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Ben Harper
with Charlie Musselwhite
Get Up! (2013 - Um álbum clássico!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Escuto Ben Harper já faz um bom tempo! Sou atraído pelo blues de raiz, aquele blues que ainda parece que tem um pé ficando dentro daquelas antigas igrejinhas de madeira perdidas em alguma região do Delta do Mississippi. Igrejinhas que são só frequentadas por negros e negras possuidores de uma fé fervorosa e uma musicalidade impar! Um lugar onde os Spirituals e Gospels originais correm soltos e de onde aqueles negros rebeldes, libertários, os "ovelhas negras" sairam tocando e espalhando o BLUES que hoje conhecemos e adoramos pelo mundo todo. Tendo dito isto, acredito que Ben Harper é um destes menestreis modernos do blues que com sua guitarra anima os trabalhadores dos campos de algodão deste planeta. Todos carentes por um som de raiz, sempre vivendo numa busca interminável por suas origens roqueiras!

Acredito que Ben Harper seja uma escuta obrigatória para todo roqueiro sério! Ben Harper nasceu no meio da “revolução hippie woodstokiana”, dia 28 de outubro de 1969. Ele é um compositor, cantor, e multi-instrumentista Norte Americano que toca uma mistura muito eclética de blues, folk, soul, reggae e rock. No sangue de seu pai corria uma mistura de negro com índio Cherokee.

Ele já lançou mais de uma dúzia de álbuns e é reconhecido pela sua habilidade na guitarra, a qualidade dos seus shows ao vivo e seu ativismo pelas causas em que acredita. Por exemplo ele apoia o Little Kids Rock (Garotinhos Rock), uma organização sem fins lucrativos que procura revitalizar o ensino de música para crianças pobres nas escolas públicas. Neste seu excelente álbum chamado “Get Up!” (Acorde!), lançado em 2013, não é surpresa vermos Ben Harper fazendo uma parceria com Charlie Musselwhite (que ele respeitosamente destaca em primeiro lugar na foto da capa). Como perceberão pela curta biografia abaixo Musselwhite também possue descendência índia. Aliás, este álbum em alguns momentos parece nos levar numa viajem de mescalina pelo deserto, onde perto de cactos, cercado por serpentes, lobos e seres da terra contemplamos a nossa origem, perdida no tempo, sem um começo e sem um fim.

Charlie Musselwhite, nasceu no dia 31 de janeiro de 1944. Ele é um músico norte americano, um “blues man” mestre na arte da harmônica (gaita). Ele foi um dos homens brancos do blues que juntamente com músicos como Mike Bloomfield, Paul Butterfield e bandas como Canned Heat, surgiram lá pelo começo dos anos 60. Convém salientar que, muito embora ele sempre tenha sido identificado como sendo um homem branco ele sempre insistiu orgulhosamente ser descendente dos índios norte americanos. Para minha surpresa, fiquei sabendo que aparentemente Charlie Musselwhite foi a inspiração do ator Dan Aykroyd para seu personagem no filme Blues Brothers (que moral, heim?).

Antonio Celso Barbieri

Roy Buchanan Live At My Father's Place 1973

Roy Buchanan


Live At My Father's Places (1973)

Escrito por Antonio Celso Barbieri

No dia 05 de maio de 2017, aqui em Londres, perto de Liverpool Street (não confundam com a cidade de Liverpool), fui fazer meu exame de vista e por pura coincidência encontrei uma feira de vinis que desconhecia. esta feira acontece duas sexta-feiras por mês (uma sim outra não) A Feira exibia muita coisa interessante mas, infelizmente, os preços estavam salgados! Como no Brasil, os caras conhecem bem o valor do material. Bom, além dos vinis, alguns vendedores também vendiam CDs e observando o material a disposição deparei-me com esta raridade enorme! Sou fá de carteirinha do falecido guitarrista Roy Buchanan e lá estava à venda por apenas 3 libras o álbum Roy Buchanan - Live At My Father's Places, (1973). Comprei na hora e agora vocês também poderão ouvi-lo!

Abaixo, junto com meus comentários, segue parte da entrevista, na verdade só a introdução, feita pela revista New Music Express Magazine (NME) em 19/05/1973 e incluída no encarte deste CD:

Roy Buchanan “talvez seja o melhor guitarrista do mundo”, declarou a revista Rolling Stone. Bom, isto é um “talvez”, mas antes que vocês começem a se afundar num pantano de aplausos, vamos dar uma pausa e escutar o homem: “Eu nunca disse que iria influenciar ninguém!”. Roy Buchanan insiste. De qualquer forma, Roy com sua careca proeminente e sua barba cerrada declara que sente-se “muito orgulhoso e honrado” com esta onda de elogios. “Se o povo gosta de me ouvir tocando, vou tocar para eles! Eu nunca imaginei que o povo iria entender minha música porque, você sabe, sou um músico da escola antiga. Eu toquei lá pelos anos 50 e me considero o primeiro guitarrista de blues branco. Realmente eu tenho orgulho disto porque por um tempão os brancos não queriam me ouvir. Eles só queriam ouvir os músicos negros.” Roy Buchanan está conversando num camarim cheio de gente atrás do palco do Festival Golden Rose em Montreux na Suíça.

Ele vai conversando ao mesmo tempo que, usando um copo de plástico, vai bebendo sua cerveja. “Me perdoe, mas estou ficando terrivelmente bêbado!” Ele olha de lado para a sua esposa e filho que estão por ali e eles confirmam apenas com o olhar. Sua aparência é tranquila e natural e o jornalista aproveita para perguntar casualmente: “Roy, quer dizer que você está na estrada à muito tempo e de repente virou esta lenda, este herói da guitarra. Como foi isto? Porque? Ele olha para o reporter com uma expressão relaxada e diz: “Eu rezo muito!"

Barbieri comenta:
Eu conheço o trabalho de Roy Buchanan à muitos anos e sei que esta sua imagem de calmo, esconde uma tempestade interna que consegue se expressar, apenas através da sua guitarra “bipolar”. Sério, por mais que você queira classifica-lo e coloca-lo par a par com outros guitarristas, o som extraído por Roy Buchanan carrega uma aura insana de um homem nervoso e duelando com seus demônios. Suas palhetadas levam o ouvinte para territórios onde um jogo entre tensão e calma estão sempre presentes, querendo explodir e criando um clima onde nunca sabemos o que poderá acontecer. Acrescente à esta receita um pouco de sexo onde muitas vezes sua guitarra parece soar como uma mulher sendo violada e acredito teremos um quadro bem próximo do seu som.

É, tenho que deixar claro que nas gravações ao vivo a coisa é mais ou menos assim, mas, nos álbuns de estúdio tudo parece muito controlado dando a impressão de que ele não consegue tocar sóbrio! :-)

Alguns testemunhos dizem que ele gostava de encher o caneco e bêbado transformava-se num tipo difícll de lidar, briguento e desbocado. Numa noite voltando para casa chapado, envolveu-se numa briga, Foi preso e enfrentou a polícia. No dia seguinte foi encontrado morto na sua cela. A Polícia disse que ele se suicidou, mas, todo mundo acha que ele foi assassinado dentro da delegacia. Nunca saberemos! De qualquer forma, fico feliz que seu trabalho continue vivo! Cliquem no link e curtam esta raridade!!!!

Antonio Celso Barbieri

gary clark jr the story of

Gary Clark Jr.

The Story of Sonny Boy Slim

Um ábum excelente!
escrito por Antonio celso Barbieri

Gary Clark Jr. é um compositor, guitarrista e cantor texano que aprecio muito (cliquem no link abaixo). Seu trabalho abraça a modernidade do rock Norte Americano sem nunca perder de vista suas origens musicais Afro Norte Americanas. Seu trabalho reflete um grande trabalho de pesquisa pelo som de raiz, indo do blues ao soul. Seu excelente controle da guitarra já coloca-o, no Texas, entre os grandes nomes deste instrumento. Sua fama chegou ao ponto de ter sido convidado pelo ex Presidente Obama, durante o seu mandato, à tocar na Casa Branca.

Junto com minha esposa Andrea tivemos a oportunidade de assistir aqui em Londres, alguns anos atrás um show de Gary Clark Jr. inesquecícel. Postei especialmente para aqueles amigos ecléticos, capazes de reconhecer música de qualidade em qualquer estilo, seu álbum lançado em 2015 chamado The Story of Sonny Boy Slim. Deem uma chance para esta gravação e acredito que certamente encontrarão um trabalho no muito bom! Divirtam-se!

kaleo kaleo cover
Capa do álbum homônimo.

KALEO
uma banda de Reykjavik na Islândia que faz um som muito legal
escrito por Antonio Celso Barbieri

O som desta banda é claramente influenciado pelo som de bandas dos anos 60 e 70 e a mesma é formada por Jökull Júlíusson (vocal, guitarra), Davíð Antonsson (bateria), e Daníel Ægir Kristjánsson (baixo). Os três eram amigos desde criança e começaram a tocar ainda adolescentes. Só mais tarde acrescentaram o guitarrista Rubin Pollock na banda e adotaram o nome Kaleo, uma palavra havaiana que significa simplesmente "o som”. Inspirada numa mistura de blues, folk, country e rock, a banda estreou em 2012 no Icelandic Airwaves Music Festival e gravou seus primeiros singles no ano seguinte. Em 2013 a transmissão ao vivo de uma música tradicional do seu país chamada "Vor í Vaglaskógi" numa rádio causou surpresa e o seu vídeo acabou “viral” na Internet.

Já no final deste ano Kaleo assinou contrato com Sena, a maior gravadora da Islândia. A gravação em 2014 da música "All the Pretty Girls" foi um momento marcante para a nova banda pois ela assinou com a gravadora Atlantic em USA e imediatamente, não foi boba e, mudou-se para Austin no Texas. Logo mais uns singles foram lançados e suas músicas usadas em episódios de séries de TV Norte Americanas e Inglesas. Nem preciso dizer que seu primeiro álbum homônimo foi lançado no verão de 2016. Já ouvi este álbum dezenas de vezes! Este é um destes álbuns que lentamente vai cativando e conquistando a sua atenção. Em algumas músicas me lembra muito a banda Rival Sons mas, o vocal também me lembra em partes o vocal “bluesy” de Gary Clark Jr outro músico, guitarrista e vocalista, curiosamente, texano, que gosto muito.

chuck berry
Chuck Berry, o pai do Rock'n'Roll!

Chuck Berry: Morre o "Pai do Rock'n'Roll"!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Perdemos o "Pai do Rock’n’Roll"! Morreu ontem, sábado, 18 de março de 2017, aos 90 anos Chuck Berry!

Keith Richards é fã e John Lennon foi fã declarado! A contribuição de Chuck Berry à história do rock é indescritível!

Naturalmente tenho que dizer que além de ir ouvir novamente seus clássicos originais, de todos os milhares de covers gravados de suas músicas, escolhi aqui para tocar no meu som:

Carol - Rolling Stones (Get Yer Ya-Ya's Out!), 1969
Johnny B Goode - Johnny Winter (Johnny Winter And), 1971
Johnny B. Goode - Jimi Hendrix (Hendrix In The West), 1971
Roll Over Beethoven - The Electric Light Orchestra, 1972

Também coloquei para tocar dois medleys executadas ao vivo onde ele é muito bem lembrado:

Alvin Lee (Ten Years After) Festival de Woodstock com a música "I Going Home" e Uriah Heep em seus álbuns ao vivo que sempre terminavam com um medley com destaque para o álbum Uriah Heep Live (o capa preta) gravado em 1973.

Abaixo segue a biografia desta grande lenda do rock. Não se iludam! Sem Chuck Berry provavelmente o rock de hoje, como conhecemos, em todas as suas variações, nunca teria existido!

Chuck Berry - Um Resumo Biográfico

De todos os artistas inovadores do rock & roll, de todos os “pais” deste gênero, ninguém foi mais importante para o desenvolvimento deste estilo musical do que Chuck Berry. Ele foi seu maior compositor, o principal formador deste estilo instrumental, um dos seus maiores guitarristas, e um dos seus maiores intérpretes. Simplesmente, sem ele não haveria Beatles, Rolling Stones, Beach Boys, Bob Dylan, nem uma miríade de outras lendas do rock. Se este povo foi lenda ele foi um Deus. Ninguém conheceria o padrão de ”introdução de guitarra a lá Chuck Berry", o raio de energia emitido pela sua guitarra para chamar a banda e explodir num rock em qualquer configuração. Os ritmos do rockabilly não teriam sido incorporados ao agora padrão da pegada 4/4 do rock & roll. Não teríamos no rock moderno nenhum jogo de palavras obsessivo cheio de repetições. Na verdade, toda a história (e nível artístico) das composições no rock & roll teria sido muito mais pobre sem ele. Como Brian Wilson disse, ele escreveu "todas as grandes canções e já veio com toda a música do rock & roll." Aqueles que não o reivindicam como uma influência seminal ou professam um gosto para sua música e postura de palco mostram sua ignorância do desenvolvimento do rock assim como seu lugar como o primeiro grande criador deste estilo. Elvis pode ter alimentado imagens de rock & roll, mas Chuck Berry foi o seu coração e mentalidade original.

Ele nasceu em St. Louis (USA), dentro de uma grande família. Seu nome de batismo é Charles Edward Anderson Berry. Ele foi um aluno brilhante, desenvolvendo desde o início um amor pela poesia e pelo blues de raiz, ganhando até um concurso de talentos do ensino médio com uma interpretação de violão e vocais de uma canção da grande banda de Jay McShann, chamada ”Confessin'the Blues". Com algum ensinamento do barbeiro do seu bairro, Berry progrediu de uma guitarra tenor de quatro cordas até um modelo oficial de seis cordas e logo estava trabalhando na cena local de um clube do leste de St. Louis, e também se apresentando em todos os lugares que podia. Ele rapidamente descobriu que o público negro gostava de uma grande variedade de música e se dedicou à tarefa de reproduzir o máximo possível tudo que ouvia. O que ele descobriu que realmente gostava - além dos blues e das melodias de Nat King Cole - era a visão e o som de um homem negro tocando a “hillbilly music”, um tipo de música country dos brancos que, aliado ao seu talento inegável, junto com seu aparentemente inesgotável suprimento de versos novos para velhos clássicos, rapidamente fez dele um nome no circuito. Em 1954, ele acabou assumindo um lugar no pequeno grupo do pianista Johnny Johnson assim como uma residência no Cosmopolitan Club. Não demorou muito para que surgisse o Chuck Berry Trio que se tornaria a principal atração da comunidade negra, tendo a banda Kings of Rhythm, de Ike Turner, como sua única competição real.

