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capacidade relativa de memoria

Por que nunca nos lembramos se apagamos a luz do banheiro
ou se trancamos a porta da frente?

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Oi pessoal, quem já não ouviu falar de Alzheimers, uma doença cruel que faz o paciente esquecer até quem ele é? Nascemos uma página em branco e tudo que somos é o acumulo das nossas experiências, alegrias e sofrimentos, e de todo o nosso conhecimento adquirido, Perder tudo isto é muito terrível! Lamentavelmente a Demência, como esta doença é conhecida aqui no Reino Unido, parece que está em alta. É sabido que normalmente em todo o nosso organismo células morrem e são substituídas por outras mais novas. Quer dizer, nós temos um sistemas de regeneração em funcionamento. Infelizmente (ou felizmente) ele não é poderoso o suficiente para nos dar a vida eterna. Este sistema de regeneração normalmente funciona bem quando somos jovens mas quando ficamos idosos, ele gradativamente vai deixando de funcionar como deveria.

É verdade que uma dieta alimentar saudável (longe do cigarro e da bebida exagerada) aliada á uma vida menos nervosa e atribulada podem ajudar-nos a preservar a nossa longevidade. Mas, não importa o que façamos, a verdade é que, dependendo da nossa “loteria genética”, as nossas células do nosso cérebro, quando chegarmos à uma certa idade começarão morrer uma a uma e não serão mais regeneradas. Quando isto começar acontecer, a nossa massa cinzenta começará diminuir e, basicamente o nosso cérebro começará encolher. Bom, acabo de fazer 65 anos. Sempre fui uma pessoa autodidata e sempre “esquentei” minha cabeça, buscando aprender algo novo. Quer dizer, como alguns de vocês já devem ter percebido, faço muita “musculação” mental. Com isto, estou sempre criando novos caminhos (neural pathways) e assim, procurando forçar minha regeneração cerebral.

À bem da verdade, sempre fui um “sonhador”. Não é de hoje que vivo no “mundo da lua”. Meu universo é mental. Por isto sofro de uma eterna solidão intelectual. Quando acho alguém com os mesmo interesses, acabo falando como uma “matraca”. Talvez seja por isto que não consigo ser “telegráfico”. Nunca consigo me expressar muito bem em apenas cinco linhas de texto. Bom, toda esta introdução é para dizer que sinto que minha memória de curto prazo é muito limitada e, conforme estou envelhecendo, me preocupo mais e mais com isto. Honestamente sou orgulhoso das minhas conquistas e da minha identidade como o Barbieri que muitos de vocês já conhecem e acho que seria muito trágico terminar minha existência numa cadeira sem saber nem quem sou eu. Portanto, sempre quis saber por que nunca me lembro de levar o meu celular quando saio de casa, se fechei a porta da frente, apaguei as luzes, etc.

Então, hoje, curiosamente fiquei sabendo que parece que a ciência finalmente encontrou uma resposta para este problema. Imaginem só esta cena: você acabou de chegar na estação de metrô quando um pensamento nervoso e obsessivo vai tomando conta da sua mente: será que, no fogão, eu deixei o gás ligado? E veja que podem acontecer situações em que você realmente não se lembre de todos os detalhes da sua jornada da casa ao trabalho ou da caminhada à pé até a estação do metrô. Até parece que você se materializou em outro lugar! :-)

Soa familiar? Não me diga que você nunca passou por alguma situação similar? Não é atoa que a expressão “não me lembro nem o que comi ontem” é tão conhecida!

Mas, por que é que não podemos nos lembrar se fizemos essas tarefas simples, porém vitais, todos os dias? Alguns especialistas acreditam que você não se lembra ter concluído essas tarefas simplesmente porque você estava fazendo estas atividades ligado no “piloto automático”. O fato de você fazer estas tarefas todos os dias significa que você realmente não tem que pensar sobre elas. E porque você não pensa nelas, você não pode se lembrar de tê-las feito. A dúvida só acontece porque a parte ansiosa de seu cérebro dá a partida e começa a questionar se você fez ou não a tarefa em questão. "A principal razão pela qual esquecemos pequenas coisas, como se fechamos a porta, desligamos o forno ou as luzes da cozinha, é principalmente porque essas são tarefas que realizamos no piloto automático", explica Idriz Zogaj, co-fundadora de uma aplicação designada para o desenvolvimento pessoal e bem-estar mental chamada "Remente".

O fato de que estarmos muitas vezes desempenhando multitarefas também desempenha um papel importante. "Você vai trancar a porta todos os dias antes de sair, mas você também vai fazer isso enquanto você está focado em ter certeza de que você tem tudo que você precisa, tentando não perder o ônibus e até mesmo provavelmente se preocupando com o dia à frente", Zogaj continuou. "Porque você completa a tarefa no piloto automático, o cérebro não se concentra nela tanto quanto nas preocupações mais prementes, como estar atrasado para o trabalho." Então o que podemos fazer para tentar lembrar, para que possamos nos assegurar de que não vamos voltar para um incêndio ou uma casa roubada?

Zogaj acredita que tentar ser "consciente" sobre as tarefas que estamos empreendendo poderia ajudar.

"A melhor coisa que você pode fazer para evitar o esquecimento é ser consciente e concentrar-se em cada tarefa que você executar para se certificar de que você não tem que correr de volta para verificar se sua porta está fechada!", Diz ela.

Existe uma outra solução inteligente para mentalmente saber se você executou uma determinada tarefa da sua lista coisas importantes. A sugestão é você fazer algo incomum enquanto você desligar o amplificador ou trancar a porta. Quando mais boba e mais incomum for o que fizer, será melhor. Se você fizer uma dança louca ou anunciar em voz alta: “Estou fechando a porta!”, com certeza você poderá obter alguns olhares engraçados dos vizinhos. :-)

Mas, fique certo de que há um método para esta loucura. Porque de acordo com a ideia geral, este ato de se concentrar em outra coisa vai força-lo a sair do “piloto automático” e obriga-lo a pensar sobre o que você está realmente fazendo. Quer dizer, na próxima vez que estiver quase chegando no trabalho e o pânico descer sobre você com a pergunta se trancou ou não a porta da frente da casa, em vez de você voltar para verificar, você provavelmente se lembrará da “dança do ventre” que você fez enquanto fechava a porta e saia todo feliz para começar o seu dia. :-)

Problema resolvido e acabei ficando menos preocupado com o medo de ter Alzheimers.

Dúvida: E seu eu quando estiver fazendo a "dança do ventre" também entrar no "piloto automático"? :-)

Antonio Celso Barbieri

voto sorteio

Abolir as eleições para trazer de volta a Democracia?

escrito por Antonio Celso Barbieri


A ideia de que as eleições são democráticas é recente. Os gregos e os pensadores do século XVIII, na verdade, favoreciam a seleção aleatória por sorteio. O escritor Brett Henning comenta como um sistema de sorteio poderia substituir nossa democracia oligárquica.

Barbieri explica: Oligarquia é a forma de governo no qual uma pequena parcela da população controla de forma quase que ditatorial o restante da população.
Oligo = Poucos / Arquia = Poder, ou seja, o poder exercido por poucos.

A democracia foi inventada pelos gregos só que, no seu sistema de governo, os escravos e as mulherres não tinham direito à voto. De fato, os homens livres de Atenas usavam uma máquina onde seus nomes eram colocados em buraquinhos onde, depois alguns nomes eram sorteados aleatoriamente para servirem em uma assembleia de cidadãos.

Foi só no século XIX, mais de dois milênios depois, que a democracia se tornou sinônimo de eleições por voto. Esta é uma revelação histórica que foi esquecida e é mencionada no novo livro de Brett Hennig chamado “O Fim dos Políticos” mostrando que esta mitologia atual do conceito de democracia naturalmente escolheu convenientemente enterrar esta verdade.

Radicais do século XVIII não tinham ilusões sobre o fato de as eleições não serem eventos democráticos. James Madison, arquiteto da constituição dos Estados Unidos e o quarto presidente daquele país, através dos escritos de Aristóteles, Rousseau e Montesquieu, sabia muito bem disto pois estes pensadores consideravam um governo realmente democrático, aquele que selecionava aleatoriamente por sorteio, ao contrário de um governo “aristocrático” (ligado à burguesia) que elegia por voto.

"A seleção por sorteio é de natureza democrática e a seleção por voto é de natureza aristocrática", escreveu ele.

Barbieri Explica: “Então, fazer democracia de verdade seria colocar o nome de toda a população de um país, com direito a voto, numa urna e fazer um sorteio!”

"Historicamente, o sorteio - seleção aleatória ou loteria - na antiga democracia ateniense era usado para a escolha da maioria dos cargos políticos. Na época foi amplamente aceito que as eleições por voto produziriam uma elite (a palavra elite deriva da palavra eleições). Eles também acreditavam que o profissionalismo na política era perigoso”, comenta este ativista e acadêmico australiano, agora residindo em Edimburgo na Escócia.

"Depois das várias revoluções, revoluções estas que foram as precursoras das repúblicas modernas, os proprietários que saíram vitoriosos usaram as eleições como um dispositivo para selecionar seus líderes de dentro desta mesma classe proprietária".

As eleições na sociedade capitalista, apenas para aqueles no poder, produzem o governo da riqueza. Por exemplo, a média da riqueza familiar dos EUA em 2010 foi de, mais ou menos 200.000 reais, enquanto a riqueza média de um membro do Congresso dos EUA foi 3.600.000 reais. Este não é apenas um problema do Ocidente. Na Assembleia Nacional Popular da China, os sete membros mais ricos possuem uma riqueza conjunta de 280 bilhões de reais! Estes valores em comparação com a riqueza dos membros do Congresso Norte Americano fazem este último até parecer muito insignificante.

Hennig, que anteriormente foi motorista de táxi, engenheiro de software e doutor em astrofísica, pergunta: Imaginem só, se o quadro fosse diferente, no começo dos Estados Unidos, que tipo de legislação seria criada por uma assembleia representativa em que apenas 15%  recebiam alimentos, 50% eram mulheres e a maioria eram trabalhadores?

O autor diz que foi atraído para o sistema de sorteio depois de anos de campanha e envolvimento na política progressista Australiana: "Eu acabei acreditando no sistema de sorteio, depois de muitos anos trabalhando em várias campanhas de justiça social, ajuda à refugiados, contra a guerra, mudanças climáticas e subsequentemente juntando-me a um suposto partido político ético.

"Depois de subir nas estruturas do poder interno do partido, fiquei muito desiludido com os jogos de poder e o carreirismo político dos indivíduos que participavam dele. Na época eu estava lendo a trilogia de Hardt e Negri sobre a filosofia política e comecei a pesquisar formas democráticas de administração, eventualmente cruzando com o sistema de sorteio. Isto transformou minha visão da democracia e como seria uma democracia ideal ".

O livro o “Fim dos Políticos” fornece um guia para a história do governo representativo e joga um olhar esperançoso sobre qual seria uma boa alternativa realmente democrática. Suas conclusões são familiares a qualquer um que estiver alerta sobre décadas recentes. Os chamados representantes não refletem as opiniões de seus eleitores. Na verdade eles apenas atendem aos interesses dos ricos. Hennig cita um estudo de Martin Gilens de 2012 que revela uma "total falta de resposta dos governos aos pobres".

"Os observadores honestos concordam que o que ocorre em nossas democracias é uma negociação amplamente restrita entre as elites. Os padrões de responsabilidade estão mais próximos da plutocracia do que da democracia ", segundo Gilens.

Barbieri explica: de forma básica, plutocracia é uma situação em que os ricos tem total controle de um governo de estado.

Tradicionalmente, como resposta a esse problema, as pessoas de esquerda aproximaram-se do socialismo ou da socialdemocracia. A dificuldade hoje, porém, é encontrar uma forma institucional que represente verdadeiramente as pessoas.

Nem a Democracia Liberal nem o Socialismo de Estado passaram o teste da história. Qual deve ser a nossa luta neste momento? O sistema de sorteio oferece uma forma de assegurar que a maioria na sociedade seja representada diretamente por meio de um novo modelo de democracia deliberativa. É claro que é uma mudança radical, revolucionária e que exigirá um enorme salto em nosso pensamento e muita persuasão.

"Nossa imaginação política tem sido atrofiada pelo domínio da ideia de que as eleições são fundamentais para a democracia", diz Hennig. "As eleições são construções elitistas. Olhe para a composição dos nossos parlamentos! Devemos promover o sistema de sorteio, criar experiências com o sistema de sorteio e instituí-la em diferentes níveis para popularizá-la".

Isso já está acontecendo. A Irlanda está atualmente realizando uma assembleia de cidadãos composta por 99 pessoas selecionadas aleatoriamente onde discutem sobre a proibição constitucional do aborto, alterações climáticas, tudo em parlamentos de duração determinada. "Há alguns anos, eles realizaram uma assembleia de cidadãos que levou ao referendo bem-sucedido sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo", ressalta Hennig.

A Fundação Sorteio está trazendo o G1000 para o Reino Unido em setembro - um fórum que reúne até 1.000 pessoas selecionadas aleatoriamente de uma área local para falar sobre questões locais. E na Escócia, há uma campanha para criar uma segunda câmara do Parlamento escocês, onde seria criada uma assembleia de cidadãos resultante de um sorteio.

Esta ideia inevitavelmente se depara com a mesma objeção recebida por todas as tentativas para se criar uma democracia popular: as pessoas comuns não podem ser confiáveis. "A objeção mais comum é, infelizmente, que a pessoa "média" é simplesmente muito estúpida", diz Hennig. "No entanto, as evidências das assembleias resultantes de sorteios até hoje contradizem completamente essa suposição. As pessoas comuns podem fazer e tomar decisões equilibradas e informadas cujo resultado as outras pessoas podem confiar.

"Os benefícios do sorteio incluem reduzir drasticamente o custo das eleições, uma vez que nenhuma campanha é necessária, sem angariação de fundos de empresas e grupos de pressão, reduzindo o perigo de influência indevida e corrupção. "Em vez de, a cada poucos anos, colocarmos um X numa urna eletrônica, todos ficaríamos colados na frente da TV  para saber se alguns de nós teríamos sido escolhidos para legislar nos próximos anos", ele escreve.

Isso está muito longe de uma visão tradicional anarquista ou comunista. "Qualquer grupo que pretenda impor sua própria filosofia moral abrangente a toda uma sociedade deve ser rejeitado como totalitário", escreve Hennig.

Embora esta crítica seja frequentemente aplicada à esquerda, os governos modernos de direita estão fazendo algo semelhante. Basta pensarmos na primeira ministra britânica Theresa May seu Partido Conservador com seus esforços em curso para refazer a Grã-Bretanha como uma versão elitista de uma sociedade mais desumana do que já é.

Barbieri comenta e desabafa: Qualquer semelhança com o golpista Temer e sua corja de corruptos não é mera coincidência. Aliás, independentemente da minha visão política pessoal, a verdade é que depois de todo este tempo, com todas estas delações premiadas onde para não ficar na cadeia qualquer um destes corruptos entregaria até a própria mãe não foi ainda encontrado nenhuma prova concreta de que Dilma ou  Lula cometeram alguma coisa incorreta! Aliás um dos motivos alegados para tirarem Dilma do poder foi que ela só tinha 13% de aprovação popular. Bom, Temer está com apenas uns 4% de aprovação e desde o golpe que o colocou no poder o desemprego aumentou para 18%. A pergunta que fica é: porque é que ainda está no poder? Só para lembrar aqueles tapados que como os “três macaquinhos”, procuram manter os olhos, boca e ouvidos fechados, deixe-me lembra-los: durante o governo do PT foram gerados mais de 20 milhões de empregos, o Brasil exportou muito mais do que nos governos anteriores, consolidou sua posição mundial no BRIC, fez alianças comerciais milionárias com China, Rússia, Iran e muitos outros países. No plano nacional, tirou milhões de pessoas da miséria absoluta, ajudou muita gente pobre com a bolsa família (uma pequeno valor mensal distribuído em forma de mantimentos para os mais necessitados). Criou uma cota obrigatória para que negros pudessem entrar para a faculdade e também subirem na escada social.

Infelizmente a nossa imprensa comprada fez uma campanha corrupta e imoral ao ponto de hoje em dia a palavra “povo”, “pobre” e “trabalhador” virar uma palavra ofensiva!

Me causa nojo, ver nas Redes Sociais, gente pobre (materialmente e de espírito) querendo passar por classe média ou rico. Gente endividada até o pescoço nos cartões de crédito por ter comprado um carro usado, uma TV de tela plana ou um iPhone, gente que passeia nos shopping centers da vida sem um tostão no bolso mas de cabeça erguida e olhando com arrogância para um boliviano coitado cujo único pecado é querer ter uma vida melhor para ele e sua família. Isto sim é que é uma hipocrisia lamentável!  Gente que vai na igreja, dá o dinheiro que não tem ao pastor mas ignora o sofrimento ao seu redor!

É este mesmo povo que deu um tiro no próprio pé e colocou esta corja no poder. Corja esta que agora está tirando os últimos direitos do trabalhador.  Trabalhador que acabará morrendo antes de se aposentar! Infelizmente, este brasilerio que votou errado, mesmo agora percebendo toda a corrupção do governo que ele ajudou eleger, arrogantemente usa e reusa estas "memes" mentorosas  como se fossem uma fonte de informação honesta para se justificar.em-se Eles não conseguem ver que estão cavando a própria cova! Eles não conseguem entender que vivemos um momento revolucionário! Que, se continuar assim, como resultado da sua própria arrogância, muita gente poderá morrer! A maioria da classe média brasileira, apoiando este governo corrupto à serviço do capital internacional, neste momento está agindo de forma criminosa!

Mas, voltando ao livro do escritor Brett Henning:

"O fosso crescente entre a igualdade política teórica da democracia e a crescente desigualdade econômica exige urgentemente uma reparação radical."

Na Europa e na América do Norte (e no Brasil), as eleições não fizeram quase nada para mudar isso. Em vez disso, elas deram legitimidade às nossas elites que agora, inescrupulosamente, negociam entre si, argumenta Hennig.

Em países como Irlanda, Austrália e Países Baixos, onde foi tentado a nível local ou de cidade, a legitimidade da tomada de decisões feitas por assembleias resultantes de um sistema de seleção por sorteio, o apoio à estas decisões foi considerada alta. As pessoas confiaram e respeitaram os resultados, ao contrário do que aconteceu com muitas das decisões feitas pelos parlamentos que, na verdade, não representam o povo, mas, infelizmente exercem controle sobre nós.

Mas se a uma seleção por sorteio fosse adotada a nível nacional, nem tudo seria fácil! "Por exemplo, o domínio de servidores públicos, especialistas e burocratas poderia ser um problema", admite Hennig. "No entanto, sem eleições, várias formas de influência - em particular através dos principais meios de comunicação, doações institucionais e apoiadores corporativos - seriam eliminadas. Talvez conseguíssemos acabar com os malefícios dos lobistas da indústria das armas, do tabaco, do álcool, da indústria farmacêutica, etc.  Tenho fé de que as pessoas comuns capacitadas poderiam resistir à dominação dos burocratas e lobistas.

"Um parlamento de trabalhadores e servidores, recebendo um salário decente e com deliberação baseada em evidências, provavelmente protegeria os direitos dos trabalhadores, pagaria os servidores públicos e taxaria os ricos, diz Hennig. E me digam! Quem, com toda a honestidade, não gostaria de ver o fim dos políticos?"

capitalismo desigual

sonho lucido

Sonho Lúcido

Usando o "Sonho Lúcido" para curar ansiedade e certos problemas psicológicos
Uma matéria publicada na revista New Scientist na sua edição de fevereiro 2017

Tradução livre: Antonio Celso Barbieri

Foi apenas um Sonho...

Michelle Carr, uma pesquisadora do sono descobriu que explorando a nossa capacidade para termos “sonhos lúcidos” poderá ajudar-nos a apagar traumas de nossa vida real.

Eu estava lutando para afastar-me de uma monstruosa figura escura quando comecei ter a sensação estranha de já ter estado aqui antes, fugindo desse homem. Percebi que eu estava em um pesadelo, um pesadelo que tinha tido várias vezes recentemente. Só que desta vez, parei no meio caminho e me virei para enfrentar meu atacante.

"Quem é Você?" Gritei.
"O que você quer?" Perguntei.

Eu estava tendo um “sonho lúcido”, um estado de consciência entre acordar e dormir, em que as pessoas estão em um mundo de sonho, mas permanecem cientes e capazes de controlar suas ações. Normalmente uso os sonhos como diversão, digamos - voando ou explorando - mas às vezes me torno lúcida dentro de sonhos ruins ou pesadelos. No início, eu simplesmente me acordava quando isso acontecia, mas com o tempo percebi que poderia mudar os sonhos por dentro dele. Há vários anos, inicialmente por acidente, aprendi a controlar meu sonho lúcido.

Quando eu ia para a cama, no começo do sono ou quando acordava, eu costumava ficar presa em um estado assustador meio acordadoa onde eu estava alerta, mas incapaz de mover ou falar - algo chamado paralisia do sono. Para sair disto, achava mais fácil adormecer do que me forçar a acordar. Descobri que, desde que eu mantivesse alguma consciência ao sair deste estado, frequentemente ele resultava em um sonho lúcido.Acontece que o que eu estava fazendo não era tão diferente das técnicas usadas para induzir sonhos lúcidos deliberadamente (leia no final deste artigo "Sonho lúcido para iniciantes").

Os psicólogos por muito tempo tem mostrado interesse ​​em usar sonhos para reescrever pesadelos ou ajudar as pessoas a superar medos persistentes. Mas a capacidade de usar estes sonhos lúcidos tem sido muito limitada porque os sonhos lúcidos são difíceis de desencadear e, como com todos os sonhos, as memórias deles evaporam muito rapidamente ao acordarmos.

No entanto, conforme formas mais consistentes para induzir esses sonhos estão sendo descobertas, isso pode estar prestes a mudar. Será até possível se comunicar com o sonhador e gravar o que está acontecendo dentro dos sonhos.

Estes avanços levantam a tentadora perspectiva de desbloquearmos este estado de espírito único para criar terapias para pessoas com pesadelos, ansiedade e outras condições. Podemos em breve ser capaz de tratar as pessoas dentro de seus sonhos.

