Avenger: Uma das primeiras bandas do Heavy Metal Brasileiro!


Avenger, uma das primeiras bandas do Heavy Metal Brasileiro!
escrito por Antonio Celso Barbieri

 

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Gilson, Roberto (Bob), Paulo Egydio e Luiz Teixeira. Todas as fotos branco & preto: Antonio Celso Barbieri

A banda Avenger liderada pelo vocalista Paulo Egydio Rossi surgiu em 1983 no bairro de Guarulhos em São Paulo. Além de Paulo, a banda contava com Roberto (Bob) na guitarra, Luiz Teixeira no baixo e Gilson na bateria. Assim como muitas outras bandas paulistas, o grupo fazia um Heavy Metal competente e bem tradicional influenciado pelo estilo das bandas inglesas do mesmo período. Estilo este, que no seu início teve o nome “The New Wave of Heavy Metal”.

Esta banda, infelizmente, seguindo a norma geral, não conseguiu sobreviver por muito tempo. Entretanto, no curto tempo que esteve ativa, conseguiu lançar duas músicas na famosa coletânea SP Metal produzida pelo Luis Carlos Calanca da loja e gravadora Baratos Afins. Além disso, ainda teve uma música incluída na coletânea São Power produzida por mim e lançada pela loja e gravadora Devil Discos.

Lamentavelmente, no começo dos anos 80, a produção e gravação de rock no Brasil ainda estava apenas engatinhando. Com os estúdios mais acostumados a mixar música religiosa, sertaneja e MPB, as gravações e mixagens do rock nacional sempre deixaram muito à desejar. Faltava o peso, o vocal estava sempre muito mais para frente e a idéia geral, era a de que rock era muito barulhento e tinha que ser “melado” para tocar nas rádios.  As bandas de rock mais pareciam ratos de laboratório nas mãos de técnicos inexperiêntes. Como as bandas não tinham nenhuma experiência com estúdios de gravação e, a maior parte, nem dinheiro para bancar as próprias produções, a coisa ficava mesmo na mão do produtor da gravadora que, também não tinha experiência e, nem sempre era um grande aficionado deste estilo.

Tendo dito isto, me surpreende a qualidade e quantidade do legado artístico dos Mutantes, banda da geração anterior que teve excelentes albuns lançados nos anos 70. Os Mutantes devem ser julgados não só pela qualidade artística mas também pela inovação e pioneirismo do seu trabalho.

Bob, a identidade secreta do guitarrista

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O banho de Champagne!

Mas, voltando ao Avenger, estas duas músicas gravadas para a colêtanea SP Metal, pelos motivos acima expostos, sofreram na gravação e mixagem não conseguindo capturar o melhor que a banda tinha a oferecer.

Ao vivo, a coisa era bem diferente. O Avenger agradava muito com um show energético e cheio de surpresas.

Normalmente todo concerto incluía covers de bandas como Judas Priest e Metallica e sempre terminava, como nas corridas de Formula 1, com um banho de Champagne na platéia.

Fui o empresário da banda por um bom tempo e, durante o tempo que andei nos controles, mantive a banda ocupada promovendo shows na capital de São Paulo e cidades vizinhas.

A falta de teatros para shows obrigou-me a invadir espaços até então nunca explorados pelo Heavy Metal como por exemplo um show que fizemos numa casa noturna chamada Wal Improviso que existia lá na Rua Frederico Steidel perto do Largo do Arouche.

Como o Wal Improviso começava funcionar somente depois da 1 da manhã indo fechar só lá pelas 7 ou 8 horas da matina, convencí o dono a nos ceder o espaço numa tarde de sábado. O show foi um sucesso. Como pagamento a banda fez um show de madruga para o público da casa que infelizmente foi apático e não receptivo.

Aprendí uma lição importante. Pensar duas vezes antes de colocar meus artístas na frente de um público ignorante ao estilo musical que sera apresentado.

Falando em estilo, nesta época o Heavy Metal não era o único estilo em voga. O Punk estava comendo solto na periferia e, nós tivemos mais que um problema com o radicalismo dos punks e skinheads.