Mas Berry tinha ideias maiores; Ele desejava gravar e lançar discos. Então, ele fez uma viagem a Chicago onde teve uma conversa de dois minutos com seu ídolo Muddy Waters, que o encorajou a contatar a gravadora Chess Records. Ao ouvir a fita demo caseira de Berry, o presidente da gravadora, Leonard Chess, mostrou-se interessado por uma música de “hillbilly” chamada "Ida Red" e rapidamente agendou uma sessão para 21 de maio de 1955. Durante a sessão, o título foi alterado para "Maybellene”. Neste dia o rock & Roll efetivamente nasceu e o resto é história. Embora esta gravação tenha chegado apenas próximo do vigésimo lugar na listagem da Billboard, a sua influência global foi, na área musical, enorme e totalmente inovadora. Finalmente havia sido lançado uma gravação de rock & roll de um artista negro, mas, com um apelo universal que, foi imediatamente abraçado pelos adolescentes brancos e pelos músicos do sul que tocavam hillbilly (um jovem Elvis Presley, ainda um ano inteiro antes do seu estrelato nacional, rapidamente adicionou-o na sua lista de artistas para serem convidados para dividir o palco em shows e festivais). Parte do segredo de sua originalidade era o ardente solo de guitarra de 24 compassos de Berry no meio desta faixa, os esquemas de rima imaginativos nas letras e o puro som da gravação, todos sinalizando que o rock & roll tinha chegado e não era nenhuma moda. É importante salientar que, o altamente influente Disc Jockey de Nova York, Alan Freed, ajudou colocar este registro para um público adolescente branco. Também pudera, Chess o dono da gravadora, deu-lhe parte do crédito na música como sendo um dos compositores em troca dele toca-la em todo lugar. Mas, para seu crédito, Freed foi também o primeiro DJ e promotor branco a usar consistentemente Berry em suas produções de rock’n’roll nos teatros Brooklyn Fox e Paramount (tocando predominantemente para o público branco); E quando Hollywood veio chamando um ano ou mais tarde, também se certificou de que Chuck aparecesse com ele nos filmes “Rock! Rock! Rock!, Go, Johnny, Go!”, e “Mister Rock'n'Roll”. Em apenas um ano, Chuck tinha saído da cidade de St. Louis onde tocando blues mal conseguia ganhar15 dólares por noite para transformar-se em uma sensação noturna comandando mais de cem vezes este valor e participando efetivamente no nascimento de uma nova variedade de música popular chamada rock & roll.

Os sucessos começaram a aparecer rapidamente nos próximos anos, cada um deles prestes a se tornar um clássico do gênero: "Roll Over Beethoven," "Thirty Days," "Too Much Monkey Business," "Brown Eyed Handsome Man," "You Can't Catch Me," "School Day," "Carol," "Back in the U.S.A.," "Little Queenie," "Memphis, Tennessee," "Johnny B. Goode," e a música que definiu aquele momento perfeitamente chamada “Rock and Roll Music.". Berry não só estava em constante demanda, viajando pelo país em shows de pacotes mistos e aparecendo na televisão e nos filmes, mas foi inteligente o suficiente para saber exatamente o que fazer com a grana ganha de uma carreira musical repentinamente bem-sucedida. Começou investindo pesadamente em bens imobiliários na área de St. Louis e, na tentativa de mudar as coisas, abriu em 1958, para consternação dos brancos locais, um nightclub racialmente misto chamado Club Bandstand. Suas atitudes eram perigosamente contrárias à de seus amigos, cantores Rhythm and blues, que se contentavam com um guarda-roupa de ternos chamativos, um Cadillac novo, e uma casa bonita em um bairro negro. Berry era esperto com uma visão empresarial e já estava fazendo planos para abrir, nas proximidades, um parque de diversões em Wentzville. Quando os poderosos de St. Louis descobriram que uma menina menor que Berry contratou tinha também começado a trabalhar como prostituta em um hotel próximo, acharam a desculpa que precisavam e caíram como um martelo na mosca. Convenhamos Chuck Berry estava ganhando muito dinheiro para se meter com prostituição e, não havia provas para prende-lo por abuso de menores. Então invocaram a “Lei Mann” que proibia transporte de menores de um estado a outro. Berry, lutou, enfrentou dois julgamentos, mas, no final, foi condenado a prisão federal por dois anos.

Ele saiu da prisão um homem mal-humorado e amargurado. Mas duas coisas muito importantes haviam acontecido em sua ausência. Em primeiro lugar, adolescentes britânicos descobriram sua música e estavam fazendo suas canções antigas transformarem-se em hits de sucesso novamente. Em segundo lugar, e talvez o mais importante, os Estados Unidos descobriram os Beatles e os Rolling Stones, ambos baseando sua música no estilo de Berry, com os primeiros álbuns dos Stones parecendo mais uma coletânea do Berry do que qualquer coisa. Então, em vez de resignar-se ao circuito, Berry se viu no meio de um boom mundial com sua música como peça central. Ele voltou com uma série de hits ("Nadine", "No Place to Go", "You Never Can Tell"), visitou a Grã-Bretanha em triunfo, e apareceu na tela grande com seus discípulos britânicos no revolucionário T.A.M.I. Show em 1964.

Berry foi adaptando-se aos novos tempos e foi encontrando novo público no processo e quando os gritos de "yeah-yeah-yeah" foram substituídos por sinais de paz, Berry alterou seu ato ao vivo para incluir também uns blues mais lentos e rapidamente se tornou uma presença obrigatória no circuito hippie de clubes e festivais. No início dos anos 70, depois de um período desastroso com a gravadora Mercury Records, ele voltou para Chess Records e gravou seu último hit com uma versão ao vivo de uma antiga canção de ninar chamada, "My Ding a Ling", rendendo à Berry seu primeiro disco de ouro. Até o final desta década, ele estava tão em demanda como sempre, tocando em tudo que foi show “Revival”, especial de TV e festival que foi lançado seu caminho. Mas, mais uma vez, os problemas com a lei lhe deram problemas e 1979, Berry voltou para a prisão, desta vez para evasão do imposto de renda. Após sair novamente em liberdade, desta vez, os dias criativos de Chuck Berry parecia ter chegado ao fim. Ele apareceu como ele próprio no filme biográfico de Alan Freed chamado American Hot Wax, e foi introduzido no Rock & Roll Hall of Fame, mas se recusou firmemente a gravar qualquer material novo ou até mesmo emitir um álbum ao vivo. Suas performances ao vivo tornaram-se cada vez mais erráticas, com Berry trabalhando com bandas terríveis e aparecendo ao vivo descuidado e até tocando com a guitarra desafinada, o que prejudicou a sua reputação com os fãs mais jovens e também com muitos dos seus antigos admiradores. Em 1987, ele publicou seu primeiro livro, Chuck Berry: The Autobiography, e no mesmo ano, viu o lançamento do filme do que provavelmente seria seu legado duradouro, o rockumentary Hail! Saudar! Rock'n'Roll, que incluiu imagens ao vivo de um show quando fez 60 anos de idade que conta com a participação de Keith Richards como diretor musical e o habitual grupo de superstares tocando em turnos como convidados.

Mas, a verdade é que, todas as suas façanhas fora do palco e problemas com a lei, nunca obscurecerão o fato de que Chuck Berry continua a ser o epítome do rock & roll, e sua música durará para sempre. O Legado de Chuck Berry é eterno porque quando se trata de sua música, talvez John Lennon tenha sintetizado tudo quando disse: "Se você quiser dar outro nome ao rock & roll , terá que chamá-lo "Chuck Berry"!.

Antonio Celso Barbieri

bob dylan nobel prize
 
Bob Dylan recebe premio Nobel de literatura
por Antonio Celso Barbieri

Segundo declaração feita por Sara Daniels, secretária permanente da Academia Suíça que fornece esta premiação, o cantor e compositor norte americano Bob Dylan recebeu este prestigioso premio “por ter criado uma nova expressão poética dentro da grande tradição norte americana”.

Dylan cujo nome verdadeiro é Robert Allen Zimmerman, nasceu em Minnesota em 1941. Ele vem atuando como músico e compositor pelos últimos 55 anos. Entre outras composições, Dylan ficou muito conhecido pelas suas músicas Blowing in the Wind e Like a Rolling Stone.

Desde seu primeiro lançamento em 1962, o impacto de sua música se fez sentir pelo mundo todo. Seu trabalho quase sempre girou em torno de temas sociais e políticos.

"Ele é um grande exemplo e um grande poeta dentro da tradição da língua inglesa. Por 55 anos ele tem sido atuante e se reinventado constantemente” Acrescentou Sara Daniels. Este premio já foi dado para 109 pessoas desde 1901.

Barbieri Comenta

Esta premiação dada para Bob Dylan vem como uma grande surpresa, abrindo a possibilidade de múltiplas interpretações.

Do ponto de vista do universo do rock é fantástico pois, abre um precedente muito importante onde, já podemos até imaginar a possibilidade de um Nobel póstumo para John Lennon cujas letras de suas composições são realmente de uma profundidade política e social de apelo universal que aliados à sua coragem e determinação colocou-o como um artista muito especial, uma verdadeira lenda!

Por outro dado, mundialmente, o momento político e social em que vivemos está terrível. Se não bastassem estas guerras injustificáveis, vivemos o crescimento de uma pequena elite que busca controlar o mundo criando apenas duas classes; os super ricos e os muito pobres. Com os super ricos controlando os meios de comunicação, as classes médias do mundo todo têm sido manipuladas com um discurso extremista de direita, fascista e preconceituoso conduzindo o mundo na velocidade de um tsunami para uma visão neo conservadora onde todos os direitos humanitários conseguidos duramente nos anos 60 estão sendo jogados pela janela. Com a desculpa do terrorismo, criado por eles mesmos, sua casa agora pode ser invadida pela polícia, sem a necessidade de uma ordem judicial, tortura transformou-se num “mal necessário”, ser morto pelos que deveriam protege-lo virou “morrer de baixo de fogo amigo” e morte de homens, mulheres e crianças numa guerra virou “danos colaterais”. Nunca a política em qualquer parte do mundo foi tão mentirosa, corrupta e hipócrita!

Portanto, considero que premiar Bob Dylan foi literalmente um tapa na cara da direita “escrota” do mundo todo! Estou muito feliz com esta premiação!

Fico só imaginando como neste momento devem existir centenas de pessoas, como eu, sentadas na frente de um computador mas, infelizmente, buscado apenas formas de minimizar, distorcer e banalizar esta premiação feita à Bob Dylan! SNão o posso dizer-lhes: percam seu tempo!

Aliás, eu me lembro que, muito tempo atrás, no Brasil, quem quisesse mostrar uma imagem de “músico jovem intelectual com consciência política” tinha que pegar um violão, imitar descaradamente Bob Dylan e participar de algum festival estudantil onde, com no máximo o uso de uma gaita, deveriam cantar as agruras vividas pelo povo brasileiro. Neste período, para jovens músicos como Caetano e Gilberto Gil, Bob Dylan foi um Deus.

Acontece que Dylan sofreu um sério acidente e ficou um tempo fora de atividade. Quando ele voltou para o palco, fez o que foi considerado um “sacrilégio”, voltou na frente de uma banda de rock, empunhando uma guitarra elétrica. No mundo todo, a reação de desgosto e afronta foi imediata! Foi como se Dylan tivesse retirado o tapete debaixo dos pés de todo este povinho que se achava intelectual. Quando Dylan tocou em Londres, ele foi vaiado e ofendido inúmeras vezes.

A verdade, é que ele tinha seguido os ventos da mudança e não pretendia mais voltar! Sem chão, Caetano, Gil e Cia. olharam em volta buscando um grupo de rock que tocasse guitarra e estivesse em sintonia com as mudanças musicais que aconteciam no mundo. A banda Mutantes já estava na crista da onda por um bom tempo e era musicalmente flexível para acompanha-los nos festivais. Assim foi e, mais tarde, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Mutantes juntamente como o grande Maestro Rogério Duprat e mais alguns músicos importantes criaram o movimento que ficou conhecido como Tropicália. O resto é lenda!

Bom, não se iludam, porque nos anos 60, no Brasil, até uma passeata contra o uso das guitarras foi feita! Entendam que as influências de Bob Dylan na MPB com repercussões importantes no Rock Nacional foram realmente muito significativas e fundamentais!

Antonio Celso Barbieri
 
Bob Dylan The Ultimate Collection

david bowie
David Bowie, um ícone!

David Bowie: Falece o camaleão do rock!
escrito por Antonio Celso Barbieri

Depois de 18 meses de luta, ontem, o lendário músico David Bowie perdeu sua batalha contra um câncer. Segundo informação oficial, ele faleceu dia 10 de janeiro, em paz e cercado por toda a sua família.

Falar de David Bowie é uma tarefa quase impossível porque, nada do que eu disser será suficiente. Chama-lo de gênio é pouco! Sua influência no universo do rock é inimaginável e sua importância no cenário da música inglesa é monstruosa. A televisão inglesa, em particular a BBC, esta manhã, dedicou grande parte do seu tempo a lembrar o legado musical e a persona deste grande inovador. De Madonna a Igg Pop, de David Cameron, o Primeiro Ministro Inglês, a Tim Peake, o primeiro astronauta britânico em missão na Estação Espacial Internacional, todos prestaram suas homenagens póstumas irrestritas. Realmente o sentimento de perda é geral!

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David Bowie maquiando-se e transformando-se em Ziggy Stardust.

Recordei-me imediatamente que em 73 abri juntamente com meu irmão Jorge uma loja de discos no Bairro do Limão chamada Stocking Music Center. Já o nome “stocking” significava “meia de seda” e era uma referência à androgenia de David Bowie, Marc Bolan e Alice Cooper. Mais tarde a distribuidora e atacadista onde eu comprava os discos para revenda presenteou-me com um enorme pôster preto e branco da capa do álbum Bowie Pinups que mostra David Bowie ao lado de uma mulher que achei por muito tempo ser sua primeira esposa Mary Angela “Angie” Barnett. Nesta foto os dois aparecem com uma pintura forte e bem teatral. Na verdade, recentemente descobri que a mulher da foto é a supermodelo Twiggy. Esta foto foi tirada em Paris para ser usada na Revista Vogue mas a pedido de Bowie foi usada na capa do album!

De qualquer forma, especula-se que a música Angie escrita por Mick Jagger e Keith Richards foi feita especialmente para Angie a primeira esposa de Bowie. A bem da verdade, Keith Richards declarou na sua autobiografia que ele foi responsável por escrever quase toda a letra desta música e Angie é uma referência à heroína e que, escrever a letra, foi sua forma de lidar com o problema enquanto se  desintoxicava numa clínica na Suíça.

Mas voltando à minha loja de discos, nos sábados a loja virava um teatro onde ensaiávamos uma criação coletiva vanguardista chamada A Faca onde fazíamos uso de muitas pinturas faciais, algumas muito semelhantes ao que seria a de Bowie ou mais tarde da banda Kiss. Neste mesmo momento no Brasil a androgenia de David Bowie explodiria na imagem de Ney Matogrosso e sua banda Secos e Molhados e também com , o falecido vocalista Cornélius Lúcifer da banda Made In Brazil. Outra grande influência andrógena brasileira deste período foi o grupo Dzi Croquettes liderado pelo bailarino Lanny Dale.

Mais tarde, várias vezes visitei cinemas de arte para ver e rever o filme O Homem que Caiu na Terra (The Man Who Fell to Earth) lançado em 1976 e dirigido por Nicolas Roeg. Um filme, estrelado por Bowie, para a época, muito corajoso que parece ter sido feito sob medida para o grande mestre. Dez anos depois, em 86 Bowie voltaria com Labirinto (Labyrinth) dirigido pro Jin Henson. Mas, musicalmente, até hoje sou fã da sua música usada na trilha sonora do filme a Cat People dirigido por Paul Schrader. Gosto tanto desta música que coloquei-a para tocar no cartório no dia do meu casamento aqui em Londres.

bowie pin upsCapa do álbum Pin Ups

david bowie2
Bowie, um homem com mil faces!