As pessoas têm experimentado e escrito sobre os sonhos lúcidos por milhares de anos e, agora, com o advento da imagem cerebral (mapeando o cérebro via computador), temos sido capazes de aprender muito mais sobre o que se passa durante os sonhos lúcidos. Comparando os exames cerebrais de pessoas que estavam acordados, dormindo ou em sonhos lúcidos revelou-se o que muitos suspeitaram há muito tempo: o sonho lúcido é um estado entre o sono REM (Movimento Rápido dos Olhos) - a fase em que a maioria dos nossos sonhos ocorrem - e acordar.

Ao contrário dos sonhos regulares, os sonhos lúcidos ativam o cérebro em áreas associadas com a memória de trabalho e as regiões responsáveis por desempenhar papeis em funções cognitivas superiores, como planejamento e controle comportamental.

Por muitas razões, os sonhos têm sido por muito tempo um foco da terapia psicológica. Pesadelos recorrentes podem ser sintomas de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições.

Discutir sonhos durante a terapia pode fornecer uma maneira isolada para que as pessoas possam explorar eventos traumáticos e assim tentar reescrevê-los ajudando a superar fobias ou sofrimento. Para isso, os pacientes são incentivados a usar uma estratégia conhecida “como ensaio de imagens”, em que ensaiam e, em seguida, tentam jogar cenários desafiadores dentro de seus sonhos, ou mudar o curso de pesadelos.

As primeiras sugestões de que o sonho lúcido poderia melhorar ou mesmo expandir o uso terapêutico dos sonhos surgiu na década passada, quando os psicólogos descobriram que as pessoas capazes de terem sonhos lúcidos poderiam ser mais resistentes ao trauma e mais capazes de evitar pesadelos. Então, em 2015, Brigitte Holzinger e colegas do Instituto para a Consciência e Pesquisa de Sonhos em Viena, Áustria, mostraram que o sonho lúcido torna a terapia para pesadelos mais eficaz.

Quando Holzinger pediu que as pessoas experimentassem uma variação da “terapia de ensaio de imagens” para tentar ter sonhos lúcidos, aqueles que foram bem sucedidos pararam de temer o sono e começaram a desfrutar suas vidas sonhadoras. Uma pessoa até descobriu como, dentro de um pesadelo, voltar a um ponto antes de uma ameaça ter começado e continuar o sonho em outra direção. As pessoas também descobriram que os sonhos lúcidos trouxeram uma sensação de poder e controle que se traduziu na vida acordada, uma mudança bem-vinda do desamparo frequentemente experimentado em pesadelos. Este é o resultado ideal para este tipo de terapia: permitir que as pessoas confrontem a fonte de seu trauma ou ansiedade dirigindo ou mudando o curso de seus sonhos.

Mas, a utilidade de estratégias como essas é limitada pelo quão bem as pessoas podem aprender a sonhar lúcidamente. Mesmo com os melhores métodos existentes, os resultados são irregulares. Bom, recentemente, os pesquisadores encontraram uma maneira de induzir tais sonhos.Em 2014, Ursula Voss e seus colegas da Universidade Goethe de Frankfurt, na Alemanha, descobriram que, uma técnica conhecida como “estimulação cranial com corrente alternada” poderia estimular a lucidez nos sonhos. Este processo envolve a aplicação de uma baixa corrente elétrica, durante o sono REM, no córtex frontal do cérebro. Este método funciona dois terços das vezes. "Estimular a área frontal é como colocar a atividade de "vigília” no “sono", diz Cloe Blanchette-Carriere no Dream and Nightmare Laboratory em Montreal, Canadá.

Blanchette-Carriere está interessada em terapias que desencadeam sonhos lúcidos em vez de confiar em pessoas que se ensinram a induzi-las. "Queremos aplicar isso aos doentes de pesadelo ou pacientes com PTSD, para torná-los capazes de modificar ou controlar seus sonhos", diz ela. Ela já tem resultados promissores de um estudo preliminar.

O próximo obstáculo no uso dos sonhos lúcidos como tratamento é comunicar-se com alguém quando está dormindo, para fornecer apoio externo quando enfrentam uma fonte de trauma, por exemplo. Muitos de nós já experimentamos a incorporação de um ruído do mundo acordado em um sonho - o som de uma buzina lá fora, ou música tocando em um rádio nas proximidades, por exemplo. Mas podemos enviar mensagens deliberadamente aos sonhos das pessoas?

Para descobrir, Kristoffer Appel, pesquisadora de sonhos da Universidade de Osnabruck na Alemanha, recrutou sonhadores lúcidos experientes e monitorou suas ondas cerebrais e seus movimentos oculares enquanto dormiam.

Quando em sonhos lúcidos as pessoas são capazes de mover seus olhos deliberadamente, assim Appel instruiu seus voluntários para deixá-lo saber quando eles estavam lúcidos olhando para a esquerda-direita, esquerda-direita. Uma vez conseguido o contato com a pessoa que está tendo o sonho lúcido, tentou emitir sinais em seus sonhos usando sono e luzes piscantes.

Tem gente aí?

De 10 voluntários, sete relataram que incorporam os sons ou as luzes em seus sonhos. O som pode tornar-se, por exemplo, um ruído de um navio, carro ou um telefone celular. Algumas pessoas registraram as luzes piscando como o sonho inteiro girando e piscando; Para outros, era o relâmpago em uma tempestade, ou então uma lâmpada que ligava e desligava. Aqueles que notaram os ruídos ou luzes perceberam que eram mensagens do mundo em vigília.

Mas Appel queria ir mais longe: queria enviar mensagens mais complexas, e queria que os sonhadores respondessem. Então ele pediu a esses mesmos voluntários para aprender o código Morse básico para números. A idéia era usar uma série de tons de áudio para enviar os sonhadores problemas aritméticos simples, como 3 + 5 ou 7 - 2.

Os sonhadores não sabiam os números com antecedência, e foram instruídos a responder usando sinais de código Morse. Por exemplo, um "3" no código Morse é três traços curtos e dois longos, então o sujeito olharia três vezes para a esquerda e duas vezes para a direita.

Para Appel e os voluntários, sentiram-se como se houvesse muito coisa em jogo. Muitas pessoas capazes de terem sonhos lúcidos passam meses, se não anos, aprendendo por si mesmos como atingi-los e controla-los e embora fossem confiantes de que seria possível comunicarem-se de dentro de seus sonhos, os voluntários temiam que eles poderiam fracassem no experimento por acordar muito cedo ou não conseguir encontrar os sinais. Mas funcionou, pelo menos para três deles: eles não só receberam os sinais, mas deram as respostas corretas. Um participante descreveu como ele olhou em torno de seu sonho para algo que poderia transmitir sinais de fora. Ele estava em um terminal de ônibus, e viu uma máquina de ingressos. Logo, começou a soar. "Eu fiquei muito emocionado... Consegui decodificar a primeira mensagem, confirmar os números, resolver o problema de matemática e responder ao mundo acordado: 4 + 4 = 8. Segui mais longe, caminhando pela rua, dizendo a outros pedestres que eu estava resolvendo tarefas dentro de um sonho lúcido. "

No entanto, confiar nos movimentos dos olhos (REM) limita a quantidade de informação que pode ser transmitida. Assim, Remington Mallett, pesquisador da Universidade de Missouri-St Louis, decidiu tentar usar uma interface cérebro-computador, um dispositivo que - como o nome sugere - permite que o cérebro converse diretamente com um dispositivo externo, como um computador. Mallett acreditava que os sonhadores lúcidos deveriam ser capazes de usá-lo, uma vez que há uma sobreposição na maneira como o cérebro trata atividades durante sonhos lúcidos e acordar. Quando sonhadores lúcidos imaginam apertar um punho, por exemplo, a atividade no córtex motor do cérebro e mesmo contrações musculares no pulso dessa mão pode ser detectada.

Para ver se o controle de uma interface de computador de cérebro de dentro de um sonho era possível, Mallett recrutou dois sonhadores lúcidos autodidata para experimentar um simples fone de ouvido, o Emotiv Epoc. Ele mapeia a atividade do cérebro, e então usa este sinais para conseguir resultados diretos no computador.

Então, se você imaginar que está movendo um cursor em uma tela de computador e ela se move. "Você basicamente move objetos virtuais com sua mente", diz Mallett, tudo como se fosse um "truque mental de um Jedi no filme Guerra nas Estrelas”.

Primeiro, Mallett treinou os voluntários - acordados, mas, deitados com os olhos fechados - para mover um bloco em uma tela de computador usando apenas suas mentes. Uma vez que atingiram 75 por cento de precisão, eles estavam prontos para tentar a tarefa durante o sono. Quando eles entraram nos sonhos lúcidos, eles deixaram Mallett saber com rápidos movimentos oculares diretos para a esquerda e então começaram a tarefa. Mallett viu o sinal de ambos os voluntários, e então o bloco avançou firmemente para a frente na tela.

Um voluntário disse que durante a tarefa de vigília, ele estava imaginando um personagem de lutador de rua movendo o bloco para a frente. Durante o sonho ele fez a mesma coisa. Assim, em sua mente adormecida estava ele como o sonhador, e na mente do sonhador estava a imagem mental de um pequeno ninja movendo o bloco. "É um tarefa bastante simples”, diz Mallett. "Você está imaginando sobre algo imaginário, estamos realizando uma tarefa cognitiva mental e observando-aobjetivamente". É um primeiro passo para ser capaz de transmitir o conteúdo dos sonhos para o mundo exterior, em tempo real.

Esta abordagem também pode ajudar as pessoas a aprender a controlar mãos, braços e pernas mecânicas. É como mover blocos numa tela de computador, uma interface cérebro-computador pode pegar a atividade motora do córtex. Então, quando você imaginar mover seu braço, enviará os sinais para a sua prótese. Estes dispositivos serão mesmo usados ​​para restaurar a capacidade de andar, através do controle pelo cérebro, em pessoas que tiveram uma lesão na medula espinhal.

Pessoas com paralisia de membros inferiores que precisam aprender a controlar um exoesqueleto enfrentam uma barreira adicional, pois o cérebro pode esquecer como enviar sinais motores para suas pernas. Em agosto, o projeto “Caminhar Novamente” - uma colaboração internacional liderada por Miguel Nicolelis da Duke University em Durham, na Carolina do Norte, ajudou pessoas com paralisia parcial a recuperarem algum controle muscular em seus membros inferiores.

Para fazer isso, eles primeiro aprenderam a usar a atividade cerebral para controlar um avatar em realidade virtual, fazendo-o caminhar em torno de um campo. Isso ajudou o cérebro a reaprender como enviar sinais motores, o que significava que quando as pessoas passaram a usar um exoesqueleto real, eles conseguiram controlar a velocidade mais rapidamente. Com o sonho lúcido, as pessoas poderiam exercitar seus músculos mentais em seu mundo de sonho todas as noites, ajudando-os eventualmente a passar a controlar um exoesqueleto real.

Bem como as muitas aplicações terapêuticas, olhando para os nossos sonhos lúcidos também poderiemos nos permitir aproveitar a nossa criatividade. Muitas pessoas encontram inspiração em seus sonos. A melodia “Yesterday” veio para Paul McCartney enquanto ele estava sonhando, e Dmitri Mendeleev sonhou com a estrutura da tabela periódica de elementos. Mas como sabemos, quando a inspiração ataca dessa maneira, é uma corrida para anotá-la quando você acordar.

Novas invenções, como o fone de ouvido no estudo de Mallett, poderiam eventualmente ser usados ​​para nos ajudar a gravar idéias de dentro de sonhos lúcidos. E Appel está desenvolvendo uma máscara de sono que poderia gravar o código Morse dos movimentos oculares para que as pessoas transferissem mensagens. Ele também está experimentando algo com o qual muitos de nós estamos familiarizados: mensagens de texto. "Estamos tentando que os sonhadores busquem mentalmente, com os olhos, as teclas do computador e acompanhem os seus movimentos."

Conforme as técnicas para induzir e comunicar a partir de dentro dos sonhos lúcidos melhorarem, as possibilidades crescerão. Para os profissionais de saúde mental e aqueles que estudam distúrbios do sono, o potencial para terapias psicológicas é mais inspirador. Imagine, depois de uma dor prolongada, chegar a dizer o último adeus que você não tinha sido capaz de fazer. Imagine superar um medo persistente ao receber mensagens de apoio do mundo acordado, ou parar um pesadelo recorrente escolhendo um final diferente. Como diz Blanchette-Carriere: "Se as pessoas forem capazes de controlar o sonho, terão poder para modificar seu comportamento na vida real".

Sonho lúcido para iniciantes

O método mais simples para aumentar sua chance de sonhar lúcido é realizar "verificações da realidade" durante o dia. Já explico: tantas vezes quanto possível, pare para observar seu ambiente, seu corpo e pergunte-se:

"Isso é um sonho?"
“Estarei sonhando?”

Assim que esta atitude tornar-se um hábito, ela será incorporada aos seus sonhos e certamente uma noite você se perguntará: "Isso é um sonho?" e perceberá que, de fato, esta sonhando.

Uma maneira mais direta é através da técnica “Acorde-Devolta-Para-Cama”, que é exatamente o que parece. Idealmente, você deve colocar um despertador para acorda-lo cerca de 2 horas antes de você normalmente acordar, o que irá colocá-lo em uma fase do clico do sono quando o sono REM (Movimento Rápido dos Olhos) é mais longo e mais intenso. Quando o alarme dispara, sente-se e fique acordado por cerca de 20 minutos. Durante este tempo procure pensar ou escrever sobre o sonho mais recente que você se lembra, buscando lembrar qualquer coisa que poderia lhe dar uma ideia para o fato de que você estava sonhando. Quando você voltar a dormir, você deverá em breve entrar em um sonho, e sua mente recentemente acordadoa, intencionalmente estará susceptível de seguir consciente.

Finalmente, você pode complementar a técnicas acima com um pouco tecnologia.

Embora existam muitos aplicativos e máscaras de sono criadas supostamente para induzir sonhos lúcidos via áudio e sinais visuais, a maioria deles simplesmente executam temporizadores e enviam sinais aleatoriamente enquanto você dorme, por isso não são eficazes.

Os mais promissores são dois novos dispositivos, o Aurora Dreamband e o iBand+. Ambos são headbands pequenos que usam EEG real, entre outros biosensores, para detectar quando você está em sono REM e para disparar sinais de LED neste momento para "acordar" você dentro de seu sonho. O que é mais interessante é que ambos são aparelhados com um aplicativo que rastreia seus padrões de sono e um alarme projetado para acordá-lo no melhor ponto do ciclo de sono.

Michelle Carr é pesquisadora do sono e dos sonhos no Laboratório do Sono da Universidade de Swansea no Reino Unido. Tradução livre: Antonio Celso Barbieri.

facebook marionete
Arte: Colagem Digital feita por Barbieri

Manipulando a opinião pública:

Como funcionam as Redes Sociais, em particular o Facebook.

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Tudo começou nos Estados Unidos quando alguns pós hippies desiludidos com a incapacidade de mudarem o sistema (o mundo real) agruparam-se em Silicon Valley e criaram o universo virtual que acabaria sendo conhecido como Internet. No começo não existia ainda o WWW (World Wide Web) e o que foi criado era apenas um sistema rudimentar de comunicação entre computadores dentro de uma mesma empresa, instituição ou universidade. O problema era que, por exemplo, cada universidade tinha seu próprio tipo de “protocolo” de conexão, seu próprio sistema de comunicação entre computadores.

Este problema de comunicação entre computadores foi solucionado com a criação do TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) permitindo então que qualquer computador pudesse comunicar-se um com o outro.

Vinton Gray Cerf (nascido no dia 23 de Junho de 1943) é um Norte Americano pioneiro da Internet reconhecido mundialmente como "um dos pais da Internet". Ele divide este título com seu compatriota Robert Elliot "Bob" Kahn (nascido no dia 23 de December de 1938) co-inventor do TCP/IP.

Neste momento inicial, até uma declaração de posse do Universo Virtual foi feita onde alguns visionários pediram que os capitalistas ficassem fora da Internet.

Paralelamente grandes avanços eram feitos no campo da Inteligência Artificial. Foi quase por acidente que uma descoberta foi feita. Foi escrito um programa de computador, um tipo de “psicólogo virtual”. A coisa funcionava assim: a toda pergunta o computador respondia com uma outra pergunta levemente baseada no conteúdo da própria pergunta mais dados retirados de um questionário respondido antecipadamente e até usando informações coletadas da própria Internet.

Computador: “Em que posso servi-lo/a? Tudo bem, com você? “

Usuário: Geralmente responde: “Tudo bem obrigado! “ Ou quase sempre: “Hoje estou meio triste! “

Computador: “Da para você ser mais específico? Porque você você está alegre? “ Ou então: “Porque você está meio triste?

Usuário: Estou triste com meu pai, porque ele me ignorou!

Computador: “Porque você acha importante receber atenção do seu pai? “

Bom, e por aí vai. O que acontece é que o “Usuário” esquece que esta falando com uma máquina e começa a ter uma relação emocional com o "Computador".

Mais tarde outro cientista criou “logarítmicos” especiais e muito mais complexos para coleta de dados e assim poder criar respostas mais adequadas, precisas e talhadas individualmente, para cada usuário.

O sistema (Status Quo) percebeu rapidamente o potencial destes logarítmicos para não só vendas, mas, também controle da opinião pública.

Vejam, por exemplo, o meu caso em particular: de forma simplificada, no Facebook, tenho mais de 2.000 “amigos” (apenas um adjetivo enganoso). A realidade é que, lá nesta Rede Social, esta matéria que estou escrevendo infelizmente chegará apenas à uma pequena parcela destes pseudo amigos.

Caso ainda não tenham percebido, muito embora eu não goste de títulos, politicamente, a direita deve me considerar um “liberal progressista de esquerda”. Então, através dos poucos gatos pingados que clicam minha postagem mostrando que gostaram da mesma, é criada uma imagem minha, uma “bolha” onde minhas postagens são enviadas apenas para aqueles que já pensam como eu e concordam comigo. Quer dizer, meu poder de mudar as pessoas através da palavra é severamente limitado pelo próprio Facebook. Não tenho como mudar a opinião pública. Se por um lado, escrevendo descarrego o meu stress emocional causado pela situação política atual por outro, o  próprio sistema se encarrega de impedir que eu mude alguma coisa.

Eu sei que sou um “peixe pequeno”, mas, vejam só o caso das últimas eleições norte americanas. No momento o partido da Hilary Clinton está processando o Facebook acusando-o de através do uso de logarítmicos sofisticados ter favorecido Donald Trump, o presidente eleito. Nas redes sociais a campanha da Hilary Clinton não teve alcance nenhum enquanto a do Trump chegou em todo lugar.

Não tenham dúvidas de que se você tiver o poder financeiro do seu lado, você poderá manipular, como já está acontecendo com toda a mídia (virtual e não virtual) e opinião pública de todo o mundo.

Acreditem, no Brasil está acontecendo a mesma coisa. Como passar por cima deste controle tipo Big Brother? (Leia o livro chamado "1984" escrito por George Orwell).

O meu conselho é que vocês devem julgar as pessoas e principalmente os políticos não pelo que falam na mídia, mas apenas pelas suas ações.

Vejam, por exemplo, o Juiz Moro em conchavos e sorrisinhos com Aécio Neves e Temer. Certamente, um advogado sério e responsável não se confraternizaria com aqueles a quem ele deve investigar!

Vejam por um lado a mudança na lei da aposentadoria onde as novas gerações raramente conseguirão aposentar-se e por outro os aumentos dados pelos políticos a si mesmos. Não precisamos de muito exercício mental para perceber a grande contradição e injustiça destas medidas!

Vejam a realidade de que nenhum político corrupto está realmente preso e os trilhões roubados continuam no exterior, nos paraísos fiscais.

Vocês honestamente acham que minhas palavras chegarão à algum lugar? Claro que não! Uma máquina sofisticada está em funcionamento contendo e limitando todos aqueles que tem coragem de nadar contra a correnteza da ignorância criada pelas próprias redes sociais.

Resumindo, os ideais de um “paraíso hippie” foram corrompidos e mais tarde a utopia da criação de “universo virtual” livre dos interesses escusos das grandes corporações mundiais não passou de um sonho inocente.

O povo, enganado e controlado, está aparentemente resignado, silenciosamente, apenas caminhando para a escravidão! Entendam, enquanto as ovelhas não se rebelarem as coisas nunca mudarão!

Então, tenham em mente que no Facebook você não lê o que "precisa" ler e sim o que você "quer ler"! Vivemos dominados pelos "logarítmicos da conformidade"!

Quer dizer, se você não desafiar seu intelecto, não progredirá e nunca conseguirá perceber como está sendo manipulado!

Nota Importante: Cabe lembrar que o fracasso de todos os projetos revolucionários anteriores foi sempre causado pela falta de um plano antecipado para o que fazer depois de assumir o poder. A falta de um plano antecipado sempre facilitou a chegada ao poder de outro político ladrão e desonesto!

Então, porque escrevo? Porque como John Lennon disse: “Você pode pensar que sou um tolo, mas não sou o único!

Antonio Celso Barbieri

bertolt brecht2Bertolt Brecht

Mensagem para aqueles seres do mal que vivem com os olhos vermelhos de ódio
ou relembrando algumas palavras de Bertolt Brecht

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Há muito tempo atrás, lá pelo começo dos anos 70, fiz minha primeira viagem para fora do país. Foi uma viagem de carona até a Argentina.

Assim como no Brasil, o sul do continente estava todo vivendo ditaduras militares controladas ou “autorizadas” pelos Estados Unidos através da sua infame agência conhecida como CIA. Quando cheguei em Chuí, no extremo sul do nosso país, encontrei um “circo armado” pois na fronteira fiquei sabendo que no Uruguai, naquele momento, uma tentativa de golpe estado militar estava em andamento. Cabe lembrar que, o movimento de resistência democrática no Uruguai era feito pelo MLN-T (Movimiento de Liberación Nacional - Tupamaros) referido simplesmente como Tupamaros. Como Chuí na época era (não sei se ainda é) apenas uma rua de comércio que dividia o Brasil do Uruguai e mais parecia uma cidade de fronteira destes filmes mexicanos cheios de figuras estranhas e duvidosas vendendo contrabando eletrônico barato, peguei uma rua lateral e saí numa praça já do lado uruguaio. Lá encontrei uma viatura da polícia daquele país, perguntei ao policial se estava muito perigoso visitar Montevideo, a capital. Ele recomendou-me que não entrasse porque o país poderia entrar em estado de sitio a qualquer momento e se entrasse as fronteiras seriam fechadas e eu não conseguiria mais sair do país. Tomei o risco e entrei….

