Música do Barbieri Música do Barbieri

barbieri ao piano 1Abaixo seguem minhas composições, remixes, gravações e produções musicais.
Faça uma viagem pelos caminhos eclético musicais do Barbieri!

the string  theory

        love travels

"Love Travels"
(a oitava faixa do álbum acima)
Escutem minha nova composição, parte do meu novo álbum
ainda em gravação chamado The String Theory!

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Como o nome Love Travels sugere, esta música fala de relacionamentos e é bem autobiográfica porque trata-se de uma declaração de amor à minha querida esposa Andrea, a força que me ajuda, insentiva e me dá todo o apoio emocional para que eu continue o meu trabalho.  Confesso que estou muito feliz com estas músicas já gravadas! Acreditem, este álbum nem foi lançado oficialmente e já tem recebido muito elogios. Chequem abaixo a letra de Love Travels com sua tradução ao lado:

Love Travels
by Antonio Celso Barbieri

Love Travels
Everything started in São Paulo, Brazil

Love Travels
But was only in London
We found each other
Love Travels

Love Travels
We visited Paris
The city was very romantic but
You were very shy
Love Travels

Love Travels
From Milan to Venece and
From Firenze to Rome
I managed to travel from
your lips to your feet and back
Love Travels

Love Travels
in Berlin we discovered
There was no wall
that could keep us apart
Love Travels

Love Travels
In Barcelona we choose
to follow the Gaudí trail
and walk on the beach
Love Travels

Love Travels
Finaly in London
we built our love nest
and only accepted
the finest love could offer
Love Travels

Love
Eu não vivo sem você!
Love

Amor Viaja
Tudo começou em São Paulo, Brasil

Amor Viaja
Mas, foi somente em Londres
que nos encontramos
Amor Viaja

Amor Viaja
Nós visitamos Paris
A cidade estava muito romântica, mas
você estava muito tímida
Amor Viaja

Amor Viaja
The Milão à Veneza
e de Florença à Roma
Consegui viajar
dos seus lábios aos seus pés e voltar
Amor Viaja

Amor Viaja
Em Berlin nós descobrimos
que não existe nenhum muro
que possa manter-nos separados
Amor Viaja

Amor Viaja
Em Barcelona nós escolhemos
seguir a trilha do Galdi
e caminhar na praia
Amor Viaja

Amor Viaja
Finalmente em Londres
nós construímos nosso ninho do amor
e somente aceitamos o que
de melhor o amor tem a oferecer
Amor Viaja

Amor
Eu não vivo sem você!
Amor

Antonio Celso Barbieri

Barbieri tocando piano em Palermo na Sicília
Itália - 19/10/2015

Junto com minha esposa, em Palermo, ficamos hospedados no Hotel Libertà, que fica localizado no centro da cidade, no décimo andar de um prédio.  Quando entramos no bar deste hotel, encontrei este piano e, como sempre, não resisti a tentação de registrar mais um improviso! O piano era lindo, soava bem e o local oferecia uma vista panôramica muito bonita desta cidade! Espero que vocês a apreciem tanto quanto nós! :-)

Música e edição de vídeo: Antonio Celso Barbieri
Câmera: Andrea Falcão


Dama da Noite
Barbieri faz música discutindo, entre outras coisas, o amor e o ódio na paixão!
Escrito por Antonio Celso Barbieri


Às vezes, o amor e o ódio são as duas faces da mesma moeda. O amor está mais próximo do ódio do que se imagina. Já foi dito que a paixão é um fogo intenso que esgota-se rapidamente enquanto o amor, por outro lado, é mais balanceado, reciproco e duradouro. Infelizmente, muitas vezes, quando a paixão acaba o que fica é o ódio. O ódio por sentirmo-nos rejeitados. O ódio resultante do medo cego de ficarmos sozinhos para sempre.

No filme All That Jazz dirigido por pelo famoso coreógrafo e diretor Bob Fosse em 1979, ele de forma autobiografica compartilha com a audiência seus amores, obsessões e loucuras. Neste filme Bob Fosse é interpretado brilhantemente pelo ator Roy Scheider que, imagina a morte como uma bela mulher vestida de branco, quase como uma noiva. Então no final do filme ela, a morte, vem busca-lo como se fosse um último ato de sedução.

A minha Dama da Noite é uma mulher mais ou menos assim mas, ela também é o arquétipo de todas as mulheres que, um dia, fizeram os homens sofrerem. Eu sei que todos sabem mas, reafirmo que o sofrimento no amor não é privilégio apenas das mulheres e sim, de toda a raça humana. Quem não sofreu por amor, nunca viveu! Nunca algo fez tanto pela arte do que um coração partido!

Aqueles que, um dia chegaram ao fundo do poço, humilharam-se, imploram, choraram e depois dos quase 6 meses de "luto", que é o tempo mínimo necessário para ficarmos em pé novamente e continuarmos nossa busca pelo verdadeiro amor, só posso aconselhar: nunca desistam porque vale a pena!

Quanto à esta poesia, ela foi retirada do baú das minhas emoções e pertence à um passado distante, coisa perdida no tempo, do tempo em que eu batia a cabeça buscando numa mulher algo que eu nem sabia o que era. Se vocês ficaram curiosos, quero deixar claro que eu encontrei aquilo que buscava! Hoje sou feliz!

Antonio Celso Barbieri

Dama da Noite
por Antonio Celso Barbieri

Dama da Noite!

Se você pensa
que eu sou uma massa inerte
que vou deixar você me moldar e
fazer o que quiser de mim
está muito enganada.

Você inesperadamente
surgiu do nada e
entrou na minha vida
na minha alma.

Dama da Noite!

Com seus olhos hipnóticos
seduziu-me com promessas
de amor e um futuro melhor
para nós dois.

Cai no conto e sem dar conta
atraído pelo seu perfume.

Acabei me perdendo
nas curvas do seu corpo e
fui parar o deserto do seu coração.

Fui capturado na sua
telha de aranha.

Dama da Noite!

Agora vivo neste labirinto de emoções e
como um cão vadio
não encontro repouso.

Deixei-me escravizar pela sua boca e
agora não consigo viver
sem beber o licor do seu prazer.

As noites viraram meses e
às vezes imploro pela luz,
luz que me faça acordar deste pesadelo e
quebrar as correntes, desfazendo este elo
que me prende você.

Dama da Noite!
Te amo e te odeio!

Dama da Noite!
Te amo e te odeio!

Na última cena do filme All That Jazz o ator Roy Scheider encontra-se com a morte. Os seus últimos momentos são representados por um show onde todos os seus amigos estão convidados, todas as suas ex mulheres e até seus inimigos e as prostitutas com quem ele fez amor. Este show é a sua despedida deste mundo e termina com o seu encontro com a morte na figura de uma bela mulher toda vestida de branco. Me identifico muito com este personagem e não tenho dúvidas que minha vida foi sempre um grande show de rock onde nem sempre sai bem ou fui entendido mas que, neste meu show, como um bom ariano, abaixei a cabeça e, como uma cabra, fui seguindo meu caminho, dando cabeças por todos os lados! Não me arrependo nenhum pouco! :-)

all that jazz

Bye Bye Life

parte da trilha sonora do filme All That Jazz
(nome inspirado na música "Bye Bye Love" de Everly Brothers)
cantada no filme pelos personagens O'Connor and Joe
(Ben Vereen and Roy Scheider)

Bye bye life
Bye bye happiness
Hello loneliness
I think I'm gonna die
I think I'm gonna die
Bye bye love
bye bye sweet caress
Hello emptiness
I feel like I could die
Bye bye your life goodbye
Bye bye my life goodbye
There goes my baby with someone new
She sure looks happy
I sure am blue
He sure is blue
Tchau tchau vida
Tchau tchau felicidade
Oi solidão
Eu acho que estou morrendo
Eu acho que estou morrendo
Tchau tchau Amor
Tchau tchau doce carícia
Oi vazio
Eu sinto que eu poderia morrer
Tchau tchau sua vida adeus
Tchau tchau minha vida adeus
Lá vai minha garota com alguém novo
Ela realmente parece feliz
Eu verdadeiramente estou triste
Ele verdadeiramente está triste

barbieri blues brothersBarbieri à lá Blues Brothers!



Todo Mundo Precisa de Alguém Para Amar

Eu sei, eu sei, vocal não é o meu forte mas, não resisti a tentação de cantar esta música. Resolvi dar uma de Blues Brothers, tipo fantasia antiga, compondo e gravando esta versão deste clássico chamado Everybdody Needs Somebody to Love. Ficou algo bem num clima de festa, tipo fim de ano! Divirtam-se! Cliquem aqui para baixar esta música! :-)

Antonio Celso Barbieri

Todo Mundo Precisa de Alguém Para Amar
Uma versão da música Everybdody Needs Somebody to Love
gravada pela banda Blues Brothers.
Composto, gravado e mixado por Antonio Celso Barbieri.

Estou muito feliz de ver todo este povo amigo aqui comigo esta noite auspiciosa.  Lembrem-se, que não importa quem você seja, ou onde você more, trabalhe ou o que faz para sobreviver, ainda assim, sempre existirão certas coisas que nos fazem todos iguais uns aos outros.

Você, eu, todo mundo, todo mundo, todo mundo!
Todo mundo precisa de alguém

Todo mundo precisa de alguém para amar
alguém para amar
Um amor para desejar
Um docinho para beijar
Eu preciso de você, você, você!

Eu preciso de você, você, você!
Eu preciso de você, você, você!
pela manhã

quando minha alma está sofrendo

Às vezes eu sinto
uma tristezinha por dentro
Quando a vida me trata mal
sinto que nunca, nunca,
tenho um lugar para me esconder


Eu preciso de você!

Às vezes eu sinto
sinto uma tristezinha por dentro
Quando a vida me trata mal
sinto que nunca, nunca,
tenho um lugar para me esconder


Eu preciso de você!

Eu preciso de você, você, você
!
Eu preciso de você, você, você!

Eu preciso de você, você, você!

Por favor aceitem este meu conselho, quando vocês encontrarem aquele alguém. Abracem esta mulher, amem-a, apertem-a, satisfaçam-na, entreguem todo o seu amor, mostrem os seus sentimentos com muito carinho. Porque é muito importante ter alguém especial para abraçar, apertar, beijar, desejar e satisfazer.

Todo mundo precisa de alguém
Todo mundo precisa de alguém para amar
alguém para amar
Um amor para desejar
Um docinho para beijar

Eu preciso de você, você, você! (9 vêzes)

FatherChristmas
Feliz Natal e um próspero Ano Ano!

orion front cover

Barbieri lança
ORION - Buscando Pelo Oriente Dentro da Minha Mente! (2014)
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Maio 2014,

Já fazem muitos anos que sou atraído por sons que parecem vir do oriente. Não sei explicar o porque disto. Só sei que, no piano, toda vez que faço algum improviso estes sons surgem como se fossem do nada. Talvez seja porque passeio muito pelas teclas negras e, porque elas são agrupadas de cinco em cinco, o som resultante dos meus passeios pode parecer japonês, chinês ou coisa parecida. Durante os anos fui colecionado estas pequenas ideias e, um dia reparei que várias delas poderiam muito bem serem agrupadas em um álbum.

Este projeto provisoriamente recebeu o nome "Orient" só que, quando acabei de gravar estas 10 músicas, quando pesquisava as origens do nome Orient descobri que esta palavra veio da palavra Orion. Depois desta descoberta, achei melhor adotar este nome para este novo álbum mesmo porque, a Constelação de Orion é uma constelação bem conhecida dos céus brasileiros. Orion na mitologia era um caçador e nesta constelação, o cinto dele é representado pelas famosas "Três Marias".

Mas, voltando ao Orion, meu novo álbum, ele contém 10 músicas instrumentais muito belas, todas inspiradas na milenar cultura oriental. Trata-se de um trabalho de primeira classe, meticuloso e com uma qualidade de gravação surpreendente onde o passado e o futuro juntaram-se para brindar o ouvinte com uma música cheia de texturas, criativa e inteligente. O ouvinte certamente será levado através de uma música que caminha entre a música progressiva, eletrônica e clássica numa viagem por universos musicais agradáveis e nunca visitados.

ORION já está com distribuição mundial através da Tunecore e pode ser encontrado à venda no iTunes, na amazon.co.uk e muitos outros lugares. Este álbum assim como os álbuns anteriores TheBrainSexyDiet e Better Aches Than Dust também estão no Spotify para quem quiser ouvir. Prestigiem! ORION tem sido recebido muito bem! Estou muito feliz e até mesmo surpreso porque considero que minha música não é de fácil classificação. Só posso garantir-lhes que este trabalho preza pelo bom gosto e a qualidade de gravação é excelente. Prestigiem!

Acabamos também de inaugurar a nossa Loja Virtual! Então se o caro visitante gostou do que está ouvindo e deseja baixar este álbum cique aqui. Gostaríamos de lembrar que prestigiando este trabalho o visitante também estará ajudando na manutenção deste site. Obrigado!

Antonio Celso Barbieri

orion front cover

COMPRE ESTE ÁLBUM AQUI: www.2bstar.com
orion back cover
barbieri
Antonio Celso Barbieri

ORION - Looking for the East inside my mind

01 - Dancing Inside the Temple (Dançando Dentro do Templo)
02 - Rice Fields (Campos de Arros)
03 - Richard Feynman In Japan (Richard Feynman no Japão)
04 - Birds Walking Over The Black Keys (Pássaros Caminhando Sobre as Teclas Negras)
05 - Thousands of Butterflies (Milhares de Borboletas)
06 - Ripples Of The Mind (Ondulações da Mente)
07 - Looking for Mondrian (Buscando por Mondrian)
08 - The Old and the New (O Velho e o Novo)
09 - On The Road To Osaka (Na Estrada para Osaka)
10 - AbSynth (Absinto + Sintetizador)

meditacao arabe diluida no blues cover

 

Uma meditação árabe diluída no blues do planeta clássico!
Mais uma exploração sonora do Barbieri ao piano.

No dia 12 de janeiro de 2012, um dia frio, com Londres mais cinza do que nunca, sentindo a falta do Sol, sentei-me na frente do piano, coloquei o gravador para gravar e sem nenhum objetivo pré-determinado, deixei-me levar pelas teclas. Como sempre viajei por lugares nunca explorados, por países distantes tanto geograficamente como no tempo. Neles, caminhei descalço pela areia, entrei no mar, caminhei pela floresta e também enfrentei a minha própria solidão. Aquele tipo de solidão que nos faz sentir sozinhos mesmo quando estamos com aqueles que nos amam ao nosso lado. Minha música não é alegre, ela carrega uma certa angústia e o medo de quem sabe que a loucura anda sempre por perto. Bom, depois de mais de um ano sem escutar esta música fiquei surpreso com o que ouvi e achei que talvêz vocês gostassem de escuta-la! Desejo-lhes uma boa "viagem"!

Antonio Celso Barbieri

meditacao arabe diluida no blues cover

On The Barber s Chair Cover 1

barbieri crazy

On The Barber's Chair
Barbieri lança novo álbum cheio de guitarras!
escrito por Antonio Celso Barbieri

Já faz algum tempo que venho dando palhetadas na minha guitarra. Não sou do tipo de pessoa que passa 5 horas por dia estudando e também daqueles que ficam esperando chegar à um nível de excelência tipo "lenda do rock" para compor e gravar. Eu documento e resgistro o que sou, a minha evolução, sempre que possível! Na minha idade não posso dar-me ao luxo de ficar esperando pelo momento certo. Aliás, sempre gostei da "emergência do agora" e realmente acredito que o verdadeiro rock é aquele capaz de capturar a aspereza, a rudeza, o crú do agora. Não me entendam mal, pois também gosto das coisas bem acabadas mas, sempre achei que o show ao vivo captura um momento da banda onde ali, não tem conversa, naquele momento a banda é o não é!

Eu estou dizendo tudo isto porque as guitarras tocadas neste álbum foram todas gravadas de improviso. Quer dizer, apesar do álbum ter sido meticulosamente editado, a sua origem foi baseada em gravações ao vivo onde a música surgiu espontaneamente como resultado de estudos de escalas e acordes. Como sou fã das escalas pentatônicas em muitos aspectos o ouvinte poderá encontrar uma certa familiaridade com o blues mas, meu trabalho de edição tem muito mais à ver com a música eletrônica e o rock industrial. Muito do meu trabalho é experimental, nem eu mesmo sei qual será o resultado final. Geralmente deixo a composição "pedir" o que precisa e, dentro das minhas limitadas habilidades, vou construindo a música. Depois de muitas horas trabalhando numa música geralmente perco a referência. No outro dia aquilo que parecia bom às vezes está horrível e aquilo que eu achava terrível está muito interessante.  

Bom, neste álbum vocês encontrarão 16 faixas cheias de guitarras distorcidas e muito volume... São faixas que humildemente acho que merecem serem ouvidas. :-) Espero que gostem!

Antonio Celso Barbieri




from tokyo to memphis and back

Caros Amigos! Quanto mais escuto esta gravação, mais gosto! Imaginar que fui eu, o Barbieri que, em um momento de pura inspiração transbordei e, registrei esta "viagem" deixa-me sempre emocionado. Nunca em mil anos imaginei que chegaria a ser capaz de produzir algo neste nível. Sinto que esta música saiu de uma parte de mim que nem eu conheço direito. Foi esta gravação a trilha sonora de uma outra vida que vivi e desconheço! É esta a essência do Blues que carrego no meu código genético e me atraiu para o Rock? É o Blues algo tão sagrado como uma Raga Indiana que conecta-se com o oriente?  Cada vez que ouço esta gravação, vejo que ha uma religiosidade neste som que é ao mesmo tempo primitiva e orgânica, ligando-se às complexidades e contradições do meu próprio ser.  Portanto, coloco aqui novamente esta música na esperança de que vocês também escutem e tirem suas conclusões. Obrigado por ouvirem!

equalizador

Barbieri: From Tokyo to Memphis and back!

From Tokyo to Memphis and back é minha última oferenda de 2012. São quase 30 minutos ininterruptos de piano. Uma saga aqui do Barbieri viajando nas teclas por várias partes do mundo, criando nesta gravação climas e momentos únicos que foram maravilhosamente capturados para sempre. Eu desafio o caro visitante a baixar gratuitamente este trabalho (clique aqui) e ouvi-lo no seu sistema de som. Apesar do nome da música citar Tokyo e Memphis na verdade eu ainda sinto que viajei também por cidades e aldeias da China e Índia. Quase pude ouvir o som dos sinos dentro dos templos. Talvez, eu tenha sido muito influenciado por dois filmes que acabo de assistir, Life of Pi e Cloud Atlas. O passado e o futuro juntando-se e, no meio dele, estou eu neste presente caótico tentando descobrir o segredo, a razão porque estamos aqui... Acho mágico poder simplesmente tocar, esquecer todas as regras e convenções e deixar que a minha relação com o piano seja orgânica, física e guiada apenas pelo subconsciente. Um esbarrão, é repitido e, aproveitado, incorporado de forma holística como se fosse a vontade da sincronologia em ação. Para mim, este esbarrão não é um erro mas sim um trabalho ligado à sorte, tudo faz parte do lúdico e, são estas coisas que fazem esta gravação única. Viagem comigo! Vejo vocês todos lá em Memphis, na terra do blues....

Antonio Celso Barbieri

from tokyo to memphis CD 570
Clique na imagem acima para baixar!

Barbieri grava no Abbey Studios e no aniversário de um ano, faz homenagem às vítimas do Tsunami japones



No dia 16 de fevereiro de 2012, à convite de Marco Antonio Mallagoli, o responsável pelo famoso fã-clube Revolution, um dos mais famosos fã-clubes especializados em Beatles da América do Sul, gravei ao piano uma música no Abbey Road Studios.

Esta fantástica experiência aconteceu no mesmo estúdio onde os Beatles gravaram a maior parte dos seus álbuns, o Studio II.  A música que gravei, chamada simplesmente Improviso IV, na verdade foi parte um tema, mais ou menos oriental, que se repete, composto e desenvolvido durante a preparação para este grande dia no qual, abre espaço para o improviso propriamente dito. A maior parte do tempo em que estudava e compunha, encontrei dificuldades para achar um conceito ou ideia que unisse o projeto como um todo. Foi só lá pela última semana que o quebra-cabeças começou tomar forma e eu descobri um caminho à seguir.

barbieri_ao_piano_1Barbieri tocando e gravando no Abbey Road. Foto: Marcelo Carvalho

Sempre fui interessado pela música tradicional japonesa e também pela música árabe. Entretanto um lado de mim é muito rock. Para mim, por exemplo, o Heavy Metal sempre será "opera do rock". Outra coisa que percebi logo quando comecei fazer música é que minha música sempre teve um elemento associado com o visual, como se fosse um tipo de trilha sonora. Tirando a questão técnica de lado, que obviamente reconheço tenho muito que aperfeiçoar, existe uma certa intensidade emocional no meu trabalho que reflete bem a minha natureza nervosa.

Nesta peça musical que aqui vocês poderão ouvir, vi minha música como um Tsunami, esbarrando nas teclas, descontrolado, deslizando e levando tudo pelo caminho. Foi como se as forças da natureza tivessem empurrado meus dedos contra as teclas do piano. Ter tocado e gravado no Abbey Road Studios foi um experiência física e visceral. Tive que lutar e esforçar-me para manter meu controle. Foi a primeira vez que toquei em público e, na presença de técnicos de som ultra profissionais e amigos que, sabiam mais música do que eu. Portanto, considerando-se os prós e os contras, fiquei feliz com o resultado final. Na verdade, é assim mesmo que tem que ser, primeiro temos que ficar felizes com nós mesmo :-)

Desde o começo, senti que esta música pedia que eu lhe desse um nome que fosse associado ao Japão. A sincronicidade, confirmou tudo pois, quando liguei a TV, fiquei sabendo que o aniversário deste fatídico Tsunami que assolou o Japão, o ano passado, estava bem próximo. Foi então que percebi que minha música teria uma função...

Gostaria de lembrar que, durante esta tragédia que custou tantas vidas, o povo japones deu uma aula de civismo, humanidade e decência para o mundo. Quero que saibam que meu coração estará com eles neste momento tão difícil em que relembrarão o dia em que perderam os seus entes queridos.

Antonio Celso Barbieri

barbieri_ao_piano_2
Barbieri tocando e gravando no Abbey Road. Foto: Patrick Burke

improvisation_3_forest
Barbieri - "Improviso Número III"

(Visitando uma árvore muito antiga)

Anos atrás quando visitei Iguape no litoral de São Paulo, fiquei sabendo que na floresta, próximo ao sítio em que estava hospedado, havia uma árvore muito grande e muito antiga. Pedi então, para que o caseiro me guiasse até lá. Meu pai também participou deste passeio exploratório. O caseiro com uma foice, foi na frente abrindo caminho, ao mesmo tempo que, também espantava as cobras. O Sol ardente fazia com que o ar no meio do mato parecesse inexistente e os insetos esfomeados pareciam que queriam nos comer vivos. O vídeo infelizmente não mostra o desconforto que estavamos sentindo. Só posso dizer que, muito das tremidas de câmera se devem às picadas dos borrachudos. Este vídeo estava aqui guardado por anos e, lamento não te-lo filmado de forma mais cinematográfica pois, esta árvore centenária, impunha respeito e, seu aspecto era bem misterioso. Não gostaria de ficar sozinho, debaixo dela à meia-noite. :-)

No caminho, encontramos uma pomba ferida na asa. Possivelmete atacada, segundo o caseiro, por um gavião. Achamos melhor traze-la para o sítio para tentar curá-la.

Quanto ao Improviso Número III, o próprio nome já diz tudo. Adoro sentar-me ao piano, sem nenhum plano em mente e ir caminhando de um "clima" à outro sem nenhuma preocupação com o tempo, meu ou o da música, nem com tocar certo ou errado, apenas tocar o que o "destino" ou a "sincronicidade" colocar nos meus dedos. Espero que gostem!

Nota:
Se vocês repararem bem, até poderão ver, quem sabe, alguns seres mágicos desta floresta...