David Bowie tinha uma beleza inconfundível. Ele transmitia uma fragilidade feminina que somada à estranhes da íris dos seus olhos, cada uma de cada cor, lhe conferia uma identidade quase extraterrestre. Sua voz, quando  cantada mais para o grave era de um erotismo enorme… Portanto, não é de se estranhar que ele tenha sido adorado tanto por homens como mulheres.

Bowie revolucionou como artista porque logo sedo reconheceu a importância da imagem, do todo, da integração da imagem com o som, do lado visual. Muito antes do advento do vídeo clip, ele ja estava experimentando. De Madonna a Lady Gaga, todo mundo copia, copiou ou aprendeu com ele.

david bowie starman
David Bowie no jogo de forma e conteúdo.

Bowie foi o primeiro a pensar em colocar um álbum para vender ações na bolsa de valores. No seu processo criativo, tanto musical como visual, podemos coloca-lo ao lado de um Picasso ou Salvador Dali e, obviamente o resultado da sua música foi sempre uma surpresa para o público. Seria mentira minha se dissesse que tudo que ele fez foi bom e fácil de degustar. Não! Em termo de gosto e valor estético, à meu ver, houve muitos altos e baixos mas, ele sempre sobe se reinventar e voltar novamente por cima.

Ouvi Bowie experimentando com o Industrial e até com o Drum'n’Bass e ficou claro que ele não conhecia muito bem a coisa. Sempre digo que até para fazer o “brega” você tem que ser brega porque vai soar falso e os bregas saberão que você não faz parte do time deles. É o mesmo que ver o Príncipe Charles tentando dançar samba. Tendo disto isto. Quando Bowie lançava um novo álbum todo mundo queria ouvir porque Bowie era uma criador de tendências, um futurista e se você estava preocupado em atualizar-se, mesmo que não gostasse, tinha que saber o que Bowie andava fazendo.  

Recentemente, no Brasil, para mim, possivelmente de forma inconsciente, a última referência a David Bowie que ouvi foi feita pela banda Zé Brasil e os Delinquentes de Saturno com a música Astronauta Victor, um trabalho de primeira que merece ser escutado por todo mundo!  

A última oferenda de Bowie foi seu recém lançado álbum Darkstar, quase um presente de despedida para o seu público. O álbum é realmente sombrio e até um pouco premonitório. Vocês poderão ouvi-lo com exclusividade e em primeira mão no link a abaixo. Bom, nem preciso dizer, que meu coração, outra vez está apertado com esta perda! Infelizmente estamos perdendo a referências mais importantes do rock mundial!

david bowie blackstar

lemmy igor lopes
Lemmy e Igor Lopes.

Lemmy Kilmister: Morre um ícone do rock pesado!
escrito por Antonio Celso Barbieri

Ian Fraser "Lemmy" Kilmister (24 December 1945 – 28 December 2015) foi o músico, cantor e compositor inglês fundador e lider da lendária banda Motörhead. Sua música assim como seu estilo de vida praticamente definiram o estilo Heavy Metal. Num momento em que o próprio Heavy Metal parecia estagnar, Lemmy incorporou ao Metal a sujeira, emergência e velocidade do punk hardcore trazendo a energia de um trem descontrolado para aqueles headbangers sedentos por algo mais brutal.

Lemmy nasceu na cidade de Stoke-on-Trent e cresceu em North Wales. Ainda bem jovem ele foi influenciado pelo rock'n'roll e também pelos surgimento dos Beatles, o que levou-o a tocar em muitas bandas de rock nos anos 60, com destaque para a banda Rockin' Vickers. Mais tarde ele foi roadie do Jimi Hendrix e da banda The Nice, até juntar-se em 1971 à banda Hawkwind que fazia um rock espacial psicodélico, onde cantou o hit ”Silver Machine". Depois de ser despedido desta banda por causa dos excessos com a bebida e as anfetaminas, ele, como baixista, vocalista e compositor fundou o lendário Motörhead, cujo sucesso chegou ao topo entre 1980 e 1981. É deste período o hit single "Ace of Spades". Ele continuou gravando e fazendo turnés até sua morte no dia 28 de dezembro de 2015.

Então, não é surpresa sabermos que, fora seus talentos musicais, Lemmy ficou muito conhecido pelo seu estilo de vida pesado onde regularmente bebia muito e gostava de umas pilulas. Ele, apesar de não ser simpatizante dos ideais nazistas, também era conhecido como colecionador de objetos deste povo. Ele apareceu em papéis pequenos em vários filmes e programas de TV. Em 2010 foi lançado um documentário escrito e dirigido por Greg Olliver e Wes Orshoski chamado simplesmente “Lemmy”. Recomendo ardorosamente este vídeo à todos os fãs deste músico simples, um roqueiro como todos nós. Caro Lemmy, sinto como se uma época de ouro está acabando, você é uma das minhas grandes lembranças dos anos 80! O mundo do rock pesado ficou muito mais vazio sem você!

Memórias do Barbieri

Memória 1

Bom, para mim o álbum Overkill tem um grande significado porque foi o primeiro álbum do Motorhead que comprei. Comprei-o em 1979, importado de uma pessoa que acabara de chegar da Europa. O álbum tinha sido lançado em março daquele ano e ainda não estava sendo distribuído no Brasil. Neste mesmo período, tive um encontro fortuito com Luiz Carlos “Pop” Gouveia que era responsável por um programa de rock na Rádio Gazeta. Ele já tinha me convidado anteriormente mas, nunca tinha sentido firmeza da sua parte. Desta vez ele insistiu: “Poxa, porque você não junta os melhores discos da sua coleção e trás para gente rolar na rádio! Faremos um programa juntos!”. Ali mesmo marcamos o dia.

Eu tinha mais de 1.000 álbuns e escolhi uns 50 para levar ao programa. Queria dar a chance para o Pop Gouveia escolher o material. Cheguei cedo no estúdio e fui recebido pelo técnico de som que era, nada mais na menos do que, Leopoldo Rey que mais tarde teria seu próprio programa de rádio.

Leopoldo chegou com cara de entendido, pegou meus discos e começou separa-los: “Este presta, este não presta, este não presta, este não presta…”. Quando o Pop Gouveia chegou Leopoldo já foi na sua direção e entregou-lhe apenas uns 10 LPs.

O Pop Gouveia olhou a pilha de LPs debaixo do meu braço e perguntou: “E todos este LPs aí debaixo do seu braço?”.

“O seu técnico de som disse que não são bons!”. Foi a minha resposta insatisfeita.

“Deixe-me ver?” Coloquei os LPs na mesa, ao lado da sua garrafa de conhaque que acabara de trazer. Ele começou olhar todas as capas.

“Porra! Este Mortorhead eu ainda não conheço, é novo?” Falou admirado.

“Sim, este é o Overkill! Acabou de sair na Europa, ainda não foi lançado no Brasil, é pesado para cacete!”

“Meu, que é isto? Tem que tocar!”

“Vamos começar logo este programa porque hoje ainda vou entrevistar o Oswaldo do Made. Leopoldo leva o Motorhead com você porque vamos solta-lo já já!” Nem preciso dizer, que era evidente que o Leopoldo não gostou nada.

O Pop Gouveia, hoje falecido, era um cara muito louco. Ele começava beber durante o programa e lá para o meio já estava chapado. Pior, pelo menos neste dia em que visitei seu programa, ele carregava consigo um pequeno vidro de Reactivan que era uma anfetamina geralmente usada para evitar dormir mas que, misturada com alcool, deixava o povo muito louco. Recordo-me que no ar enquanto conversávamos ele esbarrou no vidrinho que rolou pela mesa e caiu no chão. Ele, então, ao vivo, exclamou bem alto: “Caramba! Meu Reactivan caiu debaixo da mesa, dá um tempo e baixou-se para pega-lo!”. Ele era gente fina mas, muito louco! smile emoticon

Chegou a hora de rolar o álbum Overkill do Motorhead e, obviamente eu pedi para tocar a primeira faixa, que era a música título do álbum. Esta música vamos dizer termina três vezes. A música começa só com a bateria, num ritmo que hoje em dia tornou-se a marca registrada desta música e quando termina, retorna com a mesma batida novamente para depois de um solo terminar e outra vez, desta vez definitivamente terminar a música.

Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que enquanto a música tocava, e Pop Gouveia e eu aproveitávamos para discutir o que tocaríamos depois, Leopoldo Rey abaixava o som e terminava a música antecipadamente e cortava os três finais, parte importante do processo criativo desta música. Não quis criar problemas e nem falei nada para o Pop Gouveia mas guardei até hoje esta ofensa ao trabalho do Motorhead.

Memória 2

A banda Em Ruínas, de Igor Lopes chegou em Londres para tocar no Evil Fest, um festival que aconteceu no Underworld. Eu não conhecia a banda, tinha acabado de sofrer uma operação seríssima e não estava em condições de ficar em pé por muito tempo, passar emoções e até estava sentindo enjoo quando assistia TV ou ouvia rock. Com um corte de mais de 20 centímetros no meu abdomen e pontos ainda para serem retirados a coisa não estava para brincadeiras. Mesmo assim, recebi a banda e informei-lhes que não tinha condição de assessora-los. Eles queriam que eu filmasse a banda repetindo o que já tinha feito com a banda Vulcano no mesmo clube um ano atrás.

Consegui um amigo para abrigar a banda, passei minha câmera para a banda e desejei-lhes boa sorte. O show aconteceu, foi muito bom e recebi o vídeo para editar. O meu amigo não tinha muita experiência, não era um roqueiro e o vídeo não ficou lá aquelas coisas…

Enquanto editava o vídeo, reparei que o vocalista, durante o show, arranjava o pedestal do microfone colocando o mesmo mais para cima e imitava a postura do Lemmy o tempo todo. Era tão evidente que não me contive e soltei os cachorros em cima do Igor Lopes. Basicamente disse-lhe que a sua banda já tinha muitos anos de estrada e já era tempo de ele encontrar o seu próprio estilo. Igor respondeu que este era seu estilo e que não tinha nada de errado em copiar o seu ídolo. Hoje em dia, sinto-me errado em tê-lo corrigido… que sou eu? smile emoticon Basta olhar esta foto do Lemmy junto com Igor Lopes para entendermos tudo! smile emoticon

Sincronicidade

1) Dia 20 de Dezembro 2015 fui assistir aqui em Londres um show da banda Hawkwind. Me senti em casa acompanhado por uns 3.000 coroas na plateia!

2) Dia 23 de Dezembro quando fiz na Rádio Rock Nation (www.radiorocknation.com) meu programa Barbieri Indica de Natal. Toquei Lemmy executando uma música natalícia e desejei-lhe um 2016 melhor do que o de 2015 que foi para ele, por problemas de saúde, muito difícil....obviamente, lamentavelmente não era para ser....

Antonio Celso Barbieri

Motorhead overkill

20 mais do Lemmy!

Motorhead
No Class
Damage Case
Stay Clean
Dead Men Tell No Tales
Bomber
Ace of Spades
(We Are) the Road Crew
Love Me Like a Reptile
Stand by Your Man
Iron Fist
Killed by Death
Orgasmatron
1916
R.A.M.O.N.E.S.
No Voices in the Sky
Hellraiser
Born to Raise Hell
Shake Your Blood
Bad Boy

1975
1979
1979
1979
1979
1979
1980
1980
1980
1982
1982
1984
1986
1991
1991
1991
1992
1993
2004
2011


Led Zeppelin vs The Beatles: Whole Lotta Love - Helter Skelter
Vídeo mixado por Soundhog - Texto escrito por Antonio celso Barbieri

Sobre Helter Skelter

Helter Skelter é uma música escrita por Paul McCartney mas creditada como sendo da dupla Lennon/McCartney lançada no seu álbum homônimo mais conhecido popularmente como “O Álbum Branco”. Esta música foi resultado de um esforço deliberado para criar um som com mais volume e o mais sujo possível. Esta música destaca-se tanto pelo seu “rugido proto-metal” como pelas suas texturas únicas e é considerado pelos historiadores do rock como uma influência chave no desenvolvimento do começo do Heavy Metal. A revista Rolling Stone classificou a música "Helter Skelter" no número 52 entre as 100 melhores canções compostas pelos Beatles.

De onde veio a inspiração

Fala-se que Paul McCartney inspirou-se em escrever esta música depois de ler em 1967 uma entrevista do guitarrista do The Who na revista Guitar Player onde Pete Townshend descrevendo seu último compacto chamado "I Can See for Miles" disse que esta música era a mais crua, barulhenta e suja que a sua banda tinha gravado até aquele momento.

Paul McCartney então escreveu 'Helter Skelter' usando um vocal gritado com bateria pesada, etc., dizendo que estava usando o nome Helter Skelter (que significa não só "desordem, caos e confusão" como também é o nome daquele escorregador em espiral que é encontrado em alguns parques de diversão) "como uma viagem de cima para baixo, tipo ascensão e queda do Império Romano, como se fosse a queda para o fim". Na verdade, Maka usou está música como uma resposta aos críticos que, na época, o acusavam de apenas escrever baladinhas açucaradas. :-)

Antonio Celso Barbieri

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A Ginga e Coragem de Miriam Makeba
Escrito por Luiz Domingues e publicado originalmente no site Limonada Hippie


Quando falamos da influência da raiz africana na música criada nas três Américas, a grosso modo, é fácil estabelecer um conceito generalizado.

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Na América do Sul, o Brasil absorveu a cultura afro, principalmente na formação do seu Samba; na América Central, pulverizou-se em vários países, criando o acento caribenho em diferentes ritmos; e nos Estados Unidos, gerou os dois grandes troncos que tornaram-se árvores frondosas, e com muitos galhos : Jazz & Blues.

Mas o movimento inverso também causou impacto no continente africano.

Se a sua influência fora brutal na construção de tantas escolas musicais diferentes, séculos depois, a música pop das Américas e da Europa, voltaram tal qual um boomerang, e redefiniram o rumo da música pop africana moderna, numa retroalimentação muito interessante.

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Muitos artistas africanos foram reverenciados na música comercial pop ocidental, e seu som era bem isso que descrevi superficialmente acima, ou seja, uma mistura das tradições folclóricas locais; suas raízes ricas em sonoridades muito coloridas; alegres, e de divisões rítmicas muito sofisticadas, com a música pop ocidental e mega comercializada, que por sua vez, tinha em suas raízes mais profundas, a mesma fonte africana.

Em meio a esse boom da música africana, alguns artistas, oriundos de nacionalidades diferentes, desse grande continente, tiveram  oportunidades no show business internacional.
                                       
Foi o caso de Miriam Makeba, uma sul-africana. Cantora de enorme graça e ginga, Miriam teve projeção internacional, mas não só por conta de sua obra e performance como cantora.

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O fato, é que Miriam tinha muita consciência sócio- política, e sendo negra, numa África do Sul sob regime político racista, tornou-se uma voz contra o execrável regime do Apartheid.

Tentando a vida artística na América e /ou Europa, Miriam, participou em 1960, de um documentário denominado “Come  Back , Africa”, cuja exibição no famoso  Festival de Cinema de Veneza, chamou a atenção do mundo para o racismo na África do Sul, mas criou-lhe um problemão pessoal, pois seu país caçou-lhe o passaporte, e mais que isso, a cidadania, tornando-a apátrida.

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Perambulando por Londres, tornou-se amiga do ator/cantor americano, Harry Belafonte, com o qual estabeleceu parceria.