Paulo Egydio e Luiz Teixeira

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Todas as fotos branco e preto são de autoria de Antonio Celso Barbieri.

Luiz Teixeira e Paulo Egydio

No Teatro Conchita de Morais no Município de Santo André, na entrada do teatro, por uma fração de segundo, fiquei literalmente paralizado olhando este punk com cabelo cortado ao estilo moicano, com sua machadinha levantada à menos de um metro da minha cabeça pronto para acabar comigo.

Enquanto o show da banda de abertura acontecia, na portaria, eu tentava controlar sozinho uma gang de pelo menos uns 30 punks que queriam entrar sem pagar. O problema não era o pagamento, pois estava claro que o que eles queriam mesmo era causar desordem e quebrar tudo dentro do teatro. Foi durante o show do Avenger que a violência explodiu.

Só fui salvo porque o barulho das várias portas de vidro da frente teatro vindo abaixo à botinadas pelos seus parceiros desviou-lhe a atenção, dando-me tempo para correr, subir no palco, pegar o microfone das mãos do Paulo e convocar a platéia para a luta.

No meio dos shows do Avenger, como parte da performance, na hora do solo do guitarrista durante a apresentação da música “999”, um monge encapuçado geralmente entrava no palco com uma picatera com as pontas pintadas em vermelho,  aparentando sangue.

Depois de desafiar a platéia, o monge usava a picareta como guitarra e simulava um duelo de guitarras com Bob, o guitarrista.

Era um truque teatral que sempre funcionava...

Quando invadí o palco, pegando o microfone e chamando o público para a “guerra”, peguei a picareta e saí correndo atrás dos punks seguido pela platéia. Já na praça em frente do teatro com os punks fugindo à distância descobrí que estava só.

Olhei para trás só para descobrir que o público ainda estava todo dentro da entrada do teatro com caras de assustados observando o estrago. Mas que covardões!

Paulo Egydio e Roberto (Bob)

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Para ser franco, o pessoal do metal nunca foi um pessoal bom de briga. Os punks na sua maioria, eram movidos a pinga ou anfetaminas enquanto que o público do rock pesado na sua maioria vinham aos shows "caretas", movidos à cerveja ou no máximo um fuminho. Tudo gente pacífica! Em toda a minha carreira nunca tive um problema de violência com o pessoal do metal nos meus shows. Aliás, em termos de classe social a coisa estava mais ou menos dividida assim:


Plafleto 1

Classe Pobre: Punk/Pinga/Anfetaminas.
Classe Média: Rock/Cerveja/Fumo.
Classe Rica: Bossa Nova & Jazz/Whiskey/Cocaína

OK! Divaguei de novo! Mas, voltando ao teatro, a polícia até que enfim apareceu e pegou todos os punks numa estação de trem próxima. Foi bom porque se não achassem os culpados eu teria, como responsável, que pagar por todo o prejuízo.


Plafleto 2

Infelizmente, o show do segundo dia teve que ser cancelado e acabamos perdendo dinheiro com o aluguel do equipamento de som.

Imaginem só a cena: Eu correndo com uma picareta com as pontas "ensanguentadas" atrás de um punk com cabelo cortado tipo moicano e segurando uma machadinha. Sinto vontade de rir mas a verdade é que naquele momento a coisa foi séria. O que é que eu faria com a picareta se o punk parasse e me enfrentasse? Sei lá! É bom nem pensar...

Capa da Coletânea SP Metal I

A música “Barrados no Baile” do cantor Eduardo Dusek estava fazendo sucesso nas rádios e como resultado no jornal local saiu a manchete: “Punks barrados no baile quebram tudo!”.

Quero deixar claro que apesar de ter tipo problemas com certos elementos radicais, sempre gozei do respeito dos músicos das principais bandas punks daquele período como por exemplo João Gordo (Ratos de Porão), Fábio (Olho Seco), Redson (Cólera), Clemente (Inocentes). Aliás, as gangs punks eram os principais inimigos do seu próprio movimento.