Foi lá na capital que, colado em um muro, vi um pôster da oposição. Ele dizia:

“Primeiro levaram os comunistas, como não era, não me importei.
Em seguida levaram uns trabalhadores, como não era, também não me importei.
Depois levaram uns sindicalistas. Não sou sindicalista. Não me importei
Mais tarde prenderam uns padres. Como não sou religioso também não me importei.
Agora me levaram… Mas, agora é tarde de mais! “

Hoje sei que este texto foi escrito por Bertolt Brecht, poeta e dramaturgo alemão (1898-1956)Levou muitos anos para conseguir descobrir este poema novamente. Apesar do mesmo ter sido atribuído à Bertolt Brecht, foi interessante saber que este texto tem uma origem mais antiga e foi escrito pelo pastor luterano alemão Martin Niemöller (1892–1984) tendo sido parte de um sermão que ele proferiu na Semana Santa de 1946. O pastor disse:

“Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, fiquei em silêncio porque não era comunista.
Quando encarceraram os socialdemocratas, fiquei em silêncio porque não era socialdemocrata.
Quando vieram buscar os sindicalistas, não protestei porque não era sindicalista.
Quando vieram buscar os judeus, não protestei porque não era judeu.
Quando vieram me buscar já não havia nada que pudesse protestar. “

Bom, existe alguma lição que possamos tirar destes textos? Sim! Estes seres do mal que desejam o poder a qualquer custo elegem sempre um inimigo para catalisar e centralizar a atenção da população. Hitler usou os judeus e demonizou o comunismo cuja teoria é maravilhosa e foi baseada numa ideia de igualdade para todos e, como o próprio nome sugere, uma vida em comunas (comunidades) onde o povo é senhor do seu destino. Sim a implantação desta nova forma de governo foi traumática e catastrófica, mas não nos esqueçamos de que as políticas externas implantadas pelos Estados Unidos resultaram e continuam resultando em guerras intermináveis tão ou mais catastróficas do que as causadas pelos comunistas.

A realidade é que comunismo já não existe a muito tempo, mas os efeitos corrosivos do capitalismo globalizado continuam cada vez mais cruéis criando de fato uma ditadura de classes onde os ricos agora dirigem a opinião pública usando técnicas ultrassofisticadas de controle de mídia.Como um filho adolescente que com rebeldia olha para os seus pais e os vê como símbolos de uma geração passada e cheia de erros, quando amadurecemos, seria completamente natural olhar para o Capitalismo e Comunismo buscando uma síntese, jogando fora o que não presta e ficando com apenas aquilo que é positivo. Estes dois sistemas tiveram seu tempo de teste e claramente mostraram suas fraquezas e desumanidades.

Este é o momento de paramos de tratar política como torcedores de time de futebol. Precisamos parar, pensar, nos libertar destes condicionamentos e dar uma chance para o BEM, abrindo a mente e vendo que políticas sociais que beneficiam o povo em termos de salários, educação, saúde e segurança, beneficiarão a inclusão na sociedade e, a longo prazo, brindarão as novas gerações com um futuro melhor e certamente ajudarão a colocar o Brasil no mapa mundial como um país sério e viável! Isto nunca será possível debaixo deste capitalismo extremo e desonesto em que vivemos! Que podemos tirar de bom do Capitalismo? Perspectiva de progresso individual, liberdade de expressão e um certo senso de independência do poder daqueles que nos governam. Quer dizer precisamos de um certo tipo de democracia movida pelo coração tendo o BEM da população como objetivo principal.Bom, a teoria está boa, mas, na pratica o que aconteceu foi que a direita parece que não acordou para a realidade de que o Comunismo já não existe há muito tempo e, mesmo que fosse aplicado, nunca se enquadraria com a realidade atual. Quanto à nossa população, tudo indica que ela continuou dormindo mesmo!

Cabe lembrar que a cor vermelha adotada pela bandeira comunista é vermelha porque vermelho é a cor do sangue e significa vida. A cor vermelha acelera a batida do coração! É uma cor que “pulsa” e pede ação. É uma cor perfeita para uma bandeira. Naturalmente o Partido dos Trabalhadores, através do marxismo, entendeu que o único jeito do trabalhador defender os seus direitos contra o poder financeiro daqueles que detém “os meios de produção”, as fábricas, era unindo-se num sindicato e obviamente porque não atrás de um partido, o PT.

Uma pessoa tem que ser completamente cega para não entender que o dono de uma fábrica vai fazer de tudo para pagar o menor salário possível sem dar benefício algum!Não estou de forma alguma defendendo a corrupção do PT, mas por outro lado não consigo visualizar a lógica de através de uma campanha engendrada pela mídia, cujos meios de comunicação pertencem ou favorecem os também corruptos da direita, dar um golpe político e eleger “indiretamente”, sem voto popular, um representante de um partido muito mais cruel do que o que já estava no poder. Já há muito tempo é reconhecido a função da religião como controle de massas! Foi a forma usada pelos reis para justificarem o status quo vigente. O poder da religião ficou ainda mais claro depois da revolução islâmica que derrubou o Chá do Iran. É sabido que o Presidente Bush foi eleito com a ajuda do extremismo católico norte americano. O Brasil caminha a passos largos para um regime religioso onde teremos um pastor corrupto no poder! Um ser do MAL que não respeita as outras religiões, outras etnias e grupos sociais.

Considerando-se o que acabo de dizer, eu lhes pergunto: porque não associar o comunismo com sua bandeira vermelha com o Diabo e usar a religião jogando com todos os estereótipos possíveis para criar uma associação demoníaca a qualquer um que defenda o social, o povo, os trabalhadores. Porque não associar o pobre, com a preguiça, com a vagabundice! Porque não fundir a ideia de Comunismo com o Diabo e o PT, como se eles pertencessem à uma trindade maligna? Fica bem fácil destruir o seu inimigo desta forma! Pelo que vejo está campanha está funcionando, mas, gostaria que ficasse bem claro que toda esta campanha não tem raízes no bem!

Então entendam! Se você está com sangue nos olhos e ódio, você foi enganado e está se servindo ao MAL! Ódio é não é RAZÃO! É apenas EMOÇÃO!

Vários estados brasileiros estão passando por crises financeiras! Hospitais sem médicos! Sem o básico para atender a população. Aposentados e aqueles próximos de aposentar correndo riscos de ficarem sem suas pensões! Enquanto isto mais de 50 porcento dos gastos do país são usados para pagar salários para Desembargadores, Juízes e Políticos! Todos desonestos! Todos legislando em causa própria! Políticos que quando presos são libertados rapidamente. O dinheiro roubado e depositado em suas contas no exterior nunca é recuperado e se é, nunca é aplicado em benefício público! Temos uma máfia roubando outra máfia e quem é culpado de tudo isto? A resposta é simples: NÓS!

Quando digo NÓS, refiro-me a população que com sangue nos olhos transfere o seu ódio sego de acordo com as indicações feitas no último capítulo de alguma novela da Globo!

ACORDEM ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS!!! Por favor, leiam novamente a poesia do Bertolt Brecht!

Antonio Celso Barbieri

Bertolt Brecht
Bertolt Brecht

Algumas palavras de Bertolt Brecht

Toda esta gangue destes que nos governam, tem a esperança de que estas nossas brigas nunca terminem, ajudando eles a nos dividir e nos enganar para que eles possam continuar no topo. “

“O que acontece com o buraco quando o queijo acabou. “

“A Pobreza faz você ficar esperto, mas é uma maldição. “

“Inteligência não é cometer erros, mas sim reconhece-los rapidamente e corrigi-los. “

“Porque as coisas estão do jeito que estão, as coisas não ficarão do jeito que estão. “

“Guerra é como o amor ela sempre acha um jeitinho. “

“Cantaremos nos tempos de escuridão? Sim, também cantaremos. Cantaremos a respeito dos tempos de escuridão. “

“O pior analfabeto é o político analfabeto. Ele não escuta nada e não vê nada. Não participa da vida politica. Ele parece não saber que o custo de vida, o preço do feijão, da farinha de trigo, do aluguel, dos remédios, tudo dependem de decisões políticas. Ele até se orgulha da sua ignorância política levantando o peito e dizendo que odeia política. O imbecil não sabe que é da sua falta de participação que surgem as prostitutas, as crianças abandonadas, os ladrões e pior de tudo os oficiais e funcionários corruptos e os lacaios exploradores das corporações multinacionais. “

“Se existem obstáculos, o caminho mais curto entre dois pontos deverá ser através de uma linha torta. “

“Não tenha tanto medo da morte quanto de uma vida inadequada. “

“A arte não é um espelho para refletir o mundo e sim um martelo que usamos para moldá-lo. “

“Todo tipo de arte serve a maior das artes: a arte de viver na Terra. “

“A lei foi criada para apenas uma coisa, explorar aqueles que não entendem ela ou são impedidos de obedece-la pela miséria nua e absoluta. “

“O objetivo da ciência não é abrir a porta para a sabedoria infinita, mas, para definir o limite para o erro infinito. “

“Você não precisa mais rezar para Deus quando existem tempestades no céu, mas, você tem que se sentir assegurado. “

“É mais fácil roubar criando um banco do que assaltando o caixa. “

“O que é roubar um banco comparado com fundar um? “

“Misturar vinhos pode ser um engano, mas o velho e o novo se misturam admiravelmente“

"Existem homens que lutam um dia e são bons.Existem outros que lutam um ano e são melhores. Existem outros que lutam muitos anos e são muito bons, mas, existem aqueles que lutam toda uma vida; estes são imprescindíveis! “

“Aquele que sorri ainda não ouviu as más notícias! “

“Porque ser um homem quando você pode ser um sucesso! “

“Eu prefiro muito mais a crítica lúcida de apenas um homem inteligente do que a irrefletida aprovação das massas. “

“Todos que buscam felicidade ainda não perceberam que a felicidade está aos seus pés. “

“O que eles poderiam fazer com uma boa guerra rolando por aqui? O que você poderia esperar com a paz correndo como louca por todos os lados? Você sabe qual é o problema da paz? Não tem organização! “

“O homem faminto busca o livro: Ele é uma arma! “

“Não me diga que a paz foi quebrada! “

“A ciência tem apenas um mandamento: contribuir para a ciência! “

“Existe muitos elementos para uma campanha. Liderança é a número 1. O resto todo é o número 2. “

“A sociedade não conseguirá compartilhar um sistema comum de comunicação enquanto estiver dividida entre facções guerreiras. “

“O mundo do conhecimento dá uma virada louca quando os professores, eles mesmos, precisam ser ensinados a aprender. “

“Quando escrevo, estou em boa forma, sem interesse nas coisas, sem preocupação com roupas, refeições, companhia e sentindo-me calmo e em controle. “

Bertolt Brecht

O roqueiro e velha senhora

O Roqueiro e a Velha Senhora

Antonio Celso Barbieri
(segunda revisão)

Prefácio

Esta história foi livremente adaptada do conto chamado Sotoba Komachi escrito pelo renomado escritor japonês Yukio Mishima e faz parte do seu livro Cinco Peças Nō Modernas (Five Modern Nō Plays). Este conto, por sua vez, é uma adaptação do conto de mesmo nome escrito por Kan'ami Kiyotsugu (1333–1384) um ator, autor e músico também japonês que trabalhou com o teatro Nō do período Muromachi.

Mishima é considerado um dos mais importantes escritores japoneses do Século XX. Ele foi indicado três vezes para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 1968, todos os especialistas achavam que ele seria o ganhador, mas, no final, o prêmio acabou ficando para o seu compatriota Yasunari Kawabata. Seu trabalho “avant-garde” mostra uma estética que mistura o moderno com o tradicional ultrapassando fronteiras culturais, sempre procurando abordar temas envolvendo sexo, morte e mudanças políticas.

Ele é também lembrando por sua tentativa de golpe político fracassado que ficou conhecido como The Mishima Incident onde, no final, ele cometeu um suicídio ritualizado conhecido como “seppuku”.

Em 1988, em honra ao seu trabalho, foi criado o The Mishima Prize que busca premiar novos talentos literários.  

Curiosamente, para minha surpresa, depois que escrevi este conto, enquanto pesquisava sobre a vida e obra de Mishima, descobri que, quando vivendo em Berlim, o falecido músico David Bowie, um grande fã de Yukio Mishima, pintou um retrato expressionista deste grande escritor japonês, cuja tela, manteve pendurada, bem à vista, em sua residência.

Antonio Celso Barbieri

Yukio Mishima painted by David BowieO jovem David Bowie, em Berlim, dormindo debaixo de sua pintura de Mishima.

O Roqueiro e a Velha Senhora


Esta história se passa numa cidade pequena do interior do estado de São Paulo. Trata-se de uma cidade razoavelmente tranquila que, no passado, já foi bem conservadora, mas, agora muito à contragosto começa a assumir os costumes das grandes cidades.

Como em muitas cidades, no seu coração, ela abriga a sua igreja principal que se abre para uma praça toda arborizada com seu chafariz localizado bem no meio. Este chafariz, já teve dias melhores. Ninguém mais se lembra quando é que foi a última vez que o mesmo jorrou água. Agora, ele não passa de um monumento desprovido de significado, mais uma relíquia numa cidade lutando para não ser engolida pelo progresso. Entre as árvores, alguns postes de iluminação antigos, com suas luzes pálidas e amareladas criam, para aqueles casais em busca de um pouco de privacidade, um clima de intimidade.

É noite, o sino da igreja já anunciou as 10 badaladas à algum tempo.

A noite está quente, gostosa e em torno daquele chafariz seco, de frente, equidistante uns dos outros, estão cinco bancos. Todos dando as costas para um belo jardim, todo florido. Os acentos estão todos ocupados. Cada banco abriga um casal que, aos sussurros e beijinhos, alheios a tudo, estão envolvidos no seu cortejo particular.

De repente, lentamente, este clima ardoroso, cheio de paixão, é perturbado pela chegada de uma senhora aparentemente muito idosa. A mulher vai avançado pelo centro da praça. Sua aparência é centenária. Esquelética e com uma aparência nojenta e encardida, nada mais do que uma mendiga vestida em farrapos sujos, mais parecendo uma morta viva, um zumbi, ela toda arcada, vai arrastando-se e coletando todas as bitucas de cigarro que encontra pelo caminho.

Ela aproxima-se do banco mais bem localizado, aquele perto da área mais florida e ignorando o casal ali sentado, senta-se, toda espalhada e sem a menor consideração. Ela cheira a urina e o casal, tomado de surpresa, levanta-se indignado. A velha simplesmente os ignora. Eles, sem opção, de braços dados, ostentando expressões de descontentamento e fim de festa, retiram-se imediatamente.

A mulher então toma posse completa do banco, vira-se de lado e abre na outra metade do banco uma folha de jornal. O jornal está cheio de bitucas. Ela começa conta-las:

Senhora: Um e um são dois, dois e dois são quatro...

(Ela levanta uma bituca e, buscando a luz, percebendo que esta é bem maior que as outras, de forma impertinente, interrompe o casal do banco ao lado e pede fogo. Acende a bituca e a fuma até chegar no filtro. Depois apaga-o, joga-o no jornal junto com as outras bitucas e volta a sua contagem.)

Senhora: Um e um são dois, dois e dois são quatro...

Roqueiro: (um rapaz aproxima-se lentamente por trás da senhora e fica observando o que ela está fazendo. Ele usa uma velha jaqueta jeans, sem manga, aberta e por baixo uma velha camiseta de rock preta. Usa uma calça jeans esfolada, com a barra arrastando pelo chão, toda encardida e já se desfazendo. Esta usando um coturno que parece já ter sido torturado tempo demais. Cabelos longos e maltratados deixam transparecer uma barba por fazer. Sua aparência geral é de descuido e desgaste físico. Ele parece mais velho do que realmente é)

Senhora: (sem tirar os olhos das bitucas) Quer um cigarro? Lhe darei um se quiser! (ela busca uma bituca mais comprida e entrega para ele)

Roqueiro: Obrigado! (ele tira do bolso um isqueiro, acende a bituca e fuma)

Senhora: Mais alguma coisa? Você tem alguma coisa para me dizer?

Roqueiro: Não, nada em especial.

Senhora: Eu sei quem você é. Você é um roqueiro. Estou vendo a sua camiseta do Motorhead. Você deve cantar numa banda. Você é um compositor. Este é o seu negócio, não é mesmo?

Roqueiro: Acertou na mosca! Mas, provavelmente a senhora não tem a menor ideia de quem foi o grande Lemmy. Sim, componho umas músicas de vez em quando. (e, com ironia, falando meio mole) Não tenha dúvidas de que sou um “musgo”, mas, isto não significa que o que faço é “um negócio”.

Senhora: Há! Já vi tudo! Não é um negócio só porque você nunca ganhou nada, nunca viu um tostão! (Ela olha para o rosto do rapaz pela primeira vez) Você ainda é bem jovem, não é? Mas, infelizmente, você não viverá muito para contar a história! A marca da morte está estampada na sua face.

Roqueiro: (sem mostrar surpresa) O que você foi na sua vida passada? Vidente? Andou lendo muito Tarô? Aprendeu ler a fisionomia das pessoas?

Senhora: Talvez! Já vi tantas faces humanas que fiquei doente de tanto vê-las... (puxando um pouco o jornal para criar espaço e batendo no acento do banco) Sente-se, parece que você não está bem das pernas.

Roqueiro: (apaga o cigarro terminado, senta-se, coloca o filtro junto com os outros no jornal, tosse, limpa a garganta...e fala como se fosse para si mesmo) Eu estou bêbado, é só isto!

Senhora: Você é um estúpido! Pelo menos enquanto você está vivo, você deveria ficar com seus pés firmemente plantados no chão...(fica em silêncio)

Roqueiro: (depois de um tempo ele rompe o silêncio) Gostaria que soubesse que existe uma coisa que me chateia muito. Porque é que a senhora, toda noite, vem aqui, no mesmo horário expulsar quem quer que esteja sentado neste banco?

Senhora: Você está reclamando deste banco? Não posso imaginar que você seja um mendigo. O que você quer? Você pede dinheiro para o povo que se senta aqui?

Roqueiro: Não! É que como o banco não poder reclamar por si mesmo, eu reclamo por ele!

Senhora: (dando as costas) Eu não estou expulsando ninguém! Quando sento aqui eles me abandonam, é só isto. De qualquer forma este banco foi feito para quatro pessoas.

Roqueiro: Más à noite, ele é destinado para o uso dos amantes, dos namorados! Todas as noites quando atravesso a praça e vejo casais ocupando todos os bancos, sinto-me bem! Maravilhosamente esperançoso! Acredite, só para não lhes perturbar, atravesso em pontas dos pés. Mesmo quando estou cansado ou, como acontece de vez em quando, quando sinto necessidade de dar uma paradinha para meditar sobre os meus problemas, em respeito aos casais eu não paro.... E a senhora? A quanto tempo vem vindo aqui perturbar o povo?

Senhora: Há! Agora eu entendo. Este é o seu “lugarzinho”. Sua área reservada onde você bem fazer o seu negócio!

Roqueiro: Meu o que?

Senhora: É aqui que você colhe o material para colocar nas suas letras, nas suas composições e poemas.

Roqueiro: Não seja absurda! Esta praça, estes bancos, esta iluminação decadente, estes casais. Você acredita que eu usaria um material tão vulgar?

Senhora: Com o passar do tempo ele não será mais vulgar. Aliás, não existe nada que um dia não tenha sido vulgar. Com o tempo ele mudará novamente.

Roqueiro: Nossa! Cada coisa extraordinária que sai da sua boca! Se este é o caso, agora é que preciso fazer um discurso apaixonado em defesa deste banco.

Senhora: Meu filho como você é cansativo. A única coisa que você é capaz de dizer é que minha presença neste banco é desagradável aos seus olhos, não é mesmo?

Roqueiro: Não! A verdade é que a sua presença aqui é uma profanação!

Senhora: Gente jovem vive de papo furado e gosta mesmo é apenas de uma boa discussão.

Roqueiro: Preste atenção! Sou isto mesmo que você está vendo. Um artista de meia pataca que nem consegue uma mulher que se interesse por ele. Mas, existe algo que eu respeito muito. O mundo quando refletido nos olhos dos casais jovens que aqui se amam. Juro, é cem vezes mais bonito do que o que eles mesmos estão vendo. Há, isto eu respeito. Olhe em volta, eles estão tão concentrados que nem sabem que estamos falando deles. Eles subiram tão alto como nas estrelas. Nós podemos até ver, bem perto de suas bochechas, uma pitadinha da luz da estrela que está brilhando em seus olhos apaixonados.... E este banco, é como se fosse uma “Stairway to Heaven”, uma escada para o paraíso. A mais alta torre do mundo, um maravilhoso ponto de observação. Quando um homem senta aqui com a sua amada ele pode ver as luzes de todas as cidades através do globo. (empolgado ele fica em pé em cima do banco) Mas, se sozinho, ficar aqui em pé, não consiguirei ver nada... Há! Na verdade, estou vendo vários bancos lá para frente, vendo alguém fazendo sinal com uma lanterna, deve ser um policial. Lá longe, estou vendo uma fogueira com alguns mendigos em volta. Estou vendo as luzes traseiras de dois veículos. Um passou na frente do outro, os dois estão indo em direção da saída da cidade. O que é isto? Um carro cheio de flores, serão artistas clássicos voltando de um concerto ou um enterro... (o rapaz senta-se no banco novamente e fica meditativo, em silêncio)

Senhora: Tudo lixo! Porque será que tem gente que respeita estas coisas! É justamente esta sua natureza boba que faz com que você componha estas baboseiras sentimentais que ninguém nunca comprará!