Antonio Celso Barbieri

better ashes than dust front cover

BETTER ASHES THAN DUST
O projeto solo do Barbieri está pronto!
São 14 faixas explorando seu universo mental, suas ansiedades, frustrações e desejos.
Escutem aqui todas as músicas, vejam as images e assistam os dois vídeos! 

Barbieri acaba de concluir mais um projeto musical! O nome escolhido foi BETTER ASHES THAN DUST (Melhor cinzas do que pó). Este nome foi inspirado nas palavras do escritor norte americano Jack London que, diz a lenda, no seu leito de morte, disse que preferia ser um meteoro incandescente do que um planeta estático. Disse que preferia queimar tudo e terminar como cinzas do que simplesmente virar pó. Barbieri achou esta frase muito boa. O músico Neil Young prefere dizer que THE RUST NEVER SLEEP (a ferrugem nunca dorme). 

Juntamente com a participação de alguns músicos convidados, Barbieri colocou em prática várias idéias acumuladas no período de muitos anos. São poesias e sons que seus amigos várias vezes insistiram que, fossem transformados realmente em música mas que, por vários motivos, Barbieri ficou sempre adiando. Bom, tudo tem seu tempo certo...

Barbieri gravou o álbum, sozinho, no seu estúdio (Raw Vibe Studios). Ele tocou ou programou todos os instrumentos com excessão do sax que aparece na música The Needle que foi executado pelo colombiano Misael Poblador. O baixo distorcido da música Velocity e a percussão de bateria feita no início da música Tattoo, ambos foram executados pelo músico Marcelo Carvalho. O grande baixista Oswaldo "Coquinho" Gennari, fundador da lendária banda Arnaldo Baptista e a Patrulha do Espaço, antes de falecer, um dia visitou o estúdio do Barbieri e gravou à seu pedido, para uso futuro, várias linhas de baixos, uma delas foi usada na música The Mirage. Na música I think, therefore... a voz que diz "Je t'aime" foi executada pela portuguesa Orlanda Géraud que reside na cidade de Nantes na França. É importante salientar que a interpretação vocal do projeto todo foi feita por uma voz sintética criada pelo compuador que, depois, no estúdio foi processada e baixada uns tons. Então, musicalmente, todo o resto, incluindo arranjos, gravação e mixagem e todos os poemas, são de sua responsabilidade.

Como perceberão, cada música, foi ilustrada com duas cartas, semelhantes às cartas de Tarô e,  abaixo de cada carta está a correspondente letra da música assim como, ao lado, sua respectiva tradução para o português. Deixe aqui no site seus comentários ou mande um email para Barbieri: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

better ashes than dust front cover

better ashes than dust back cover 
Todos os poemas abaixo são de autoria de Antonio Celso Barbieri
I Think, Therefore... Eu penso, então...
better_ashes_than-dust_I_think_therefore_I_am_2 better_ashes_than-dust_I_think_therefore_I_am_1

I think, therefore...

I am sorry baby but I haven't been myself lately

I saw a soldier saying no to war
I saw the Devil taking a holiday in Antarctica
I saw the First World saying 
I am sorry to the Third
I Saw a fox shaking hands with the dogs

I am sorry baby but I haven't been myself lately

I saw the President Looking at himself in the mirror and feeling guilt
I saw religion only as guide to help us to find the eternal truth and nothing else
I saw this planet without guns and diseases
I saw a new kind of reality where two plus two equals five

I am sorry baby but I haven't been myself lately

I saw everybody living with good wages under nice roofs
I saw the word "hypocrisy" out of use
I saw God coming down to Earth and putting his creation right

I saw a pollution free form of energy

I am sorry baby but I haven't been myself lately

I saw the whole population without race, colour or gender
I saw myself five hundred years old and still making love
I saw a brother from another galaxy treating everybody with respect
I saw you baby, looking into my eyes and saying:
"Je t'aime", "Je t'aime"
I discovered the answer to:
Where I come from, why I am here and where I am going to

I did, I did, I did, I did

I haven't be myself lately
I haven't be myself lately

I did, I did, I did, I did

I haven't be myself lately
I haven't be myself lately

Penso, logo...

Desculpe-me garota mas, não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Vi um soldado dizendo não para a guerra
Vi o Diabo pegando umas férias na Antartida
Vi o Primeiro Mundo dizendo "me perdoe" para o Terceiro
Vi uma raposa "apertando as mãos" dos cachorros

Desculpe-me garota mas, não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Vi o Presidente olhando no espelho e sentindo-se culpado
Vi a religião somente como um guia para nos ajudar a encontrar a verdade eterna e nada mais
Vi este planeta sem armas e doenças
Vi uma nova realidade onde 2 mais 2 é igual à 5

Desculpe-me garota mas, não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Vi todo mundo vivendo com bons salários e debaixo de bons tetos
Vi a palavra "hipocresia" fora de uso
Vi Deus descendo até a Terra e consertando a sua criação
Vi uma forma de energia que não polui

Desculpe-me garota mas, não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Vi toda a população sem raça, cor, ou sexo
Vi eu mesmo com 500 anos e ainda fazendo amor
Vi um irmão de outra galaxia tratando todo mundo com respeito
Vi você garota, olhando dentro dos meus olhos e dizendo:
"Eu te amo", "Eu te amo"
Descobri a resposta para:
De onde eu venho, porque estou aqui e para onde vou

Eu descobri!, Eu descobri!, Eu descobri!, Eu descobri!

Não tenho me sentido eu mesmo ultimamente
Não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Eu descobri!, Eu descobri!, Eu descobri!, Eu descobri!

Não tenho me sentido eu mesmo ultimamente
Não tenho me sentido eu mesmo ultimamente

Listen Escute
better_ashes_than_dust_listen better_ashes_than_dust_listen2

Listen

Listen to me
I am not ignorant
just because I am a beggar

Yes, I am a good lover
but I also like a good reading
and all the memories 
I carry with me

It's not funny
Life is
a lottery

The ones who ask me
to put my hand over my heart
and sing the anten
Are the same who are trying to set
my destiny

Yesterday I saw an angel
It was early morning
she spook with her eyes
I got insecure and frightened

It's not funny

I am a men of the world
And I know
that my life
will be forever yours

Escute

Escute-me
não sou ignorante
só porque sou mendigo

Sim, sou um bom amante
mas também gosto de uma boa leitura
e de todas as memórias
que carrego comigo

Não é engraçado
a vida é
uma loteria

Aqueles que pedem
para que coloque minha mão sobre meu coração
e cante o hino
são os mesmos que estão tentando controlar
meu destino

Ontem vi um anjo
Foi de manhã bem cedo
ela falou com os olhos
fiquei inseguro e com medo

Não é engraçado

Sou um homem do mundo
e sei
que minha vida
será para sempre tua

Science Ciência
better_ashes_than_dust_science better_ashes_than_dust_science2

Science

The history of the universe
Is about been amazed
Is about a kind of child like wonder
Is also about how we got here
Where you are going
And were we alone

Science, Science, Science

Mankind attempts to understand
The history of the universe
Is the greatest detective story ever written

Science, Science, Science

Twinkle, twinkle, little star,
How I wonder what you are

Science

Twinkle, twinkle, little star
How I wonder what you are

Science, Science

Twinkle, twinkle, little star
How I wonder what you are

Science, Science

Twinkle, twinkle, little star
How I wonder what you are

Science, Science

The history of the universe
Is about been amazed
Is about a kind of child like wonder
Is also about how we got here
where you are going
and were we alone

Science, Science, Science

Mankind attempts to understand
The history of the universe
Is the greatest detective story ever written

Science (Repeat until finish)

Ciência

É para maravilhar-se
Com um tipo de admiração infantil
É também à respeito de como chegamos aqui
Para onde estamos indo
E se estamos sozinhos

Ciência, Ciência, Ciência

As tentativas da humanidade para entender
A história do universo
São a maior história de detetives já escrita

Ciência, Ciência, Ciência

Pisca, pisca, estrelinha
Como me pergunto quem você é!

Ciência

Pisca, pisca, estrelinha
Como me pergunto quem você é!

Ciência, Ciência

Pisca, pisca, estrelinha
Como me pergunto quem você é!

Ciência, Ciência

Pisca, pisca, estrelinha
Como me pergunto quem você é!

Ciência, Ciência

A história do universo
É para maravilhar-se
Com um tipo de admiração infantil
É também à respeito de como chegamos aqui
Para onde estamos indo
E se estamos sozinhos

Ciência, Ciência, Ciência

As tentativas da humanidade para entender
A história do universo
São a maior história de detetives já escrita

Ciência (Repetir até o final da música)

Tatoo Tatuagem
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Tattoo

Tattoo! Tattoo! Tattoo! Tattoo!

You live deep into my skin
Burning my soul

Tattoo!

A living design
Geographically exposing
The landscapes of my body

Tattoo! Tattoo! Tattoo! Tattoo!

Monuments to a younger self
Who does not exist anymore
Lions, snakes and a dragon
Burning my soul
Burning my soul

Tattoo!

Biological canvas
Every icon taking me to the past

Tattoo!

Memories and feelings
My mind triggered by visions

Tattoo!

Like a rainbow
Burning my soul

Tattoo

!Icons! Icons! Icons!

In my arms, in my back
In my legs, in my neck
A physical reminder of a distant war or
A physical reminder of my lover

Tattoo! Tattoo! Tattoo! Tattoo!

Suzy, my mom and the stars
Burning my soul

Tattoo!

From the prison
No pain no gain
Black, green, blue and red
From the time I was mad

Tattoo!

A skull, some bones and the Sun
Burning my soul

Tattoo!

Magic without illusion
Tribal body paint
Creating artistic body scars
Blood mixed with ink
Drying, Drying, Dying!

Tattoo!

Virgin Mary, God and Devil
Burning my soul!

Amen!

Tatuagem

Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem!

Você vive profundamente dentro da minha pele
Queimando minha alma

Tatuagem!

Um desenho vivo
Expondo geograficamente
As paisagens do meu corpo

Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem!

Monumentos para um ser mais jovem
Que, já não existe mais
Leões, serpentes e um dragão
Queimando minha alma
Queimando minha alma

Tatuagem!

Tela biológica
Todo ícone levando-me ao passado

Tatuagem!

Memórias e sentimentos
Minha mente disparada por visões

Tatuagem!

Como um arco-íris
Queimando minha alma

Tatuagem!

ícones! ícones! ícones!

Nos meus braços, nas minhas costas
Nas minhas pernas, No meu pescoço
Uma lembrança física de uma guerra distante ou
Uma lembrança física do meu amor

Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem! Tatuagem!

Suzi, minha mamãe e as estrelas
Queimando minha alma

Tatuagem!

Da prisão
Sem dor não se ganha
Preto, verde, azul e vermelho
Do tempo que eu fui louco

Tatuagem!

Um crânio, alguns ossos e o Sol
Queimando minha alma

Tatuagem!

Mágica sem ilusão
Pintura tribal
Criando no corpo cicatrizes artísticas
Sangue mixado com tinta
Secando, secando, morrendo!

Tatuagem!

Virgem Maria, Deus e o Diabo
Queimando minha alma

Amem!

The Blame Game O Jogo da Acusação
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The Blame Game

Let's play "make believe"
I will do this
and you will do that
I will sign this and you swear that

and you will
believe what you want
because at the end of all

We could always blame each other
We could always blame each other

saying
it's our language barrier
Pointing out
our cultural differences,
or religious beliefs

We could always blame each other
We could always blame each other

And
the population
caught in the middle
Are just trying to survive
against all the odds

We could always blame each other
We could always blame each other

Let's
keep trying to prove
there is nothing
between the lines
making us believe
the cause justify the means

never mind
you believe what you want
because at the end of all

We could always blame each other
We could always blame each other

O Jogo da Acusação

Vamos brincar de "faz de conta"
Eu farei isto
e você fará aquilo
Eu assinarei isto
e você jurará aquilo



E você
acreditará no que quiser
porque no final de tudo



Nós poderemos sempre culpar um o outro
Nós poderemos sempre culpar um o outro

Dizendo
que é a nossa barreira linguística
Lembrando
nossas diferenças culturais
ou nossas crenças religiosas

Nós poderemos sempre culpar um o outro
Nós poderemos sempre culpar um o outro

E
a população
pega no meio
está só tentando sobreviver
contra todas as dificuldades

Nós poderemos sempre culpar um o outro
Nós poderemos sempre culpar um o outro

Vamos
continuar tentando provar
que não existe nada
nas entrelinhas
fazendo-nos acreditar
que a causa justifica os meios

Não se preocupe
acredite no que quiser
porque no final de tudo

Nós poderemos sempre culpar um o outro
Nós poderemos sempre culpar um o outro

The Electric Chain A Corrente Elétrica
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The Electric Chain

Mankind are swimming
Swimming in the light
Dancing a cosmic dance
Human chain.....
Electric chain...