Sendo também um ativista anti-racista, e um incansável batalhador pelos direitos civis iguais para os negros na América, Belafonte ganhou a companhia de Makeba no ativismo e a ajudou a construir uma carreira pop internacional, participando de vários lançamentos de discos, singles, e LP’s da cantora africana.

Entre tantas canções, Miriam lançou “Pata Pata”, em 1966, que tornou-se febre mundial, entrando nos charts, numa época em que Os Beatles, Rolling Stones, Bob Dylan e diversos artistas da Black Music, o compunham normalmente.

Mas como o ativismo era forte para ela, não se deitou no berço esplêndido do sucesso pop imediato, e continuou agindo e incomodando muita gente, certamente.

Para agravar a animosidade das forças contrárias às suas idéias libertárias, casou-se em 1968 com um ativista que era monitorado pela CIA / FBI, Pentágono etc etc.

Tratava-se de Stokely Carmichael, simplesmente o líder dos Panteras Negras, uma partido revolucionário, apócrifo, e não reconhecido pelo governo americano, por trazer ideias explosivas à mentalidade americana, em seu espectro político, como o socialismo, por exemplo e claro, seu carro chefe era a luta pelos direitos civis dos negros.

Stokely  Carmichael foi o criador da expressão “Black Power”, que extrapolou o statement político, marcando época, não só na América, mas espalhando-se pelo mundo todo.

Em 1968, Miriam veio ao Brasil e surfou forte na onda de seu sucesso, “Pata, Pata”.

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Já na chegada ao Rio, foi recebida no aeroporto pela bateria da Escola de Samba Mangueira, caindo nos braços do povo. Visitou todos os programas de TV possíveis e imagináveis da TV no Rio e São Paulo, causando furor com seu mega sucesso. “Pata, Pata” tinha um swing ocidentalizado que muito se assemelhava ao R’n’B, e a percussão lhe dava um certo ar caribenho, muito dançante.

Numa época em que a Black Music americana estava se popularizando fortemente aqui no Brasil, e Wilson Simonal comandava a onda da “pilantragem” na MPB, a canção de Makeba caiu no gosto popular, instantaneamente.

Claro, brincalhão como sempre, o povo brasileiro tratou de aprontar uma avacalhação com a letra da canção. Cantada por Makeba num dialeto africano (Xhosa), provocou uma paródia em português que ficou tão famosa quanto a versão original, pela similaridade fonética e claro, pelo caráter galhofeiro que tanta agrada os esculhambadores brazucas...

Onde ela cantava :
“Sata wuguga sat ju benga, sat si pata pata”. O povo se acostumou a cantar :
“Tá com pulga na cueca, vem cá que eu mato”.

Pilhéria à parte, Miriam encantou os brasileiros, onde me incluo, vendo-a na TV, na época, 1968. Sua carreira foi bastante prejudicada depois disso, pelos momentos tensos perpetrados pelos Panteras Negras, cuja ligação dela era total, por conta do marido. Tiveram que deixar a América inclusive, estabelecendo residência na Guiné.

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Em 1973, ela separou-se de Carmichael, mas continuou sendo vigiada e cerceada em muitos aspectos pelas convicções sociopolíticas. No ano de 1975, participou ativamente do movimento de libertação de Moçambique, inclusive contribuindo com sua música, “A Luta Continua”, que serviu de slogan para a luta pela libertação de Portugal.

Nos anos 80, ficou mais afastada da vida artística e num momento muito difícil, onde perdeu uma filha, mudou-se para a Bélgica. Quando Paul Simon lançou o LP Graceland, todo ambientado na sonoridade da música sul-africana, Makeba embarcou nessa onda, e chegou a participar da turnê de divulgação do álbum, como artista convidada de Simon.

Quando o apartheid finalmente encerrou-se na África do Sul, e Nelson Mandela se tornou o presidente daquela nação, Makeba pode enfim retornar à sua pátria, com o restabelecimento de sua nacionalidade. Momento bonito, Mandela em pessoa a recepcionou no aeroporto, mostrando que a luta havia valido a pena para a artista e ativista. Seus últimos anos foram tranquilos em solo pátrio, mantendo uma carreira artística local, até falecer em 2008.

Ela não teve apenas “Pata Pata” como sucesso, mas essa canção em questão, a marcou indelevelmente e proporcionou muitas regravações, algumas bacanas inclusive, caso do Osibiza, uma banda de Rock genuinamente africana, mas que era muito respeitada por rockers europeus e americanos, e de fato, era muito boa.

Makeba teve uma morte dramática, mas muito emblemática para qualquer artista, ou seja, morreu no palco, numa apresentação que fazia em Castel Volturno, na Itália, vítima de um ataque cardíaco quando estava cantando.

Não foi exatamente ali durante o concerto que realizava, mas algumas horas depois no hospital, mas pode-se dizer que morreu fazendo o que mais gostava. Essa foi Miriam Makeba, uma artista pop africana sensacional; ativista; mulher corajosa, e de muito valor.

Luiz Domingues

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beatles everyday chemistry

Everyday Chemistry
Os Beatles não acabaram!
Leiam esta história fantástica e escutem este álbum gravado numa outra dimensão!

Traduzido e adaptado livremente por Antonio Celso Barbieri

Introdução

Caros leitores, acreditem, na minha idade já vi de tudo mas, esta história fantástica ganhou o troféu. Um dia recebi uma mensagem perguntando a data do lançamento de um álbum dos Beatles chamado Everyday Chemistry. Como não conhecia este álbum contatei o meu amigo Marco Antonio Mallagoli do Fã Clube Revolution. Como ele também desconhecia o mesmo e partindo do princípio que, se Marco não conhece, simplesmente este álbum não existe! Então, curioso, pensando que fosse uma brincadeira, fui buscar na Internet. Bom, um link levou-me à outro até que acabei chegando em um site que, não só permitiu-me baixar este álbum todo como conta uma história absurdamente incrível, de como o autor conseguiu esta fita rara. Nem preciso dizer que não resisti a tentação de traduzir esta história para vocês. Obviamente trata-se de um conto de pura ficção científica mas tenho que tirar o chapéu para o autor anônimo desta façanha pois, não só a fita em questão é muito bem mixada, mostrando que o autor realmente conhece os Beatles e sabia muito bem o que estava fazendo mas, seu texto foi escrito numa linguagem bem acessível e com o público certo em mente. Parabéns! Trata-se de uma gravação muito curiosa que certamente já deve ter deixado muita gente com a pulga atrás da orelha! De uma coisa podem estar certo o autor desta fita é músico e dos bons! Esta fita é fenomenal!!!

Antonio Celso Barbieri

Sobre este álbum

Everyday Chemistry é um álbum estranho, um tipo de remix ou colagem sonora produzido por um artista desconhecido. As músicas do álbum incorporam faixas vocais e instrumentais de canções de toda a carreira solo de George Harrison, John Lennon, Paul McCartney e Ringo Starr. O álbum está disponível, na íntegra, para download gratuito em um site chamado The Beatles Never Broke Up (Os Beatles Nunca se Separaram).

Em resumo, Everyday Chemistry é divulgado como sendo um álbum de estúdio "inédito" dos Beatles que acabou, em circunstâncias misteriosas, na mão de uma pessoa que não quis identificar-se e que preferiu apenas usar o pseudônimo "James Richards". Este indivíduo, mais tarde, postou uma fantástica história de como conseguiu esta gravação, aproveitando para junto colocar uma versão digitalizada desta fita "inédita" contendo o álbum na Internet.

Curiosamente, a data em que o webmaster afirma ter obtido a fita foi 9 de setembro de 2009, o mesmo dia em que as caixas contendo todos os álbuns de estúdio dos Beatles (estéreo e mono) remasterizados foram lançados; esta data em si foi escolhida devido à sua ligação com John Lennon e os estranhos acontecimentos relativos ao número 9, que ele observou ao longo de sua vida.

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Supostamente este é o lugar próximo à Del Puerto Canyon onde a coisa toda acontenceu.

A História

O que se segue é um relato real de minhas experiências como aconteceram. Devido a natureza do acontecido, devo permanecer no anonimato até que sinta que é seguro para revelar meu nome verdadeiro, mas por agora vocês podem se referir a mim como James Richards.

Em 09 de setembro de 2009 eu experimentei algo que eu ainda estou tendo dificuldade em acreditar que me aconteceu. Acabei dono de uma fita cassete contendo um álbum dos Beatles que nunca foi lançado. Na verdade, não só ele nunca foi lançado como foi gravado muitos anos depois que a banda se separou (não estou falando do Klaatu).

Agora, este é o momento onde a história se torna um pouco mais inacreditável e é quase embaraçoso tentar explicar este incidente para vocês, com medo de verem-me como um completo louco. Devo lhes assegurar, eu não sou louco e não tomo drogas, e espero que o áudio dessa fita (que vocês já devem estar escutado) seja prova suficiente de que existe algo mais do que se pensa por aí...

 Eu moro em Livermore, Califórnia, mas em 09 de setembro eu estava dirigindo, voltando para casa de Turlock depois de visitar um amigo por uns dias. Eu tinha o meu cão, uma cadela comigo e não tinha nenhum plano para o dia, então decidi dar um passeio por um lugar chamado Del Puerto Canyon, a oeste de Turlock. Lá existe uma estrada com um visual legal que passa por Livermore. Como não passava por ali já fazia um bom tempo, então decidi tomar este caminho para casa. Eram mais ou menos duas da tarde.

Já fazia algum tempo que tinha entrado pelo Canyon quando notei que minha cadela começou ficar inquieta agindo como se precisasse fazer as suas necessidades. Então, no primeiro acostamento possível, parei ao lado da estrada, abri a porta e deixei-a sair. Também aproveitei para sair e dar uma esticada nas pernas. No começo não percebi, mas então ouvi o cão latindo à uns 30 metros de distância... ela estava perseguindo um coelho. Minha cadela é obediente, mas se ela está perseguindo alguma coisa, não tem quem a pare portanto a única coisa que eu podia fazer era também participar da perseguição.

Eles já estavam bem à frente então eu tive que dar uma boa acelerada. Era difícil para correr porque o chão de terra era macio e com manchas irregulares. Não consegui avançar muito longe nesta perseguição porque pisei num buraco de coelho, cai e desmaiei.

Quando acordei, eu estava em uma sala. A sala estava mobiliada com alguns móveis e alguns aparelhos eletrônicos. Alguém tinha cuidado de mim pois eu tinha um curativo na minha cabeça mas, sentia-me desconfortável com a situação, porque eu tinha caído e batido minha cabeça numa área despovoada e muito rural, sem casas e, agora, do lado de fora da janela do quarto onde estava podia ouvir o barulho de tráfego.

Eu não estava perto da janela do quarto que, na verdade, estava localizada do outro lado, ao lado de uma máquina eletrônica incomum, um equipamento que não conhecia e nunca tinha visto antes. A única razão pela qual este equipamento se destacou foi porque parecia fora de lugar na casa e, não combinava com a mobília. Eu decidi me levantar e olhar para fora da janela, mas a porta se abriu e meu cão entrou correndo, muito animado em me ver. Quando olhei para cima, havia um homem em pé na porta. Ele tinha cerca de 1.80 ms de altura, tinha cabelos pretos e de comprimento médio e estava bem vestido mas de forma casual. Ele me deu uma olhada meio "estranha, tipo problema", se você sabe o que quero dizer. Ele se apresentou como Jonas e me perguntou se eu estava ok, ao que respondi que sim. Ele disse que me encontrou inconsciente em um campo com meu cachorro latindo para mim. Então eu agradeci a ele por ajudar-me e também à minha cadela e disse que eu até estava surpreso por meu cão ainda ter voltado para mim. Então fiz a pergunta que me faria começar a questionar se de fato eu tinha enlouquecido… Perguntei-lhe:

"Onde estou?"

"À cerca de 20 metros de distância de onde encontrei você". Respondeu.

Repliquei que não poderia ser possível porque não haviam casas próximas por pelo menos 20 quilômetros de onde me lembrava de estar. Ele então me disse que o que ia dizer a seguir seria muito chocante e inacreditável, e que, se ele mesmo não tivesse experimentado, não acreditaria. Ele olhou a máquina perto da janela e olhou para mim e disse que tinha me transportado para uma Terra paralela. Ele disse que tinha viajado para a Terra na nossa dimensão e me encontrado nocauteado, num calor escaldante, sem ninguém por perto para me ajudar. Ele disse que, normalmente,  não transportava estranhos através de um portal, mas no meu caso, ele achou que eu precisava de ajuda urgente.

Imediatamente comecei a fazer perguntas sobre a viagem para mundos paralelos, uma vez que tudo o que eu sabia sobre o tema foi sobre vídeos de Michio Kaku no YouTube. Ele pediu para eu me acalmar dizendo que iria explicar tudo. Aparentemente, mesmo podendo esta máquina ser perigosa o suficiente para causar a morte, em seu mundo uma máquina para viagens para universos paralelos poderia ser comprada com bastante facilidade e, embora não fosse barato, era muito popular. Na década de 1950 de sua dimensão, o governo foi confrontado com a decisão de continuar a financiar um programa espacial (acredito NASA) ou um programa de dimensão paralela chamada ARP-D. Eu não me lembro o que ele disse que esta sigla representava mas, tenho certeza de que o PD refere-se à Dimensões Paralelas, e eu me lembro a sigla porque notei-a em vários equipamentos eletrônicos no quarto em que estava.

Ele então explicou o perigo real em usar uma das máquinas para explorar novas dimensões: Uma vez que há uma quantidade infinita de Terras em outras dimensões, apenas uma pequena quantidade pode ser explorada. O problema com a exploração de dimensões desconhecidas é que quando caminharmos através do portal existe uma grande chance que o viajante morra de alguma forma. Ele me disse que as pessoas podem morrer numa queda (se o solo não estiver perto o suficiente para que o portal se abra), morrem de afogamento (existem mundos cobertos de água e é difícil de reabrir um portal submarino), morrem queimados, devido à questões atmosféricas… Ele disse para que as pessoas, para evitarem isso, teriam que saber antecipadamente que não teriam problemas na dimensão para onde estariam viajando. Assim, seu governo começou pesquisar para descobrir mundos "seguros" para transportação e, mesmo criando pontos públicos, criando um menu onde as pessoas pudessem escolher mundos seguros para visitar.

Muitos desses mundos são mundos com uma vegetação exuberante nunca arruinada pelo homem, esperando apenas para ser invadido pela grande população superlotada do mundo dos viajantes. Ele disse algo sobre novas indústrias que se criaram por causa disso, algumas funcionado como "corretores de vida dimensionais" onde essas pessoas oferecem a chance de um viajante viver como alguém novo em um mundo semelhante, já estabelecido, um mundo onde seus habitantes não sabem ainda sobre viagem dimensional ou da existência de pessoas que atravessam a fronteira dimensional. Jonas disse que ele era um explorador de uma das agências de viagens dimensionais e estava à procura de novas dimensões desconhecidas e, por isso veio até minha terra.