Roqueiro: (falando como se não tivesse escutado nada) ...e é exatamente por isto que eu não invado este banco. Enquanto a senhora e eu estamos ocupando este lugar ele não passa de umas ripas de madeira invelhecidas, parafusadas de forma apropriada numa base de ferro carcomido, mas se um casal sentar aqui ele se transformará numa memória. Ele ficará mais macio do que um sofá e se aquecerá com as faíscas emitidas por gente viva... quando a senhora se senta aqui ele fica tão frio quanto uma sepultura, como se fosse um banco construído com pedras e lajes retiradas de um túmulo.

Senhora: Você é jovem, inexperiente e ainda não tem os olhos para ver. Estes bancos onde você diz que eles sentam, estes balconistas, garçons, funcionários de escritório e suas vagabundas. Você acha que eles estão vivos? Não seja tolo! Eles estão apenas lamentando em suas covas. Veja como, iluminadas pelas luzes que passam através das folhas das arvores, as suas peles são pálidas. Tanto os homens como as mulheres estão com seus olhos fechados. Você não acha que eles parecem cadáveres? Estão morrendo enquanto se beijam e se acariciam. (ela dá uma olhada em volta sentindo o aroma) Existe, sem dúvida o perfume das flores. Durante a noite, o perfume das flores desta praça exalam uma fragrância envolvente e é como se estes casais já estivessem dentro dos seus caixões. Como muitos homens, estes amantes estão todos enterrados no perfume das flores. Na verdade, você e eu somos os únicos vivos aqui.

Roqueiro: (sorrindo) Que palhaçada! Senhora pensa que está mais viva do que eles?

Senhora: Claro que sim! Eu tenho 99 anos e veja como estou saudável!

Roqueiro: 99 anos?

Senhora: (virando o rosto em direção da luz) Dê uma boa olhada!

Roqueiro: Nossa! Que rugas horríveis!

(neste exato momento o jovem sentado com uma garota no banco à direta, o mesmo que foi importunado quando a senhora pediu fogo, resmunga algo inteligível que termina com a exclamação “Meu Deus!” pronunciada quase gritado, expressando impaciência e mau humor)

Senhora: Qual é o seu problema? O que é que te incomoda tanto para faze-lo assim tão rude?

Rapaz: (com cinismo, olhando para a sua companheira) Vamos embora ou pegaremos uma gripe.

Senhora: Você é muito sem graça! Tá com o saco cheio é?

Rapaz: Não! É que acabei de lembrar algo engraçado.

Senhora: O que?

Rapaz: Eu tenho em casa uma galinha tão velha que nem o galo quer mais saber dela!

Senhora: Qual é o significado disto?

O rapaz: (com ironia) Nenhum!

Senhora: Sabe o que significa? (mostrando o dedo) Não quero mais saber de você!

Rapaz: (ignorando) Caramba! Perdemos o último ônibus! Agora teremos que correr!

Senhora: (ela levanta-se e o observa) Nossa que mal gosto você tem para se vestir!

Rapaz: (O rapaz continua ignorando e sai com sua namorada andando rápido)

Senhora: Pelo menos, até que enfim, eles voltaram a vida!

Roqueiro: Já posso até ver o céu pipocando com fogos de artifício! Como é que a senhora pode dizer que eles voltaram a vida?

Senhora: Conheço muito bem como é o rosto de uma pessoa que voltou a vida. Eu já vi isto demais. A pessoa apresenta uma expressão de quem está com o saco cheio e é justamente isto que gosto de ver... A muito tempo atrás, quando era bem jovem, só tinha a sensação de que estava viva quando a minha mente, depois de uns goles, estava girando. Só me sentia viva quando me perdia e me esquecia totalmente. Desde então, acabei descobrindo qual foi o meu engano. Quando o mundo parece maravilhoso para vivermos nele. Quando uma florzinha insignificante parece tão grande como uma catedral e as pombas passam voando, cantando com vozes humanas. Quando todos passam felizes, desejando “bom dia” uns para os outros e, coisas que você buscou por 10 anos aparecem, inesperadamente, atrás do sofá, e toda garota parece uma diva. Quando as rosas desabrocham numa roseira morta... Então, quando era jovem, estas coisas idióticas aconteciam comigo à cada 10 anos. Agora quando penso nisto, percebo que estava morrendo enquanto isto acontecia. Quanto pior a bebida mais rápido ficamos bêbados. No meio da minha embriaguez, no meio da minha sentimentalidade, das minhas lágrimas eu estava morrendo... Desde então eu fiz um juramento de nunca mais beber, este é o segredo da minha longevidade.

Roqueiro: (provocando) Então diga-me, velha senhora, qual é a sua razão para viver?

Senhora: Velha? Quem é velha? Minha razão para viver? Não seja ridículo! O simples fato de existir já não é uma razão por si mesma? Fique sabendo! Não sou um burro correndo atrás de uma cenoura pendurada por uma vara na minha frente! Aliás, um burro é assim porque é de sua natureza!

Roqueiro: Corre burro, corre, nunca olhando nem para a esquerda nem para direita...

Senhora: ...de cabeça baixa, nunca tirando os olhos da sua própria sombra...

Roqueiro: ...quando o Sol se põem a sombra se torna maior...

Senhora: ...a sombra é que é enganada e perde-se na escuridão de tudo.

(enquanto conversavam, um a um, todos os casais se retiram. Os dois ficam sozinhos.)

Roqueiro: Permita-me fazer-lhe uma pergunta? Quem é você?

Senhora: Antes eu fui uma mulher chamada Aura.

Roqueiro: Quem?

Senhora: Todos os homens que disseram que eu era bonita morreram. Hoje eu tenho certeza que todo homem que disser que sou bonita morrerá.

Roqueiro: (rindo) Que sorte! Estou seguro porque só encontrei-a quando já tinha 99 anos!

Senhora: Sim, você tem sorte! Mas, eu suponho que um tolo como você pensa que toda mulher bonita ficará feia quando envelhecer. Há! Você está cometendo um grande engano. Uma mulher realmente bonita sempre será bonita. Se sou feia hoje é porque no passado fui uma “feia bonita”. Depois de ter sido elogiada pela minha beleza por todo mundo tantas vezes, acho a maior chateação, nos últimos 78 anos, pensar que não sou bela. Eu ainda me vejo muito bonita, absurdamente bela.

Roqueiro: (falando para si mesmo) Como deve ser difícil carregar este peso de ter sido muito bela. (Olhando para a Senhora) Posso entender como se sente. Um homem que foi para a guerra ficará relembrando esta experiência por toda a sua vida. Claro, você deve ter sido muito bonita.

Senhora: (batendo o pé) Ter sido? Eu ainda sou muito bonita!

Roqueiro: Sim! Sim! Eu entendo! Porque não me conta algo dos velhos tempos. 80 anos atrás ou será 90? (conta nos dedos). Conte-me o que aconteceu 80 anos atrás?

Senhora: 80 anos atrás... eu tinha só 19 anos. O Capitão Rodriguez era o comandante aqui do quartel, vivia atrás de mim, me contejando.

Roqueiro: Posso fazer de conta que sou o seu capitão? Qual era mesmo nome dele?

Senhora: Mas que pretencioso! Ele foi 100 vezes mais homem do que você! Eu prometi que lhe daria aquilo que ele tanto queria, se ele se encontra-se comigo 100 vezes. Esta era a centésima noite. Naquela época, aqui ao lado desta praça existia um clube, o mais famoso da cidade. Seus bailes reuniam a nata da sociedade local e até das cidades próximas. Como tinha muita gente e o salão muito quente, preferi sair para respirar um ar fresco. Vim descansar aqui mesmo neste banco.

(Vindo de um lado da praça o som de uma valsa tocando, lentamente começa crescer e preencher o ambiente. Ao mesmo tempo, da mesma direção de onde vem o som, um prédio pomposo, parecendo um teatro com uma arquitetura antiga, surge do nada, todo iluminado. Percebe-se que o lugar está cheio de gente.

Senhora: (olhando de longe) Veja, as pessoas mais chatas desta época, vieram todas para o baile!

Roqueiro: Aquelas belas mulheres e homens elegantes?

Senhora: Sim! Vamos lá dançar uma valsa e nos misturarmos com eles?

Roqueiro: Dançar uma valsa com você?

Senhora: Importante! Não esqueça-se, você é o Capitão Rodriguez! (eles entram juntos no clube e aproximam-se de três casais vestidos com trajes antigos. Eles estão dançando. Neste momento, a música termina e os três casais aproximam-se da velha senhora)

Mulher 1: Aura você está muito linda esta noite!

Mulher 2: Que inveja! (passando a mão nos trapos que ela veste) Onde você comprou sua roupas?

Senhora: Mandei minhas medidas para Paris! O vestido veio de lá!

Mulheres 1 e 2: (exclamam ao mesmo tempo) Verdade?

Mulher 3: É a única forma! Os vestidos feitos aqui no Brasil são muito pobres e mal feitos!

Homem 1: Infelizmente, não temos opção! Temos que usar roupas importadas!

Homem 2: Sim, é verdade! Vocês repararam no paletó do prefeito? Foi feito sob medida em Londres, a capital da moda para cavalheiros!

(as mulheres, animadas na conversa, sorridentes, cercam a velha senhora e o roqueiro enquanto os três homens sentam-se nas cadeiras próximas.)

Homem 3: Aura é realmente muito bonita!

Homem 1: Iluminada pela luz da lua até um velha bruxa parecerá bonita!

Homem 2: Você não pode falar uma coisa assim de Aura! Ela é bonita até ao meio-dia e quando ha vemos iluminada pela luz da lua ela parece um anjo vindo do Paraíso.

Homem 1: Ela não é do tipo de mulher de entregar-se para qualquer homem facilmente. Eu suponho que é por isso que existam tantas histórias interessantes sobre ela. (...e usando palavras francesas que ele vai traduzindo enquanto fala) Ela é uma “pucelle”, uma virgem, é o que vocês nunca poderiam chamar de “une histoire scandaleuse”, vocês sabem, um tipo de escândalo.

Homem 3: (olhando para o roqueiro) O Capitão Rodriguez, está perdidamente apaixonado, perdeu a cabeça por ela. Veja como ele está pálido, parece que não se alimenta à vários dias.

Homem 1: Dizem que ele até esqueceu de suas obrigações militares e passa os dias escrevendo poemas para ela. Vocês repararam que até os outros militares o estão evitando.

Homem 2: (levanta-se, aproxima-se das mulheres que conversam animadas com a velha senhora e confidência com uma delas) Você reparou que voz doce ela tem, é clara como o som do chamariz da praça.

Mulher 1: (respondendo) Ouvi-la falar é uma lição em eloquência.

(o intervalo termina e os músicos começam tocar o Danúbio Azul. Rapidamente casais se formam e o centro do salão é totalmente ocupado por casais dançando. A velha senhora e o roqueiro permanecem nos seus lugares)

Senhora: (olhando o povo dançando) ...eles estão dançando... ...as sombras dos bailarinos são projetadas nas janelas que escurecem e se iluminam novamente de acordo com a passagem deles girando. São as sombras da dança. É algo maravilhosamente tranquilo de ver. Como as sombras e danças causadas pelo fogo.

(um casal dançando bem próximo escuta a fala da velha senhora e comenta)

Homem: Você não acha a voz dela sensual? É uma voz que penetra direto no meu coração!

Mulher: (respondendo) Sim, me sinto estranha, por que mesmo sendo mulher sinto a mesma coisa.

Senhora: Vamos para fora, buscar um lugar mais tranquilo... À esta hora da noite, em frente, na praça, o clima deve estar muito refrescante e a fragrância das flores e das árvores maravilhosa.

(enquanto os dois se afastam um casal ainda dançado comenta)

Homem: (meio hipnotizado, fala para si mesmo) Ao lado de Aura uma mulher é simplesmente uma mulher.

Mulher: (mudando de assunto) Que horrível ela parece que copiou a minha bolsa!

(A senhora e o roqueiro aproximam-se novamente do mesmo banco onde se encotraram. O Lugar está todo vazio)

Roqueiro: (com o som da valsa diminuindo ao fundo) Que estranho...

Senhora: O que que é estranho?

Roqueiro: Não sei, de alguma forma...

Senhora: Nem tente dizer! Eu sei o que você vai dizer antes mesmo que abra a sua boca!

Roqueiro: (com ardor) Você é tão...

Senhora: Bonita? Isto é o que quer dizer, não é? Não diga! Você não pode! Se você disser, não viverá muito tempo! Considere-se avisado!

O Roqueiro: Mas...

Senhora: ...se você valoriza a sua vida, fique calado!

Roqueiro: Mas, isto é muito estranho, parece um milagre! Veja a até o chafariz está jorrando água! Nunca...

Senhora: (interrompe rindo) Milagres! Milagres nos dias de hoje! Você ainda acredita nestas vulgaridades!

Roqueiro: Mas as suas rugas...

Senhora: Que rugas meu filho?

Roqueiro: É isto que quero dizer, não vejo nenhuma!

Senhora: Claro! Você acha que o Capitão Rodriguez aceitaria cortejar uma múmia por cem noites? Mas, chega de fantasias! Vamos dançar aqui mesmo, no meio das flores.

(O som da valsa parece crescer só para eles)

Senhora: (enquanto dançam) Você está cansado?

Roqueiro: Não.

Senhora: Você parece que não está bem.

O Roqueiro: É o meu jeito de ser, eu sempre pareço assim.

Senhora: Que tipo de resposta é esta?

Roqueiro: Você sabe hoje é a centésima noite!

Senhora: E eu ainda não...

Roqueiro: Sim!

Senhora: Porque você parece tão amargo?

(o roqueiro para de dançar)

Senhora: Qual é o problema?

Roqueiro: Não é nada! Estou me sentindo um pouco tonto.

Senhora: Quer voltar para o salão?

Roqueiro: Não, é melhor aqui, lá dentro é muito barulhento.

(Eles ficam de mãos dadas observando as flores)

Senhora: A música parou novamente, é outro intervalo. Como tudo ficou tão silencioso...

Roqueiro: Sim, agora é só silêncio.

Senhora: No que você está pensando agora?

Roqueiro: Nada. Quer dizer, na verdade, eu estava pensando algo muito estranho. Eu tive este sentimento de que se nos separarmos, em cem anos, ou talvez menos nos encontraremos novamente.

Senhora: Onde nos encontraremos? Num túmulo, quem sabe? No Paraíso ou no Inferno? Sim talvez num deste lugares!

Roqueiro: Ha! Um pensamento, como um flash, passou pela minha mente... Só um momento por favor? (Ele fecha os olhos, dá uma pequena pausa e os abre novamente) Agora já sei, nos encontraremos exatamente aqui novamente!

Senhora: Uma praça, um jardim, umas lâmpadas encardidas, uns amantes...

Roqueiro: Tudo será igual mas, não sei como nós mudaremos até lá.

Senhora: Não acredito que ficarei velha!

Roqueiro: Talvez seja eu que não ficarei velho!

Senhora: Daqui uns 80 anos o mundo terá progredido muito.

Roqueiro: Na verdade só os seres humanos é que mudam. Uma rosa ainda será uma rosa.

Senhora: Eu me pergunto se ainda existirão jardins e praças tão tranquilas como estas.

Roqueiro: Infelizmente acho que até os jardins serão engolidos pelo lado ruim do progresso.

Senhora: O que será dos pássaros?

Roqueiro: Bom, pelo menos, haverá todo luar que você desejar!

Senhora: ...e se você conseguir encontrar uma árvore e subir nela verá todas as luzes da cidade. Serão tantas que, será como se tivesse visto as luzes deste planeta inteiro.

Roqueiro: Diga-me, quando nos encontrarmos daqui cem anos o que diremos um para o outro?

Senhora: Eu suponho que pediremos desculpas por não termos mantido contato. (os dois sentam-se no mesmo banco que sentaram quando se conheceram)

Roqueiro: Responda-me, você não falhará na sua promessa?

A Senhora: Minha promessa?

O Roqueiro: Sua promessa de entregar-se depois das cem noites!

A Senhora: Você ainda duvida depois de tudo que disse?

Roqueiro: Sim! Até que enfim esta noite terei meu desejo satisfeito. Na verdade, trata-se de um sentimento estranho e solitário. É como se eu tivesse, até que enfim, em minhas mãos algo que desejei por quase toda uma eternidade.

Senhora: Para um homem este deve ser um dos sentimentos mais assustadores de todos.

Roqueiro: Meu sonho realizado... e quem sabe um dia eu me canse até de você. Imagine, se eu me cansar de uma pessoa como você, minha vida depois da morte seria horrível... e como será assustador os dias eternos até chegar o dia da minha morte... Nada fará sentido.

Senhora: Então você deveria para com isto agora mesmo!

Roqueiro: Eu não consigo!

Senhora: Será uma grande tolice forçar-se a terminar algo que você não quer.

Roqueiro: Mais é justamente o oposto! Eu estou feliz! É como se eu pudesse subir aos céus mas, ao mesmo tempo, estou um pouco depressivo. Difícil de explicar...

Senhora: ...é porque você está vindo com muita sede ao poço...

Roqueiro: ...e você não ficará triste se eu a abandonar?

Senhora: Não, eu não me importarei nenhum pouco! Outro homem tomará seu lugar e começará novamente cortejar-me por cem noites. Eu nunca ficarei só.

Roqueiro: Se isto que diz é verdadeiro quero morrer agora. Uma ocasião com esta raramente acontece na vida de uma pessoa e hoje é a minha noite!

Senhora: Por favor, pare de cansar-me com esta infantilidade!

Roqueiro: Esta noite é minha e, se é para morrer de prazer que seja isto...

Senhora: O homem não vive simplesmente para morrer.

Roqueiro: Ninguém sabe, talvez o homem morra para poder viver.

Senhora: Que palavras pobres, terrivelmente ordinárias.

Roqueiro: Por favor, me ajude! O que tenho que fazer?

Senhora: Siga em frente! Você só pode seguir em frente!

Roqueiro: Por favor, escute! Em algumas horas, em alguns minutos, momentos que nunca poderiam existir surgirão neste mundo. O Sol começará brilhar no meio da noite. Uma grande caravela com todas as suas velas desfraldadas, estufadas, empurradas pelo vento, navegará pelo meio das ruas. Costumava sonhar este sonho quando era garoto, por que será? Uma enorme caravela entrando pelo jardim e as árvores tremulando como ondas do mar, com suas copas cheias de pássaros mergulhando para pescar... e eu neste sonho feliz, sentindo que meu coração poderia parar de bater a qualquer momento de tanta alegria.

Senhora: Incrível! Você deve estar totalmente bêbado!

Roqueiro: Você não acredita? Hoje à noite, daqui a pouco, uma coisa impossível vai....

Senhora: ...as coisas impossíveis são... impossíveis!

Roqueiro: (ele olha atentamente para a face da velha senhora, como se esta visão lhe despertasse antigas memórias) ...e mesmo assim, é estranho, a sua face...

Senhora: (tornando o rosto para outra direção e falando para si mesma) Se ele falar estas palavras, sua vida se acabará! (e, tentando desviar a atenção do roqueiro) O que é estranho? Minha face? Veja, como ela é feia, cheia de rugas! Abra os seus olhos bem abertos!

Roqueiro: Rugas? Onde estão as rugas?

Senhora: (Levantando bem auto a sua saia e mostrando suas partes íntimas) Veja a decadência! Sinta o cheiro ruim! Está fedendo e cheio de piolhos! Veja esta mão! Veja como ela está tremendo! É uma mão feita apenas de rugas! As unhas sujas são repulsivamente longas! Veja!!!

Roqueiro: Que fragrância maravilhosa e estas unhas róseas e bem cuidadas.

Senhora: (abrindo sua blusa, na verdade, várias camadas de trapos que servem para cobrir um, o buraco deixado pelo outro, ela expõe os seus seios) Veja este saco caído, mole e encardido! Não existe nada do que poderíamos chamar de seios! (em desespero, ela pega a mão do rapaz e coloca-a sobre seus seios murchos) Sinta! Sinta! Não existem seios aqui!

Roqueiro: (em estase) Há! Que corpo!

Senhora: Eu tenho 99 anos! Acorde! Olhe bem!

Roqueiro: (ele olha atentamente e parece chocado) Há! Até que enfim consegui me lembrar!

Senhora: (toda feliz) Que bom! Você se lembrou!

Roqueiro: Sim! Você era uma senhora de 99 anos. Você tinha o corpo coberto de rugas horríveis, um muco cobria o canto dos seus olhos e suas roupas fediam.

Senhora: (batendo os pés) Era? Tinha? Fedia? Você não percebe que estamos falando do PRESENTE?

Roqueiro: Estranho... você tem os olhos de uma mulher de aproximadamente 20 anos e usa estas roupas finas e perfumadas. Você é muito especial. Você ficou jovem novamente!

Senhora: Não diga isto! Já não lhe disse o que acontecerá se disser que sou bonita?

Roqueiro: Se acho que um algo é bonito, tenho que dizer é bonito mesmo que morra fazendo isto.

Senhora: Que loucura! Pare com isto, eu te imploro! Que momento é este que você vem insistindo tanto?

Roqueiro: Já vou lhe contar!

Senhora: Não! Por favor, não!

(Os sinos da igreja começam bater as badaladas da meia-noite)

Roqueiro: Chegou a hora! O momento que eu estive esperando por noventa e nove anos. Noventa e nove anos!

Senhora: Os seus olhos estão ficando iluminados! Pare! Pare com isto! Por favor!

Roqueiro: Querida Aura, (ele pega na sua mão, ela fica toda trêmula) você é linda! Você é a mulher mais bonita deste mundo! A sua beleza nunca se apagara nem em um milhão de anos!

Senhora: Você se arrependerá profundamente por ter dito estas palavras!

Roqueiro: Eu? Nunca!

Senhora: Você é um idiota! Eu já posso ver a marca da morte aparecendo entre as suas duas sobrancelhas!

Roqueiro: Eu não quero morrer!

Senhora: Eu bem que tentei lhe avisar! Juro que me esforcei!

Roqueiro: Minhas mãos e meus pés estão ficando frios... Eu me encontrarei com você novamente! Tenho certeza, daqui cem anos, neste mesmo lugar.

