Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius Duo: A dupla lança novo álbum chamado Antítese (2016)

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A dupla lança novo álbum chamado ANTÍTESE
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Antítese
Escutando este álbum, fiquei em dúvida… terei capacidade para escrever algo compatível com o nível deste trabalho? Em 2015 quando recebi o primeiro trabalho desta dupla virtuosa chamado Novos Caminhos cheguei até a sugerir que o mesmo poderia ser um novo caminho para o Jazz mas, agora com seu novo álbum recém lançado chamado Antítese, me pergunto novamente, se este não é um novo caminho para a Música Popular Brasileira? Bom, a bem da verdade, de popular este trabalho não tem nada pois, como no álbum anterior, o mesmo, devido ao nível técnico de execução, beira o tempo todo o Jazz e a música erudita.

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra Antítese representa uma figura pela qual se salienta a oposição entre duas palavras ou ideias. Bom, em qualquer sistema de raciocínio que procure chegar a verdade através do uso da argumentação, certamente acabaremos usando a “tese”, a "antítese" e a "síntese". Por exemplo, o "Inferno" é uma antítese do "Paraíso" assim como a "desordem" é uma antítese da "ordem". Antítese será então, uma justaposição de ideias contrastantes, opostas, geralmente usadas de uma forma coerente e balanceada.

E na música? Acredito que, nossos amigos Chenta e Barasnevicius, com uma técnica absurda, foram lá no caldeirão da música brasileira e colheram pedacinhos de bossa-nova, samba, baião, etc. e de forma minimalista buscaram chegar na essência da coisa, para depois reciclarem este material, repetindo-o, já vestido com uma nova roupagem que imediatamente remeteu-me ao Jazz só que, curiosamente fiquei sempre com aquela impressão de que nunca musicalmente saí do Brasil. É a “antítese” do velho, sem perder as suas origens. É a “antítese” do “Jazz” sem deixar de homenagear e respeitar os grandes mestres norte americanos do passado. É a “antítese” da “MPB” sem nunca deixar de soar "bem brasileiro".

Chamar este trabalho de música para as massas, de música fácil, seria um grande erro, mas, realmente não posso deixar de tirar o meu chapéu, porque senti a confluência dos estilos em composições perfeitas assim como um nível e qualidade da gravação maravilhoso que, somado à dedicação mostrada por Chenta e Barasnevicius torna Antítese um álbum essêncial, principalmente aos amantes da boa guitarra, acústica ou não.

Escutando este novo trabalho ficou claro que certamente estes músicos seriam muito mais respeitados e apreciados no exterior onde existe um público mais receptivo a este tipo de material sonoro. Só posso desejar que Chenta e Barasnevicius tenham a tenacidade para continuar criando, fazendo e nos brindando sempre com material desta qualidade! Parabéns!

Antonio Celso Barbieri

Release fornecido pelos músicos

Os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius iniciaram as atividades do seu duo em 2013, desenvolvendo técnicas de arranjo, composição, improvisação e interação musical. Utilizam apenas duas guitarras eletroacústicas com encordoamento liso.

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Seu repertório é feito de composições próprias. Alguns temas caminham por ambientes como a balada, a bossa nova, o jazz moderno, o samba e o groove, entretanto a maioria das obras musicais compostas pelo duo demonstram grande originalidade ao não se enquadrarem em gêneros e estilos musicais já formatados e difundidos. Algumas peças trazem elementos experimentais e são criadas no momento da sua execução através de jogos de improvisação ou partes literalmente livres.

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Rodrigo Chenta
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Ivan Barasnevicius

A diversidade timbrística é uma das características mais marcantes do duo. Cada guitarra possui uma sonoridade muito peculiar. Enquanto Rodrigo Chenta prioriza a utilização do som acústico de seu instrumento, Ivan Barasnevicius dá mais ênfase ao som do amplificador. Outra característica marcante é o formato não-standard adotado tanto nas composições como na maneira de interpretar e improvisar de ambos os músicos.
Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius compõem separadamente, no entanto os arranjos coletivos mostram como os dois músicos conseguem um notório entrosamento tanto musical como no âmbito das ideias e propostas artísticas.
Gravaram em 2015 o seu primeiro CD autoral intitulado "Novos Caminhos" que teve grande apreço da crítica especializada. Possui peças musicais escritas especificamente para a referida formação instrumental e adaptações com belos arranjos para temas compostos anteriormente.

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Em 2016, lançaram o álbum "Antítese", que além de aprofundar algumas propostas do primeiro trabalho, como a diversidade de timbres e o formato não-standard, também percorre novos e diversos caminhos ao atuar com canções que interagem tanto com jogos de improvisação, técnicas contrapontísticas, influências da música mineira dos anos 1970 e também do rock.

Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

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Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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