Together, together
They are having an amazing insight
And meeting God on the middle of the way

One hole in the space-time continuum
One hole in the space-time continuum

A pearl in the dark
One break for the tea
Alpha waves, galaxies and stars
Smiling to me

I am sleeping, sleeping
Rapid Eye Movement
Dreaming, dreaming
To wake up a man
A man, a man

A Corrente Elétrica

A humanidade está nadando
Nadando na luz
Dançando a dança cósmica
Corrente humana…
Corrente elétrica...

Juntos, juntos
Estão tendo uma descoberta maravilhosa
E encontrando Deus no meio do caminho

Um buraco no espaço contínuo temporal
Um buraco no espaço contínuo temporal

Uma pérola no escuro
Uma parada para o chá
Ondas Alpha, galaxias e estrêlas
Sorrindo para mim

Estou dormindo, dormindo
Movimento Rápido do Olhos
Sonhando, sonhando
Para acordar um homem, um homem
Um homem, um homem

Hopeless Man
Homem Sem Esperança
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I am a hopeless man

The box is getting to small
and the rats can not survive there
 
I am a hopeless man

The box is getting to crowded
and the rats can not live there anymore

I am a hopeless man

They are fighting for scraps of food
and killing each other

I am a hopeless man

What a pity!
So many and still trying to have
the same space as before

it's a blood war!

No one lives without being affected
In little doses poisoned day by day
getting mad through contact

The time is running out and
I am a hopeless man

Sou um homem sem esperança

A caixa está ficando pequena
e os ratos não conseguem sobreviver lá

Sou um homem sem esperança

A caixa está ficando super populada
e os ratos não podem viver mais lá

Sou um homem sem esperança

Eles estão lutando por restos de comida
e matando uns aos outros

Sou um homem sem esperança

Que pena!
São tantos e ainda assim tentando ter
como antes, o mesmo espaço

É uma guerra sangrenta!

Ninguém vive sem ser afetado
dia-a-dia, em pequenas doses, sendo envenenados
ficando loucos só por estar perto

O tempo está acabando e
eu sou um homem sem esperança

The Mirage Miragem
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Mirage

A mirage inside the mirror
my mind made of memories
like a mass full of myth and mystery
melting, melting...

The moon is moving
meanwhile mankind are madly
missing the magic.
many are just making "masks"
many are deliberately making only
macabre murder machines

money mainly multiplies the mess
it makes man a mean monster

At the center of the mainland
I could see the mutiny
the megacity was burning
at the middle of all that chaos
a mixture of men and machine
metal without mercy
mild microbes at midday
mercenaries at midnight

a millennium, a month, a minute
time has no meaning
when you are moving
towards meeting your mortal menace

It's all in my mind

Miragem

Uma miragem dentro espelho
Minha mente feita de memórias
Como se fosse um missa cheia de mito e mistério
Derretendo, derretendo…

A lua está movendo
Enquanto isto a humanidade está loucamente
Perdendo a mágica
Muitos estão só construindo "máscaras"
Muitos estão deliberadamente somente construindo
Macabras máquinas assassinas

Dinheiro principalmente multiplica a bagunça
Ele transforma o homem num monstro mesquinho

No centro do Continente
Eu podia ver a rebelião
A megacidade estava queimando
E no meio de todo aquele caos
Uma mistura de homem e máquina
Metal sem piedade
Suaves micróbios ao meio-dia
Mercenários à meia-noite

Mil anos, um mês, um minuto
O tempo não tem significado
Quando você está dirigindo-se
Para encontrar seu perigo mortal

Está tudo na minha cabeça

The Mud Lodo
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The Mud

I have nothing new to say
Nothing I would say
could change anything anyway

Sadness
I can't express in words
my feelings

I would like to
clean the mud from my tongue
I would like to
take out the glue that is sealing my lips
I would like to
be able to speak directly from my stomach

I think I know where my best part is...
No, I don't...

I rather like
to play with colours, shapes
than with the meaning

I don't want to rationalize
I just want to feel
I just want to feel
I just want to feel

words... words... words...

Lodo

Não tenho nada novo para dizer
Nada que eu dissesse
mudaria nada de qualquer forma

tristeza
Não consigo expressar em palavras
meus sentimentos

Gostaria de
limpar o lodo da minha língua
Gostaria de
tirar a cola que sela meus lábios
Gostaria de
ser capaz der falar diretamente do meu estômago

Sei onde está a minha melhor parte…
Não, não sei…

Prefiro mais
brincar com as cores e as formas
do que com o signficado

Eu não quero racionalizar
Só quero sentir
Só quero sentir
Só quero sentir

Palavras… Palavras… Palavras…

The Needle Agulha
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The Needle

The time is stopping
slowing down
I'am pretrifying
feeling down

Now, you can't hurt me
with your needle
Ho! You are so feeble

I'am shuting down
my reflexes
I'am closing down
my excess

Now, You can't hurt me
with your needle
Ho! You are so feeble

I am geting grey
I am stoping the flow
but I am not afraid
because I know

Now, You can't hurt me
with your needle
Ho! You are so feeble

Agulha

O tempo está parando
ficando lento
estou petrificando
me sentindo pra baixo

Agora, você não pode me ferir
com sua agulha
Ho! Você é tão insignificante

Estou desligando
meus reflexos
Estou terminando
meus excessos

Agora, você não pode me ferir
com sua agulha
Ho! Você é tão insignificante

Estou ficando grisalho
Estou parando a circulação
Mas, não estou com medo
porque sei

Agora, você não pode me ferir
com sua agulha
Ho! Você é tão insignificante

The Ritual O Ritual
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The Ritual

Let's
Run around the Chair
Play around the Chair
Dance around the Chair

Banging our heads like mad
The chair in the middle of the room
With people jumping around the place
Pushing one another in a hypnotic frenzy

Silence! Freeze!

Let's
Run around the Chair
Play around the Chair
Dance around the Chair

A tribal dance
Illuminated only by candles
People naked
Body painted with strange symbols
Primal force and raw energy

Silence! Freeze!

Let's
Run around the Chair
Play around the Chair
Dance around the Chair

We are over the mountains
We are on the moon
Sweat mixed with blood
Blood mixed with dreams
Dreams turning into reality

Silence! Freeze!

Please! Do not be shy!
Seat on the chair!

O Ritual

Vamos
Correr em volta das cadeiras
brincar em volta das cadeiras
Dançar em volta das cadeiras

Balançando nossas cabeças como loucos
As cadeiras no meio do quarto
com o povo pulando por todos os lados
empurrando uns aos outros numa loucura hipnótica

Silêncio! Pare!

Vamos
Correr em volta das cadeiras
brincar em volta das cadeiras
Dançar em volta das cadeiras

Uma dança tribal
Iluminada somente por velas
O povo nu
O corpo pintado com símbolos estranhos
Força primal e energia crua

Silêncio! Pare!

Vamos
Correr em volta das cadeiras
brincar em volta das cadeiras
Dançar em volta das cadeiras

Nós estamos acima das montanhas
Nós estamos felizes
Suor mixado com sangue
Sangue mixado com sonhos
Sonhos virando realidade

Silêncio! Pare!

Por favor! Não tenha vergonha!
Sente na cadeira!

The Thief A Ladra
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The Thief

You took my heart
and sent it to Mars

Now I am in this war
fighting the battle
of the empty souls

Before I was kissing Venus,
making love with the Moon

Now I am living on the land
of the eternal rain

You broke inside my heart
and took out my soul

You invaded my temple
and drank my spirit

I openned my book
and gave away my most intimate secrets
I let you to look deep inside my eyes
I said yes to the vampire
I said yes to the Thief

You took my heart
and sent it to Mars

A Ladra

Você pegou meu coração
e mandou ele para Marte

Agora estou nesta guerra
lutando a batalha
das almas vazias

Antes estava beijando Venus
fazendo amor com a Lua

Agora estou vivendo na terra
da chuva eterna

Você invadiu meu coração
e levou minha alma

Você invadiu meu templo
e bebeu meu espírito

Eu abri meu livro
e entreguei meus segredos mais íntimos
Eu deixei você olhar profundamente dentro dos meus olhos

Eu disse sim para a vampira
Eu disse sim para a ladra

Você pegou meu coração
e mandou ele para Marte

Thinking... Pensando...
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Thinking...

I am walking...
and I am thinking

I am walking and thinking

I am walking and thinking about you

Thinking about you and me

Thinking about you and me
and how everything looks so meaning less

How life should be really
about real friends
How life should be really
about real friends
and real love

Inconditional friends
and inconditional love

I am losing the faith
I am losing the faith
I am losing the faith

Pensando...

Estou caminhado...
e estou pensando

Estou caminhando e pensando

Estou caminhando e pensando em você

Pensando em você e eu

Pensando em você e eu
e como tudo parece tão sem sentido

Como a vida poderia ser realmemnte
à respeito de amigos reais
Como a vida poderia ser realmemnte
à respeito de amigos reais
e amor verdadeiro

Amigos incondicionais
e amor incondicional

Estou perdendo a fé
Estou perdendo a fé
Estou perdendo a fé

Velocity Velocidade
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Velocity

Don't look back
No going back
Velocity, velocity
Let's move forward

Rushing through
bins full of rubbish
flying over a
destroyed land

Don't look back
No going back
Velocity, velocity
Let's move forward

cutting across a
forest of electric towers
marching along
mutilated soldiers

Don't look back
No going back
Velocity, velocity
Let's move forward

Knowledge is power and
I am leaving behind
only a meagre
trail of bread crumbs
for the average minded people....

so

Don't look back
No going back
Velocity, velocity
Let's move forward

Velocidade

Não olhe para trás
Não tem volta
Velocidade, Velocidade
Vamos em frente

Precipitando-se através
de latas cheias lixo
Voando sobre
uma terra destruída

Não olhe para trás
Não tem volta
Velocidade, Velocidade
Vamos em frente

Cortando através
de uma floresta de torres elétricas
Marchando ao lado
de soldados mutilados

Não olhe para trás
Não tem volta
Velocidade, Velocidade
Vamos em frente

Conhecimento é poder e
Estou deixando para trás
apenas uma insignificante
trilha de farelos de pão
para o povo de mente mediana…

então

Não olhe para trás
Não tem volta
Velocidade, Velocidade
Vamos em frente

VÍDEOS

Think, Therefore... (Eu Penso, então...)

Science (Ciência)

Tatoo (Tatuagem)

The Thief (A Ladra)

Hopeless Man (Homem sem esperança)

Barbieri toca piano dentro do Abbey Road Studios!‬‪

Caros leitores, esta história certamente representa um dos momentos mais importantes da minha vida. Trata-se de uma daquelas situações em que você quer beliscar-se para ter certeza de que você está acordado. Coisa para colocar num livro ou filme!‬

barbieri_control_roomBarbieri na Sala de Controle do Studio II

Barbieri, Deep Purple, Beatles e Kathy Bryan‬

‪Eu já tinha visitado o Abbey Road Studios anteriormente, foi no dia 19 de Agosto de 2002 quando fui para cobrir o lançamento do DVD vídeo do Deep Purple chamado "Concerto para Grupo e Orquestra" cujo show aconteceu em 1969 mas só agora seria lançado ao grande público. No dia tive a honra trocar umas poucas palavras com o grande (em todos os sentidos) John Lord, o tecladista e compositor responsável por este lançamento. ‬

‪No dia do evento já dentro do Abbey Road, depois de cumprir minha tarefa, emocionado, fiquei apreciando as capas dos álbuns ali gravados, capas estas, emolduradas e fixadas nas paredes do corredor central do lugar. ‬

‪Dois álbuns, em particular, deixaram-me completamente sem fala. Um, o álbum Imagine do John Lennon e o outro Dark Side of the Moon da banda Pink Floyd. ‬

‪Fiquei, ali parado, olhando para aquelas capas, imaginando aqueles músicos andando por aqueles corredores e, ao mesmo tempo, revivendo mentalmente minha própria história. História esta que foi mixada usando, em parte, aqueles álbuns como trilha sonora. Depois de alguns minutos, fui puxado para a Terra novamente pois, percebi que uma mulher estava vindo na minha direção. À princípio, pensei que ela também fosse uma jornalista.‬

“Desculpe-me mas, que revista você representa?” Ela falava em inglês e trazia um sorriso respeitoso na face.

‬‪“Eu trabalho para a Revista Dynamite de São Paulo, Brasil.” Respondi ao mesmo tempo que perguntei quem era ela.

“Meu nome é Kathy Bryan sou engenheira de som aqui no estúdio, fui destacada hoje, para assessorar os repórteres e assim procurar esclarecer todas as dúvidas que vocês possam ter.” Foi sua resposta.‬

“Desculpe-me, não pense que sou machista mas, uma mulher engenheira de som é uma coisa bem incomum, como foi que você conseguiu esta proeza?” Perguntei.

“Não acho sua pergunta incomum porque, sou da Nova Zelândia e, sou a única mulher engenheira de som daquele país. Música sempre fez parte da minha vida, sempre gostei de operar mesas de som. Vai parecer mentira mas, quando vim para Londres, vim aqui no Abbey Road Studios, atravessei a rua, entrei no estúdio, fui na recepção e disse que queria trabalhar aqui. Então, chamaram o chefe dos engenheiros e ele levou-me para um estúdio e testou-me pedindo que passasse um sinal pela mesa e aplicasse uns efeitos. Eu fiz e ele me disse que poderia começar trabalhar imediatamente.” Ela falava com um sorriso, passando aquela experiência que só mesmo o tempo é que é capaz de dar.‬

kathy_bryan
Kathy Bryan

“Incrível!” Foi minha resposta, ao mesmo tempo que perguntei:‬

‪“Vamos esquecer o Deep Purple por enquanto, vamos falar dos Beatles, onde foi que eles gravaram?”‬

‪“Há! Você quer conhecer o Studio II?” Foi sua pergunta, já sabendo de antemão qual seria a minha resposta.‬

‪“Claro que quero!” Respondi imediatamente.

‪Continuamos andando por aquele corredor ao mesmo tempo que ela explicava que apesar do estúdio estar vazio ele estava sendo usado, continha equipamento dos músicos e portanto ela só iria abrir a porta para deixar que eu desse uma espiadela rápida.‬

‪Ela abriu a porta, estava escuro lá dentro e não deu para ver quase nada. Foi uma coisa meio sem graça, um tipo de anti-climax.

‪De qualquer forma, tanta atenção por parte da Kathy merecia também uma atenção especial de minha parte:‬

‪“Fale-me um pouco de você. O que você faz aqui? Mostre-me sua área de trabalho!” Perguntei.‬

‪“Faço rematerização e "DVD Encoding", recupero material sonoro de qualquer meio, na minha sala tem todo tipo de gravador antigo e moderno, toca-discos, toca cartucho, etc.”‬

‪Ela abriu uma porta e pude ver uma infinidade de gravadores de rolo multi-pistas de vários tamanhos para fitas de várias larguras. No centro da sala o monitor do computador estava ligado e, de cara, pude tirar duas informações importantes. Ela usava computadores Mac e o software que ela estava usando naquele momento era um editor de áudio chamado Peak. Há, já me senti em casa porque uso Mac e o Peak conheço como a palma da minha mão.‬

The Living Clocks‬

‪No final de 2001 tinha lançado um CD do meu projeto chamado The Living Clocks, cujo álbum chamou-se Flowers of Evil (As Flores do mal) baseado nos poemas de Charles Baudelaire (1821-1867). Trata-se de poesia e música, um tipo de releitura destes poemas pesados e obscuros. Tem gente que acha que o som é até um pouco gótico. Neste CD eu toco todos os instrumentos, uso samples, os poemas são interpretados na língua inglesa e a voz é do brasileiro Zadoque Lopes.  ‬

‪Tirei da minha bolsa um CD que carregava comigo e, entreguei-o como um presente para Kathy, explicando que tratava-se de uma oferenda bem humilde, gravada literalmente na sala de minha casa. ‬

‪“Que mesa de som você usou?” Foi sua pergunta, enquanto, para minha surpresa, ela já foi tirando o plástico protetor da caixinha do CD e colocando o mesmo para tocar. Minha experiência mostra que este povo geralmente recebe tanto material que não tem tempo ou curiosidade nenhuma... daí a minha surpresa.‬

‪“Eu usei uma mesa Studio Master. Quando comprei este equipamento, queria comprar uma mesa de som inglesa e também buscava uma mesa que fosse multi-voltagem para, eventualmente, poder levar para o Brasil.” Foi minha resposta ao mesmo tempo que ouvia o som do meu CD saindo daquelas imensas caixas acústicas de alta qualidade, obviamente equipamento longe do alcance financeiro de nós pobres mortais. Naquele equipamento, ficava claro que, a qualidade da minha gravação não devia nada à ninguém. ‬

‪“A sua mesa é aquela preta, cujos botões para cancelar a equalização são invertidos, você tem que apertar o botão para desligar!” (Concordei com um aceno de cabeça) “Tenho uma destas. Adoro o som quente dela.” Foi sua resposta cheia de vida. Mantida as devidas proporções, até parecia que estamos falado de igual para igual! Foi como se ela tivesse elogiado a minha aparência! Ganhei o dia!‬

‪Estava claro que ela “ouvia” meu CD de forma diferente. Pouco importava o conteúdo ou estilo musical. Ela estava “ouvindo” o mix, o uso dos efeitos, a compressão, a limpeza do som, as freqüências altas e também as baixas, tudo do ponto de vista do engenheiro. ‬

‪“Esta muito bom!” foi seu veredicto! Ela parecia bem professional e sincera. ‬Meu trabalho musical sendo tocado e elogiado dentro do Abbey Road Studios! Emocionado, disfarçadamente enxuguei uma lágrima que apareceu no canto de um dos olhos... Dediquei grande parte da minha vida a ajudar mostrar o trabalho musical dos outros e só agora, depois de tantos anos, tive as condições econômicas e o tempo para poder dar vazão às minhas próprias ambições artisticas.... A emoção foi muito grande e não existem palavras suficientes para descreve-las aqui....

abbey_road_studios_frontA entrada do Abbey Road Studios numa colagem do Barbieri.

‪Barbieri, Marco Antonio Mallagoli e o Revolution Fan Club‬

‪Já conhecia Marco Antonio de longas datas, deste a segunda metade dos anos 70. Fui eu quem fiz a primeira camiseta tanto do fã clube dele, o Revolution, como também a primeira camiseta do Beatles Cavern Club do Luiz Antonio da Silva.  Nos tempos em que estampei camisetas de rock, deixava minhas camisetas no Revolution. Vendi lá milhares!‬

‪Recentemente, Marco Antonio esteve novamente em Londres. Na verdade, ele já veio aqui na Inglaterra dezenas e dezenas de vezes. Quando vem fica sempre indo de Londres para Liverpool e vice-versa. Marco Antonio exala Beatles por todos os poros. Ele é possivelmente a maior autoridade em Beatles no Brasil.‬

‪Nesta visita, Marco Antonio comprou um laptop Mac. Como eu sou um especialista em Macs ele veio aqui em casa tomar umas aulas e informar-se à respeito de que tipo de programa de áudio instalar no seu computador.‬

‪Conversa vai conversa vem, ele me diz que estaria gravando, dia 3 de agosto, das 10 da manhã às 10 da noite, no Studio II que é, como já disse acima,  uma das salas de gravação do Abbey Road Studios. Para quem ainda não sabe, 90% de tudo que Os Beatles gravavam foram gravados no Abbey Road. ‬

‪Eu sei que, a conversa foi progredindo e culminou com um convite para dar uma passadinha no lendário estúdio. ‬

‪Para ironia do destino e minha grande tristeza, justamente no dia 3 de agosto, uma quarta feira, era a data do meu internamento no Royal London Hospital para fazer uma Tomografia Computadorizada.  ‬

barbieri_heavy_metal_no_hospitalBarbieri, no hospital, depois da visita ao Abbey Road Studios, ainda em espírito de festa! Heavy Metal!!!

Barbieri tem dois Aneurismas‬

‪Como resultado de uma infecção estomacal que resultou em uma semana de internação, tive que fazer um Ultrasom do estômago. Para minha surpresa, o Ultrasom revelou que eu tenho um Aneurisma da veia Aorta. Um aneurisma acontece quando uma veia estufa como se fosse uma bexiga e dependendo do diâmetro da mesma, pode romper. Um Aneurisma da Aorta se romper, estatisticamente, a possibilidade de morte é quase certa. O diâmetro do meu aneurisma é de 4.8 centímetros de largura. Infelizmente, depois do Ultrasom, uma primeira Tomografia, revelou outro Aneurisma, mais abaixo quando a aorta bifurca-se para levar o sangue para as pernas. Então, logo depois desta bifurcação começa as veias Ilíacas (direita e esquerda). A veia Ilíaca direita tem um Aneurisma com diâmetro de 3.7 centímetros. Mais que 3 centímetros de diâmetro na veia Ilíaca já é caso para cirurgia.‬

‪Mas voltando ao Abbey Road, ser convidado para visitar este estúdio seminal e não poder porque os médicos querem que você fique internado para dar uma hidratada e trato no seu rim antes da Tomografia, não me levem à mal, mas é sacanagem do destino! Fiquei muito chateado!‬

‪Naquela quarta-feira, de manhã, liguei para o Hospital. Aqui, em Londres, no dia da internação você liga de manhã para o Hospital e assim que uma cama fica vaga, o Departamento de Internações te liga de volta dando o OK e pedindo você pode vir para o hospital imediatamente.‬

‪Não tive outra opção, senão ficar de plantão esperando a chamada.  Quando foi lá pela 1 da tarde o hospital ligou dizendo que uma cama iria vagar só lá pelas 6 da noite.‬

barbieri_in_front_abbey_roadBarbieri a ponto de realizar um garnde sonho!

‪Imediatamente, peguei minha câmera de filmar e juntamente com Andrea, minha esposa, saímos correndo para o Abbey Road.‬

‪Incrível, do lado do fora Abbey Road  Studios, os turistas tiravam fotos atravessando a faixa de pedestres como na capa do álbum Abbey Road dos Beatles e nós, realmente, estávamos entrando no estúdio!‬

‪Já na recepção falei com a recepcionista que, com a maior gentileza, sem frescuras ou pedir identificação nos conduziu por aquele corredor que eu já conhecia até a porta do Studio II. A luz vermelha na porta do estúdio estava acesa, sinal de que havia gravação em progresso. Ela nos orientou à entrar com cuidado e voltou para a recepção.‬

Abri a porta com cuidado. A mesma já dava direto para dentro do “Control Room”, a sala de som, onde Sam Okell e seu assistente Peter, os engenheiros de som, estavam trabalhando. Cabe lembrar que apesar de jovem a lista de nomes com que San trabalhou é muito extensa para mencionar aqui.  Basta dizer que ele fez parte do grupo de engenheiros que remasterou o catálogo completo dos Beatles. Estes 13 álbuns lançados em 09/09/2009 já venderam mais de 17 milhões de cópias pelo mundo afora.‬

O ProTools estava rolando. Podia ouvir-se a voz do Marco nos monitores. Ele estava gravado a música Blow Away do George Harrison.  Naquele momento Marco estava gravando a guitarra. Marco estava tendo dificuldades para colocar um pequeno solo e, depois de várias tentativas, conseguiu, só para San dizer: “Está bom mais sei que você pode fazer melhor, vamos gravar novamente!”. ‬

Aquele estúdio imenso estava sendo usado apenas pelo Marco Antonio, Elihu e seu filho Gabriel o baterista que tinha apenas 16 anos. Realmente, um privilégio para poucos estar gravando neste espaço lendário e ainda mais com um engenheiro do calibre de Sam Okell nos controles. ‬

‪San e Peter, tranqüilos e com aquela paciência de Jo, cheios de gentilezas,  nem se perturbaram com a nossa presença. Nos deixaram à vontade.‬

sam_okell

‪Quando o Marco acabou de por a guitarra, ficou decidido que, agora ele iria gravar o baixo.  Os técnicos desceram as escadas que levam ao estúdio propriamente dito e, foram acertar o amplificador do baixo. Nós, aproveitamos a oportunidade e fomos atrás. ‬

abbey_road_pianoO piano que eu tive a honra de tocar!