Senhora: Mais cem anos para esperar! Que castigo!

(O roqueiro lentamente vai perdendo as forças, agarrando-se à senhora, cai de joelhos para depois cair ao chão. Logo, para de respirar. Está morto. A senhora senta-se no banco, aquele mesmo do princípio desta história. Fica por um tempo com a cabeça baixa olhando para o chão depois olha para o lado e vê o jornal aberto e cheio de bitucas. Como se não tivesse mais nenhuma opção na vida começa conta-los novamente)

Senhora: Um e um são dois, dois e dois são quatro...

(Um policial fazendo a sua ronda, aproxima-se e vê o corpo do roqueiro caído no chão)

Policial: Morto de bêbado novamente! Você só me dá trabalho! Vamos lá! Fique em pé! Aposto que sua esposa está esperando por você. Volte para casa rápido e vá já para a cama... Caramba! Será que ele está morto? Puxa, está mesmo! Minha senhora você viu ele cair aqui? Onde você estava?

Senhora: (levantando um pouquinho a cabeça) Acho que já faz tempo...

Policial: ...seu corpo ainda está quente...

Senhora: Isto prova que ele acabou de parar de respirar.

Policial: Esta informação eu já sabia sem precisar lhe perguntar!

Senhora: Acho que foi mais ou menos uma hora e meia atrás! Ele chegou bêbado e começou me cortejar.

Policial: Corteja-la? Não me faça rir!

Senhora: (indignada) Não vejo nada engraçado nisto! Seria a coisa mais natural do mundo!

Policial: Eu suponho que você tenha se defendido apropriadamente?

Senhora: Não, ele foi apenas um chato e eu não dei atenção alguma! Ele ficou na minha frente, em pé, parado falado consigo mesmo e, de repente, parou e caiu. Eu pensei que ele estivesse dormindo.

Policial: (gritando para umas pessoas à distância) Ei vocês ai? Não é permitido acender fogueiras aqui perto da praça! Venham aqui! Eu tenho um serviço para vocês fazerem. (Dois mendigos se aproximam) Ajudem-me levar este corpo até a perua. (os três homens afastam-se levando o corpo do roqueiro)

Senhora: (cuidadosamente organizando as bitucas) Um... e... um... são... dois... dois... e... dois... são... quatro... Um e um são dois, dois e dois são quatro...

FIM

Metal Profeta570
Mago do Metal. Colagem digital: A. C. Barbieri.

Meditações sobre a minha própria natureza musical...
Escrito por Antonio Celso Barbieri

No livro escrito por Roland Barthes chamado Imagem Music Texto publicando em 1977, no ensaio intitulado Musica Prática ele se refere à dois tipos de música: a que escutamos e a que tocamos. Segundo ele, estes são dois tipos de musica totalmente diferentes, cada um com a sua história, sua sociologia, sua estética e seu erotismo. Para ele, o mesmo compositor pode parecer insignificante quando escutado, mas, parecer brilhante para o músico que executa a mesma peça.

A música que uma pessoa toca, é uma atividade que tem menos a ver com a audição da mesma e sim com o fato de ser uma atividade manual, e por ser manual, podemos dizer, uma atividade sensual/sensorial. É o tipo de música que você pode tocar sozinho ou com amigos, sem nenhuma outra participação, à não ser a dos que estão tocando com você (quer dizer, sem correr o risco de uma participação “teatral” ou recebendo a pressão emocional de espectadores). Trata-se de uma música muscular em que a parte escutada é "absorvida" como parte de um processo, como se o corpo é que estivesse ouvindo e não a “alma”. Uma música que não é tocada pelo “coração”: você e o instrumento (qualquer que ele seja), você é o instrumento ou vocês são um instrumento. O corpo controlando (ou controlado), conduzindo, coordenando, ele mesmo transcrevendo e adaptando as notas da música que ele conhece tão bem, juntando o som com o significado e transformando seu corpo num “escritor/criador” e não apenas num transmissor/receptor.

Infelizmente, este tipo de música está desaparecendo rapidamente. Inicialmente, foi território apenas de uma classe burguesa aristocrática para mais tarde, decair para um ritual social insipido e, até praticamente desaparecer (quem toca piano hoje em dia?). Na civilização ocidental, quem busca música prática (ao vivo) hoje em dia, tem que buscar por outro público, por outro repertório, por outro instrumento. Ir atrás das novas gerações, da nova música vocal, da guitarra, do rock.

Consequentemente, a música receptiva (ou será repetitiva?), passiva, transformou-se “na música” de hoje. É a música da sala de concerto, do festival, do vinil, do CD, do MP3, da TV, da rádio, da Internet, etc. Com isto a importância da música tocada ao vivo, fisicamente, deixa de existir. Então, esta atividade manual, inerentemente física, muscular, meramente líquida, efusiva e como diria Balzac “lubrificante” deixa de ter a importância de outrora e caminha para o desuso.

Como resultado desta situação, o “performer”, aquele que executa a música também mudou. O “amador”, um papel muito mais definido pelo estilo tocado do que pelas suas imperfeições técnicas, não é mais encontrado em lugar nenhum. Por outro lado, os “profissionais”, especialistas cujo estudo e treinamento aparentemente tornou-se numa atividade exotérica desconhecida do grande público, que por sua vez não está nem um pouco preocupado com a importância da educação musical, nunca prestigiam ou reconhecem o valor do amador, aquele que executa a sua música com amor e perfeição. Amadores que plantam em nossos corações a emoção, a satisfação e o desejo de nós mesmos, um dia sairmos fazendo música.

Resumindo, primeiro existia o músico “ator”, que representava a música no palco. Despois surgiu o “interprete” (aquele que no clássico apenas repete automaticamente a notação escrita na partitura ou aqueles que, no rock, passam toda a sua vida executando um cover, o mais parecido possível do original, sacrificando e escondendo, no processo, a sua própria alma de músico). Finalmente agora temos o “técnico”, que tira do ouvinte toda a atividade, até por procuração, e no final cancela toda e qualquer possibilidade dos ouvintes “fazerem musica”. A meu ver, fica difícil entendermos este conceito se não tivermos em mente que o “músico ator”, o “interprete” e o “técnico” podem ser partes do mesmo processo onde por exemplo, uma banda como Led Zeppelin começou “atuando”, virou “interprete” e hoje não passa de uma banda técnica repetindo o seu repertório até o infinito.

Na parte que me toca, não pude deixar de lembrar-me de uma palestra que assisti recentemente no Youtube. Nesta palestra proferida pelo “mestre” Deepak Chopra chamada “As sete leis espirituais do sucesso”, lembrando que, neste caso, “sucesso” nem sempre significa unicamente bens materiais, o palestrante obviamente descreveu estes 7 degraus a subir. Para este texto que aqui escrevo, ficarei apenas no primeiro degrau. Segundo Chopra, o primeiro degrau pode ser conquistado de 3 formas: através da meditação, da busca pela natureza e pela negação.

O mestre insistiu que, é só como resultado de uma destas três práticas que entraremos em sintonia com o “silêncio cósmico”. Disse que quando estamos neste silêncio é que surgem as “intuições”, “descobertas” e “explosões de criatividade”. Bom, só posso dizer que já tinha sentido a mesma coisa quando ficava só, de “molho” na agua morna da minha banheira, mas, devo admitir que já faz um bom tempo que venho experimentando algo similar, de outra forma: na minha relação muscular, sensual/sensorial com o meu piano acústico. Lá, sozinho, sem a crítica nem a pressão da perfeição, deixo os dedos primeiramente seguirem os seus “caminhos” já bastante conhecidos até que minha mente se esvazie das convenções e o corpo comece a caminhar por si mesmo… Daí por diante viro apenas um observador maravilhado pelos sons e viagens pelo desconhecido que saem das minhas mãos, às vezes sendo emocional, martelando as teclas, sendo dionisíaco, forçando os músculos do braço e às vezes caindo num lirismo, no apolíneo e com isto suavizando minha própria alma. Infelizmente, estes são momentos únicos, íntimos, que nunca mais se repetirão! No piano eu deCANTO minha alma e observo minha música como encantações, rituais de magia que só podem ser “entendidos” diretamente e sem palavras, por aquele que tocou naquele momento, eu...

Antonio Celso Barbieri



roland barthes
Rolando Barthes


Rolando Barthes por Rolando Barthes: o eu como um plural de charmes

Escrito por Maria Claudia Barata - Mestranda - UFRJ

No belo ensaio, “Sobre a leitura”, escrito em 1905, Proust nos diz: “a leitura é a iniciadora cujas chaves mágicas abrem no fundo de nós mesmos a porta das moradas onde não saberíamos penetrar. (...) nisto reside, com efeito, um dos grandes e maravilhosos caracteres dos belos livros, que para o autor poderiam chamar-se “conclusões” e para o leitor “incitações”. Sentimos muito bem que nossa sabedoria começa onde a do autor termina, e gostaríamos que ele nos desse respostas, quando tudo o que ele pode fazer é dar-nos desejos.” Foi, com certeza, a emergência desse desejo em nós, que fez com que nos reuníssemos aqui, durante uma semana, para que através das diversas releituras que empreenderemos sobre o texto de Barthes, pudéssemos, de um certo modo, novamente reencontrá-lo. Analogamente, Roland Barthes é sem dúvida um desses autores para quem o desejo foi o vetor que direcionou seu trabalho como teórico, como professor, como leitor e como escritor.

O essencial de toda a pesquisa a que se dedicou Roland Barthes encontra-se em germinação desde as suas primeiras obras, porque se trata sempre de colocar em circulação o desejo através da própria atividade de escritura. Por isso, talvez, no caso de Barthes, esse desejo pode tornar-se sinônimo de literatura, de escritura e de texto, como ele viria a declarar durante o pronunciamento de sua aula inaugural no Collège de France, em 1977: “Entendo como literatura, não um corpo ou uma seqüência de obras, mas a inscrição complexa dos traços de uma prática: a prática de escrever”. Também em um texto anterior (“Vidas paralelas”), e exatamente a propósito de Proust, Roland Barthes nos adverte: “Não existe autor, nem personagem, existe apenas a escritura”.

A escritura é esse neutro, lugar de esfacelamento de toda a identidade, e que não explica coisa alguma; ao contrário, ela é, para utilizarmos a expressão de Maurice Blanchot, a palavra infinita, que insiste em voltar sobre si mesma, sobre suas pegadas, em eterna deriva. Não se trata, portanto, no que se refere à tarefa do crítico, de conhecer o motivo secreto de uma vida, mas, trata-se sobretudo, de encontrar o sentido que um autor pode dar a essa busca interminável que é a escritura. Para Barthes, diante de todo texto, a pergunta não seria “o que o autor nos esconde”, mas, precisamente, “por que ele escreve”.

Na escritura moderna já não se pode mais “contar o eu”, porque este já não possui um estatuto de pessoa e, o diário, por sua vez, enquanto exercício da subjetividade, não pode mais ser concebido como uma estrutura linear, pois o que a atualidade literária convoca é a dúvida, a suposição, a ambigüidade, o estremecimento das noções de verdade e equivalência. Em seus textos, Barthes desmonta, perturba, ridiculariza o pré-concebido, bascula os valores, os fetiches; a todo instante, ele “desloca”, isto é, rejeita a repetição, a tese, a doxa, a autoridade, e opta pelo corte, pelo zigue-zague, pelas fugas, como em música: Schumann, por exemplo, constante referência. Por isso, talvez, tenha sido tão importante para Barthes interrogar o estereótipo: “A verdade está na consistência, diz Poe. Portanto, aquele que não suporta a consistência, se fecha a uma ética da verdade; ele larga a palavra, a oração, a idéia, logo que elas “pegam” e passam ao estado de sólido, de estereótipo”, escreve Barthes em 1975, em Roland Barthes por Roland Barthes. É precisamente nesse livro que essa “ética da verdade” estabelecerá uma relação inegável com a memória e a noção de escritura “autobiográfica” no texto de Barthes.

A contra-capa de Roland Barthes por Roland Barthes traz, em reprodução fac-símile do manuscrito de Barthes, a seguinte menção: “Tudo isto deve ser considerado como dito por uma personagem de romance”. O livro não é, então, uma autobiografia. No princípio, tratava-se de um jogo que poderia tornar-se perigoso do ponto de vista estético, porque refaria um sistema exatamente onde Barthes desejava romper com o espírito de sistematização. Ou como em suas próprias palavras: “No começo do projeto desse livro, acreditei que faria um pastiche de mim mesmo, ao empreender a crítica literária de alguém que, por acaso, teria sido eu.” O sujeito não corresponde à sua imagem, nem guarda com ela qualquer semelhança. Também não pode fixar-se no espelho ou em uma fotografia, pois esses dispositivos só remetem ao aspecto congelado, cristalizado e petrificado da identidade, como ele próprio esclarece na legenda que acompanha duas fotos, uma de 1942 e a outra de 1970: “Mas eu nunca me pareci com isto! – Como você sabe? Que é este “você” com o qual você se pareceria ou não? Onde tomá-lo? Segundo que padrão morfológico ou expressivo? Onde está seu corpo de verdade? Você é o único que só pode se ver em imagem, você nunca vê seus olhos, a não ser abobalhados pelo olhar que eles pousam no espelho ou sobre a objetiva (interessar-me-ia somente ver os meus olhos quando eles te olham): mesmo e, sobretudo quanto a seu corpo, você está condenado ao imaginário”.

Mesmo a idéia de escrever um diário a partir de fragmentos dispersos apenas opera um retorno da ilusão de identidade: “tenho a ilusão de acreditar que, ao quebrar meu discurso, cesso de discorrer imaginariamente sobre mim mesmo, atenuo o risco de transcendência; mas o fragmento (o haicai, a máxima, o pensamento, o pedaço de diário) é finalmente um gênero retórico, e como a retórica é aquela camada da linguagem que melhor se oferece à interpretação, acreditando dispersar-me, não faço mais do que voltar comportadamente ao leito do imaginário”.

Em Roland Barhes por Roland Barthes, o sujeito desaparece, tornando-se o fantasma, o duplo, a sombra ou qualquer coisa que n ão é ele mesmo, espécie de sensação ausente cuja presença só pode ser percebid a entre as palavras. Na verdade, o sujeito está sempre ao lado de si mesmo, mas como ausência. Lembramos que no texto Deliberação, publicado na revista Tel Quel, em 1979, Barthes substitui a pergunta “quem sou eu?” por “sou eu?”, explicando talvez, porque no seu Roland Barthes por Roland Barthes, aquele sujeito-ausente é colocado em cena através do álbum de fotografias e de uma série de fragmentos intitulados, de tal modo que alguns constituem um metatexto fragmentário que se refere ao próprio teatro do imaginário. Para tanto, Roland Barthes estabelece a utilização multiforme dos pronomes pessoais, e quatro procedimentos de enunciação atravessam esses fragmentos: o
“eu” que mobiliza o imaginário; o “ele” colocado à distância e que permite ao sujeito tornar-se ausente de si mesmo; e o “tu” que aparece nas seqüências de auto-acusação. Por fim, a notação “RB” aparece com freqüência para desfazer a ambigüidade do pronome de 3° pessoa do singular.

Em uma entrevista, falando a respeito de seu livro, Barthes esclarece: “Eu quis tecer uma espécie de cintilação de todos e sses pronomes para escrever um livro que é efetivamente o livro do ima ginário, mas de um imaginário que tenta se desfazer, no sentido em que se desfaz um estofado, se esfiapar, se despedaçar através das estruturas mentais que não são apenas aquelas do imaginário, sem serem tam pouco a estrutura da verdade”. A encenação desse imaginário é ainda possibilitada pelo fragmento, pela forma curta, pela nota – todas elas formas tão caras à escritura de Roland Barthes. Essas formas curtas, que vêm exatamente cindir a tessitura lisa do discurso, deslocar a continuidade, impedem que um sentido linear se estabeleça, obrigando-o, ao contrário, à dispersão, à disseminação, pulverizando as frases e constituindo um campo de diversidade que se solidariza com o caráter heterogêneo da escolha dos pronomes e do lugar do sujeito no texto. Isto impede ainda que este coincida com si mesmo. Esta é também a razão pela qual o “biográfico” pode tornar-se texto, sem a inconveniência de uma linearidade redutora. Múltiplas são as pistas que encontramos em textos anteriores ao livro de 1975, que vêm nos lembrar o quanto esse problema tornou-se uma obsessão para Barthes: não a identidade, mas o que a excede.

Em O prazer do texto (1973), Barthes propunha o recurso da “ficcionalização da identidade”: “então, talvez, o sujeito retorne, não como ilusão, mas como ficção. Um certo prazer é extraído de um modo de se imaginar como indivíduo, de se inventar uma última ficção, bastante rara: a ficção da identidade. (...) uma figuração, através da qual o autor pode aparecer em seu texto (Genet, Proust), mas completamente destituído dos preceitos da biografia direta.” No célebre artigo A morte do autor (1968), Barthes escreveu:“Em Sarrasine, Balzac, ao falar de um castrado disfarçado de mulher, escreve: ‘Era a mulher com seus medos repentinos, seus caprichos sem razão, seus embaraços instintivos, suas audácias sem causa, suas bravatas e a delícia refinada de sentimentos’. Quem fala assim? É o herói de Sarrasine, interessado em ignorar o castrado escondido na mulher? O indivíduo Balzac, investido de sua experiência pessoal de uma filosofia do feminino? A sabedoria universal? A psicologia romântica? É completamente impossível saber-se, pela boa razão de que a escritura é esse neutro, esse oblíquo por onde foge nosso sujeito, esse claro-escuro no qual toda a identidade se perde, a começar por essa mesma do corpo que escreve”. Mesmo quando em Sade, Fourier, Loyola (1971), Barthes fala de um “retorno amigável do autor”, também não é de modo algum para reabilitar a noção de identidade: “O autor que volta não é certamente aquele identifi cado por nossas instituições (história e ensino da literatura, da f ilosofia, e o discurso da Igreja); não é nem mesmo o herói de uma biografia. O autor que vem de seu texto e entra em nossa vida não tem unidade; ele é um simples plural de “charmes”, o lugar de alguns detalhes pinçados, um canto descontínuo de amabilidades[...]”

Roland Barthes por Roland Barthes traz à leitura esse plural de charmes de um sujeito pulverizado, porque se trata de um ‘eu’ aberto a um universo de possibilidades, à fratura, à fenda, ao jogo, ao ind ecidível, a um “mais além” de si mesmo, pois, este sim poderia estar perigosamente c ongelado na identidade, na doxa, no estereótipo, porque preso à linearidade do biográfico. Ainda assim, estão inscritos no texto todos os lugares comuns do biogr áfico: narrativa fragmentária da infância, pequenas notas e historietas, os anos de formação intelectual. Mas, todos esses elementos aparecem deslocados, desconstruídos , revirados de tal modo que biográfico e romanesco sejam embaralhados no exercí cio autoficcional do texto. Ao refletirmos sobre o texto dito autobiográfico, seja através do diário, de memórias, ou mesmo de textos em que se tenta dissim ular a origem pessoal e íntima das construções teóricas, a injeção de ver dade e de ficção é a mesma. Apenas as proporções de cada uma se apresentam diferentes e a habilidade de escritura as mistura. Eis talvez porque Roland Barthes considerasse a autobiografia como um gênero incerto: texto escrito “entre aspas incertas”. Lembramos aqui a voz de Gide, autor que lhe foi tão querido, e que teve seu diário como objeto do primeiro texto de Barthes: “Eu sou um ser de diálogo; tudo em mim se combate e se contradiz. Muitas vezes, me convenço de que fui obrigado a escrever porque só assim eu poderia equilibrar esses elementos tão diferentes que, caso contrário, ficariam para sempre a se combater ou ao menos a dialogar em mim. (...) as memórias são apenas meio sinceras, tanto maior a preocupação com a verdade; tudo é sempre mais compl icado do que dizemos. Provavelmente, nos aproximamos mais da ver dade no romance”.

Compreendemos que, nos dois casos, em Gide e no liv ro de Barthes, não é o romance que busca uma autenticidade, mas é a autent icidade que procura ficcionalizar-se. Devemos ter em mente que a partir dos estudos elaborados pela psicanálise, não mais podemos abordar o romance nem a autobiografia como gêneros puros, separados, impermeáveis; um e outro se misturam. Os dois registros se nutrem paralelamente de esquecimentos, de lapsos, de atos falhos e de outros diversos sintomas de uma evidente e permanen te psicopatologia da vida cotidiana. Pouco importa se estamos diante de roman ces autobiográficos ou de autobiografias romanescas, ou mesmo da novidade que é o texto concebido por Barthes; “o romanesco sem o romance”, a partir da t entativa de fazer coexistir fragmentos esparsos, trechos dispersos através da p rópria existência, múltiplas fulgurações em um ensaio no qual a escritura é toma da como prática viva. Tal é a natureza do espetáculo apresentado em Roland Barthes por Roland Barthes.

Livro que nos previne e alerta: “com o álibi da dissertação destruído, acaba-se por chegar à prática regular do fragmento; e depois, do fragme nto desliza-se para o diário”. Escrito em 1975, muito do que foi proposto nesse livro, mostra-se como uma notação inicial ao projeto futuro de conceber a escritura de um diário, como Barthes fizera notar em O rumor da língua (coletânea de ensaios publicada em 1984), sobretudo em um de seus textos capitais: “Durante muito tempo deitava-me cedo,” escrito em 1978. Não é apenas quanto ao título que o texto de Barthes prevê ligações com o de Proust. Elas estão presentes nas teorizações articuladas ao longo do ensaio supracitado, nos próprios fragmentos reunidos em Roland Barthes por Roland Barthes, ou mesmo na evocação afetiva da fotografia em A câmara clara, ou ainda na primeira parte de Incidentes, livro publicado depois da morte de Barthes, intitulada “A luz do Sudoeste”, em que lemos a melancólica conclusão de que só existem os países da infância. Aquela Bayonne mencionada, entrevista e re-visitada em imagens nas páginas iniciais de Roland Barthes por Roland Barthes, acompanhada da legenda: “Bayonne, Bayonne, cidade perfeita: fluvial, arejada por sonoras cercanias ( Mousseroles, Marrac, Lachepaill et, Beyris), e, no entanto, cidade fechada, cidade romanesca: Proust, Balzac, Plassans”. O prazer da memória do corpo reconstrói uma imagem que é da ordem do deslocamento, da flutuação e, talvez por isso, simpática ao “dandismo”, e que se pode reconhecer na escritura fragmentada desse livro: “É dandyaquele que não tem outra filosofia senão vitalícia: o tempo é o tempo da minha vida”. É como se novamente pudéssemos ouvir a voz de Proust: “Amei muito a vida; amei muito a arte; Nesse momento, esses sentimentos me parecem muito preciosos; É como uma coleção; abro a mim mesmo o meu coração como uma espécie de vitrine”. Parece-nos que podemos distinguir como traço essencial, no centro do exercício de despersonalização operado em Roland Barthes por Roland Barthes, a escolha de uma sintaxe temática e analógica em lugar da narrativa cronológica. É, sobretudo, na fragmentação, na adição, na relação metafórica ou metonímica que o texto de Barthes procura representar esse irrepresentável, esse ser móvel, passageiro, que a escritura acompanha e de quem ao mesmo tempo se perde. Mesmo se um autor começa por pensar a identidade sendo conforme a si mesmo, a escritura vem constatar que ele só poderá congeminar sua heterogeneidade, enumerar suas variantes. Montaigne em seus Essais, Valéry em seus Cahierse mesmo Barthes em seu Roland Barthes por Roland Barthes fizeram, cada um a seu modo, do descontínuo em si mesmos o motor de uma tarefa que só viria a conhecer a unidade na totalidade constelada dos seus textos. Roland por Roland Barthes simula um diário enquanto cria o romanesco em cada fragmento. Não a linearidade aparente de um trajeto, mas as inflexões, os detalhes, uma vida feita de aberturas, invasão de significantes inesperados. Ou, muito precisamente, aquilo a que Roland Barthes já se referia em 1953, em seu primeiro livro, O grau zero da escritura, como “o que cai como uma folha sobre o tapete da vida”.

Maria Claudia Barata
Mestranda - UFRJ

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Halloween: Conheça o significado!

escrito por Antonio Celso Barbieri

As celebrações de Halloween, considerado a noite do ano em que os fantasmas, bruxas e fadas estão mais ativos, começaram na Inglaterra e no resto do Reino Unido e são festejados todos os anos na noite do dia 31 de outubro. 

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Porque o povo celebra Halloween?

Ninguém sabe precisamente quais são as origens de Halloween. No entanto, o que se sabe com certeza é que o dia de Halloween acontece exatamente antes de duas datas importantes, vejam a sequencia abaixo:

1) 31 de outubro: celebra-se Halloween.
2) 01 de novembro: celebra-se o dia de “Todos os Santos”. Um dos dias mais importantes dias do calendário da Igreja Católica Romana.
3) 02 de novembro: celebra-se o dia da comemoração do festival pagão Celta chamado Samhain. No Brasil é conhecido como o Dia de Finados.

Nestes 3 dias, entre 31 de outubro e 02 de novembro, acontecem celebrações Pagãs e Cristãs misturadas de uma forma fascinante, um perfeito exemplo da superstição lutando contra as crenças religiosas.

Atualmente, muita gente acredita que as festividades de Halloween se originaram na Irlanda e Escócia no Samhain como um festival pagão Celta de lembrança e comemoração aos mortos. Entretanto, não existe evidência de que tenha existido uma conexão com os mortos no tempo pré-Cristão (Fonte: livro Stations of the Sun escrito por Ronald Hutton páginas 360-70).

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Alguns fatos importantes

Você sabia que os ancestrais ingleses celebravam o Ano Novo no dia primeiro de novembro? Então, a passagem do ano acontecia no dia 31 de outubro (agora dia de Halloween). Samhain (pronunciado sow-in) marcava o final da Estação do Sol (Verão) e o começo da Estação da Escuridão e do Frio (Inverno).

Nem a palavra Halloween e nem da data 31 de outubro são mencionadas em qualquer texto Anglo-Saxão, indicando que, há uns mil anos atrás, este dia era apenas um dia comum como qualquer um.

Desde o Período Medieval (1066 - 1485) até o Século 19 não existe nenhuma evidência de que o dia 31 de outubro fosse nada mais do que a véspera do Dia de Todos os Santos.

Só a partir do Século 19 até hoje, é que o dia 31 de outubro tem cada vez mais ganho popularidade e a reputação de ser a noite em que fantasmas, bruxas e fadas estarão mais ativas. O Brasil é mais um caso patético mostrando como, infelizmente, o Terceiro Mundo, culturalmente, está à mercê do capitalismo internacional que lança modismos com a única intenção de aumentar as vendas.

Primeiro de novembro: Dia de Todos os Santos

Foi no ano de 835 que a A Igreja Católica Romana definiu o dia primeiro de novembro como sendo o Dia de Todos os Santos. Muito embora ele seja um dia festivo ele é um dia que precede o Dia das Almas, então no Período Medieval ficou costumeiro rezar pelos mortos no Dia de Todos os Santos.

Halloween, de onde veio o nome

Outro nome para o Dia de Todos os Santos é All Hallows (hallow é uma palavra que no inglês arcaico significa  santo). Então, como Halloween acontece na última noite de outubro ele era conhecido como All Hallows Eve.

A palavra Halloween vem de All Hallow Even. A palavra Even vem de eve (a noite anterior) do dia All Hallows. Portanto, Halloween significa ‘a noite anterior ao Dia de Todos os Santos’.

O que existe em comum entre os Celtas e Halloween?

Espíritos Diabólicos

The Celtas acreditavam que os espíritos malignos vinham com o aumento das horas de escuridão trazidas pelo inverno. Por exemplo, no inverno, no Reino Unido chega um período que lá pelas 3 da tarde já é noite. Portanto, no dia 31 de outubro era o dia em que as barreiras entre o mundo dos espíritos e dos vivos estavam mais fracas e, como resultado, espíritos poderiam ser vistos perambulando entre os vivos.

Fogueiras

Os Celtas faziam enormes fogueiras com a intenção de espantar os espíritos. Eles também comiam, bebiam, cantavam e dançavam envolta das fogueiras.  As fogueiras também traziam conforto para as almas no Purgatório e o povo rezava para elas enquanto as fogueiras queimavam bem alto. Cabe lembrar que para este povo o Purgatório era um lugar onde as almas eram punidas “temporariamente” pelos seus pecados. Só depois que estas almas tivessem pago pelos seus pecados, é que elas eram permitidas à irem para o Paraíso.

Na Inglaterra o dia das fogueiras tornou-se o dia 5 de novembro e é conhecido como Bonfire Night, que é o dia do aniversário da tentativa de explosão do Parlamento Inglês usando barris de pólvora em 1605. Há pouco mais de 400 anos atrás um homem chamado Guy Fawkes juntamente com um grupo conspiradores tentou explodir o Parlamento colocando barris de pólvora no subsolo deste prédio. Ele queria matar o Rei James e os líderes políticos ligados a ele. O fato desta data ser próxima a Halloween não é nenhuma coincidência! Halloween e a Noite das Fogueiras tem uma origem comum que nos leva ao paganismo Celta quando os maus espíritos da escuridão tinham que ser expulsos com muito barulho e fogo.

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Alguns costumes ligados à Halloween

Na cidade de Lancashire, 'Lating' ou 'Lighting the witches' (acender ou queimar as bruxas) era, nesta data, um costume importante. As pessoas carregavam velas desde as 11 horas da noite até meia-noite. Se a vela queimasse normalmente até a meia-noite, significava que tudo estaria seguro durante aquela estação do ano, mas, se uma bruxa (invisível) soprasse e apagasse a vela, nem preciso dizer, que significava que maus agouros estavam a caminho.

Em algumas partes do norte da Inglaterra, Halloween também era conhecido como Nut-crack Night (a noite do quebra-nozes). Nozes eram colocadas no fogo e de acordo com o comportamento das chamas, previsões sobre traições no amor e sucessos e falências no casamento eram feitas.   

Nesta mesma data existia outro costume em partes da Inglaterra chamado Snap Apple Night (algo como “achar a maçã” ou “morder a maçã”). Trava-se de um jogo onde uma maçã era pendurada por um barbante e as pessoas tinham que mordê-la sem o uso das mãos. Existia também uma variação do jogo usando uma vareta com uma maçã espetada de um lado e uma vela acesa do outro. Vareta gira e a pessoa tem que morder a maçã sem o uso das mãos e, evitando a vela.

Ainda, na Inglaterra, em alguns lugares Halloween é combinado com Mischief Night (noite da malícia, da trapaça ou da mentira) equivalente ao nosso dia Primeiro de Abril (Dia da Mentira) que na Inglaterra acontece no dia 4 de novembro. Aliás, no Brasil, em Brasília, no Senado, infelizmente todo dia é Dia da Mentira!

Outro costume de onde Halloween pode ter emprestado alguma ideia, pode ter vindo da Europa do século 19, chamada “souling” (soul = alma). Este era um costume cristão onde neste mesmo período as pessoas pediam para seus vizinhos “bolos de alma”.  Acreditava-se que mesmo estranhos poderiam ajudar as almas, na sua jornada para o Paraíso, com orações. Então em troca por um bolo o presenteado prometia rezar para os parentes, já falecidos, do doador do bolo.  

Ainda hoje na Inglaterra no dia de Halloween grupos de crianças batem nas portas dos vizinhos fantasiados na espera de ganhar doces. Tempos atrás abrimos a porta e nos deparamos com algumas crianças fantasiadas, tímidas e todas sem jeito... Isto me fêz lembrar minha esposa que temos que comprar uns doces! :-)

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Nota: Para aqueles que se interessam pelo oculto, sugiro que leiam o meu livro O Livro Negro do Rock. Trata-se de um livro cheio de informação que mostra não só as ligações do Rock com o Oculto, mas também discute corajosamente nossas crenças e fornecesse algumas ferramentas para ajudar os leitores na busca das suas verdades quais quer que elas sejam. Cliquem no link ao lado para adquirirem O LIVRO NEGRO DO ROCK (cliquem aqui).

Antonio Celso Barbieri

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A Ciência sendo atacada por todos os lados pela ignorância!

Escrito por Antonio Celso Barbieri

“A turma do não”, um pequeno grupo de pessoas, geralmente de extrema direita e à serviços de grupos multinacionais estão destruindo a lógica e o bom senso. Exemplos:

Aquecimento Global – Não existe!
A Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin – Nunca aconteceu!
A descida na Lua – É mentira!
Vacinações – Podem levar ao autismo!
Alimentos Geneticamente Modificados – São coisas diabólicas!


Tem gente que gosta de validar as afirmações acima com o simples ditado ”onde há fumaça, há fogo!”. Na Internet teorias conspiratórias abundam. Bom, não nego que exceções existam, mas a coisa não é bem assim e, muito embora para alguns os motivos destas afirmações sejam resultados de buscas sinceras baseadas em informação séria, a maior parte das pessoas parecem terem sido dominadas por “memes”. Memes são algo como "palavras chaves", ou “vírus verbais” sem a mínima base científica,  massificadas através das redes sociais à ponto de, como uma praga, espalharem-se contaminando todo mundo e ganhando o status de “certeza absoluta”. Um “meme” funciona quase como o conceito de  “ícone” na semiótica. Na semiótica pode acontecer o caso de uma marca de um produto tomar o papel da sua função.  Como exemplo cito a marca “Bom Bril”  que acabou tomando o lugar da palavra “palha de aço”. Na Inglaterra o exemplo mais marcante é o do aspirador de pó “Hoover” que acabou virando o verbo “to hoover” (Aspirar o pó). O conceito de "meme" foi criado pelo zoólogo e escritor Richard Dawkins, em 1976, quando escreveu no livro "The Selfish Gene" (O Gene Egoísta) que tal como o gene, o meme é uma unidade de informação com capacidade de se multiplicar, através das ideias e informações que se propagam de indivíduo para indivíduo. Os memes constituem um vasto campo de estudo da Memética. A ideia de meme pode ser resumida por tudo aquilo que é copiado ou imitado e que se espalha com rapidez entre as pessoas. Como a internet tem a capacidade de abranger milhares de pessoas em alguns instantes, os memes de internet são virais.

Considerando-se que a geração atual, a Geração Internet,  é avessa à leitura de textos longos limitando-se à, no máximo, poucos parágrafos, as redes sociais com destaque para Twitter e FaceBook  viraram plataformas perfeitas para propagar memes, onde por exemplo a velha associação do “comunismo” com o “Diabo” corre solta.  Ninguém realmente perdeu tempo para pesquisar à fundo quem é o Diabo e o quem ele representa. Obviamente vivemos em um país católico e a visão bíblica e distorcida do Diabo é a que prevalece. Da mesma forma, aqueles que se dizem “ateus” imediatamente são associados com “seres imorais e corruptos”.  É uma grande infelicidade vermos as redes sociais usando tecnologia de ponta para agredir a ciência que ultimamente foi a responsável pela sua própria criação.

Não existe melhor forma de controlarmos uma sociedade do que confundi-la, espalhando desinformação e mentira, criando o medo diário de revoluções e doenças, de catastrofes e pragas eminentes. Hoje comer uma coisa é bom para saúde, amanhã já não é mais. Nas TVs somos agredidos com a violência urbana de manhã até à noite. Por medo, muitos acabam prisioneiros dentro de seus próprios lares. À vários anos atrás, quando perguntei ao lendário músico Alice Cooper, que usando uma guilhotina, chegou a simular a sua própria decapitação no palco, como estava no rock o ato de "chocar", ele respondeu que o choque no rock não existia mais porque não dava para competir com o canal CNN mostrando todos os dias corpos mortos e mutilados pelo chão de cidades assoladas pela guerra. Ele disse que a sociedade agora é dominada pelo "rumor" geralmente infundado.

O borbardeio "memenico" é implacável, ele funciona 24 horas por dia e, em todos os meios de comunicação. Ao cidadão normal, o resultado deste bombardeio sensorial é emocionalmente muito desgastante e resulta em um estado contínuo de confusão mental. Como lutar contra a corrupção? Quem está falando a verdade? Como enxergar através desta malha mediática ilusória?

A única solução é entender como funciona a transmissão de informação, não aceitar nada sem critica-la e sempre compara-la com outras fontes, tentando descobrir à quem estas fontes estão servindo. Já no tempo dos romanos nos seus julgamentos era costume fazerem uma pergunta essencial: "QUEM GANHA COM ISTO!"

Aparentemente, existe um esforço conjugado feito por grupos inescrupulosos, trabalhando intensamente, batendo sempre na mesma tecla, com a única intensão de fazer uma lavagem cerebral em grande parte da sociedade buscando conduzir a nossa civilização para uma nova Idade Média para um estado de caos que justifique mais medidas antidemocráticas. A coisa é simples confundir tanto o povo que ele acabará pedindo a ditadura e acreditem, esta ditadura não será trazida, como se pensa pelos militares, e sim pelo partido no poder. George Orwell deve estar rolando na sua cova!

Entendam que, inteligência, nunca esteve em alta! Um povo pensante é improdutivo para qualquer governante. É pura dor de cabeça! Ninguém quer alguém respirando na sua nuca checando tudo que se faz, especialmente quando tem tanto poder e dinheiro em jogo. Portanto, instaurar a confusão foi a solução encontrada.

A ciência pura sofre muito porque depende de dinheiro para pesquisa e, portanto, já faz um bom tempo que vem perdendo a sua independência sendo dominada por interesses corporativos mais interessados pelo lucro fácil. Isto fica bem claro quando examinamos a indústria farmacêutica, a indústria da alimentação, a indústria ligada à energia e naturalmente a indústria bélica:

A indústria farmacêutica não tem interesse na erradicação completa do câncer, pressão alta,  problemas cardíacos, soro positivo e por aí vai.  A venda de remédios gera bilhões e bilhões de dólares e, a ideia de uma política voltada à prevenção das doenças é impensável. O Terceiro Mundo frequentemente é usado como cobaia pela indústria farmacêutica para testes de seus novos produtos e, vários casos de vacinas responsáveis por causar efeitos colaterais terríveis e permanentes já foram encontrados. Tudo isto bate de frente e corrói a imagem da ciência como uma geradora de benefícios para a humanidade.

A indústria da alimentação (onde incluo a indústria do álcool e do tabaco) por seu lado parecem até que estão associadas com a indústria farmacêutica porque o excesso de sal, açúcar e gorduras colocado nos alimentos são responsáveis pelo surgimento de uma sociedade formada por obesos com todas as doenças esperadas.  Tudo é muito óbvio mas a ideia plantada pela "turma do não" é a de que o governo não pode ser “pai e mãe” da sociedade e que o indivíduo “é responsável pelos seus próprios atos”.  É tudo teoricamente muito bonito mas quando o povo é bombardeado dia e noite por “memes” consumistas, idealizadas por especialistas em comunicação de massas e psicologia de vendas, fica difícil resistir e, no fundo, esta atitude é realmente criminosa.

A indústria ligada à energia, quer “queimar combustível” e insiste que o mundo deve continuar usando petróleo. Petróleo implica numa luta mundial para controle de suas reservas estratégicas. Quem controlar todo o petróleo do mundo, ultimamente controlará o Planeta Terra.  Então, não é surpresa percebermos como tem levado tanto tempo para que os governos, todos controlados por lobistas desta indústria, aceitem a sua culpabilidade pelo aquecimento global que, está transformando o clima do planeta para pior à olhos vistos...

A indústria bélica por sua vez, através do fenômeno da “terceirização” onde por exemplo nos Estados Unidos generais aposentados abrem empresas de prestação de serviços ligadas ao governo resultado numa guerra terceirizada onde várias empresas se beneficiam criando uma infraestrutura envolvendo milhares e milhares de pessoas, nenhuma delas, interessadas com o fim das guerras. É justamente esta política que é responsável pelo fomentação do extremismo muçulmano. Outro fenômeno bem usado é a "guerra por proxy" onde países europeus e de Terceiro Mundo entram em guerra em nome dos Estados Unidos e passando à serem grandes consumidores das suas armas. No final das contas, apoiado por um discurso altamente democrata e permeado de justiça e liberdade para os povos, a indústria bélica efetiva a política internacional Norte Americana que por sua vez é dirigida por interesses estratégicos de várias empresas ligadas ao mesmo governo.

Portanto, a ciência é um joguete na mão destes interesses todos. Como já disse muitas vezes, a ciência é boa, mal é o uso que a humanidade faz dela! Todos os dias descobertas fabulosas acontecem mas, elas são filtradas pelos poderes econômicos e apenas aquelas descobertas que interessam ao sistema são levadas à frente. O caso do motor de carro movido à água é um dos casos mais conhecidos. Aparentemente a patente foi comprada e o projeto engavetado.  Dos casos mais marcantes e infelizes é o relativo ao grande cientista e inventor Nikola Tesla.  Ele é o pai da eletricidade alternada (a luz que acende a sua casa funciona com ela). Ele também foi responsável pelos estudos iniciais que resultaram na invenção do telefone e ele foi o inventor do motor elétrico e do transformador. A importância de Tesla para a sociedade moderna é imensurável. Algum tempo depois de imigrar da Sérbia para os Estados Unidos Tesla conseguiu arrumar um investidor chamado George Westinhouse. Este investidor possuía muitas minas de cobre e tinha interesse em cobrir o país com cabos elétricos portanto para ele a eletricidade foi uma boa fonte de lucros. Não muito tempo depois de iniciarem a eletrificação das cidades,  Tesla chamou o seu investidor e explicou que transmitir eletricidade por cabos elétricos era uma ideia obsoleta porque ele já estava desenvolvendo tecnologia  para transmitir eletricidade sem fio (wireless). O homem não gostou nada! Logo depois, uma noite, seu laboratório misteriosamente pegou fogo e a polícia veio e confiscou todos os seus estudos. Tesla perdeu o suporte de todos e morreu esquecido em um quarto de hotel, descreditado e sendo tratado como um lunático. Curiosamente, à poucos dias, a Sansung informou que o seus novos telefones celulares modelos "Galaxy S6" e "Galaxy S6 edge" não terão cabos e serão recarregados via wireless usando a mesma tecnologia inicialmente pesquisada por Tesla. No Youtube existem vários experimentos mostrando como funciona esta tecnologia.

Mas, estes interesses econômicos não são apenas os únicos inimigos da “ciência pura”. O extremismo religioso católico representado pelas Igrejas Evangélicas e o extremismo religioso muçulmano propagado pelos países árabes fazem uma guerra sem tréguas negando, entre outras coisas, a teoria evolucionista de Charles Darwin que sugere que o homem é resultado da evolução das espécies, tendo começado no mar à partir da vida unicelular. Para estes fanáticos religiosos o homem nasceu pronto à partir de um punhado de barro. Suas afirmações não trazem provas concretas e são baseados unicamente em um livro que não passa de uma coleção de textos aprovados pela própria igreja. A Bíblia, e a maioria dos livros sagrados,  são os maiores exportadores de “memes” que eu conheço.

O próprio criador do FaceBook já afirmou que o Brasil é o maior poluidor da Internet. Infelizmente, é verdade.  Os brasileiros não exercitam um controle de qualidade nas suas postagens e confundem as redes sociais com latas de lixo.  

Os Estados Unidos virou o quartel general “da turma do não” onde o Brasil está representado pela figura execrável de um ser pretencioso chamado Olavo de Carvalho.  Este ser hipócrita fica sentado numa cadeira o dia inteiro lambendo o saco dos Norte Americanos (a propina deve ser boa). Possivelmente, um dia ele olhou no espelho e apaixonou-se por si mesmo e agora acha que ele é o Deus do Saber. Chegou ao absurdo de recentemente dar uma palestra no Youtube sobre Heavy Metal.  É patético! Ele desconhece a história do rock, acha que Black Sabbath é Heavy Metal e tenho certeza nunca ouviu um álbum do Judas Priest ou Iron Maiden inteiro. Esta pessoa, teve a audácia de dizer que o rock é um filho bastardo do country (branco) quando todo mundo sabe que o rock é o resultado da fusão do “Rhythm and Blues” com o “Country and Western” e foi originado pelos negros Norte Americanos. Juro, nunca ouvi tanta besteira na minha vida!!! Sua incompetência chegou ao ponto de dizer que dormiu assistindo Woodstock e que Santana (um latino) não toca nada! Só falta ele dizer que é filiado à Ku Klux Klan.

Deixe-me deixar claro, só porque não aceito a versão divina da nossa realidade não significa que sou corrupto. Como já disse um sábio, "Se alguém precisa de religião para ser bom, a pessoa não é boa, é um cão amestrado!".  Albert Einstein não deixa dúvidas quando diz que: “Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível”. Já prefiro Charles Bukowski um dos mestres, sem papas na língua, da Contra Cultura quando diz que “o problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas”.

Bom, estudos mostram que os ateus ou agnósticos tendem a agir mais por compaixão do que os mais religiosos. No caso deste ser infame chamado Olavo de Carvalho tipicamente quando ele perde o argumento parte para ignorância, tira a pele de cordeiro, baixa o nível verbal e mostra que ele na verdade é um resquício abominável da ditadura militar, um ser amargurado, vivendo seus últimos dias, por opção, este sim, como um lunático! Um internauta resumiu muito bem todas esta problemática religiosa dizendo:

“...A religião não melhora ninguém, apenas maquia. E pode ser perigosa! A Bíblia abre precedentes a toda sorte de crimes em nome da "justiça" de Jeová. A única vantagem, em sentido puramente social, é que o religioso é mais previsível que a pessoa comum e pode ser manipulado para o bem ou para o mal da sociedade. O religioso formal é como a antiga aeromoça, treinada para ser uma excelente pessoa dentro do avião, mas ao abordá-la em terra, verá que geralmente suas amabilidades eram pura faixada.”

Se você conseguiu ler este texto até aqui, parabéns! Você não é uma ovelha! Se não gostou do texto, espero que pelo menos tenha gostado da minha música! :-)

Nota: Minha esposa recomendou-me que não mencionasse o nome desta "criatura brasileira" porque o nome dele está transformando-se num "meme" muito negativo. Infelizmente acredito que temos que confrontar o mal para aniquilá-lo!

Antonio Celso Barbieri

orion front cover

Barbieri lança novo álbum chamado Orion!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Maio 2014,

Já fazem muitos anos que sou atraído por sons que parecem vir do oriente. Não sei explicar o porque disto. Só sei que, sempre que, no piano, toda vez que faço algum improviso estes sons surgem como se fossem do nada. Talvez seja porque passeio muito pelas teclas negras e, porque elas são agrupadas de cinco em cinco, o som resultante dos meus passeios pode parecer japonês, chinês ou coisa parecida. Durante os anos fui colecionado estas pequenas ideias e, um dia reparei que várias delas poderiam muito bem serem agrupadas em um álbum.

Este projeto provisoriamente recebeu o nome "Orient" só que, quando acabei de gravar estas 10 músicas, quando pesquisava as origens do nome Orient descobri que esta palavra veio da palavra Orion. Depois desta descoberta, achei melhor adotar este nome para este novo álbum mesmo porque, a Constelação de Orion é uma constelação bem conhecida dos céus brasileiros. Orion na mitologia era um caçador e nesta constelação, o cinto dele é representado pelas famosas "Três Marias".

Mas, voltando ao Orion, meu novo álbum, ele contém 10 músicas instrumentais muito belas, todas inspiradas na milenar cultura oriental. Trata-se de um trabalho de primeira classe, meticuloso e com uma qualidade de gravação surpreendente onde o passado e o futuro juntaram-se para brindar o ouvinte com uma música cheia de texturas, criativa e inteligente. O ouvinte certamente será levado através de uma música que caminha entre a música progressiva, eletrônica e clássica numa viagem por universos musicais agradáveis e nunca visitados. 

ORION já está com distribuição mundial através da Tunecore e pode ser encontrado à venda no iTunes, na amazon.co.uk e muitos outros lugares. Este álbum assim como os álbuns anteriores TheBrainSexyDiet e  Better Aches Than Dust também estão no Spotify para quem quiser ouvir. Prestigiem! ORION tem sido recebido muito bem! Estou muito feliz e até mesmo surpreso porque considero que minha música não é de fácil classificação. Só posso garantir-lhes que este trabalho preza pelo bom gosto e a qualidade de gravação é excelente. Prestigiem!

Antonio Celso Barbieri

orion front cover

orion back cover
barbieri
Antonio Celso Barbieri
ORION Looking for the East
inside my mind
Buscando pelo Oriente
dentro da minha mente
01  Dancing Inside the Temple (Dançando Dentro do Templo)
02  Rice Fields (Campos de Arros)
03  Richard Feynman In Japan (Richard Feynman no Japão)
04  Birds Walking Over The Black Keys (Pássaros Caminhando Sobre as Teclas Negras) 
05  Thousands of Butterflies (Milhares de Borboletas)
06  Ripples Of The Mind (Ondulações da Mente)
07  Looking for Mondrian (Buscando por Mondrian)
08 The Old and the New (O Velho e o Novo)
09 On The Road To Osaka (Na Estrada para Osaka) 
10 AbSynth (Absinto + Sintetizador)

leonard nimoy spock
Leonard Nimoy

Morre o ator Leonard Nimoy imortalizado como Spock na série de TV Jornada nas Estrelas!

Barbieri comenta como foi seu encontro com esta figura lendária!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Morre Leonard Nimoy o Spock a série Jornadas nas Estrelas! O lendário ator morreu esta sexta feita em sua casa em Los Angeles. Ele tinha 83 anos e sofria de uma doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

Esta notícia realmente foi de abalar! Spock foi para mim, na minha juventude, um companheiro e amigo. Para mim, ele foi tão importante como John Lennon, Joe Cocker e outros. Seu personagem conseguia unificar a ciência com a ética e, muito embora seu papel fosse o de um ser sem emoções, geralmente ele sempre mostrou mais bom senso do que o resto do grupo todo. A série Startrek conhecida no Brasil como Jornadas nas Estrelas foi criada pelo visionário Gene Roddenberry que pregava um planeta unificado onde não havia necessidade de dinheiro e as pessoas viviam apenas para aprender e evoluir. Este programa era claramente um programa que exportava uma imagem liberal e usou a série para discutir várias questões filosóficas muito importantes para a existência humana. Foi o primeiro programa de TV a mostrar nos Estados Unidos um branco beijando uma mulher afro americana. Mas, Spock foi muito mais do que um simples personagem. Seu poder confundiu-se com o do próprio ator uma vez que varias atitudes, frases e gestos, como por exemplo o gesto de mão e a frase "Vida longa e próspera" foram criadas por ele mesmo.

Barbieri encontra-se com Leornard Nimoy

Alguns anos depois de, em 1987, Leonard Nimoy dirigir o filme Three Men and a Baby (3 homens e um bebê), uma comédia estrelando Tom Selleck, Steve Guttenberg, Ted Danson e Nancy Travis, Leonard Nimoy esteve em Londres e hospedou-se no 47 Park Street, o hotel em que eu trabalhava como garçom no serviço de quartos.

Na verdade, eu trabalhava na madrugada. Entrava as 11 da noite e saia às 11 da manhã, quando terminava o horário de servir nos quartos o café da manhã. Trabalhava em rota. três noites sim três noites não. Era duro mas o salário era bom. Eu dividia esta rota com outro brasileiro, o meu amigo Marcos Rossini.

Geralmente, lá pelas 4 da manhã eu andava por todo o hotel coletando os pedidos do café da manha deixados pendurados nas portas dos quartos. Eu tinha que pré-organizar estes pedidos precisamente por horário e para adiantar, ja ir organizando as bandejas para que os garçons da manhã pudessem dar contas de entregar dezenas e dezenas de pedidos em poucos minutos.

Uma noite, quando fui preparar uma bandeja vi que ela pertencia à Leonard Nimoy. Fiquei emocionadíssimo pois teria a oportunidade de realmente encontrar-me com "Spock" cara-a-cara! Eu era fã absoluto (e ainda sou) desta série!

Quando meu chefe chegou bem cedo juntamente, com a turma da manhã. Eu já tinha separado a bandeja de "Spock" para eu entregar.

Imediatamente os outros garçons reclamaram porque, tendo em vista que geralmente recebíamos uma gorjeta, era norma entre os garçons levar as bandejas para os quartos em rodízio.

Meu chefe veio e disse que eu não poderia levar aquela bandeja para o quarto. Respondi que não estava interessado na gorjeta e que se não a levasse tirava meu uniforme imediatamente, ia embora e não voltava mais. Bati o pé e criei um impasse.

Um garçom falou:

"Não vê que o cara é louco!! Deixa ele ir!"

Diante da situação, todos os outros garçons concordaram.

O chefe falou:

"Você pode levar a bandeja mas fique sabendo que você não vai vê-lo. Normalmente é a sua mulher quem abre a porta. Ele ficará dentro do quarto até você ir embora."

Mesmo assim, peguei a bandeja e fui. Cheguei na frente da porta e polidamente dei uma batida.

A maçaneta virou e a porta abriu. Era Leonard Nimoy usando um roupão que o fazia parecer exatamente com o tão querido personagem.

Seu rosto sério e suas sobrancelhas não necessitavam de muita maquiagem para lembrar o personagem tão famoso.

"Bom dia senhor! Trago o seu café da manhã! O senhor quer que prepare a mesa?"

Com uma aparência solene e soberba ele balançou a cabeça em concordância. Era como se eu estivesse dentro de um filme!

Eu entrei e ele fechou a porta atrás de mim. Por dentro eu queria invadir a sua privacidade e dizer o quanto eu o admirava mas, tinha que respeita-lo e ao mesmo tempo respeitar o código de conduta do hotel e assim, garantir o meu trabalho.

O 47 Park Street na época que trabalhei era praticamente um apartamento hotel francês dentro da Inglaterra. Um simples café da manhã envolvia uma prataria danada e arranjar uma mesa em dois ou 3 minutos era um "ballet" com uma coreografia de mãos onde depois de meses e meses de experiência ficava realmente interessante de se ver.

Leonard Nimoy ficou ali de braços cruzados observando atentamente o meu trabalho.

Quando terminei, em um gesto que ja tinha feito centenas de vezes, olhei para ele, apontei para a mesa feia e disse:

"Tenha um bom café!" Ao que ele respondeu:

"Excelente! Muito Obrigado" E recebi uma gorjeta.

Quando sai do quarto e a porta fechou-se atrás de mim, juro que um sorriso de orelha a orelha apareceu no meu rosto. Parecia que eu estava dentro de um contos de fada. Era como seu acabasse de ter visto o próprio Papai Noel ou coisa parecida!

Este encontro ficará para sempre no meu coração!

Caro Leonard Nimoy espero que você tenha ido desta para outra bem melhor!!!

Antonio Celso Barbieri

47 park street 01
A entrada discreta do Hotel 47 park street.

47 park street 02
Hotel 47 park street.

47 park street 03
Hotel 47 park street.

Carta à Presidente Dilma Rousseff
escrito por Antonio Celso Barbieri

 

Londres, 27 de outubor de 2014

Cara Senhora Presidente,

À 4 anos atrás, já não estava satisfeito com seu governo e portanto votei na Marina. Até aquele momento ela parecia consistente nas suas ideias e sua carreira parecia impecável. Como obviamente Vossa Excelência sabe, Marina não foi eleita. Infelizmente, nos 4 anos que se seguiram Marina mostrou-se uma politiqueira sem escrúpulos, mostrando uma sede de poder acima de qualquer idealismo sério. Marina trocou de partido como uma pessoa troca de camisa, aliou-se à partidos dúbios e sua postura evangélica aliada a sua incompreensão do homossexualismo, mostrou-me claramente que esta mulher não era mais uma candidata viável à Presidente.

Bom, os 4 anos se passaram e as eleições chegaram novamente. Vários candidatos à Presidente surgiram. Muitos deles sem real possibilidade de vitória. Os únicos 3 candidatos com real possibilidade de ganhar as eleições de 2014 foram: Vossa Excelência, Marina e Aécio Neves. Se eu votasse em qualquer um dos pequenos seria um voto de protesto que na verdade tiraria o voto de um dos grandes e, indiretamente, esta minha atitude apenas poderia ajudar à eleger um mau candidato.

Bom, acredito que vivemos numa sociedade absurdamente egoísta onde seu povo não vota pelo bem do Brasil mas sim apenas pelo bem do seu próprio bolso.

Não moro no Brasil mas, tenho consciência de que se morasse aí, meu poder aquisitivo teria caído no seu governo. Mas também, reconheço que para muitos brasileiros, aqueles vivendo na pobreza absoluta, as coisas melhoraram. Para este povo muito pobre o Brasil progrediu muito. Sinceramente, não posso ser assim tão egoísta sacrificando o bem estar de milhões de brasileiros em favor do meu benefício próprio.

Realmente não gosto do seu estilo de governo, não gosto da sua imagem na frente das câmeras, nos tratando como crianças e parecendo uma diretora de escola pública. Vossa Excelência deveria orientar-se tentando espelhar-se em Angela Merkel, a Primeira Ministra da Alemanha. Espelhar-se não só na sua postura pública como parlamentar mas também na forma como ela comanda economicamente o país mais poderoso da Comunidade Europeia.

Então, nestas eleições, pelos motivos já explicados não votei na Marina e também não votei no Aécio Neves, candidato que já vinha com um carimbo de corrupto estampado na testa. O homem representa o tipo de capitalismo vendido que eu desaprovo.

Bom, confirmo que por uma falta de opção melhor, Vossa Excelência ganhou meu voto! Entenda que, não foi fácil fazer esta escolha!

Desde já lhe informo que este seus 4 anos que começarão em breve, serão observados de perto não só por mim mas também pelos quase 50% da população brasileira que não aprovou a continuidade do seu governo.

Esta é a última chance do PT para por a casa em ordem. Aqueles que votaram em Vossa Excelência estão clamando por justiça social, fim da corrupção (com prisão e restituição do dinheiro roubado), segurança, educação de nível internacional e saúde de verdade. Tudo honesto, sem poupar dinheiro e sem desvio de verbas!

Aproveito esta oportunidade para lembra-la que o tempo do culto à personalidade tipo Mao Tse Tung, Lennin, Trotsky, Fidel Castro e Lula já não cabem para esta realidade. Não queremos mais a figura populista de um "Pai da Nação". Queremos apenas um administrador honesto e eficaz!

Neste seu mandato de 4 anos esqueça o Lula, reestruture o PT como um partido inteligente, íntegro e capaz de escutar os anseios populares.

Sei que seus próximos anos não serão fáceis! A imprensa comprada não lhe dará tréguas! Portanto não ignore as denuncias! Puna imediatamente os culpados! Não deixe uma sombra negra pairar sobre a sua cabeça por meses e meses.

Boa sorte!

Antonio Celso Barbieri

As Eleições de 2014: Barbieri versus Galoa
Um salutar debate de ideias entre Barbieri e João Carlos Galoa Neto


Tudo começou quando coloquei uma mensagem na minha página do FaceBook confessando meu dilema quanto ao voto a presidente e, informando que decisão tomei e porque.

Como era de se esperar fui bombardeado por uma grande quantidade de críticas. Dentre estas críticas, uma destacou-se. Foi a feita por João Carlos Galoa Neto que, defendeu suas ideias de forma construtiva, educada e inteligente.

No final, não acredito que o nosso debate tenha tido um vencedor. Mas, acho que certamente nos inriqueceu intelectualmente e poderia muito bem servir de exemplo à muitos amigos que até tornaram-se inimigos nestas eleições. Eu reafirmo minha convicção de que quando, numa argumentação, a emoção toma conta ela deixa a razão de lado, substituindo-a pela fé cega. Isto é uma coisa muito triste e até perigosa! Temos que nos esforçar para mantermos a ética, a lógica e a razão acima de tudo!

Abaixo transcrevo o nosso debate:

04/10/2014
Antonio Celso Barbieri

BARBIERI ACONSELHA:

Eleições. Voto para Presidente? Em quem votar? O problema é grave e, sofremos simplesmente, por falta de opção.

Não vou votar na Marina porque ela abrirá ainda mais as portas para os evangélicos e, acredito que o Brasil está caminhando perigosamente para um regime religioso totalitário. Não votarei no Aécio Neves porque ele representa a direita e somente atende aos interesses dos ricos e latifundiários. Sou contra cancelar meu voto porque este é meu momento importante para participar na direção do destino do meu país. Portanto só me resta a Dilma que, apesar de ser um cordeiro do Lula, totalmente sem carisma, ainda é a melhor opção entre os candidatos para presidente. Lembrem-se que um presidente sozinho não governa um país e o PT já tem toda a infraestrutura montada.

Acredito que o PT como partido socialista seria bom, desde que ele tivesse uma base realmente politizada, que verdadeiramente policiasse a sua cúpula, renovasse as lideranças e aposentasse o Lula. Para isto só existe uma solução, todo mundo entrar para o PT e muda-lo de dentro para fora! A solução não é derrubar a casa mas reforma-la! Este comentário não visa antagonizar ou ofender os amigos e sim mostrar a minha visão política da coisa. (não sou do PT e não tenho nenhum interesse nele!)

05/10/2014
João Carlos Galoa Neto

Meu caro Barbieri, você precisa se livrar desse pacto mental com o comunismo. Quando jovem é inocência. Quando velho é conivência.

05/10/2014
Antonio Celso Barbieri

Caro João Carlos o comunismo está morto à muito tempo mas o Marxismo não. As ideias filosóficas de Marx continuam muito válidas hoje. Marx foi o maior filósofo que já existiu! Na verdade a falta de cultura e desinformação barata feita pela direita infelizmente turvam a mente até de gente bem intencionada como você. Foi Marx o primeiro a explicar as relações de trabalho e o poder do capital (dinheiro) nestas relações. De forma bem básica a coisa funciona assim. Aqueles que tem o capital controlam os bens de produção (as fábricas, as ferramentas, etc.) e os trabalhadores vendem seus músculos e tempo de vida para poderem sobreviver. Obviamente, caso você ainda não percebeu, a natureza humana é mesquinha e quer ganhar o máximo possível pagando o menor salário possível. O único jeito do trabalhador vencer esta inequidade é unir-se em sindicatos e organizações para negociar melhores salários e fazer greve se necessário. Na verdade, a melhor situação seria o trabalhador ser o dono da fábrica e cortar o intermediário. Não precisa ser muito inteligente para perceber porque o povo da direita odeia a esquerda. Marx já dizia que não existe contos de fada.

O pobre na maior parte das vezes nascerá pobre e morrerá pobre porque a riqueza (o capital) será sempre transmitida via herança de pai para filho e assim por diante, perpetuando esta inequidade para sempre. A classe média vive uma situação ilusória e constrangedora no sentido de que aquele que tem um pouquinho mais sempre olhará com desdenho para aqueles que não tem nada. É sempre muito fácil, de forma preconceituosa chamar o pobre de vagabundo e preguiçoso ou pior ainda, usar o exemplo de um pessoa realmente vagabunda para justificar toda uma população. A classe média obviamente quer subir para o topo da pirâmide social mas, para sua insatisfação, um governo de tendência socialista procurará sempre dividir a renda de forma mais igualitária e criará políticas que beneficiará os mais necessitados. A classe média, exprimida entre os ricos e os pobres, naturalmente se sentirá excluída morrendo de medo de voltar a ser pobre. Então, a classe média funcionará perfeitamente como massa de manobra e será usada pelos capitalistas da direita sempre que possível. O interessante nisto tudo é que a classe média parece ter uma memória seletiva e só lembra dos roubos feitos pela esquerda. Aliás, devo deixar claro que a honestidade deverá sempre ser exercida por todos e sempre em benefício do povo.

Bom, no momento, até agora, este é o melhor modelo que encontrei para explicar a desigualdade social. Se você tem um modelo melhor, estarei sempre aberto para outras verdades. Aliás falando de "verdades", vivemos num mundo de ideias. Tudo mas tudo mesmo acontece na nossa mente primeiro. Nós construímos a nossa realidade na mente primeiro. Esta tela que você está olhando agora foi "imaginada" primeiro. Como seres mentais, já percebi à algum tempo o poder ilusório e poderoso da verdade. Quando acreditamos que encontramos a verdade, mudamos! Acontece uma transformação deixamos de ser "racionais" e passamos a ter "fé" naquela ideia. A "fé" é uma coisa perigosa porque ela não respeita mais as ideias e verdades de mais ninguém.

Eu disse bem claro que acredito que a solução não é eleição e sim reforma do PT erradicando os mal elementos, punindo os culpados e MAIS IMPORTANTE pegando o dinheiro de volta. Do jeito que eu vejo, estão querendo apagar o fogo na floresta derrubando todas as árvores. Está claro que o problema não é de partido e sim de políticos corruptos. Fiquem certos de que tenho perfeita consciência de que o poder do capital corrompe e que quem chega lá não quer mais sair. Sei que o PT no momento não está funcionando do jeito que eu quero mas, assim mesmo votei no PT porque não tive uma opção melhor! Esta é a minha "verdade" de hoje! Amanhã poderei descobrir que estava errado mas é assim que se faz a democracia… ou não?

05/10/2014
João Carlos Galoa Neto

Querido Barbieri, jamais eu desejaria censurar sua expressão. Ainda mais em seu próprio perfil. Se entendeu assim, peço que me desculpe. Não tive essa intenção. Conheço muito bem sua história e importância no BRock, bem como sua desastrosa experiência na politica. Apenas penso que você ainda não conseguiu se livrar de tantos dogmas furados que são injetados em nossa mente por muitos anos e que por osmose nos faz ir adquirindo um padrão de pensamento que não se sustenta. É como usar um mesmo software, cheio de bugs, por muitos anos, que qualquer pessoa ao se aproximar percebe que é defeituoso, mas o usuário não, e ele ainda acha que tem uma maquina impecável. Basta ler alguma coisa de Rothbard, Mises, Hayek, Bastiat, ou Voegelin e você perceberá esses bugs e que é preciso urgentemente fazer um upgrade em sua maquina. A própria alegação sua de que marxismo é uma coisa e comunismo é outra, e que uma é valida e a outra é morta, já mostra o quanto o seu software precisa ser modificado. Se não se ofender, lhe indico esse site abaixo onde encontrará diversas obras valiosíssimas. Muitas delas decompõem a teoria da mais-valia, e outras baboseiras de Marx, que é a maior matriz na formação do seu modo de pensar. Ao ler alguns deles concluirá que o que você acusa como "falta de cultura e desinformação barata" se encontra na esquerda, e não na direita. Informo-lhe ainda, que o meu modo de pensar não foi construído por meio de "desinformação barata", e sim que é o resultado de minhas próprias vivencias. Só na última década é que fui conhecer as teorias dos meus pensamentos, formados pela atuação prática na luta pelo pão de cada dia. A minha vida profissional começou há 30 e poucos anos, pobre, como empregado metalúrgico, depois migrei para a área de vendas, depois como autônomo e então para micro empresário. Portanto, nunca tive essa sua acusada forma "preconceituosa de chamar o pobre de vagabundo e preguiçoso", porque nunca fui e nem acreditei nisso. Muito menos na ridícula teoria de que "pobre na maior parte das vezes nascerá pobre e morrerá pobre". Um grande abraço. (clique aqui)

06/10/2014
Antonio Celso Barbieri

Caro João Carlos não levei à mal seu comentário! Aliás, você foi até agora o único que questionou-me mostrando suas ideias. Acredite que me questiono o tempo todo e, admito que eu até possa estar enganado. Mas, até agora, como disse, não encontrei um modelo melhor. Não acredito que o Free Market deva ser totalmente free, sem nenhum controle estatal. Anos atrás o colapso da economia mostrou que os bancos são muito gananciosos e totalmente irresponsáveis. Bom, esta postagem como as anteriores não pretende ser um curso de economia ou política. Por outro lado, caso ainda não tenha percebido, sempre escrevo numa linguagem bem popular procurando passar a minha experiência de um homem de 62 anos que busca e sempre buscou a verdade. Um homem que descobriu que não consegue ficar em cima do muro e portanto sempre será um péssimo político. Bom, o problema do político é que ele começa como uma "raposa" e termina como uma "hiena". De tanto lidar com o podre acabam gostando. Mas, voltando ao seu comentário sobre a minha aparente contradição em dizer que o Comunismo esta morto mas o Marxismo não, deixe-me explicar como vejo a coisa. Para mim, Marxismo é todo o pensamento de Marx e Engels com expresso em todos os seus escritos, principalmente no Manifesto do Partido Comunista e no livro O Capital. Quer dizer, entendo como Marxismo a teoria que, apesar de não ser totalmente perfeita, é realmente muito inteligente. Agora, o Comunismo a que me refiro é a forma prática, de como as ideias do Marxismo foram implementadas. O Marxismo cometeu alguns enganos e, para começar a revolução comunista não foi feita pelos trabalhadores e sim pela classe média como era predito. A classe média é realmente perigosa porque nunca estará do lado do povo. Não existe nada pior do que o "novo rico". Se você é um micro empresário de sucesso você é uma exceção se compararmos com a imensidão dos mais de 200 milhões de brasileiros portanto ainda acho as palavras de Marx validas quando diz que não existem contos de fadas, quem nasceu pobre tem muita probabilidade de morrer pobre. Em 2009 escrevi esta matéria intitulada "Keynes versus Hayek". Obviamente ela é muito básica e certamente como um bom "Neocon" você discordará totalmente mas vale à pena lê-la. Prometo que checarei o site que você indicou! Um abraço! (clique aqui)

07/10/2014
João Carlos Galoa Neto

Que bom que você entendeu Celso. Primeiro algumas correções; não sou um micro empresário de sucesso, aliás, este não existe, pois, com sucesso, de micro já será pequeno, depois médio e etc. Sou apenas alguém que ganha a vida por conta própria, suando muito a camisa e sem depender do governo, que hoje só serve para atrapalhar. Ganho o suficiente para sobreviver, não tenho sobrando mas não passo dificuldade. Também não sou neocon, termo pejorativo, aliás, o uso dessa expressão no Brasil não tem o menor sentido. Sou um democrata liberal clássico (não libertário), como tal, não penso em estado zero e sim em estado mínimo. Assim, também penso que são necessários alguns controles.

Quanto a sua diferenciação entre comunismo e marxismo, é bem típica dos comunistas. Para implantar o reino da justiça e o fim da desigualdade social, o comunismo deixou como saldo mais mortes do que todas as guerras juntas. TODAS as tentativas terminaram em morte e fome. Mas depois foram classificadas como "desvirtuadas". E é sempre assim; quando não dá certo, e NUNCA DÁ, é porque não era o "verdadeiro comunismo". E assim seguem tentando outra e outra e outra vez.

Eu li seu texto Celso, concordo com boa parte dele, e discordo principalmente da conclusão. De fato, o capitalismo historicamente vive no balanço entre Keynes e Hayek (mais estado e menos estado), mais ou menos como um diapasão daqueles que vibram ao bater; vai para um lado e para o outro perdendo a força de balanço até entrar em equilíbrio(repouso) e depois volta a vibrar entre os dois novamente quando leva outra pancada. A nós, liberais, compete fazer com que se chegue mais rápido nesse ponto de equilíbrio e que fique o mais tempo possível nele, porque o aumento do estado é SEMPRE inversamente proporcional ao das liberdades, por isso, sempre caminha para a ditadura, seja em um governo de esquerda ou de direita. Na outra ponta, a ausência, caminha para o anarquismo, para a terra sem Lei e para a Lei do mais forte. E esse é o ponto que discordo do seu texto. Você conclui que, devido as privatizações, estamos no período de pouco estado e que será necessário caminhar para o aumento estatal, quando é exatamente o contrario. Talvez, por você estar vivendo em outro pais, não perceba o quanto estamos dentro de um imenso estatismo. Nunca pagamos tantos impostos, nunca o estado interferiu tanto na vida das empresas e na vida do cidadão comum, a censura nunca, nem durante a ditadura(que era velada), esteve tão descarada. Nunca tivemos tantas normas, regulamentações, diretrizes ou qualquer outro nome que queira dar para o controle de tudo. O caminho que precisamos seguir é exatamente oposto ao de sua conclusão. Diminuir o tamanho do estado e a sua interferência em todos os aspectos de nossa vida é, hoje no Brasil, praticamente escolher entre vida ou morte.

07/10/2014
Antonio Celso Barbieri

Primeiramente gostaria de agradecer a sua contribuição neste discurso. Uma contribuição que me parece sincera e sem nunca partir para o pessoal! Obrigado! Quem dera o nosso Brasil progredisse para este nível de diálogo! Isto é o que eu chamo de sonho! :-)

Bom, voltando ao nosso assunto, o fato do seu reconhecimento de que o capitalismo vive entre estes dois polos, o pensamento de  Keynes e Hayek é certo mas, infelizmente temso que reconhecer que este confronto de ideias não busca reconciliar os dois pensamentos mas sim erradicar um ao outro. Trata-se de um jogo de xadrez sem direito à empate!

É importante notar que juntamente com o Free Market (Mercado Livre) também veio o conceito de Privatização. Estudemos um caso atual, a Petrobrás.

Mas, antes disto quero que tenha em mente que todos os modelos econômicos existentes foram criados por países de primeiro mundo e para as suas realidades. Quando Margaret Thatcher iniciou a privatização ela sabia muito bem que quando privatizassem, por exemplo, suas ferrovias elas seriam compradas pelos grandes capitalistas ingleses. Quer dizer, os Ingleses venderam e estão vendendo o seu patrimônio nacional à preço de banana para eles mesmos. Os ricos fazendo a festa com o dinheiro do povo! Isto não lhe parece uma história bem conhecida?

Bom, os Ingleses são notórios exportadores de modismos e ideais. Logo os brasileiros começaram a privatizar também. Tem alguém no Brasil com milhões de dólares para comprar alguma coisa à este nível? Não! Portanto, só como exemplo a telefônica de SP agora pertence à Espanha.

O que quero dizer é que a ideia de privatização favorece apenas as multinacionais e não ao Brasil. A privatização, atrás das suas pseudo boas intenções, apenas esconde a dominação ecomômica e a delapidação do patrimônio nacional.

Agora, voltemos à Petrobrás que como o nome obviamente sugere, lida com o nosso petróleo. É sabido que temos reservas petrolíferas incríveis! A China e muitos outros países não! Portanto, o Brasil tem tudo para ser muito, mas muito rico mesmo!

Tem gente roubando no governo? Tem! Tem gente roubando na Petrobrás? Tem! Qual seria a solução mais correta?

Punir os responsáveis e recuperar o dinheiro roubado ou privatiza-la, vendendo-a para capital internacional? Bom, privatização é a proposta de Aécio Neves que faz uma dobradinha com um vice realmente desonesto!

O Brasil vem desde a sua descoberta sendo delapidado e vivendo da venda de matéria prima. Esta infeliz realidade é causada principalmente por uma eterna política (independente de qualquer partido) de falta de investimento maciço na educação e tecnologia.

Do jeito que eu vejo, todos os avanços que tivemos na área social, são patéticos e mero paliativos comparados com as reais necessidades do país.

O resultado destas eleições só serviram para reafirmar o que todos já sabem; o Brasil é um país ignorante em muitos aspectos e, a única coisa que floresce no meio desta ignorância toda é a religião. É tudo tão obvio que dói.

No pouco tempo que fiz parte do Partido Comunista Brasileiro a única lição que tirei foi a de que a "revolução" (qualquer que seja) tem que ser feita primeiramente no ser, no cidadão antes de ser feita na sociedade e, a nossa sociedade está corrompida até o osso e em todos os níveis.

Enquanto nós não começarmos à nível pessoal dar o exemplo de ética e respeito ao próximo. Enquanto não assumirmos a responsabilidade pela educação de nossos filhos em vez de vez de deixa-la à cargo da TV e Internet nada mudará!

Ninguém parece entender que saímos da influência da Teoria da Relatividade para a da Teoria Quântica. Na realidade de hoje temos que ver tudo de forma holística, como um todo.

Não se trata de escolher entre Keynes e Hayek mas sim, ver os dois pensamentos como parte de um todo, procurando retirar de cada teoria/pensamento aquilo que é válido. Isto sempre, mas sempre mesmo, entendendo que estas ideias foram criadas tempos atrás para uma outra realidade, uma realidade de Primeiro Mundo, não de Terceiro.  

Caro, João Carlos este é um assunto muito complexo que caminha em muitas direções mas que sinto que no âmago da questão está a questão da ética e respeito ao próximo. Infelizmente todos aqueles envolvidos nas grandes decisões do momento (no Brasil e mundialmente e em todos os níveis) estão defendendo de forma egocentrica um capitalismo selvagem e desumano. Um capitalismo onde se o mais fraco não se subjugar o mais forte tomará à força.

Eu só posso dizer que, no meu ponto de vista, sou obrigado a escolher, dos males os menor! Votarei na Dilma novamente!

music is changing

Os Milenares ou como uma geração, sozinha, conseguiu matar a indústria fonográfica.
Escrito por Thomas Honeyman traduzido e adaptado por Antonio Celso Barbieri

"Esta matéria é basicamente uma observação da indústria fonográfica Norte Americana mas, acredito, trata-se de uma matéria fundamental para o nosso entendimento das mudanças radicais por que passa esta indústria não só nos Estados Unidos como no Brasil e de forma geral no mundo todo."- Antonio Celso Barbieri

A antiga indústria fonográfica está morta. Nós estamos caminhando sobre as ruínas de um negócio criado baseado em jatos privados, CDs custando uma fortuna e orçamentos de gravação avaliados em milhões de dólares.

Estamos no meio do maior abalo sofrido pela indústria musical nos últimos 100 anos. Uma mudança fundamental ocorreu - uma mudança criada e dirigida pelos Milenares.

Pela primeira vez, as vendas de discos não são suficientes para fazer a carreira de um artista, e elas certamente não são suficientes para garantir o seu sucesso. A antiga indústria da música agarrou-se desesperadamente às vendas para sobreviver, mas esse modelo já não funciona à muito tempo.

Mesmo os superstares estão achando duro. Pitbull, apesar de ter 50 milhões de fãs no Facebook e quase 170 milhões visualizações no YouTube, vendeu menos de 10 milhões de álbuns em toda a sua carreira. Esta é a realidade da nova indústria da música, cujo sucesso do artista é medido pela atenção "fluídica provida pela Internet" e não pela grande quantidade de vendas.

Por quê? Bem, a resposta está com esta nova geração, os Milenares. Eles controlaram a indústria da música, interferindo nas suas características mais importantes:

1. Demanda

A indústria da música é como qualquer outro grande negócio: Ela segue o dinheiro. Ao longo das últimas duas décadas, a música tem sofrido com o surgimento de serviços como CD bubble, torrents, Napster, iTunes (com a Apple pegando uma fatia de 30 por cento de tudo) e, agora, com os sempre presente serviços de streaming (broadcast ou transmissão de música online), o que serviu para reduzir as vendas abaixo do nível já baixíssimo que estava.

A indústria da música tem sido abalada por novas tendências e ao longo dos últimos anos, sucumbiu a um estado de quase queda livre. Ela está agarrando-se aos últimos "barbantinhos" restantes, em uma tentativa desesperada para salvar e lucrar com os restos mortais de seus modelos de negócios já falidos.

Enquanto a música se torna mais e mais enraizada no mundo digital, os Milenares surgiram como os consumidores dominantes. Mais importante, eles dominam o mercado emergente mais promissor para a música que é o mercado dos dispositivos móveis. Eles usam 75% mais aplicativos musicais, de mídia e entretenimento e cerca de 20% mais aplicativos de compartilhamento social e, com mais frequência do que qualquer outro grupo etário.

Em poucas palavras, Milenares consomem mais música e comunicam o maior número de pessoas sobre isso. Embora seja óbvio que o consumo é importante, por que é tão importante que nós compartilhemos o que ouvimos?

A antiga indústria da música tinha como unidade de medida do sucesso de um artista as vendas de álbuns. Durante anos, as vendas de álbuns vem diminuindo e o crescimento de singles (compactos) tem crescido com os serviços de streaming acelerando esta tendência.

Como mudamos para uma economia voltada para a música digital, novas medidas para avaliar o sucesso de um artista tem surgido. Uma nova geração de artistas dominou a cena e eles estão mais preocupados com receber a atenção, do que com as unidades de música que vendem.

A atenção tem se tornado tão valiosa como a nossa probabilidade de compra, uma vez que ela leva aos festivais, à presença do público e ultimamente às vendas de merchandising e outras fontes de receita. No entanto, o público ainda não comprará a sua música.

the millennials generation

Milenares?


Milenares, é uma abreviação para a Geração do Milênio e é um termo utilizado para descrever um segmento da população nascida, aproximadamente, entre 1980 e 2000. Às vezes, também é referida na mídia como Geração Y. A Geração do Milênio são os filhos da Geração Baby Boomer pós-Segunda Guerra Mundial.

Algumas curiosidades sobre esta Geração do Milênio:

• De acordo com o Censo dos EUA, cerca de 40% da geração do milênio é formada de Africano-americanos, hispânicos, asiáticos ou de gente mestiça.

• Há cerca de 76 milhões de Milenares nos Estados Unidos (com base em pesquisas com os anos de 1978-2000).


• Os Milenares são a última geração que nasceu no século 20.


• 20% deles têm pelo menos um pai imigrante.

• Uma série de estudos, incluindo um do Centro para o Progresso Americano, antecipa que os Milenares serão a primeira geração Norte Americana que será mais pobre do que seus pais.

• Os Milenares são também chamados a geração Net, porque (pelo menos de acordo com algumas pessoas) eles não se lembram da época em que a Internet não existia.

• Como resultado crescente da importância da Internet e dispositivos associados, os Milenares são muitas vezes considerados, até o momento, a geração tecnologicamente mais experiente que surgiu.

Nota do Barbieri: Esta Geração do Milênio também tem seus críticos. Alguns dizem que ela deveria ser chamada "Geração Me" (Geração Eu), pelo seu egocentrismo, materialismo, falta de um plano existencial de vida e alienação política.

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As grande marcas de produtos também sabem disso. Empresas como GUESS, Red Bull e Steve Madden vão derramar este ano mais de 1.34 bilhões de dólares em patrocínios de casas de shows, festivais e turnês.

Mais de um bilhão de dólares serão gastos para criar a oportunidade de construir relacionamentos com clientes e fortalecer a marca com os nativos digitais. Em contraste, os 10 mais bem pagos artistas eletrônicos no ano passado, cumulativamente, fizeram pouco mais de 240.000 mil dólares, menos de 20% do que as marcas vão gastar em 2014 para captar a atenção dos Milenares.

O que as marcas entendem é que a música é uma parte importante da identidade dos Milenares. É mais do que entretenimento para eles. A música que eles ouvem pode ser tão importante como a forma como eles se vestem e, ultimamente influenciam quem são seus amigos.

Para eles, frequentar festas e shows são uma expressão de identidade. As grandes marcas sabem que esta geração pode identificar-se com um DJ como Skrillex e sua base de fãs dedicados e, eles terão mais do que apenas uma breve atenção do consumidor. A marca passará a fazer parte do estilo de vida dos fãs.

É por isso que Steve Madden está unindo-se com as DJs femininas que estão aparecendo, tudo é feito para atrair os Milenares.

O resultado final é que a indústria da música e as grandes marcas estão ambos perseguindo a nova geração de artistas; artistas que, em vez de vendas de álbuns, conseguem captar, reter e rentabilizar a atenção, mantendo os Milenares interessados por mais tempo.

2. O Fornecedor

Hoje em dia, tudo que é necessário para fazer uma gravação moderna é um computador e um software de gravação acessível. Uma dos mais poderosos DAWs (digital audio workstation) profissionais que, consiste em um computador rodando um programa de gravação de áudio chamado Logic Pro da Apple, que custa apenas uns 200 dólares (mas que, se você for esperto, será capaz de baixa-lo gratuitamente!). Convém lembrar que o programa mais famoso é o Pro Tools e um dos mais usados e queridos é o Cubase da empresa alemã Steinberg (eu uso este, não importa o que digam Cubase é o bicho!)

Dentro de um DAW encontram-se instrumentos virtuais como pianos, sintetizadores e baterias, bem como todas as ferramentas necessárias para editar e produzir áudio.

A maioria dos equipamentos necessários para criar música tem sido absorvidos dentro do DAW, ao mesmo tempo que o software continua a ficar mais fácil e mais fácil de usar. O resultado final é que os artistas podem criar música de forma mais rápida, mais eficiente e menos cara do que em qualquer outro momento na história.

Gotye criou sua canção “Somebody That I Used to Know” (alguém que eu costumava conhecer) na casa de seus pais perto de Melbourne, na Austrália. Esta faixa autoproduzida alcançou o número um em mais de 23 paradas nacionais e ficou dentro do top 10 em mais de 30 países ao redor do mundo. Até o final de 2012, a canção tornou-se a música mais vendida daquele ano com 11,8 milhões de cópias vendidas, classificando-a entre os singles digitais mais vendidos de todos os tempos.

Um jovem produtor holandês chamado Martin Garrix alcançou o topo das paradas em mais de 10 países com seu hit, "Animals", que ele produziu e lançou aos 17 anos de idade. A canção atingiu o número um no Beatport, tornando Garrix a pessoa mais jovem a receber esta honra.

Os Milenares, que podem simplesmente gravar depois da aula ou do trabalho, são na sua maioria familiarizados com esta tecnologia, mas a atitude deles com relação à não reter nenhum segredo quanto a aprendizagem é muito mais importante.

Procure “How to use Logic Pro” (Como usar o Logic Pro) no YouTube e você vai encontrar milhares de cursos livres. Sites como o Reddit possui comunidades inteiras com dezenas de milhares de membros que se dedicam a aprender sobre produção musical.

A tecnologia é barata e recursos de aprendizagem de alta qualidade são gratuitos. Como resultado, este novos artistas tem conseguido registros sonoros de enorme sucesso sem nunca terem posto os pés em um estúdio de gravação.

3. "Descobrir Música" ganhou mais importância

Bom, a verdade é que a "descoberta de música" e "produção musical" andam de mãos dadas. Assim como a tecnologia tem permitido a produção de música fácil para jovens artistas emergentes, também forneceu-lhes uma maneira de alcançar os fãs de todo o mundo.

É claro que há as histórias clássicas de sucesso como Justin Bieber e Lana Del Rey,  mas abaixo do império YouTube repousa toda uma cultura de Milenares que estão descobrindo a música online.

Plataformas como o SoundCloud tem mais de 250 milhões de usuários ativos por mês e os Milenares descobrem a sua música predominantemente através destas plataformas digitais. Aliás, quando os "nativos digitais" produzem novas músicas, eles as liberam primeiro nas plataformas digitais.

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Os Milenares estão jogando dos dois lados do campo: Eles estão criando mais música do que nunca e liberando-as para plataformas onde os seus pares irão descobri-las.

O "intermediário" da indústria da música foi cortado e uma interação, uma conversa com a Internet substituiu-o. Claro, grandes estrelas como Katy Perry ainda dominam as vendas, mas Milenares estão a minar esse modelo com um novo modelo de descoberta, de base.

4. Os Milenares estão unindo-se em equipes formadas por músicos para dominar

Equipes de composição e produção apoiam artistas dominantes como Rihanna, Taylor Swift e Katy Perry. Essas equipes de produção são uns dos principais fatores usados para manter os superstares no topo. Trabalhar em equipe permite que esses escritores produzam toneladas de faixas pop altamente escutáveis. Agora, Milenares estão quebrando essa barreira final, também. Serviços como FindMySong estão conectando músicos independentes para que possam formar suas próprias equipes de composição e produção voltadas à dominação. O modelo FindMySong aproveita o fato de que existem mais músicos independentes do que nunca querendo um pedaço do grande sucesso do artista, isto sem as amarrações dos grandes selos e gravadoras.

Com a tecnologia de gravação barata e uma forma eficaz de distribuir a música, estas equipes independentes juntaram-se online para concorrer contra as grandes gravadoras.

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Você tem o poder agora. O que você vai fazer com ele? Pela primeira vez na sua longa história, o negócio da música está firmemente nas mãos dos artistas e dos consumidores. