ano ou mais tarde, também se certificou de que Chuck aparecesse com ele nos filmes “Rock! Rock! Rock!, Go, Johnny, Go!”, e “Mister Rock'n'Roll”. Em apenas um ano, Chuck tinha saído da cidade de St. Louis onde tocando blues mal conseguia ganhar15 dólares por noite para transformar-se em uma sensação noturna comandando mais de cem vezes este valor e participando efetivamente no nascimento de uma nova variedade de música popular chamada rock & roll.

Os sucessos começaram a aparecer rapidamente nos próximos anos, cada um deles prestes a se tornar um clássico do gênero: "Roll Over Beethoven," "Thirty Days," "Too Much Monkey Business," "Brown Eyed Handsome Man," "You Can't Catch Me," "School Day," "Carol," "Back in the U.S.A.," "Little Queenie," "Memphis, Tennessee," "Johnny B. Goode," e a música que definiu aquele momento perfeitamente chamada “Rock and Roll Music.". Berry não só estava em constante demanda, viajando pelo país em shows de pacotes mistos e aparecendo na televisão e nos filmes, mas foi inteligente o suficiente para saber exatamente o que fazer com a grana ganha de uma carreira musical repentinamente bem-sucedida. Começou investindo pesadamente em bens imobiliários na área de St. Louis e, na tentativa de mudar as coisas, abriu em 1958, para consternação dos brancos locais, um nightclub racialmente misto chamado Club Bandstand. Suas atitudes eram perigosamente contrárias à de seus amigos, cantores Rhythm and blues, que se contentavam com um guarda-roupa de ternos chamativos, um Cadillac novo, e uma casa bonita em um bairro negro. Berry era esperto com uma visão empresarial e já estava fazendo planos para abrir, nas proximidades, um parque de diversões em Wentzville. Quando os poderosos de St. Louis descobriram que uma menina menor que Berry contratou tinha também começado a trabalhar como prostituta em um hotel próximo, acharam a desculpa que precisavam e caíram como um martelo na mosca. Convenhamos Chuck Berry estava ganhando muito dinheiro para se meter com prostituição e, não havia provas para prende-lo por abuso de menores. Então invocaram a “Lei Mann” que proibia transporte de menores de um estado a outro. Berry, lutou, enfrentou dois julgamentos, mas, no final, foi condenado a prisão federal por dois anos.

Ele saiu da prisão um homem mal-humorado e amargurado. Mas duas coisas muito importantes haviam acontecido em sua ausência. Em primeiro lugar, adolescentes britânicos descobriram sua música e estavam fazendo suas canções antigas transformarem-se em hits de sucesso novamente. Em segundo lugar, e talvez o mais importante, os Estados Unidos descobriram os Beatles e os Rolling Stones, ambos baseando sua música no estilo de Berry, com os primeiros álbuns dos Stones parecendo mais uma coletânea do Berry do que qualquer coisa. Então, em vez de resignar-se ao circuito, Berry se viu no meio de um boom mundial com sua música como peça central. Ele voltou com uma série de hits ("Nadine", "No Place to Go", "You Never Can Tell"), visitou a Grã-Bretanha em triunfo, e apareceu na tela grande com seus discípulos britânicos no revolucionário T.A.M.I. Show em 1964.

Berry foi adaptando-se aos novos tempos e foi encontrando novo público no processo e quando os gritos de "yeah-yeah-yeah" foram substituídos por sinais de paz, Berry alterou seu ato ao vivo para incluir também uns blues mais lentos e rapidamente se tornou uma presença obrigatória no circuito hippie de clubes e festivais. No início dos anos 70, depois de um período desastroso com a gravadora Mercury Records, ele voltou para Chess Records e gravou seu último hit com uma versão ao vivo de uma antiga canção de ninar chamada, "My Ding a Ling", rendendo à Berry seu primeiro disco de ouro. Até o final desta década, ele estava tão em demanda como sempre, tocando em tudo que foi show “Revival”, especial de TV e festival que foi lançado seu caminho. Mas, mais uma vez, os problemas com a lei lhe deram problemas e 1979, Berry voltou para a prisão, desta vez para evasão do imposto de renda. Após sair novamente em liberdade, desta vez, os dias criativos de Chuck Berry parecia ter chegado ao fim. Ele apareceu como ele próprio no filme biográfico de Alan Freed chamado American Hot Wax, e foi introduzido no Rock & Roll Hall of Fame, mas se recusou firmemente a gravar qualquer material novo ou até mesmo emitir um álbum ao vivo. Suas performances ao vivo tornaram-se cada vez mais erráticas, com Berry trabalhando com bandas terríveis e aparecendo ao vivo descuidado e até tocando com a guitarra desafinada, o que prejudicou a sua reputação com os fãs mais jovens e também com muitos dos seus antigos admiradores. Em 1987, ele publicou seu primeiro livro, Chuck Berry: The Autobiography, e no mesmo ano, viu o lançamento do filme do que provavelmente seria seu legado duradouro, o rockumentary Hail! Saudar! Rock'n'Roll, que incluiu imagens ao vivo de um show quando fez 60 anos de idade que conta com a participação de Keith Richards como diretor musical e o habitual grupo de superstares tocando em turnos como convidados.

Mas, a verdade é que, todas as suas façanhas fora do palco e problemas com a lei, nunca obscurecerão o fato de que Chuck Berry continua a ser o epítome do rock & roll, e sua música durará para sempre. O Legado de Chuck Berry é eterno porque quando se trata de sua música, talvez John Lennon tenha sintetizado tudo quando disse: "Se você quiser dar outro nome ao rock & roll , terá que chamá-lo "Chuck Berry"!.

Antonio Celso Barbieri

Add comment

Tenha paciência! Seu comentário aparecerá assim que for avaliado pelo administrador deste site!


Security code
Refresh

Comentários dos Visitantes

Articles View Hits
2328731

We have 169 guests and no members online