Naquele período, o número de bandas de rock pesado aumentaram consideravelmente e percebí que, como diz o ditado "uma andorinha só não faz verão". A idéia era dar uma força para o movimento e assim ver se conseguia acordar a imprensa, rádios, emissoras de TV e gravadoras.

Parei de trabalhar com a banda Avenger pouco antes dos seus músicos começarem as gravações para a coletania SP Metal e, continuei a minha carreira de produtor de shows indo, na sequência, produzir as duas temporadas do Projeto SP Metal no Teatro Lira Paulistana onde tocaram dezenas e dezenas de bandas. Muitos outros projetos se seguiram, sempre envolvendo um grande número de grupos.

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Confesso que, conhecendo tão bem o som do Avenger, também fiquei decepcionado com o resultado final da participação deles na coletânea SP Metal.

Se Paulo nunca foi um grande virtuoso no vocal, em compensação, seu profissionalismo e postura de palco sempre foi excelente. Paulo era carismático e segurava o show com maestria. Com um repertório em português e música bem ao estilo da banda Judas Priest, o público sempre voltava para mais. Quer dizer, com a audiência crescendo à cada show, certamente a banda estava fazendo alguma coisa certo.

Acredito que um técnico de som competente e um produtor mais atento, teriam dado mais suporte para Paulo na gravação equalizando e mixando sua voz de maneira mais profissional.

Neste mesmo período iniciei a produção de uma coletânea para o selo “Devil Discos” pertencente ao Francisco Domingos de Souza (Chicão). Aproveitei então para incluir uma faixa gravada ao vivo no Teatro Lira Paulistana chamada “Usinas Nucleares”. Usinas Nucleares era uma das músicas preferidas do público e foi uma boa oportunidade para mostrar o poder de fogo do grupo.

Eu dei o nome São Power para o álbum que era composto apenas por faixas gravadas ao vivo de bandas que já tinham acabado. A qualidade das gravações é pobre, mas a idéia foi documentar e preservar, de alguma forma, o som destas bandas ao vivo. Apesar de todas as limitações, Usinas Nucleares mostra no álbum um Avenger poderoso e quebrando tudo. O álbum São Power foi o primeiro lançamento do Selo Devil Discos. O segundo lançamento foi o album Korzus ao Vivo.

Capa da coletânea São Power
Luiz Teixeira (Baixo)

Korzus ao Vivo foi o primeiro de vários álbuns lançados pela banda Korzus neste selo. Foi com o álbum Korzus ao Vivo que eu ganhei pela primeira vez algum dinheiro com rock. Foi o suficiente para que eu pudesse comprar minha passagem para a Europa e cair fora. (clique aqui para saber mais sobre a colaboração do Barbieri com a Devil Discos)

A banda Avenger acabou pelos mesmos motivos que muitos grupos acabam.

Foi por falta de experiência, deterioração das relações inter-pessoais entre os membros da banda e, principalmente, resultado dos comentários destrutivos feitos pelo público à respeito do desempenho do vocalista na coletânia SP Metal. O resto da banda acabou rompendo com Paulo e formando um novo grupo chamado Destroyer que teve uma existência relâmpago e acabou tão rápido quanto começou. A verdade é que, quem tinha o poder financeiro era Paulo e sem Paulo a banda não teve condições econômicas para continuar.

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Curiosamente, muitos anos se passaram e parece que a banda foi redescoberta por um público novo.

Recentemente revistas de música tem feito boas críticas dos albuns SP Metal I e SP Metal II onde Avenger, surpreendentemente, sempre foi congratulado pela qualidade do seu trabalho. É, o mundo da muitas voltas...

Infelizmente, é uma pena que a “fita master” destas gravações não tenha sido guardada pois, com a tecnologia de hoje uma nova mixagem seria a solução final.