Nós conversamos sobre um monte de coisas, foi interessante conhecer as semelhanças e diferenças existentes entre nossos mundos. Comida, cultura, TV, tecnologia... nós conversamos sobre muitos assuntos. Nós também começamos a falar sobre música, que era um tema interessante porque haviam muitas bandas iguais entre nossos mundos, incluindo os Beatles. Quando o nome dos Beatles veio átona Jonas mencionou que seu irmão acabara de voltar de um concerto onde eles tocaram recentemente. Quando ele falou isto eu fiz uma cara estranha e disse:

"Você quer dizer que eles ainda estão juntos?" Ele respondeu que sim. Então disse a ele sobre como eles se separaram em nosso mundo e que John e George tinham falecido. Aparentemente naquele mundo eles ainda estavam todos vivos, saudáveis e ainda em turnê!

Jonas então pediu para segui-lo até outro quarto onde existia uma estante com algumas fitas cassetes (sim as músicas, aparentemente em CD nunca pegaram em seu mundo) e um toca-fitas / rádio / toca-discos, embora não muito parecido com o tipo de rádio que temos. Os alto-falantes mais pareciam um cartão enrugado, mas pareciam muito bons. Não consegui dar uma boa olhada nos alto-falantes, mas eles certamente não eram redondos, quase pareciam uma sanfona (acordeão) alta.

O único álbum dos Beatles que tinha sido comprado numa loja tinha a arte da capa do álbum Sgt Peppers. Entretanto,  a capa parecia um pouco diferente do que a nossa, mas as músicas eram todas iguais. As outras 6 fitas dos Beatles que ele tinha, todas tinham sido gravadas por alguém em fitas cassetes cujos nomes dos álbuns e das suas músicas tinham manualmente anotados no encarte da fita. Alguns dos títulos dos álbuns gravados nestas fitas eu reconheci, mas havia cerca de 4 que eu nunca tinha ouvido antes. Ele tocou algumas músicas de um deles. Foi totalmente surreal ouvir músicas dos Beatles que nunca foi tinham sido feitas (pelo menos no nosso mundo). Nós conversamos sobre isso um pouco, ele disse que uma garota tinha gravado as fitas para ele enquanto ele estava na escola superior (o que eles chamam de escola secundária). Ela era uma grande fã dos Beatles e queria que ele também escutasse.

Ele tirou do aparelho a primeira fita e estava colocando a segunda quando,  pensando que não seria um grande problema, eu sugeri que ele deveria me gravar uma cópia de um dos álbuns para que eu pudesse levá-la de volta comigo. Bem, o olhar que Jonas me deu quando eu disse isso é parte da razão pela qual eu estou permanecendo anônimo. Não só ele me assustou, mas seu olhar tinha uma expressão muito estranha que foi seguida pela frase (não estou repetindo palavra por palavra porque não me lembro exatamente o que ele disse):

"Não, você não pode pegar qualquer coisa. Você não pode levar nada de volta para o seu mundo. Nenhuma imagem, sem lembranças, sem fitas, NADA." Perguntei-lhe por que mas, ele realmente não quis dizer, exceto que para a minha própria segurança eu não deveria levar nada daquele mundo de volta para o outro.

É claro que eu não sou o tipo de pessoa que passaria por todas essas coisas num mundo paralelo e não pegaria algo para provar esta história ultrajante da minha experiência. Portanto, naquele momento eu respondi entendia e não iria levar nada e mudei de assunto. Cerca de uma hora mais tarde, após conversarmos um pouco mais, ouvi uma campainha tocar e ele deixou o quarto para atender a porta. Eu sabia que eu não teria outra chance para pegar algo e, então peguei uma das fitas e  guardei-a no meu bolso, em seguida, embaralhei as fitas para tornar menos óbvio que algo estava faltando.

Quando ele voltou para dentro, eu disse que estava com um pouco de fome (apenas para nos tirar da sala). Em seguida, ele levou-me ate outro quarto e me alimentou. A maior parte da comida tinha o mesmo sabor, mas os nomes e cores dos produtos eram diferentes. O ketchup roxo foi o mais estranho. Nós conversamos um pouco mais e então eu disse que estava ficando um pouco tarde e ja era hora de ir embora (a hora do dia era idêntico ao nosso, como também em todos os outros mundos).

Voltamos ao quarto inicial, aquele com as máquinas, peguei meu cachorro, apertei a mão de Jonas e agradeci por ele ter cuidado de mim. Agradeci novamente e dei um passo através do portal. Me senti como se tivesse ficado molhado mas, na verdade, fiquei seco durante o tempo todo, muito estranho... Quando coloquei a minha cadela no chão, ela ainda se sacudiu como se achasse que estivesse molhada.

De volta ao nosso mundo eu vi meu carro na estrada. Podia também ver uma marca,  uma linha reta queimada no chão no local onde o portal tinha aparecido. Estava escuro lá fora e a única razão porque notei a queimadura foi porque ainda estava saindo fumaça por causa do calor. Voltei para meu carro (desta vez não corri) e voltei para casa. A pior parte é que eu não podia nem ouvir a fita no caminho de casa, porque eu não tenho um toca-fitas no meu carro. Na verdade, eu nem sequer fui capaz de ouvi-la em casa. Tive que ir até um Wal-Mart para comprar um toca-fitas apenas para ouvi-la.

Infelizmente, além do que está escrito no encarte da caixa, eu não tenho qualquer informação sobre esta fita. Os nomes das faixas foram escritas, bem como o título do álbum "Everyday Chemistry". Tudo mais sobre ela é tão misterioso para vocês quanto para mim. Também, não poderia ter pedido qualquer informação sobre a fita, especialmente depois de tela roubado...

James Richards

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03
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05
06
07
08
09
10
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Everyday Chemistry
Four Guys
Talking to Myself
Anybody Else
Sick to Death
Jenn
I'm Just Sitting Here
Soldier Boy
Over the Ocean
Days Like These
Saturday Night
Mr Gators Swamp Jamboree

industrial revolution by dave thompson
Detalhe da capa de um livro raro chamado Industrial Revolution escrito por Dave Thompson
que fala sobre algumas das bandas mais importantes do Rock Industrial. Animação: Barbieri

Do Pós-Punk ao Pré-Gothic passando pelo começo do Rock Industrial!
escrito por Antonio Celso Barbieri

Ouçam 120 tracks indispensáveis!

NOME DAS BANDAS E ARTISTAS
PRESENTES NESTA SELEÇÃO MUSICAL

1000 Homo DJs, Bauhaus, Chris Connelly, Delerium Somnolent, Electric Hellfire Club, PTP – Rubber Glove Seduction, Rhea's Obsession, Acid House, Crimson Joy, Legendary Pink Dots, Rasputina, Revolting Cocks, TBSD - The Brain Sexy Diet (projeto do Barbieri), Switchblade Symphony, Boyd Rice, Coil, Gary Numan, Hocico, Suspiria, The KLF, Burning Retina, Ministry, Psykosonik, Sister Machine Gun, Spahn Ranch, The Blackouts, Clock Dva, Excessive Force, Fields of the Nephilim, Ikon, My Life with the Thrill, Rosetta Stone, Vampire Rodents, Ataraxia, KMFDM, Love is Colder than Death, Numeralia, The Young Gods, Virgin Prunes, Laibach, Nosferatu, Pailhead, Santeria, The Wake, Tones on Tail, Big Electric Cat, Chako, Gravedance, Lead Into Gold, Meat Beat Manifesto, Red Lorry Yellow Lorry, !Aiboforcen, A Split Second, Ccorpus Delicti, Christian Death, Fred, Gene Loves Jezebel, Foetus, Mussolini Headkick, Psychic TV, Specimen, Strap On Halo, Theatre Of Hate, Two Witches, 45 Grave, Alien Sex Fiend, Crüxshadows, Doubting Thomas, Greater Than One, Pankow, Wumpscut, Absinthee, Cyberaktif, Die Form, Divine,  Fahrenheit 451, Genitorturers, Pig, Controlled Bleeding, Eve of Destiny, Fading Colours, Hope & Kirk, The New Creatures, Adam Christian, Die Krupps, In The Nursery, The Merry Thoughts, Wayne Hussey & The Mission, Wreck, David J., Die Laughing, Eerie Von and Mike Mora, Strike Under, Trance to the Sun, Lucifer Scale, Siouxie Sioux, Leaether Strip, Magenta, Robert Smith.

Dizem que "saber é poder!"

Verdade! Acredito que muita gente tem uma visão preconcebida à respeito dos vários estilos de rock. São ideias muitas vezes baseadas em comentários negativos de alguns pseudos especialistas, críticos e amigos.  Mas, acredito que, por vários motivos, estas pessoas nunca realmente dedicaram parte do seu tempo à escutarem bandas tão boas e diferentes quanto Bauhaus, Laibach e Ministry. Acho importante notar que estas 3 bandas e centenas de outras fizeram uso intensivo de teclados, aparelhagem eletrônica e muita experimentação. Acreditem que, o trabalho destas bandas inovadoras, bebendo de várias fontes, ajudaram a construir a música dominante de hoje.

Neste período inicial, duas gravadoras em particular destacaram-se na divulgação e lançamento deste povo todo; WaxTrax e Cleopatra Records.

Bom, a lista de músicos e bandas acima citadas, que vocês já devem estar escutando, foi extraída de duas coletâneas, uma chamada WaxTrax Black Box Set (WaxTrax - 3 CDs) e a outra chamada The Black Bible Box Set (Cleopatra Recorods - 4 CDs). Estas coletâneas recebi em mãos das próprias gravadoras em Cannes na França numa feira de gravadoras chamada Midem que tive a oportunidade de visitar por 3 anos consecutivos (91,92 e 93).  De qualquer forma, lá pelo começo dos anos 90 eu já tinha o meu próprio projeto eletrônico industrial que, na falta de uma palavra melhor, definia como sendo Technotrash.

Meu projeto chamava-se The Brain Sexy Diet (TBSD) cujo álbum Master Blaster só seria lançando em 1995. Nele eu tentava juntar a urgência e espontaneidade do Punk com o Rock Industrial buscando fazer uma música fortemente eletrônica mas, tão suja quanto possível. Desde o princípio fui fortemente influenciado por bandas como Ministry, Die Krups, Laibach, Revolting Cocks, The Young Gogs e In The Nursery. Fora toda uma vida ouvindo de tudo um pouco eu também trazia ideias de Kraftwerk, Laury Anderson e um pouco vindo da música clássica. Destas bandas, Ministry, Die Krups, The Young Gogs, In The Nursery, Kraftwerk e Laury Anderson tive o previlégio de assitir shows ao vivo aqui em Londres.

Quando, depois de alguns anos, juntei material para um álbum, organizei a coisa toda e lhe dei o nome Master Blaster. Este nome foi inspirado no nome de um lutador que aparece no último filme da trilogia Mad Max chamado Thunderdome e estrelado por Mel Gibson e Tina Turner.  Enviei o álbum Master Blaster para umas 30 gravadoras pelo mundo todo. É lógico que as primeiras gravadora que enviei o meu petardo foram a WaxTrax e Cleopatra Records em USA. Infelizmente, nunca recebi uma resposta que fosse de ninguém. Então, apenas para ter uma pequena satisfação pessoal, tomo a liberdade de incluir aqui junto com estas duas coletâneas essenciais para aqueles interessados neste assunto, também o meu álbum.

Meu interesse por compor e agrupar sons com uma perspectiva diferente já vinha desde o Brasil onde, lá pelo meio dos anos 80, tive o privilégio de assistir um curso de música na PUC com o gênio H. J. Koellreutter. Com ele aprendi, entre outras coisas, que o som poderia ser dividido entre tom, mescla e ruído. Parece simples mas para mim foi uma revelação!

devil discos logo vasado
Logo do selo da gravadora Devil Discos. Arte: Barbieri.

Neste mesmo período ajudei Chicão dono da loja de disco chamada Devil à abrir sua gravadora, a Devil Discos. Para o logo da gravadora, criei uma arte onde aparece um braço com uma furadeira elétrica fazendo um furo na letra "D". No final este logo acabou transformando-se no próprio logo e cartaz da sua loja. A ideia de usar máquinas e outros objetos para fazer música não era novo. Através da trilha sonora do filme 2001 Uma Odisseia no Espaço, conheci a música de György Ligeti e quase no mesmo período os trabalhos de eletro-acústica de Karlheinz Stockhausen, o serialismo dodecafônico de Arnold Schoenberg e as loucuras de John Cage ao piano.  A corrente minimalista encabeçada por compositores como Terry Riley, Steve Reich, Philip Glass e John Adams também atraíram-me profundamente. Fiquei também impressionado com Terry Riley e a sua famosa gravação A Rainbow in Curved Air (1967). Steve Reich foi um dos primeiros a usar de forma primitiva samples e loops gravados onde brincava com a repetição e o tempo das gravações. Philip Glass impressionou-me com a trilha sonora do filme Koyaanisqatsi. Aliás trilhas de filmes sempre foram grandes fontes de inspiração e, curiosamente sempre achei que minha música tivesse uma qualidade cinematográfica, sempre pedindo por imagens. À bem da verdade muito antes disto eu já tinha ficado fascinado com o uso de efeitos especiais no Rock:

1) O álbum Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band dos Beatles, em termos de trabalho de estúdio e gravação, é um marco histórico!
2) A música Frankenstein executada pela banda de Edgar Winter, irmão do bluesman Johnny Winter, chamada The Edgar Winter Group é absolutamente inovadora no seu uso de efeitos no som da bateria.
3) A introdução da música Baba O'Riley da banda The Who mostrou grande respeito pelo poder do teclado.
4) A música introdutória do álbum Dark Side of the Moon da banda Pink Floyd chamada Speak To Me Breathe já diz tudo mas o álbum todo está repleto de efeitos, gravações de vozes e sons num trabalho fabuloso do engenheiro e músico Alan Parsons.
5) Outra faixa que ouvi "um milhão" de vezes foi Whole Lotta Love executado pelo lendário Zed Zeppelin. Esta música usou o eco, delay e reverb de forma excepcional.

Sei que vocês me lembrarão à respeito da importância de Pink Floyd, King Krinson, Can, Emerson Lake and Palmer, Jean Michel Jarre e mais algumas dúzias de bandas importantes mas, devo confessar que apesar de ouvir quase todas e até gostar muito de algumas, acredito que estas bandas não se encaixam perfeitamente no contexto desta matéria, pois fogem daquela coisa essencial e primitiva que eu buscava incorporar na minha música eletrônica. Essência esta que, pouco mais tarde bandas como Ministry saberiam incluir em suas composições com tanta habilidade.  

E o Brazil? Guardo aqui com carinho meus compactos, vinis e CDs das bandas Azul 29, Agentss, Símbolo e Harry, esta última, a banda do meu amigo Johnny Hansen. Também não posso deixar de lembrar aqui o trabalho de Arrigo Barnabé o músico brasileiro, na minha opinião, mais criativo e revolucionário dos últimos 50 anos! Sua música não é de apelo popular mas o cara é gênio!

Caros leitores esta seleção musical que aqui disponibilizo, de forma nenhuma, esgota o assunto! Poderíamos ficar aqui sitando nomes de bandas até o final dos tempos!  De qualquer forma, acredito que esta seleção já tomará bastante do seu tempo. Divirtam-se! :-) 

Antonio Celso Barbieri

joe cocker 69Joe Cocker um branco inglês com uma voz negra inesquecível!

MORRE O LENDÁRIO JOE COCKER!
escrito por Antonio Celso Barbieri

É com grande pesar que informo o falecimento hoje (22/12/2014) do lendário vocalista inglês Joe Cocker. Ele morre com 70 anos depois de uma batalha conta um câncer.

O empresário deste herói dos anos 60 descreveu-o como "simplesmente único" e disse para a BBC que "será impossível preencher o espaço que ele deixou vazio nos nossos corações"  

A Sony Music emitiu uma declaração confirmando a morte do cantor dizendo: "John Robert Cocker, como era conhecido pela família, amigos e também pela sua comunidade de fãs no mundo todo que o conhecia simplesmente por Joe Cocker, faleceu dia 22 de dezembro de 2014 depois de uma luta dura contra um câncer pulmonar. Mister Cocker tinha 70 anos.

Joe Cocker nasceu no dia 20 de maio de 1944 em Sheffield na Inglaterra onde ele viveu até os 20 anos. Em 2007 ele foi condecorado pela Rainha da Inglaterra com o título OBE (originalmente chamado "Most Excellent Order of the British Empire" e mais tarde simplificado para  "Order of the British Empire"). Seu sucesso internacional como cantor de blues e rock começou em 1964 e continuou até os dias de hoje, tendo lançado aproximadamente 40 álbuns e feito incontáveis tournées pelo mundo todo.

joe cocker woodstock
Joe Cocker no Festival de Woodstock.

Sua apresentação ao vivo no Festival de Woodstock em 1969, colocou-o definitivamente no mapa do rock mundial. Até hoje quando escuto um rock de qualidade, que me emociona, imito com as mãos estar tocando uma guitarra da mesma forma que Joe Cocker me ensinou desde a primeira vez que o assisti no filme Woodstock lá pelo começo dos anos 70. Sua interpretação de With a Little Help from My Friends, para mim, foi sempre muito superior à original interpretada pelos Beatles. Aliás, Joe Cocker sempre teve esta habilidade fantástica de pegar uma música de outro autor e adota-la como sua, colocar uma vestimenta nova e com sua voz negra e rouca interpreta-la com uma paixão e energia de dar inveja.

Infelizmente, é mais um herói dos anos 6O que se vai! Sempre achei o Natal e Fim de Ano uma coisa triste mas este, agora sim, ficou mais triste ainda! Adeus caro Mister Cocker! Sua música certamente viverá no meu coração e de muita gente!

Never say goodbye say alo!

Antonio Celso Barbieri

with a little help from my friends cover


joe cocker brasil 77a
Joe Cocker no Ginásio da Portuguesa em 1977. Foto: Walter Gomes.

As Primeiras Apresentações de Joe Cocker no Brasil - 1977
escrito por Márcio de Aquino

Em agosto de 1977, o cantor inglês Joe Cocker se apresentava pela primeira vez no Brasil. Cocker, naquele período não vinha atravessando um momento dos melhores em sua carreira, muito em virtude de seu envolvimento com a bebida e as drogas, e por seu caráter perdulário - tinha perdido muita grana com uma excursão altamente dispendiosa, registrada no documentário The Mad Dogs & The Englishmen. Talvez por isso naquele momento seu cachê não era dos mais caros para um astro de sua grandeza. Porém, segundo o relato de publicações da época, suas apresentações ficaram marcadas pelo despreparo e desorganização por parte dos promotores. A revista Música nº 16, fez um relato do evento. Logo de cara, ao anuciar o cantor, o apresentador cometeu um erro de pronúncia. “It's Cocker, not Cuker”, corrigiu Joe assim que subiu ao palco. A matéria dizia: “Nos camarins, nos hotéis, nos ônibus e nos aviões a desorganização não perdia para aquela dos shows. Para Joe e Michael Lang (promotor de Woodstock, e que fazia parte de sua equipe), no entanto a situação não era nada engraçada. Mike, que conseguiu organizar 30 dos maiores conjuntos e 600 mil pessoas em um só concerto, ficou francamente espantado com a capacidade da Vasglo (empresa que trouxe o show) de não conseguir organizar um mero concerto de um grupo para 3 mil pessoas. Lang teve de passar três noites em claro no Brasil, no telefone, arranjando tudo o que os organizadores responsáveis pelo show aqui se esqueceram de arranjar. Em Santos, inclusive, Mike teve de chegar ao cúmulo de pedir ao técnico de som para que cedesse seu lugar na mesa para ele. E apesar de Mike não entender nada de botões, este foi o melhor concerto brasileiro de Joe.

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Joe Cocker no Ginásio da Portuguesa em 1977. Foto: Walter Gomes.

Dos vários comentários de Joe, estes são alguns dos mais ilustrativos sobre os problemas por ele enfrentados em sua turnê brasileira: "Anota aí alguns palavrões em português no meu caderninho, porque eu estou vendo que vou ter bastante chance de usá-los...” "Este é o teatro? Então, onde é que estão os camarins? Estes são os camarins, hein? Já que não têm porta, armário, cabide, espelho, pia ou toalhas, será que vocês poderiam me arrumar um banquinho?"
"Todo mundo trouxe sabonete pra tomar banho? Como? Ah, não precisa. Não é que já tenha sabonete. É que não tem chuveiro.”

Porém, nem tudo foram só derrotas nessa excursão. Sobre suas performances no palco, a matéria comenta: “Naquele fim de semana – 20 e 21 de agosto – não se apresentou apenas uma grande estrela do palco pop. Estiveram também em São Paulo, além do incrível vocalista de blues, Joe Cocker, o tecladista Nicky Hopkins e o saxofonista Boby Keys, ambos preferidos pelos Stones, em suas apresentações ao vivo ou mesmo em discos de estúdio. E muita gente que não sabia deste importantíssimo detalhe ficou sem ir, certamente pensando em encontrar um Joe Cocker cansado, marcado pelo tempo e pela estrada, sem aquela força taurina que marcou os tempos de Mad Dogs & Englishmen. No entanto, Cocker esteve maravilhoso, com sua voz forte e poderosa, seu embalo mágico, seus sentimentos em pé, sua coragem ativa. Talvez apanas algumas cicatrizes deixadas pela tristeza que teve de renegar a posição número um do cantor pop, para fazer excursões e shows baratos, com a finalidade de ver-se livre das enormes dívidas contraídas.”

Márcio Aquino

Barbieri comenta: Nunca me esquecerei desta data. Um mes antes comecei produzir um show no Teatro Arthur Azevendo (SP0 da banda progressiva Devas. Era meu primeiro show realmente profissional. Imprimi ingressos, fiz cartazes, anunciei no jornal, aluguei um caminhão para levar um piano até o palco, etc. Umas duas semanas antes do show começou um boato e logo aparecem uns cartazes promovendo o show do Joe Cocker no Ginásio Portuguêsa. No dia do meu show a presença de público foi mínima e, até eu, queria está vendo Joe Cocker. Doeu no coração! Tanto pelo prejuíso como pela impossibilidade de ver o grande mestre em ação! (leiam aqui a matéria sobre a banda Devas)

joe cocker trofeu

blues pills band
blues pills logo2
Blues Pills: Uma banda Sueca nos brindando com um rock setentista de primeira!
Escrito por Antonio celso Barbieri

Ontem à noite (10/12/2014), no The Forum em Londres assisti ao show da banda sueca Blues Pills que desconhecia totalmente. Blues Pills abria para a excelente banda Rival Sons (clique aqui para ouvi-la) e veio com a corda toda, para arrebentar! Confesso que foi uma excelente surpresa! A vocalista Elin Larson não deixou pedra sobre pedra e o power trio que a acompanhou esbanjava competência. Seu primeiro álbum homônimo foi lançado em 2014 pela gravadora Nuclear Blast e esbanja referências aos anos 60 e 70.  Elin Larson, com seu corpo magro e esguio, descalça no palco, surpreendeu todo mundo com sua voz poderosa, tipo uma Janis Joplin para o Século XXI. Só posso dizer que a banda conquistou a plateia já na primeira música. Fantástico!!! Lá mesmo no teatro, comprei o álbum que, agora, vocês já devem estar ouvindo! É maravilhoso saber que o glorioso som do começo do final dos anos 60 e começo anos 70 está de volta e, com força total! :-)

Antonio Celso Barbieri

rival sons ticket

2 vídeos excelentes mostrando o poder da banda Blues Pills ao vivo
no Rock Hard Festival em 2014 e no Rockpalast em 2013!



blues pills cover


blues pills poster

koritni logo

Koritni: Uma banda australiana competente!
escrito por Antonio celso Barbieri

Koritni é uma banda australiana competenet que já está na estrada desde 2006.

Quando falamos de rock australiano, a banda AC/DC reina soberana mas, a verdade é que, na Austrália, como no Brasil, muitas bandas de rock estão batalhando à anos por um lugar ao Sol.

Então, falando de banda australiana, por pura sorte, enquanto buscava por fotos na Internet usando a palavra "crossroads" (encruzilhada). Deparei-me com a capa deste álbum desta excelente banda originária de Sydney (Austrália), chamado Welcome to the Crossroads (vide abaixo).

koritni live
Koritni ao vivo!

Discografia

koritni lady luckLady Luck (2007)

koritni red live joint
Red Live Joint (2008)
koritni game of fools
Game of Fools (2009)
koritni no more bets
No More Bets (2010)
Koritni welcome to the crossroads cover
Welcome to the Crossroads (2012)
koritni alive kicking
Alive and Kicking (2013)

Koritni faz um hard rock bem feito que vale à pena ser conferido. Em 2007, a banda lançou seu primeiro álbum chamado Lady Luck. Em 2008 lançaram um pacote incluindo um CD e um DVD chamado Red Live Joint. Em 2009 foi a vez do álbum Game of Fools chegar nas lojas. Em 2010 lançaram uma coletânea chamada No More Bets, um tipo de live acústico incluindo algumas tracks ao vivo e uma gravada no estúdio.  Em 2012, Welcome to the Crossroads foi lançado e em 2013 Alive & Kicking, mais um álbum gravado ao vivo chegou à lojas. A banda tem participado de inúmeros festivais e, tem batalhado muito para deixar a sua marca. Desejo boa sorte ao pessoal do Koritni! Rock'n'roll!

Koritni welcome to the crossroads cover


koritni live2
Koritni ao vivo!

the howlin brothers on the roadThe Howlin' Brothers numa colagem digital do Barbieri.

The Howlin' Brothers: Country and Western, Blue Grass e muito mais!
Uma viagem às origens do Rock!

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Muito embora, à primeria vista, The Howlin' Brothers (Os Irmãos Uivantes) pareçam uma banda de Bluegrass incorporando suas pegadas e rítmos, esta banda (cujos músicos na verdade não são irmãos de nascimento) são, evidentemente, uma banda de cordas Norte Americana mas, reconfigurada numa versão para o século XXI. No seu arsenal de estilos, a banda inclue rock, pop, gospel, jazz, R&B, Dixieland, country blues e, só Deus sabe o que mais! A Banda foi formada em Ithaca, Nova York no Ithaca College in 2003 por Ben Plasse (baixo acústico e banjo), Ian Craft (fiddle, mandolin, banjo e às vezes, acompanhando estes instrumentos, tocando ao mesmo tempo a bateria) e Jared Green (guitarra, gaita e foot-stomping - percussão feita com sapateado). Todos os três músicos revezam-se nos vocais. Em 2005 a banda mudou-se para Nashville. Mais tarde, em 2007, o grupo lançou, de forma independente, seu primeiro álbum chamado Montain Songs que foi seguido pelos álbuns Long Hard Year (2009), Baker St. Blues (2011), e uma coletânea contendo apresentações ao vivo chamada Old Time All the Time (2012). Este material sem uma grande distribuição, era basicamente vendido nos shows da banda até que eles, através de um amigo comum conheceram Brendan Benson. Benson levou o trio para o estúdio e produziu Howl, o seu primeiro álbum com distribuição nacional pelos States. Lançado em 2013 pela própria gravadora de Benson chamada Readymade Records este álbum incluiu participações dos músicos Jypsi e Warren Haynes. O último trabalho da banda chamado Trouble, novamente foi produzido por Benson e foi lançado este ano (2014). Apenas como curiosidade quero lembrar que, no Rock, na minha opinião, uma das bandas que mais pesquisaram estas influências tão antigas, incorporando-as à sua música foi a banda The Band famosa também por ter acompanhado o lendário Bob Dylan.

the howlin brothers live
The Howlin' Brothers ao vivo!

Então, ontem 22 de outrubor de 2014, fui no show deste trio super competente e tenho que confessar-lhes fiquei muito emocionado. O lugar era uma antiga igreja católica com capacidade para no máximo umas 200 pessoas, talvez menos. O palco era a frente do altar e as caixas do P.A. de um lando ficavam na frente da estátua da Virgim Maria segurando o Menino Jesus e do outro lado as caixas ficaram na frente de uma pintura antiga, feita sobre madeira de Santo Expedito. St Pancras The Old Church como é conhecida esta igreja, fica colada à um parque onde os Beatles andaram tirando umas fotos e portanto viirou ponto de perigrinação para os fãs mais obsecados. :-)

The Old Church
Acima a igreja St Pancras The Old Church e baixo um ingresso para o show.


the howlin brothers at the church london
The Howlin' Brothers ao vivo no St Pancras The Old Church. Foto: Barbieri

A noite estáva muito fria e ficamos agradecidos quando as portas abriram-se. Sentamos nas mesmas cadeirinhas individuais onde normalmente sentam as pessoas que comparecem para a missa. Aliás, o lugar curiosamente funciona normalmente como igreja e espaço de shows. Bom, além do espaço ser mágico e aconchegante o show foi muito especial mesmo. Tive que enxugar uma lágrima ou duas. Estive em shows de Blues e, neles sempre tive muita consciência de que o Blues negro foi parte importantíssima na criação do Rock. Entretanto, nunca tinha sentido de perto o outro lado, as raizes brancas do rock, o Country and Western de raíz e o Bluegrass com suas nítidas influências irlandesas. Foi como fazer uma viagem no tempo, uma pesquisa arqueológica. Alí naquela igreja, na frente daquela banda, minha história, meu caminho pelo rock parecia que completava mais uma etapa importante. Realmente foi demais, assistimos o show na primeira fileira.... Confesso que ainda estou emocionado! Este álbum que vocês devem estar ouvindo é o último álbum da banda chamado Trouble. Comprei-o lá, literalmente dentro da igreja! É coisa sagrada! :-)

Antonio Celso Barbieri

the howlin brothers trouble cover

the howlin brothers band portrait



the howlin brothers logo

rival sons logo

Rival Sons: Uma banda da Califónia excelente! Escuta obrigatória!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Se você  ainda não ouviu esta banda californiana de Long Beach fique de olho porque, acho que é apenas questão de tempo pois, sua dominação mundial já começou.

Como tudo começou
Com a saída do vocalista e consequente fim da banda do guitarrista Scott Holliday chamada Black Summer Crush, Holliday partiu para busca de um novo vocalista e no MySpace encontrou Jay Buchanan que já tinha gravado um álbum e um EP. Então, a banda Rival Sons foi criada mas a verdade é que Buchanan tinha entrado na banda com um pé atrás porque ele vinha com uma experiência como cantor e compositor de blues e achava que a coisa poderia não combinar. Portanto, ele ficou surpreso com a reação ao primeiro lançamento da banda, um álbum  independente chamado  Before The Fire (2009). Nem preciso dizer que a reação foi tão boa que acabaram conseguindo um contrato de gravação com a Earache Records que culminou com o lançamento no começo de 2011 do álbum Pressure & Time.  A proposta da banda é simples, gravar um álbum por ano. Alugar um estúdio, entrar no estúdio e em um mês compor e gravar, com a participação de toda a banda, um álbum. Talvez seja por isto que o primeiro álbum lançado pela Earache Records chamou-se Pressão e Tempo. Para Scott Holiday este é a chave do processo criativo da banda que ele define como "trazer o perigo para o rock'n'rol!"

rival sons band

Em setembro de 2012 um novo petardo foi lançado chamado Head Down e recebido com aplausos pela crítica. No Reino Unido chegou na posição 31 de vendas e na parada indie em quinto lugar. No resto da Europa também se deu muito bem (Suécia 6, Finlândia 13, Holanda 14, Suíça 30 e Alemanha 38).

rival sons pressure e time

Com as tournées Europeias todas lotadas a banda tem recebido fotos de capa e todo tipo elogios nas revista especializadas que a classificam estilisticamente como sendo uma banda de rock pesado à lá anos 60 e 70 bem na veia de bandas como Led Zeppelin, The Animals e Free. Na BBC, o jornalista Greg Moffitt descreveu o som da banda como "um mistura elétrica de Led Zeppelin, Free, Bad Company, Deep Purple, The Doors e uma dúzia de outras bandas."

rival sons head down

O novo álbum Great Western Valkyrie (que vocês devem estar escutando) lançando agora em 2014 é uma paulada na cabeça recheada de distorção fuzz e nos brinda com de tudo um pouco mas, sempre bebendo das melhores fontes possíveis. Este novo álbum é tudo que eu espero de uma banda de rock! Nada como voltar para a essência do velho e bom Hard Rock mas, levando o mesmo para os limites do peso e da distorção. Já sou fã!!!

Antonio Celso Barbieri

rival sons great western valkyrie

rival sons great western valkyrie back

johnny winter
johnny winter logo

Johnny Winter: Morre o lendário guitarrista!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Johnny Winter figura seminar do Blues mundial faleceu ontem (16/07/2014) no seu quarto de hotel em Zurique, na Suíça. Ele estava com 70 anos.  O Rock mundial perde um dos seus guitarristas mais icônicos!

Johnny Winter tocou com Jimi Hendrix e Muddy Waters, era amigo de John Lennon, que escreveu Rock and Roll People em sua honra. Mick Jagger e Keith Richards escreveram uma canção para ele, em 1973, chamada Silver Train.

Nascido John Dawson Winter III em 23 de fevereiro de 1944 no Mississippi, Johnny  cresceu em Beaumont, Texas. Com 5 anos, começou tocar clarinete e, poucos anos depois, mudava para o ukelele (cavaquinho) e a guitarra.

Sua grande chance surgiu quando Johnny Winter abriu um show para Mike Bloomfield, em 1968. Este show chamou a atenção da Columbia Records, que contratou-o com um adiantamento de £400.000 libras.

Em Maio de 2014, estréiou no Festival SXSW o documentário chamado Johnny Winter: Down & Dirty, feito pelo diretor Greg Olliver.

Para mim, esta é uma notícia particularmente tristre. Sou fã de Johnny Winter desde os anos 70 e este álbum, chamado Live Johnny Winter And e lançado em 1971,  que aqui disponibilizo para escuta, foi meu álbum de cabeceira por muitos anos. Suas versões de Johnny B Goode e Jumpin Jack Flash são clássicos obrigatórios na coleção de qualquer roqueiro que se preza. Não houve no passado nenhum bailinho de rock que eu tenha organizado que não tenha tocado estas duas músicas.

Realmente o falecimento de Johnny Winter doeu na minha alma. As novas gerações, certamente não terão ideia de como  Johnny Winter foi importante. No meu tempo, no tempo em que o vinil dominou sozinho, a maioria dos meus amigos não gostava das bandas que eu ouvia tipo ZZ Top, J. Geils Band, Canned Heat e o nosso amigo Johnny Winter. Estes músicos que eu ouvia, a maioria cantavam meio rouco ou anasalado, tocavam gaita e faziam um som que parecia beber uns tragos de tequila misturado com mescalina e pitadas de country texano. Às vezes sentia a influência mexicana ou dos índios Norte Americanos nas composições. Era um som que combinava com whisky e motos cruzando o deserto. Era muito Easy Rider!

No Brasil, a voz rouca de Johnny Winter sempre remeteu-me ao nosso Cornélius, falecido vocalista da banda Made in Brazil.

Nos anos 80, nos bailes ou nos shows, quando uma banda brasileira, por exemplo, executava algum clássico do Deep Purple, Zed Zeppelin ou Black Sabbath o público ia à loucura. Mais tarde aconteceu a mesma coisa com por exemplo as músicas Breaking the Law (Judas Priest) ou Seek & Destroy (Metallica). Depois disso aconteceu o mesmo com os covers do Slayer, Motorhead, Venon, Exciter, Napalm Death, etc.. Foi o tempo que o palco virou trampolim para o Mosh e a plateia incorporou a loucura do punk criando a "roda" na frente do palco.

Então, o que esta geração nova não entende é que estas versões de Johnny B Goode e Jumpin Jack Flash criadas por Johnny Winter foram realmente furiosas para a época e causaram a mesma loucura no público. Johnny Winter na sua época foi revolucionário, seu jeito de tocar era meio "punk", sem frescura ou embelezamentos. Para você gostar de Johnny Winter tinha que aceita-lo exatamente como ele era. Johnny Winter foi um dos mais autênticos guitarristas do seu período.

Escutando novamente o álbum abaixo deparei-me com a música Mean Town Blues que lembrou-me imediatamente da guitarra de Gary Clark Jr. na sua música chamada Dont' Owe You A Thing (clique aqui), o guitarrista que venho escutando à meses. Bom, na verdade, não foi nenhuma surpresa pois,  Gary Clark é texano. É, eu sei, Johnny Winter não era texano de nascimento mas, cresceu no Texas e seu som, à meu ver, foi muito inflenciado!

Johnny Winter por ser albino foi, por preconceito, tratado como a "ovelha negra" do rock.  Acreditem que ele participou em 1969 do lendário Festival de Woodstock e não foi escolhido para ser colocado no filme só por causa sua aparência. Muito embora ele fosse albino, dizem que ele como, um verdadeiro rock star, nunca teve problemas com as mulheres! Sua vóz rouca gritando "Rock'n'roll!!" está, para sempre, gravada na minha mente! Desejo vida eterna ao caro Johnny Winter!!!

 Antonio Celso Barbieri

Live johnny winter and cover

A juventude não é um simples prólogo!
50 anos da invasão do Beatles nos Estados Unidos

Escrito por Guilherme Rodrigues

Entre os que vivenciaram os anos 60, rola um ditado mais ou menos assim: “se você se lembra de como foram os anos 60, então você não esteve lá.” 

Certamente eu não estive nos ‘60s (pelo menos conscientemente), no entanto eles estão em mim, não só por ser oriundo da década e de suas “revoluções” (no meu caso, a ausência da revolução que foi a “pílula”), mas pela fissão que aquele lapso temporal trouxe para a chamada civilização ocidental, como se os anos 60 fossem um artefato com uma ogiva sócio-cultural que explodiu, abrindo uma dobra, um portal no tempo (“Sinto como se os ‘60s ainda estivessem por acontecer. Eles me parecem um período mais no futuro que no passado”, como Paul McCartney diz em “Many years from now”, citado por Barry Miles), dando o fugidio vislumbre de uma “história paralela” e cativando para sempre o imaginário das gerações posteriores numa espécie de banzo hipnótico e/ou espontâneo.

A abertura deste "portal no tempo" está completando 50 anos exatamente hoje, e alguns dos maiores responsáveis pela sua abertura foram uns certos Beatles e suas perucas e canções inofensivas.

Cinqüenta anos atrás, 9 de fevereiro de 1964, num domingo como hoje, os Beatles fizeram sua apresentação no Ed Sullivan Show para uma audiência de aproximadamente 73 milhões de telespectadores nos USA e no Canadá (façanha superada apenas 18 anos depois, no Super Bowl XVI, em 1982, um evento esportivo), tornando-se, instantaneamente, lendas vivas. Naqueles minutos históricos na TV, eles gravaram seus nomes na História da cultura popular, transformando um fenômeno essencialmente britânico numa verdadeira epidemia social, a Beatlemania. 

beatles no areoporto 2
À 50 anos atrás os Beatles chegavam triunfantes nos Estado Unidos!

É complicado traduzir em palavras o que era a Beatlemania, porque qualquer exagero vernacular não chegará perto da realidade do que foi aquele fenômeno sócio-cultural. Ela talvez tenha sido o primeiro (bom) viral de marketing da História. Para se ter uma idéia, foi a envergadura do fenômeno Beatlemania que fez todos os marketeiros comerciais mudarem o foco, passando a investir no jovem como alvo preferencial do mercado consumidor, algo que perdura até os dias atuais. 

Sob o aspecto negocial, a aparição dos Beatles naquele palco da CBS, e, em seguida, em seus primeiros shows na América, foram o rito de passagem do Rock, o momento em que o gênero deixou a adolescência e entrou na idade adulta, largando os clubes e inferninhos para trás, passando a ter como habitáculo preferencial os estádios. Se hoje você vai a um show do Muse, do Red Hot Chilli Peppers, do U2, ou mesmo dos Stones, e fica extasiado com as megaestruturas de som (algumas com mais de 100.000 watts de potência sonora), com palcos em 3D, hologramas, bonecos infláveis, etc. e tal, tudo começou com a lendária apresentação daqueles cabeludos no Ed Sullivan Show, e aqueles shows caóticos, quando, pela primeira vez, os empresários e promotores de espetáculos começaram a entender as enormes possibilidades financeiras daquele “tal de roquenrou”, com o que formularam-se conceitos básicos como “turnê mundial”, “videoclipes”, “concertos em estádios”, “mercado consumidor de bens ligados ao rock” (camisetas, pôsteres), “equipes de profissionais e aparelhagens adequadas para shows em larga escala”, e por aí vai.

beatles no aeroporto
A recepção calorosa dos fãs no aeroporto!

Aliás, falando em aparelhagem, infelizmente, os Beatles pagaram um alto preço pelo pioneirismo. O fato é que não existiam, à época, equipamentos de som capazes de fazer com que a Banda fosse audível a dez metros dos palcos de estádios superlotados de gente gritando a plenos pulmões. Então, era mais ou menos o seguinte, os caras cantavam simplesmente as melhores canções de todos os tempos, em amplificadores de 100 watts, e ninguém ouvia nada! 

Mas isso parecia não ter importância pra quem ia a um show deles. O que importava era a experiência de “estar lá”, “de ser parte daquela festa”, de “viver aquele êxtase coletivo”. Era o "happening" que importava. “Eles não ficam se sacudindo como Elvis”. (...) 'Eles batem os pés e balançam naturalmente ao som de sua música, e, oh, Deus, eles simplesmente passam uma energia contagiante.” (Newsweek, 18/10/63). “Naquele aeroporto, ou diante da TV, vendo aqueles quatro caras no Ed Sullivan, de alguma forma eu sentia que algo importante estava acontecendo. A gente vivia entediada e de alguma forma sentia que aquilo era o começo de algo grande, como se alguém chegasse pra você e colocasse nas suas mãos as chaves da loja de doces." (Stark, Steven D., “Meet The Beatles: A Cultural History of The Band That Shook Youth, Gender, and The World”, Ed. Harper, 2005. p. 15). "Os Beatles eram quatro rapazes da vizinhança (...). Essa era a essência de sua comunicação pessoal com o público. As pessoas se identificavam com eles imediatamente." (Hunter Davies, "A vida dos Beatles”, Ed. Expressão e Cultura, 1968, p. 255)." 

A ascensão de John, Paul, George e Ringo ao topo das celebridades mundiais foi o coroamento da ética do cidadão comum, dos "moleques" que faziam travessuras na pracinha do fim da rua e, súbito, viraram reis; monarcas, contudo, que, sem saber viver de outra forma, transformaram os "velhos palácios de uma nobreza austera" em “esquinas dançantes” de onde continuavam a fazer as mesmas estripulias, convidando todos (todos mesmo!) a participarem de suas aventuras, desgovernando o stablishment - uma elite arcaica e bélica, que ditava as regras do "bom-gosto" e decidia "quem ia morrer e quem ia ser bem-sucedido" - com o mote “a imaginação e a juventude no Poder!"

beatles fans
A beatlemania toma conta!

Era Isso. Com o sucesso sem paralelos dos Beatles, pela primeira vez o jovem viu que era possível ter alternativas, que ele podia ser criativo e inteligente e engraçado e bobo e genial e bem-sucedido fazendo aquilo que gostava (sem imposições), e tudo isso “ao mesmo tempo AGORA!”. Eles, inconscientemente, sintetizaram um conceito musical E imagético de juventude. Aqueles Beatles da fase Perucas, ainda significam muitas coisas pra muita gente de muitas gerações porque foram - são e sempre serão! - um flash cristalizado do que a juventude pode oferecer de melhor, em toda sua glória irresponsável, em toda sua originalidade bruta, em toda sua majestade de bobo-da-corte, em toda sua irreverência intelectual/comportamental.  E esse ainda é o ideário que o jovem do século XXI continua a buscar (e arrisco dizer que continuará a buscar, enquanto o mundo existir como o conhecemos).

Foi o enorme sucesso midiático que fez a irreverência liverpoodliana dos Beatles - os cidadãos de Liverpool eram considerados os "rudes  e ignorantes" do Reino Unido - ser aceita e abraçada, primeiramente pelos jovens da Inglaterra, onde fez ruir toda uma estrutura de classes, coração do sistema social britânico desde a época Vitoriana, e, depois, pela juventude norte-americana, onde veio a calhar num momento em que os universitários começavam a questionar a moral e a ética do "american way of life" apenas para alguns "brancos" abonados, enquanto o que restava para todos os demais era cumprir ordens como "vá morrer no Vietnã pelo Tio Sam".

Outro lance importante para a cultura pop, decorrente do sucesso daquela aparição dos Beatles no Ed Sullivan Show, foi a abertura das portas do mercado americano para outros artistas ingleses, como os Rolling Stones, Os Animals, o Who, Os Kinks e tantos outros geniais (e outros nem tão geniais assim), no que ficou conhecido como "a invasão inglesa", mudando o epicentro do Planeta Rock dos USA para Inglaterra, e injetando "sangue novo" de novo no Rock (mas essa é outra estória, pra outra ocasião). 

beatles na tv
Os Beatles fazendo história no programa de Ed Sullivan.

Mas os sintomas dessa "febre de juventude" não se restringiram apenas ao hemisfério norte; se disseminaram pelo mundo inteiro. Inclusive pelo Brasil, onde um tal de Roberto Carlos largou mão de copiar João Gilberto e desandou a "correr demais só pra ver seu bem" a bordo de uma “máquina quente nas curvas da estrada de Santos”; sem falar num certo Caetano Veloso, que, de promessa de artista, tirou “carteirinha de muderno”, se muniu de cabeleira, coragem e passou a perguntar “por que não? por que não?” ao som de guitarras e órgãos elétricos! No nosso contexto, enquanto os jovens daquele “Brasil varonil” ou eram sérios candidatos à tortura nas mãos dos "super-amigos do DOPS", ou eram múmias que defendiam a prevalência do banquinho e do violão e da canção "engajada" sobre a arte e a diversão, um Caetano desafiador, numa noite memorável de 1967, disse “vocês não estão entendendo nada, nada, nada”. E Caetano estava certo. Se eram tempos de “abaixo a ditadura”, também eram - como sempre é - tempos de gozar a vida intensamente, de se divertir, de sonhar e de se apaixonar. 

E é aí que a gente entende a importância da aparição daqueles cabeludos "inofensivos" num show há cinqüenta anos (e os porquês de ainda estarmos falando desses caras tanto tempo depois). 

Naquele 9 de fevereiro de 1964, os Beatles, supostos exemplos do bom-mocismo, chutaram, como ninguém, as portas do bom-mocismo, da ditadura do bom gosto e da “arte séria”, e espanaram essa estória do jovem ser uma simples versão-miniatura dos mais velhos, cantando para 73 milhões - e de quebra, para o mundo inteiro - a seguinte mensagem: "A JUVENTUDE NÃO É UM SIMPLES PRÓLOGO!" 

Então, dito tudo isso, se você ainda se pergunta o porquê de tanto blábláblá em torno desses Beatles e desse tal dia 9 de fevereiro de cinqüenta anos atrás, só posso dizer o seguinte: aquela transmissão histórica daqueles caras bobo-alegres, balançando as perucas e cantando Ié-Ié-Ié, causando um frenesi quase sexual nas meninas, foi “apenas” o futuro metendo o pé na porta, fazendo de 1964 o primeiro ano do resto de nossas vidas.

E talvez, apenas talvez, isso ainda tenha alguma importância histórica, num mundo de assuntos tão mais importantes...

Domingo, 08 da noite, 09 de fevereiro de 2014.

Guilherme Rodrigues

gary clark jr live
Gary Clark Jr ao vivo.

Gary Clark Jr
Um guitarrista com a alma do Blues!

Gary Clark Jr é um guitarrista baseado em Austin no Texas. Gary Clark nasceu no dia 15 de fevereiro de 1984 e tem sido descrito como o futuro do Blues Texano. Tendo já dividido o palco com várias lendas do Rock'n'Roll ele declara ser influenciado pelo Blues, Jazz, Soul e Country, assim como pelo Hip Hop. Uma das suas marcas mais conhecidas é o uso extremo do pedal fuzz na sua guitarra. Seu som nos remete para o passado sem esquecer do presente. Longe do som, por exemplo, de um Lenny Kravitz seu som parece mais pesquisado, mais de raiz, menos cosmético, mais verdadeiro.  A introdução da faixa Bright Lights sempre me emociona e inspira.  

gary clark jr metro
Gary Clark Jr no metro "looking very cool!".

Gary começou tocar guitarra com 12 anos, nasceu e cresceu em Austin onde passou a sua adolescência tocando em pequenos shows até que encontrou o produtor Clifford Antone dono do clube de música de Austin chamado Antone's. O Club Antone's foi a plataforma de lançamento onde Stevie Ray Vaughan e Jimmie Vaughan redefiniram o Rock daquele período. Logo depois de encontrar-se com Clifford, Gary Clark Jr começou tocar junto com vários ícones incluindo Jimmie Vaughan que ajudou-o a subir na cena do Rock'n'Roll Texano. Em 2011 a Revista Rolling Stone considerou Gary Clark, na sua edição "dos melhores do rock" como sendo "The Best Young Gun".

 As músicas que vocês já devem estar ouvindo são uma seleção que criei, retiradas dos álbuns Gary Clark Jr E.P (2010), Bright Lights EP (2011), Blues at The Bowl (2011), Blak And Blu (2012) e iTunes Session (2013). 

Bom, só posso dizer que já fazem semanas que venho escutando Gary Clark Jr e cada dia gosto mais! Divirtam-se!

Antonio Celso Barbieri

gary clark jr cover
Capa do álbum Blak and Blu

gary clark jr itunes session
A capa do álbum iTunes Session







gary clark jr lights
Gary Clark Jr ao vivo.


Gary Clark Jr. Website

delinquentes de saturno logo
Delinquentes de Saturno numa colagem digital do Barbieri

Delinquentes de Saturno: Banda lança Super EP!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

O veterano Zé Brasil está de volta com um projeto interessante chamado Delinquentes de Saturno. A grande verdade é que, desde o Apokalypsis, grande banda prog dos anos 70 Mr Brasil nunca parou de tocar. Entretanto, acredito que já estava na hora de ele aparecer com algo mais concreto e menos exotérico.  

Delinquentes de Saturno foi sua resposta! Considerando-se que Zé Brasil é o responsável por um grupo no FaceBook chamado 70 de Novo, não me supreendeu nenhum pouco a sonoridade deste seu novo trabalho, um EP divertido, gostoso de ouvir, que nos remete imediatamente ao começo dos anos 70. Então, algumas faixas são bem rock'n'roll setentista até beirando o psicodélismo e outras, como poderão ouvir aqui,  mostrando claras influências que vão de Arnaldo Baptista, Mutantes até Made in Brazil e outros. Quer dizer, estes "Delinquentes" irreverentes fazem seu rock bebendo de influências bem brasileiras. Só o tempo dirá mas, acho que deste filão setentista, ainda tem muita coisa interessante para ser explorado e, espero que Mr Zé Brasil e sua turma entrem de cabeça nestas velhas/novas possibilidades. 


Hoje em dia, acho que todo músico é um pouco técnico de som ou produtor musical e, todo mundo gosta de dar um palpitinho. Eu não fico atrás e, portanto sou da opinião de que, o som feito hoje baseado no som antigo, deve diferenciar-se do som do passado nos timbres e na mixagem. É justamente aí que sentimos a diferença e a modernidade que faz este som não parecer apenas uma cópia do passado mas, sim um passado reciclado e atualizado para as novas gerações. Penso que muito do que tem sido feito hoje em dia na Inglaterra parece ir nesta direção. O som da guitarra é mais grave e distorcido, todo o som é mais para frente, com mais compressão e às vezes percebe-se que colocam distorção até na voz. Existe um certo minimalismo na base instrumental onde fico com a impressão de estas bandas novas seguem o lema do "menos é mais". Portanto, não apenas ao meu caro amigo Zé Brasil mas à todos os interessados em gravação, sugiro que mesmo não gostando de certos artistas escutem os novos lançamentos prestando atenção nas técnicas e processos de mixagem pois, como disse é a mixagem que realmente define a coisa hoje em dia. 

Mas, voltando ao excente trabalho dos Delinquentes de Saturno, desde já, confesso que a música Paranóia é a minha preferida! Ela trás o experimentalismo dos Mutantes estampado na testa! Gostei muito! Parabéns!

Antonio Celso Barbieri


delinquentes de saturno ep cover



Fiquem aqui com as próprias palavras herméticas dos saturnianos:

"Há muito tempo atrás, quando Ez Lisarb & Aivlis Aneleh viviam em paz e amor na Planície Nórdica do planeta dos anéis receberam um pedido de socorro pelas ondas magnéticas interplanetárias: HELP! Eram quatro terráqueos da cidade inglesa de Liverpool que desesperadamente pediam ajuda contra os borocochôs. Prontamente os dois Delinquentes de Saturno decidiram atender ao apelo dos Beatles e teletransportaram-se para o Planeta Azul. Aproveitaram a boa-vontade de José & Silvia, dois rockeiros brasileiros que moravam e tocavam em Londres. Já incorporados na dupla inciaram a primeira Campanha contra a Borocochonia Terrestre.

Isso aconteceu no século XX, na passagem da década de 70 para 80. Após um giro pela Europa Continental (França e Espanha) propagando sua música “Brazilian Wave” através de disco e shows, sentiram que sua missão no Velho Continente havia sido completada com êxito e retornaram ao Brasil para continuar a combater a borocochonia nos trópicos. No Brasil a dupla resolveu assumir sua verdadeira identidade saturniana e convocou os terráqueos Otaner, aka Renato Ribeiro Nunes (guitarra); Oiciruam, aka Maurício Rodrigues (baixo) e Rotciv, aka Victor Leite (in memoriam, bateria). Após a aparição de estréia no Ginásio das Faculdades Oswaldo Cruz, o guitar-hero Dragde, aka Edgard Scandurra e o baixista Euqud, aka Marcos Delduque substituiram seus predecessores e continuaram disseminando a mensagem saturniana por teatros e casas de shows durante o ano de 1982.

Completada a missão, cada Delinquente de Saturno seguiu seu caminho, assumindo papéis relevantes na cena do Rock Brasileiro: Ira, Ultraje a Rigor, UHF e Apokalypsis, entre outras bandas. Atualmente Ez Lisarb sentiu que o planeta Terra corria o perigo de ser dominado pelos Terráqueos Borocochôs e decidiu intervir convocando novamente os Delinquentes de Saturno para combater a ameaça borocochô que disseminava o grilo do desânimo e da chateação. Formação dos Delinquentes de Saturno para a Segunda Invasão: Ez Lisarb, aka Zé Brasil (composição, voz e violão-folk); Aivlis Aneleh, aka Silvia Helena (composição, voz e percussão); Oiluj, aka Julio Manaf (guitarra); Oãtaner, aka Renato Coppoli (guitarra); Odlareg, aka Geraldo Vieira (baixo) e Erdnaxela, aka Alexandre Barreto (bateria)."

PS: Super EP é um EP/CD com mais de quatro músicas e faixa-bônus. :-)

delinquentes de saturno minilogo
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Algumas recomendações de filmes e documentários sobre música

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Esqueçam The Scholl of Rock (A Escola do Rock) filme memorável dirigido por Richard Linklater estrelando o talentoso e divertido Jack Black, esqueçam o excelente Celebration Day, documentário da volta do Led Zeppelin no U2 Arena e, nem me lembrem do documentário Shine a Light mostrando a banda Rolling Stones ou George Harrison: Living in the Material World, ambos dirigidos pelo lendário Martin Scorcese, o mesmo que coeditou o mais importante documentário musical já feito; Woodstock.

Não! Aqui falarei de umas pedras preciosas, documentários que contam histórias de alguns "underdogs", aqueles músicos que, na verdade, representam a grande maioria dos músicos deste planeta que, lamentavelmente, serão para sempre totalmente desconhecidos do grande público. Estes filmes que agora indico, contam a história de alguns ilustres desconhecidos que, de alguma forma, conseguiram deixar a sua marca.

Para aqueles realmente interessados,  informo que estes filmes que estou indicando podem ser baixados. É só o caro leitor fazer uma busca pelos "torrents" da vida.

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Searching for Sugar Man (2012)

O primeiro filme obrigatório, que todo mundo deveria ver, é Searching for Sugar Man (Buscando pelo homem açúcar) dirigido por Malik Bendjelloul. Este documentário é a história emocionante da jornada de dois sul africanos na busca do seu herói, um músico misterioso norte americano chamado Sixto Rodriguez. Na África do Sul, no auge do apartheid e em meio à uma ditadura pesada onde tudo é censurado alguém traz dos Estados Unidos uma fita cassete com o som de Rodriguez que mostra uma poesia altamente libertária e política. Tem gente que diz que Rodriguez era tão bom quanto Bob Dylan. Não vou contar a história toda mas, já lhes digo que o final é surpreendente e tive que enxugar as lágrimas. Ainda bem que existem documentários como este que resgatam a história e mostram que milagres existem e que para alguns músicos, o respeito e reconhecimento demora mas chega.

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Beware of Mr. Baker (2012)

Beware of Mr. Baker (Cuidado com o Sr. Baker) é um documentário corajoso sobre a vida de Ginger Baker o baterista extraordinário que tocou no Cream e Blind Faith, duas bandas absolutamente lendárias! O filme é dirigido por Jay Bulger. O documentário mostra que Ginger Baker é um artista disfuncional, de caráter duvidoso e beirando a insanidade. Este documentário é uma aula para todos aqueles que reconhecem a importância do ritmo no rock (e na música em geral). Nunca ficou tão claro o papel da África no ritmo como neste filme obrigatório. Durante este filme, não sei porque, lembrei-me o tempo todo do nosso Junior baterista da banda Patrulha do Espaço.

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Good Vibrations (2012)

Good Vibrations (Boas Vibrações) conta a história de Terri Hoolei dono de uma loja de discos em Belfast e, considerado o pai a cena punk na Irlanda. Em uma rua que, de tantas bombas explodidas, ninguém mais queria abrir nenhum comércio, Terri resolve abrir sua loja de discos. A polícia governada pela Inglaterra é dura, o IRA não dá tréguas e, nas ruas, existem muitas brigas entre católicos e protestantes. É no meio deste clima que surge a sua loja que, logo começa gravar e lançar as bandas punks locais. A loja de Terri me fez lembrar imediatamente da Devil Discos, Baratos Afins, Woodstock Discos e Cogumelo Records. Trata-se de uma história importante que mostra um punk de verdade e não o punk de boutique do Sex Pistols.

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The Story of Lover's Rock (2011)

The Story of Lover's Rock (A história do rock dos amantes) dirigido por Menelik Shabazz é uma revelação e fala de um estilo ou, melhor dizendo, um sub-estilo do Reggae totalmente desconhecido para a maioria dos brasileiros.

Durante os anos 70 e 80 a Inglaterra viveu momentos de muita tensão racial e violência policial contra os jovens negros britânicos. Esta juventude foi uma geração rebelde buscando também por uma identidade. Ele criaram uma música  um subgênero do reggae conhecido como Lovers Rock. O estilo Lovers Rock também ficou conhecido como 'Reggae Romântico'.

Este tipo de música, através de artistas como UB40 e Maxi Priest espalhou-se pelo mundo. Como o próprio nome sugere Lovers Rock, permitiu uma intimidade muito grande entre os jovens negros, coisa que não existia antes. Foi também uma música que deu poder para uma nova geração de mulheres. Este documentário nos leva para uma era desconhecida da música, da política e da cultura britânica.

charles bradley soul of america

Charles Bradley: Soul of America (2012)

Este emocionante documentário dirigido por Poull Brien mostra a incrível ascensão de um homem negro de 62 anos, aspirante de cantor de Soul, que leva uma vida dura no Brooklyn em Nova York. Bradley que, de vez em quando, que ganha uns trocados imitando James Brown é catapultado ao estrelato à ponto de seu primeiro álbum ter sido considerado pela Revista Rolling Stone Magazine como um dos 50 álbuns mais importantes lançados em 2011.

vinyl

Vinyl (2012)

Vinil (Vinil) dirigido por Sara Sugarman não é um documentário e sim um filme sobre punk. O filme conta a história de um músico punk já velho que no enterro de um outro músico reencontra-se com os membros da sua antiga banda. Eles, mais tarde, saem juntos, bebem todas, reúnem-se e fazem uma Jam que é gravada por um dos membros da banda. No outro dia quando eles escutam a gravação, ficam surpresos com a qualidade do material. Resolvem reformar a banda e buscar uma gravadora. O material é realmente bom mas, os músicos são muito velhos para as gravadoras. Solução, arrumar uns garotos para dublar o seu material… É um filme musical divertido, leve e agradável. Só estou mencionando este filme aqui porque ele mostra, de forma ironica, um pouco dos bastidores das gravadoras. O nome do filme, Vinyl é apenas uma referência à idade, talvez um apelo comercial à geração passsada. Trata-se de um bom filme para a sua seção da tarde!

Antonio Celso Barbieri

Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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