‪Já tinha orientado Andrea para começar a filmar imediatamente. Marco estava ocupado e, depois do rápido aperto de mão, perguntei: ‬

‪“Oi Marco posso "sentir” este piano?". Ele falou:‬

‪"Manda bala!" e acrescentou:‬

‪"Aquele piano velho, modelo armário, que está ali é o que o Paul gravou Lady Madona!” Olhei para ele com um sorriso e respondi:‬

‪"Desculpe-me mas prefiro tocar naquele de calda preto que o John Lennon tocou..." Fui lá, sentei na banqueta daquele pianão e tive meus quase 3 minutos de prazer ininterrupto!

Meu tempo foi bem curto. Como sempre, durante o improviso, cometi alguns esbarrões aqui e ali. Durante a gravação pode-se ouvir o barulho dos técnicos puxando equipamento pelo chão e gente conversando. A câmera tremeu muito e não havia luz suficiente para a filmagem. Mas, eu não me importo!!! Agora posso morrer em paz!!!!

‪Olhei no relógio e percebi que o tempo estava passando rapidamente, lá fora, estava um calor danado (32 Graus), tinha transpirado bicas, não tinha condições de ir direto para o hospital. O negócio era voltar correndo para casa, tomar um banho e correr novamente para o Royal London Hospital em White Chapell.‬

‪No Metro, indo para casa, várias vezes as lágrimas escorreram.... Já à noite, sózinho na cama do hospital, ligado nos tubos, recebendo soro, pensava que parecia coisa de filme. Um "minuto" atrás estava dentro do Abbey Road Studios tocando e no outro numa cama de hospital vendo o soro pingar e descer até meu braço. ‬

‪Surpreendentemente minha semana fantástica ainda não havia terminado!‬

‪Saí do hospital na quinta e já na sexta fui assistir o show do Iron Maiden no O2 Arena. Mais um grande presente do meu amigo Marcelo Carvalho!‬

‪Dá até medo! Será que esta é a calmaria antes da tempestade!!!‬

Antonio Celso Barbieri‬

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Barbieri, seguindo os mesmos passos dos garotos de Liverpool!

The Beatles no Abbey Road Studios em 1967
(incrível! Os pianos, hoje, ainda são os mesmos!)

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Olha lá no fundo, o piano que eu toquei!

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Paul tocando o Hammond que aparece no vídeo

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O Studio II não mudou nada!

Cortina, Disaffected e os remixes do Barbieri

Certas histórias são curiosas pelas coincidências e surpresas do destino.  Imaginem que as bandas Cortina, do Brasil e Disaffected  de Portugal tiveram um momento em suas carreiras em que houve um ponto comum, de ligação, desconhecida até hoje pelas duas.

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Tudo começou, se não me engano, lá pelo segundo semestre de 1994 quando, hospedei aqui em Londres Andre “Pomba” Cagni. “Pomba” era o editor (e ainda é) da Revista Dynamite, publicação roqueira de São Paulo, da qual eu era o jornalista correspondente. Pomba trazia o máster das gravações do álbum chamado The Tribal Tech da banda Cortina de Ferro. O álbum tinha sido gravado e produzido pelo competentíssimo Phillip Colodetti e, Pomba assinava o álbum como sendo o co-produtor e diretor musical.

Pomba pediu algumas sugestões e sugeriu que eu “mexesse” em alguma das gravações. A primeira música do álbum, chamada Tribal Tech era quase uma vinheta pois tinha só 1 minuto e 52 segundos de duração.  A temática da mesma envolvia tecnologia e, acontece que eu, musicalmente, justamente  estava passando por um período eletro/techno/industrial, tentando fazer uma música mais radical.

cortina_bandA banda Cortina

Eu sei que, durante sua estada, um dia Pomba saiu de manhã para dar uma voltinha pelo centro de Londres e eu fiquei “picando” e remixando a música Tribal Tech. Lá pelo final da tarde quando Pomba voltou eu já tinha remixado a música e feito umas 3 variações. Pomba imediatamente gostou de uma delas. Então, gravei-a digitalmente numa fita DAT para que, ele levasse a mesma para a banda no Brasil.

Mais tarde, fiquei sabendo que a banda também tinha gostado do meu trabalho e acrescentado meu remix no CD como uma faixa surpresa no final do mesmo.

O ano passou e bem no comecinho de 1995 recebi uma caixa de CDs da banda que seguindo meus conselhos tinha tirado o “de Ferro” do nome e agora passava apenas a usar o nome Cortina.

cortina_tribal_tech_coverCapa do álbum The Tribal Tech da banda Cortina

Cortina em Cannes

Foi só o tempo de receber os CDs e viajei para Cannes, na França, para cobrir o MIDEM que é um encontro mundial de gravadoras que acontece todos os anos. Eu tive a sorte de poder cobrir este evento por 3 anos seguidos.

Lá, no MIDEM, visitei os estandes de muitas gravadoras e, numa destas visitas deixei o CD do Cortina com a gravadora portuguesa Skyfall Records.

Infelizmente, não consegui nada concreto para nenhuma das bandas que tentei ajudar. Já fazia quase 1 mês que tinha voltado para Londres quando o telefone tocou. Era uma ligação de Portugal vinda da gravadora Skyfall Records:

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Skyfall: “Oi Barbieri! Tudo bom?” 


Barbieri: “Tudo! Você tem uma boa notícia para mim?


Skyfall: “Bom, infelizmente o Cortina não faz exatamente o tipo de som que nós trabalhamos. Nós estamos mais para Death, estamos ligados num som mais extremo. Eu estou ligando porque eu ouvi aquele remix que você fez para o Cortina e gostei. Como estamos pensando em lançar um álbum de remixes para nossa banda Disaffected baseada no álbum Vast que te dei na feira, queremos saber se você estaria interessado em participar com um remix. Nós estamos buscando contribuições gratuitas de artistas que queiram remixar as músicas da banda.

Barbieri: É uma proposta muito interessante...

Skyfall: Como você já tem o nosso álbum você pode escolher a música que quiser para remixar.    

Barbieri: Bom, vou ouvir o álbum novamente. Dá para você ligar daqui mais ou menos 1 hora?

Skyfall: Perfeito! Ligo daqui 1 hora! Desde já muito obrigado!

disaffected_bandA banda Disaffected

Eu sei que escutei o álbum inteiro mas, no final, o nome de uma música ajudou-me a tomar a decisão. Ela chamava-se Dead Like My Dreams (Morto como os meus sonhos). Gostei do nome e o som parecia apropriado para o tipo de remix que eu tinha em mente pois, queria fazer algo mixando “drum’n’bass” com “industrial”.

Quando a Skyfall Records ligou novamente pedi que a gravadora me mandasse a música Dead Like My Dreams toda separada por instrumentos menos a parte da bateria que, não seria necessária.

Feito e dito, pouco depois de uma semana chegava a fitinha digital DAT. Trabalhei semanas neste remix que, depois mandei para Portugal.

disaffected_vast_coverA Capa dp álbum Vast da banda Disaffected

A verdade é que nunca soube se o mesmo foi usado ou não. Se a minha memória não falha, quando liguei para a gravadora para saber se a fita tinha chegado, naturalmente perguntei se eles tinham gostado e a resposta um pouco lacônica foi que o meu remix tinha sido um dos mais estranhos remixes já recebidos pela banda. Bom, para bom entendedor meia palavra basta!

Brain Brazil Volume I
The Roots of Brazilian Rock

Mais tarde a música Agitated World, a sexta faixa do álbum The Tribal Tech da banda Cortina seria escolhida para participar da coletânea Brain Brazil Volume I - The Roots of Brazilian Rock produzida aqui pelo Barbieri em colaboração com Andre “Pomba” Cagni e Dynamite Magazine (SP). Esta coletânea foi prensada no Brasil mas, distribuída gratuitamente na Europa na tentativa de ajudar alguma banda brasileira a assinar um contrato de gravação com alguma gravadora internacional.

Abaixo segue as versões originais de Tribal Tech mais a música Agitated World (Cortina) e Dead Like My Dreams (Disaffected) assim como os remixes mencionados no texto acima.

Antonio Celso Barbieri

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heBrainSexyDiet (TBSD)
MASTER BLASTER
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Em 1987, pouco tempo depois de estabelecer-me na cidade de Londres, comecei comprar equipamentos musicais usados, juntando um arsenal de teclados e baterias eletrônicas. Na época, comprei o que existia de mais avançado em tencnologia de gravação de áudio - um gravador digital DAT. Todos os instrumentos eram  plugados em um computador Atari que usava um sequencer controla-los.

Nos anos 80, no Reino Unido, computadores Atari foram a peça obrigatória e, às vezes até central, de qualquer estúdio profissional. Mesmo que o estúdio não usasse normalmente este equipamento, ele tinha que te-lo porque, milhares e milhares de músicos estavam, nos seus estúdios caseiros, fazendo música usando exatamente este computador.  Aliás, Barbieri na verdade tinha dois Ataris, um funcionava como sequenciador rodando o lendário Cubase 3 da companhia alemã Steinberg e o outro rodando um "sampler player" bem limitado que, naquela época, só era capaz de tocar no máximo 4 sons de cada vez. Nesta época ter um sampler Akay S1000 ou um teclado com poder de "samplear" era o sonho de todo músico amador. Bom, meu poder aquisitivo era bem limitado e meu estúdio caseiro foi crescendo lentamente com a ajuda do dinheiro ganho trabalhando em hoteis e serviços similares.

A verdade é que, mesmo com tanta limitação compus e gravei muita música!

Adotei o nome UBIK, um nome "hacker" que usava na Internet, tirado do nome de um livro escrito pelo meu escritor de ficção científica favorito, Phillip K Dick (prolífico escritor mundialmente famoso por ter escrito o "cult" Bladerunner) e, criei meu projeto Rock/Eletrônico/Industrial chamado TheBrainSexyDiet.

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Barbieri no seu visual TheBrainSexyDiet lá pelo começo dos anos 90. Foto: Orlanda Gérauld.

Influenciado e motivado pelo som poderoso e visceral de bandas como Ministry e Young Gods, atraído pelo som de bandas seminais como Laibach, Front 242 e In The Nursery e, finalmente pelo som da lendária, futurística e imortal banda alemã Kraftwerk, comecei criar um som cheio de guitarras brutalmente distorcidas apoiadas sobre ritmos de bateria repetitivos e hipnóticos, acrescentei samplers retirados de filmes e barulhos de máquinas. Também inclui, aqui e ali, pequenos elementos de música clássica e étnica.

Fundei meu projeto TheBrainSexyDiet (Uma dieta sexy para o cérebro) em 1988. O nome foi inspirado numa estampa de um pano-de-prato pendurado na parede da cosinha da casa de uma amiga portuguêsa chamada Orlanda Gérauld (Na época ela era Orlanda Ribeiro, hoje ela vive em Nantes na França).  O texto do pano-de-prato promovia uma dieta saudável para o cérebro formada por frutas e vegetais.

Estava claro que já em 88, eu tinha outras ideias bem mais radicais à respeito de música e, na verdade nunca pensei seriamente em apresentar-me ao vivo. Tenho que reconhecer que, para época, para o Brasil, meu som era muito radical, realmente uma dieta "muito pesada" para o cérebro do ouvinte incauto.

Composto, produzido e gravado aqui pelo Barbieri, TheBrainSexyDiet debutou em 1995 seu primeiro e único álbum chamado Master Blaster. O álbum, na verdade, consiste em uma coletânea de faixas experimentais que vinha gravando e juntando à anos. Foi a forma que encontrei para perpetuar e ao mesmo tempo deixar fácil para ouvir este trabalho que estva espalhado em diversas fitas DAT, guardadas numa caixa de papelão juntando poeira. Aliás é importante lembrar que a foto da capa deste álbum assim como minha foto acima são de autoria da minha amiga Orlanda Gérauld. Orlanda também tem uma breve participação na faixa "I Think Therefore..." incluída no álbum The Holographic Mirages of the Soul (Better Ashes Than Dust) lançado em 2012 onde ela diz "Je t'aime".

Na verdade, apesar de algumas cópias terem circulado entre amigos e terem sido enviadas sem sucesso para mais de 30 gravadoras pelo mundo, este álbum infelizmente nunca foi lançado oficialmente através de nenhuma gravadora. O trabalho para a época era propositadamente primitivo e radical demais. Bandas como The Prodigy só mais tarde surgiriam com um som similar. Bom, enquanto o sonho não acontecia, trabalhei como UK Correspondente para a revista Dynamite de São Paulo, produzi outros artistas e acabei gravando outros projetos com nomes diferentes (The Living Clocks e Better Ashes Than Dust).

Hoje em dia, faz muito tempo que meu querido computador Atari anda guardado como uma relíquia, uma peça de museu, de um tempo em que eu realmente sentia que estava tecnológicamente muito à frente da maior parte dos músicos brasileiros. No momento uso um poderoso computador Mac Pro que, serve como sequeciador rodando Cubase 6 que, por sua vez, controla inúmeros instrumentos virtuais e samplers variados. No Mac Pro a única limitação que tenho é o da minha própria capacidade de criação e conhecimento musical. Acreditem que, é aí que a coisa pega e, esta é a minha batalha diária, a batalha contra as minhas próprias limitações. Como falo no comeco desta matéria, tenho alguns teclados (hoje só tenho dois mas possuo dezenas de teclados virtuais) mas, foi só à alguns anos atrás que, até que enfim, realizei um grande sonho comprando um piano de verdade. Acreditem, a versatilidade de um instrumento acústico (piano, violão, violino, sax, etc) é algo até difícil de explicar, é uma coisa organica, tipo simbiose do músico com o instrumento. Não importa que instrumento você toque, o piano deveria ser um instrumento obrigatório. Para mim, o piano é o lugar onde eu fico só e lido com as minhas emoções. Bom, o resultado das minhas aventuras pianisticas podem ser vistas e ouvidas aqui nos meus improvisos (1, 2, 3, 4)

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Barbieri comenta o álbum Master Blaster faixa por faixa

01 - Apocalipse Poison (Veneno Apocalíptico)

Nesta faixa existem dois samplers de vozes. O primeiro fala, "You Can Call Me Poison" (Você pode me chamar “Veneno”) e outro "There is no fucking culture there , you know!" (Seria o nosso equivalente à "Você sabe, não existe nenhuma merda de cultura lá fora!"). O primeiro sample originalmente era a voz de uma mulher falando sensualmente algo como “meu nome é veneno”. Eu, transpus o sampler da voz da mulher umas oitavas abaixo, deixando a voz dela bem grave, com timbre masculino, depois, picotei a frase palavra por palavra, grudando-as ao tempo da música o que, resultou em uma fala mais tribal. Eu estava querendo dizer que quando olhava através da janela da minha sala para a cidade de Londres, para a Inglaterra, não via cultura lá fora. Estava com ódio, estava ilegal, a imgração inglêsa não dava tréguas, meu passaporte italiano não saia, sentia o preconceito de ser um representante Terceiro Mundo, não podia voltar ao Brasil e é por isso que começo a música com a fala “você pode me chamar de veneno!”. No começo foi duro para me adaptar aqui, a solidão era grande e tive que fazer trabalhos muito abaixo do meu nível intelectual. Foi realmente difícil e minha arte refletiu isto.

O nome da música deveria ser apenas Poison mas, um amigo inglês que a ouviu, reconheceu na música o som que usei de um helicóptero e disse que esta faixa lhe recordava o filme Apocalipse Now. Achei um elogio pois gosto muito deste filme e então, acrescentei no nome a palavra Apocalipse.

02 - Slimelight

Exista em Londres, um clube perto do bairro de Angel chamado Slimelight. Eu fiz esta música especialmente para este clube que era bem radical e tinha um estilo bem pós Mad Max. Eu frequentei o lugar por anos! Levei várias bandas para visitar o clube. Entre elas destaco a banda Dorsal Atlântica e o vocalista e a guitarrista da banda PUZ. Os DJs do clube gostaram da minha música e ela acabou tocando no clube por vários meses. A voz que canta na música foi gerada pelo computador Atari usando um programinha que eu mesmo escrevi que, acelerava e mudava o tom da voz eletrônica. Hoje, coisa fácil de fazer mas não naquela época.

03 - Metal Shark (Tubarão de Metal)

Está é a única música que “canto” neste álbum. Pluguei o microfone no pedal de efeitos da guitarra e distorci minha voz ao máximo. Eu tinha visitado um cinema que tinha sido destruído num incêndio e depois, mais tarde sido invadido por umas tribos alternativas que fizeram umas festas no local. A polícia acabou fechando o lugar mas, junto com um amigo, pulamos o muro e fomos explorar o espaço. Numa sala enorme, os organizadores das festas tinham construído um tubarão de metal gigantesco usando todo tipo de lixo metálico encontrado. Carrinhos de supermercado, partes de carros, latas, folhas de zinco, etc., faziam parte da escultura. O tubarão ficava pendurado no ar por correntes. Recordo-me que, os olhos do tubarão eram um aro de roda de bicicleta. Não fazia muito tempo que tinha assistido um vídeo da banda Ministry ao vivo e , aquele tubarão de metal imediatamente inspirou-me à fazer uma trabalho na linha desta banda. “Faça o meu dia, me provoca para ver! Eu tenho um grande tubarão de metal dentro da minha cabeça pronto para te matar!” A letra, deixava claro minhas intenções! 



04 - Master Blaster

Esta faixa é o radicalismo do radicalismo. Foi gravada em K7 e copiada de novo em K7 e depois recopiada novamente em K7 para baixar a qualidade e depois passada para digital. Tem solo feito de ruído de máquina de furar elétrica, solo de guitarra invertido, vozes humanas trigadas pelo teclado, etc., etc., Os samples foram retirados do último filme Mad Max e o nome Master Blaster é o nome do gigante que luta contra o Mel Gibson dentro do Thunderdrome. O que eu estava tentando criar era um novo estilo que eu chamava de Thecnotrash onde eu incorporava um ritmo mais punk com Rock/Industrial.

 "We want to keep the brain and dump the body!" (Nós queremos ficar com o cérebro e jogar o corpo fora!)

05 - Surfing the Net (Surfando na Net)

Nesta música exploro contrastes. Por exemplo observem como o som do bumbo é limpo e o da caixa é sujo. No entanto, o interessante é a inversão de papeis onde na verdade a guitarra, trigada pelo computador está fazendo o papel da percussão. Outra coisa, é a velocidade aceleradíssima do ritmo da bateria.



06 - I Want To Be Clear (Eu quero ficar limpo) 



As raves estavam rolando por Londres, o som ácido de Detroit tinha redescoberto o baixo TB303 da Roland que por coincidência, tinha comprado um, logo quando cheguei em Londres. Esta música, no meio dela, abre espaço para um solo de TB303 e, mostra porque é que ele ficou tão famoso. Outro destaque desta música é a gravação da minha batida do coração que é acelerada e sincronizada com o rítmo. Não fazia muito tempo que em Los Angeles, negros e latinos tinham se revoltado, feito um quebra-quebra danado e posto fogo nos prédios. Esta música comenta de forma superficial este episódio e fala um pouco de drogas no sentido de que a música diz “Eu quero ficar limpo” e insite que "Nós podemos mudar o futuro".

07 - Synthetic (Sintético)

Tudo começou com o som do baixo. Eu queria criar um baixo repetitivo e sintético, procurando emular o som da banda Kraftwerk. Acho que consegui. O resto surgiu naturalmente onde a ideia foi repetir ao máximo e ser realmente sintético. Além da banda Kraftwerk outra influência nesta música foi de Laurie Anderson que foi o primeiro artista a mostrar que seria possível inverter o papel da voz, tirando dela o sentido linguístico e dando apenas o sentido de um som percussivo para um ritmo. Isto aconteceu na sua famosa música chamada Superman.

08 - Minimalistic Piano (Piano Minimalistico)

Se este álbum fosse um vinil esta seria a última faixa do lado A. Gosto muito deste solo de piano. No computador quando usamos um sequenciador, ficamos geralmente muito presos no tempo 4 por 4 e, até paresse difícil acelerar e desacelerar a música. Então, nesta música, justamente dou uma atenção especial para a dinâmica. É como se eu estivesse dizendo: "Escutem só! Eu não sou só capaz de fazer barulho, eu também posso tocar piano de uma forma agradável aos ouvidos" :-)

09 - The Beirut Battle (A Batalha de Beirute)

Naquela época, na imprensa, a guerra de Beirute era o foco das atenções e, naturalmente fiz esta música. Para mim, esta música é uma trilha sonora para um filme em que alguém está correndo em Beirute, por ruelas antigas, até chegar em uma encruzilhada. Nesta encruzilhada, numa esquina, perto de um muro, sentada no chão, está uma mulher árabe toda de preto que canta. O fugitivo para por alguns segundos, escolhe uma rua, um caminho e continua correndo.

..

10 - Second Chance (Segunda Chance)



Esta música é outra experiência interessante. Uma vez que no computador temos a possibilidade de colocar a voz exatamente onde queremos. Usei um gravador K7 para soltar a música mais ou menos aleatoriamente. Seria uma manisfestação algo meio anti sampler. A voz foi retirada direto da TV de um desenho animado Manga.



11 - The Cowboy Trip (A viagem do Vaqueiro)

Estava em voga um ritmo dançado por vaqueiros norte americanos e, o artista Beck andava fazendo uns sons interessantes mais ou menos nesta linha. Então, apenas quis explorar as possibilidades do estilo fazendo alguma coisa com um certo humor.

12 - I Want To Be Clear (Early Mix) – (Eu quero ficar limpo - Uma mixagem antiga)

Tempos depois de gravar a versão final desta música, voltei à escutar esta primeira mixagem e, achei que ela ainda tinha seu valor e merecia ser ouvida.



13 - Minimalistic Piano (Arranged) (Piano Minimalistico - arranjado)

Neste remix, peguei a gravação original e separei a mão direita da mão esquerda. A mão direita continuou tocando o piano e a esquerda tocou as mesmas notas só que no baixo. Acrescentei um arpégio por cima, dupliquei as notas do solo do piano e coloquei-as para tocar a bateria em uníssono com o piano e baixo. O resultado é um som meio medieval na linha da banda Dead Can Dance.


Barbieri - Improviso Número I

Celso Barbieri quando fazia sua caminhada matinal, cruzou pelo pequeno Cemitério de Bunhill Fields fundado em 1665. Este cemitério hospeda várias celebridades tais como, o poeta e místico Willian Blake (1757 -1827) e o escritor Daniel Defoe (1661 - 1731) autor do livro Robinson Crusoe.

Barbieri quando cruzava o cemitério, na pracinha central, para sua surpresa, encontrou um piano ao ar livre com a mensagem: Play Me, I’m Yours (Toque me, Eu sou teu).

Ele não resistiu a tentação, sentou e tocou de improviso. Barbieri estava "meio enferrujado" pois já fazia algum tempo que ele não tocava. Durante a sua performance aconteceu um "esbarrão aqui e outro ali" mas, no geral, ele conseguiu captar o clima do lugar e, ao mesmo tempo, discutir a mortalidade de todos nós. Veja no vídeo acima a sua apresentação!

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Play Me, I’m Yours
London 2010

No coração de Londres, dentro de uma área de aproximadamente 2 km quadrados 22 pianos foram colocados em ruas, praças e parques públicos para que qualquer um possa tocar.

Este projeto chamado Play Me, I’m Yours que faz uma tournée internacional e, começou em 2008 é uma idéia do artísta Luke Jerram.

Este ano Play Me, I’m Yours está sendo apresentado simultaneamente em Londres e Nova York. Os pianos ficarão à disposição do público de 22 de junho até 10 de julho.

Visite: http://www.streetpianos.com/london2010/pianos/bunhill-fields#comment-1915

 

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Barbieri no piano

Pianos de Rua em São Paulo

Depois de ler a matéria, o músico e jornalista Ayrton Mugnaini Jr nos informou que este projeto baseado na déia do artísta Luke Jerram já acontece em São Paulo com vários pianos sendo extrategicamente distribuidos pela capital paulista. Visite o site Pianos de Rua: http://www.pianosderua.com.br/

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The Living Clocks
The Flowers of Evil (2001)

Barbieri faz uma releitura
dos poemas de Charles Baudelaire

por Antonio Celso Barbieri

The Living Clocks (Os Relógios Vivos) foi um projeto musical criado em Londres, por mim, Antonio Celso Barbieri, em 2001. A ideia principal foi criar um veículo para que pudesse expressar-me musicalmente mixando, a voz falada com “loops” de bateria, percussão, instrumentos acústicos e eletrônicos e, ao mesmo tempo bebendo de todas as minhas influências em termos de estilos musicais, indo do Rock ao Pop passando pelo Clássico, Música Étnica, etc.

Barbieri e Charles Baudelaire

Lá pelo começo dos anos 80, encontrei o trabalho do poeta Charles Baudelaire pela primeira vez. Foi a primeira vez que tomei conhecimento do livro As Flores do Mal. Na época, devo confessar que achei sua poesia muito obscura, mórbida e complexa. Eu não tinha ainda a inteligência suficiente para apreciar este trabalho. Desde então, o livro As Flores do Mal tornou-se um desafio pessoal.

Passaram-se muitos anos para que eu tivesse a oportunidade de enfrentar dos demônios do Baudelaire novamente. Neste álbum que vocês estão tendo a oportunidade de ouvir, juntamente com o ator Zadoque Lopes, pude brincar livremente com a forma e o conteúdo, sentindo-me livre para adaptar o texto e até em alguns casos omitir algumas estrofes para encurtar a música. Cabe notar que, uma vez que alguns poemas não foram usados na sua totalidade, para ser justo com Baudelaire e também para que o leitor tenha uma visão mais completa da obra deste grande poeta, incluí em texto, o poema todo no encarte do CD. Aliás, também é importante salientar que o livro As Flores do Mal contém quase uma centena de poemas dos quais, escolhi apenas 10 para incluir neste álbum. Portanto, ficarei muito feliz se este trabalho motiva-lo à fazer uma visita à biblioteca ou livraria mais próxima ou visitar o website do Sr. William A. Sigler.

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Zadoque Lopes e Barbieri em cartão postal especialmente criado para o lançamento deste CD

No álbum The Flowers of Evil a poesia de Charles Baudelaire recebe uma visão modernista e ganha nova vida! Imagino este trabalho como sendo um teatro, sem as luzes onde a única coisa sensorial é o som, a voz e a música. Trata-se de uma casa com muitos quartos onde o ouvinte encontrará à cada canto uma alma perdida discutindo um assunto desagradável. São assuntos que nunca desaparecem, estão sempre presentes vivendo nos recantos sombrios da nossa mente. É a morte, o diabo, o tempo, o inimigo, etc. A poesia de Baudelaire é realmente sombria, diabólica e pode colocar nossos sentidos em cheque!”

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Charles Baudelaire (1821-1867) foi um poeta francês do século 19. Baudelaire foi também tradutor, crítico de arte e crítico literário. No entanto, ele é mesmo muito famoso por ter escrito o livro Les Fleurs du Mal (1857 – As Flores do Mal) que, é considerado por muita gente como sendo talvez uma das mais importantes coleções de poesias publicadas no século 19

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The Flowers of Evil (As Flores do Mal)
Incluindo, na primeira faixa, entrevista com o ator Zadoque Lopes


Barbieri comenta o álbum The Flowers of Evil (As Flores do Mal) faixa por faixa

01. To the Reader (Para o Leitor)
O livro começa com um poema endereçado ao leitor chamado "To the Reader" (Para o leitor). Neste poema procurei mostrar a dualidade bem/mau. Onde uma voz calma contrasta com outra diabólica. Ao mesmo, tempo quis mostrar a voz maligna como se fosse a voz de um ditador fazendo um discurso inflamado. Sempre achei que Deus e o Diabo são os dois lados da mesma moeda. Os dois, na verdade, são um só, apenas uma força que pode tanto ser usada para o bem como para o mau. No fundo nós somos o Deus e o Diabo. Está tudo aqui na Terra e dentro da nossa cabeça. No final desta poesia, Baudelaire escreve: "Você sabe, leitor hipócrita e criatura sem sensibilidade, meu irmão leitor, parecido comigo, meu gêmeo!"

02. Yet Not Satisfied (Ainda Não Satisfeito)
Este poema fala de um ser apaixonado por um amante que ele não consegue satisfazer. A interpretação vocal começa apaixonada e vai ficando desesperada até culminar com a exclamação: "…demônio sem piedade faça com que a chama não suba tão alto. Eu não sou Stix para agarra-la e acende-la nove vezes! Eu não posso, sua libertina, quebrar o seu espirito ou fazer o seu desespero sublime! No inferno da sua cama tornei-me Prosperine." Nota: Coloquei a palavra "Brasil", subliminarmente, no meio do ritmo. Veja se você consegue ouvi-la?

03. The Clock (O Relógio)
Como esta música fala do "tempo" que, como um "relógio, sinistro, um Deus inatingível, que aterroriza, que com um dedo ameaçador diz: lembre-se…", achei apropriado marcar o tempo com o som da marcação de um relógio e, ao mesmo tempo, criei um tipo de mantra, uma textura sonora tentando remeter o ouvinte para a milenar Índia, um lugar, à meu ver, onde até parece que o tempo parou.

04. For Ever the Same (Para Sempre o Mesmo)
Acho que fui muito feliz nesta música. Tinha acabado de assistir o filme O Gladiador dirigido pelo diretor Ridley Scott e, no DVD havia também um documentário feito com o compositor da trilha sonora. Fiquei sabendo então que algumas das vocalizações meio árabes tinham sido feitas pela vocalista da banda Dead Can Dance. Aliás, uma banda que escutei muito. A ideia de incorporar ritmos marciais com elementos clássicos sempre me interessou. Depois de assistir o filme e o documentário fiquei inspirado e criei esta música. Imaginei um exercito romano marchando. Este som do bumbo, que marca o tempo, é o meu prefiro e já o venho usando à anos. O trabalho de edição é minucioso e cada palavra é ajustada no tempo de forma precisa e individual. O eco foi colocado também individualmente, palavra por palavra. O poema fala de angústia e tristeza e começa com "de onde, me diga por favor, esta estranha tristeza vem, subindo como o mar sobre pedras negras e nuas…"

05. Get Drunk! (Embriague-se!)
Baudelaire, neste poema, propõem que "deveríamos ficar bêbados, que é a única coisa que importa, uma necessidade imperativa, para não sentirmos o peso do tempo, um peso que nos quebra os ombros e nos curva…" Portanto achei apropriado que nesta interpretação o ator, dentro de um bar, começasse recitar o poema sóbrio e, o terminasse bêbado.

06. Music (Música)
Nos dias de hoje, sempre que discutirmos a fusão da voz falada com música, naturalmente o estilo musical conhecido como Rap virá à nossa mente. Portanto, achei interessante a ideia, quase impossível, de juntar a poesia de Baudelaire com Rap. Na verdade pedi para o Zadoque Lopes imaginar que ele era um negro com todos os maneirismos de um Rapper. Pedi para ele baixar um pouco o tom da sua voz. Então, nós dois ficamos andando e gesticulando pelo estúdio como se fossemos membros de alguma gangue perigosa. Foi muito divertido :-)

07. The Vampire (O Vampiro)
Eu queria que este vampiro fosse um vampiro da Transilvânia, com aquele sotaque cheio de "R"s. Minha ideia com este poema foi fazer uma homenagem aos antigos filmes B, aos Dráculas deste período e, ao ator e Bela Lugosi em particular. Realmente fiquei com pena deste vampiro apaixonado: "…humilhe minha alma para fazer dela sua cama e domínio. Estou preso ao seu buraco raquítico como está um prisioneiro às suas correntes, como um jogador está às suas cartas, como os vermes estão à um corpo em decomposição, na sua garrafa eu sou um bêbado! lhe desejo a danação, que você seja para sempre amaldiçoada!".

08. The Bad Enemy (O Mau Inimigo)
Como parte da preparação para gravação desta música, assistimos novamente o filme Amadeus dirigido pelo diretor Milos Forman. O filme é uma adaptação da peça de Peter Shaffer que mostra a carreira do compositor Wolfgang Amadeus Mozart em oposição à inveja e ódio de Antonio Salieri um compositor sem a mesma virtuosidade de Mozart. Então, nesta música o ator procura emular Salieri na sua revolta.

09. Obsession (Obsessão)
Eu gosto desta música porque ela é nervosa e, parece lutar contra as forças da natureza. "Grande florestas vocês me assustam como catedrais vocês uivam como orgãos. E nossos corações de miséria, salas de eterna tristeza…"

10. Dance of Death (Dança da Morte)
Este poema, desde o principio, sabia que seria pesadíssimo. Portanto deixei-o para o final. No poema a morte vem buscar uma pessoa e, ela em desespero descreve o que vê. Imaginei alguém caminhando à noite em algum lugar deserto e sendo agredido com uma paulada pelas costas. Um tipo de acidente ultra violento e desnecessário, patético mesmo. O ferido é levado para o hospital, indo direto para a UTI. O som do equipamento que o mantém vivo, marca o tempo da música que passa a fazer um contraponto com o som dos passos da morte que se aproxima. Quando, neste dia, o ator Zadoque Lopes chegou para a sessão de gravação, tratei-o de forma muito fria e seca. Disse que tinha pensado muito e estava realmente insatisfeito com o trabalho dele. Disse que estava pensando em jogar todo o trabalho já feito, de meses, no lixo. Zadoque foi ficando cada vez mais tenso e indignado. Fui cada vez mais, colocando defeitos no trabalho dele. Percebi que ele estava quase para explodir e, desafiei-o que o fizesse. O homem ficou louco e começou gritar. Então eu falei: "Você está pronto! Pode interpretar o texto agora!". Ele percebeu rapidamente que tudo não passava de uma jogada psicológica minha mas, agora já era tarde demais e, ele já estava totalmente emocionalmente abalado. No final Zadoque colocou toda a sua angústia e frustração na interpretação deste poema. Ele ficou tão nervoso que, até chorou no meio das gravações. Foi cruel mas funcionou. Depois pedi desculpas e lhe dei uma xícara de chá :-)

van_gogh_big
The Convict Prison (detalhe em azul), uma pintura de Van Gogh

Ficha Técnica

The Living Clocks é Antonio Celso Barbieri (Teclados, Sampling, Sequenciador e Direção Teatral). Artista Convidado: Zadoque Lopes (Ator, Voz).

Toda a trilha sonora foi composta por Antonio Celso Barbieri exceto The Dance of Death que, foi baseada na introdução da música Read to Rise do álbum The Tribal Tech, composta pela banda brasileira Cortina. As traduções dos poemas de Charles Baudelaire para a língua inglesa foram usadas com a permissão do tradutor, Sr. William A. Sigler. Este álbum foi Masterizado em Londres no Hiltongrove Multimedia por Graeme Hardie. Todas as músicas foram teatralmente dirigidas dirigidas, gravadas e produzidas por Antonio Celso Barbieri no seu estúdio chamado Raw Vibe Studios em Londres, no inverno de 2001. A Capa é também de autoria de Barbieri e inclui no encarte um detalhe, em azul, de uma pintura de Van Gogh chamada The Convict Prison.

Quero deixar aqui meu grande agradecimento ao Sr. William A. Sigler por permitir que suas traduções fossem usadas neste projeto.

Translations from William A. Sigler subjected to copyright©1999. All rights reserved.

Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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