Enqunato escrevia esta matéria, único membro da banda que continuava ativo, seguindo o seu sonho, era o baixista Luiz Teixeira. Ele fez parte da banda TARKUS, talvez o grupo de rock progressivo que, por um período, tenha chegado a ser o mais importante do Brasil. Só para finalizar, gostaria de dizer que o logo da banda e o desenho do monge foram criados por Roberto, o guitarrista. A animação e adaptação para a Internet foram feitas por mim.

Antonio Celso Barbieri
Avenger ao vivo no Teatro Lira Paulistana em 1984


O ANJO VINGADOR
Por Ricardo Batalha (Roadie Crew)

Quando se fala em Avenger para algum fã de Heavy Metal, três opções vem à mente: a banda inglesa que gravou os álbuns Blood Sports (1984) e Killer Elite (1985); a alemã (pré-Rage), que gravou em 1985 o álbum Prayers Of Steel e o EP Depraved To Black; e a brasileira, que surgiu em setembro de 1982, na cidade de Guarulhos (SP). Formado por Paulo Rossi (vocal), Roberto "Bob" Gomes (guitarra e backing vocals), Luiz Teixeira (baixo e backing vocals) e Gilson Paiola (bateria), o Avenger brasileiro tinha composições que sempre agitavam o público em seus shows. Entretanto, após receber o convite para integrar a coletânea "SP Metal", os músicos decidiram compor material inédito e assim criaram dois hinos do Metal nacional: Missão Metálica e Cidadão do Mundo. Além da participação na primeira edição do "SP Metal", o Avenger teve a música Usinas Nucleares incluída na coletânea São Power (Devil Discos), produzida por seu manager Antonio Celso Barbieri e que também trazia outras faixas gravadas ao vivo com bandas da época: Excalibur (Litanias De Satã), Anarca (Powermetal), Improviso (Deuses De Marfim), Sabotagem (Anjos Rebeldes), Mephisto (Psicometal), Aerometal (Limiar Da Manhã) e Mammoth (Headbanger). Mesmo com a boa receptividade, o Avenger não conseguiu superar os problemas internos com as divergências musicais e encerrou as atividades tempos depois. Luiz Teixeira conta mais detalhes sobre a banda e a coletânea "SP Metal".

Roadie Crew: Explique o porquê do nome adotado pela banda. Como foram as primeiras reações das pessoas ao nome e ao som?
Luiz Teixeira: Escolhemos Avenger por ser um nome forte, que tinha muito a ver com a postura Heavy da época, sendo um vingador para uma música desprezada pela mídia e pelo público em geral. A reação das pessoas foi a melhor possível tanto em relação ao nome como ao nosso som.

Roadie Crew: Como foram os primeiros ensaios? Quais foram as primeiras composições criadas? Quem eram os responsáveis pela criação das músicas?
Luiz: Os primeiros ensaios foram muito empolgantes! O entrosamento e a identificação rolaram logo de cara. As primeiras composições, criadas pelo Paulo (letras) e o "Bob" (música) foram: Substar, Minha Tristeza, Bandoleiro Rockeiro, Chinatown e 999. Mais tarde houve músicas de minha autoria e do Bob, com letras do Paulo. Apenas uma tinha letra e música compostas por mim, a Heavy Metal Vingador.

Roadie Crew: Quais eram as influências musicais da banda? Vocês tocavam quais covers nos shows?
Luiz: Posso fazer um apanhado geral das influências de todos: Pat Travers, UFO, Scorpions, Black Sabbath, Deep Purple, Metallica, Motörhead, Saxon, Molly Hatchet, Raven, Judas Priest etc. Tocavamos os covers de Break The Chain do Raven, Seek And Destroy do Metallica e duas do Judas Priest, Breaking The Law e Grinder.

Roadie Crew: Quando e onde foi o primeiro show? Como foi a resposta do público?
Luiz: O primeiro show foi na FGV (Fundação Getulio Vargas), em abril de 1983. Foi muito legal tocar em um lugar como aquele, pois as pessoas não conheciam bem o estilo e aquela foi uma prova e tanto para nós. Só para deixar registrado, o Toninho (Antonio Pirani), da Rock Brigade, estava presente.

Roadie Crew: Fale sobre a criação do logotipo e da postura visual do Avenger.
Luiz: O logotipo foi criado pelo Bob, que é um excelente desenhista, com letras metálicas - por razões óbvias - e um tanto quanto futurista, fazendo um paralelo com o passado no visual do vingador (símbolo). A postura visual da banda sempre foi, digamos, Hard-Metal, o mais simples possível.

Roadie Crew: Como se deu o convite para integrar o "SP Metal"?
Luiz: O convite foi feito pelo Luiz Calanca através do Celso Barbieri, nosso empresário. Ele havia gostado do trabalho da banda em uma Demo de ensaio que o Celso mostrou para ele.

Roadie Crew: Por que vocês escolheram as duas faixas que integraram o "SP Metal"? Como foi esta escolha?
Luiz: Nós queríamos apresentar algo inédito e por isso as duas músicas - Missão Metálica e Cidadão do Mundo - foram especialmente compostas para o disco.

Roadie Crew: Conte alguns detalhes e curiosidades do processo de gravação das músicas para o "SP Metal".
Luiz: O disco foi gravado e mixado no Vice-Versa, um estúdio muito bom para a época, porém gravamos no estúdio B, que era bem menor e com menos recursos que o estúdio A. Gravamos, acredite se quiser, em oito míseros canais direto na mesa (sem amplificadores), o que prejudicou muito a qualidade. Foi tudo feito na fé e coragem, mas com muita dedicação e acho que isso nós conseguimos passar para o disco. Muita cerveja e vodka na padaria da esquina, que existe até hoje (risos). Me lembro que o Nico (técnico) curtia muito um banquinho de padaria... Teve uma sessão de mixagem que foi muito divertida e quase perdida pelo estado etílico do Nico. Claro que este fato foi só um de inúmeros e eu teria que escrever um livro...

Roadie Crew: Como foi a receptividade do público após o lançamento do "SP Metal"?
Luiz: A receptividade do público foi a melhor possível, considerando a falta de divulgação, mas nos shows sentíamos que tinha valido a pena.

Roadie Crew: Como era a união das bandas participantes?
Luiz: A união das bandas era muito boa, todos amigos, alguns até hoje.

Roadie Crew: Como o lançamento do "SP Metal" ajudou a carreira do Avenger?
Luiz: Na verdade nossa carreira começou praticamente a partir do "SP Metal". Obtivemos respeito tanto do público como da mídia especializada, aliás, acho que até hoje.

Roadie Crew: Houve alguma mudança na formação da banda no decorrer dos anos?
Luiz: Não, a formação foi a mesma do início até o fim.

Roadie Crew: Como você se sente sendo um músico que participou da criação da cena do Metal nacional? Como pode comparar o nosso cenário na época do "SP Metal" com o que temos atualmente?
Luiz: Me sinto realmente honrado por ter estado naquele projeto, que foi um marco para a nossa música, em um país que não sabe lidar com as diferenças. Acho que foi um passo importante para o reconhecimento do talento de músicos de Rock no país do samba. Comparações são complicadas de fazer, você pode falar coisas que não serão compreendidas da maneira que deveriam ser. Acho hoje o cenário do Heavy Metal no Brasil é muito mais forte que naquela época, é claro, mas é menos criativo, musicalmente e cenograficamente falando. Vejo muitas bandas iguais e sem identidade. Claro que isso não é uma regra, mas a maioria decide copiar e não criar, o que é uma pena, porque capacidade e oportunidade não faltam.

Roadie Crew: Quais as outras bandas nacionais daquela época você destacaria?
Luiz: Kaos, Harppia, Mammoth, Ano-Luz, Anthro, Cygnus, Cerbero, Sabotagem e muitas outras.

Roadie Crew: De todas as bandas participantes das duas edições do "SP Metal" somente o Korzus e o Salário Mínimo ainda estão na ativa. Por que a sua banda se separou? O que ocorreu?
Luiz: Na verdade quando você tem uma banda você tem uma família. Como em todas as famílias existem pontos de divergência, o que aconteceu foi exatamente isso, as divergências musicais.

Roadie Crew: Por onde andam e o que fazem os músicos atualmente?
Luiz: O Gilson desapareceu, não sei por onde anda e o que está fazendo. O Paulo e o Bob ainda estão muito presentes, temos alguns projetos musicais juntos e somos grandes amigos. Eu tive muitos projetos ao longo desses anos e alguns vale a pena mencionar, como o Destroyer, onde toquei ao lado do Bob, do Gilson e do Robson Goulart (vocalista do Performances, Acid Storm e Spitfire); Rockdogs; Tarkus; e, atualmente, o Elephant.

Roadie Crew: Deixe uma mensagem final para a nova geração, que não teve contato direto com a época do "SP Metal".
Luiz: Espero que a nova geração seja realmente nova, que tenha muita criatividade e identidade. Lembre-se: Rock é atitude, toquem sempre com o coração!

Luiz Teixeira RAIO-X
Banda: Avenger
Nome: Luiz Carlos Teixeira
Idade: 40 anos
Data e local de nascimento: 12/11/1963, em Santo André (SP)
Estado civil: Casado
Função: Baixista
Como aprendeu a tocar: Ouvindo muito Rock!
Quando começou a gostar de Heavy: Em 1977
Primeiro show de Rock que assistiu: Queen, em São Paulo (SP)
Primeiro disco e camiseta de Rock que comprou: Rush - Rush, e a primeira camiseta foi uma do Deep Purple
Bandas em que tocou: Salen, Habeas-Corpus, Dragster, Avenger, Destroyer, Tarkus, Elephant e alguns projetos cover
Lugar onde mora atualmente: Tatuapé, em São Paulo (SP)
Melhor banda de todos os tempos: Black Sabbath
Contato: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

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Comments (3)

Sou o baterista da Antiga banda de sampa DESTROYER e tenho a gravação original feita no teatro mambembe junto com o Show do Korzus, precisa melhorar a qualidade do som e vídeo, fala para o Luizão entrar em contato comigo e agendaremos para...

Sou o baterista da Antiga banda de sampa DESTROYER e tenho a gravação original feita no teatro mambembe junto com o Show do Korzus, precisa melhorar a qualidade do som e vídeo, fala para o Luizão entrar em contato comigo e agendaremos para lembrar os velhos tempos, valeu...<br /><br />Barbieri responde: Oi Gilson, se estiver interessado tenho equipamento para melhorar a qualidade do vídeo e do áudio. Estou muito interessado neste seu material, desde que possa colocá-lo no site para que todo mundo tenha acesso! Um grande abraço!!! Meu email rock@celsobarbieri.co.uk

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Olá Barbieri,venho agradecer por compartilhar com o grande publico tanto material importante e que conta a história do Heavy Metal no país. Adoraria manter contato com vc. Abraço.<br /><br />Barbieri responde: Caro amigo meu email é...

Olá Barbieri,venho agradecer por compartilhar com o grande publico tanto material importante e que conta a história do Heavy Metal no país. Adoraria manter contato com vc. Abraço.<br /><br />Barbieri responde: Caro amigo meu email é rock@celsobarbieri.co.uk

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  1. PETER

Cara viajei no tempo lendo o texto, principalmente a parte da treta do Teatro Conchita de Morais, nasci e moro até hoje em Santo Andre e estava lá !!! Não sei como não achei essa matéria antes, sensacional, Avenger !!! Foi nessa noite onde ouvi...

Cara viajei no tempo lendo o texto, principalmente a parte da treta do Teatro Conchita de Morais, nasci e moro até hoje em Santo Andre e estava lá !!! Não sei como não achei essa matéria antes, sensacional, Avenger !!! Foi nessa noite onde ouvi pela primeira vez o termo "headbangers" não lembro mas acho que foi no show do Avenger mesmo que recebemos essa lição: "Nós somos headbangers!!!!"

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Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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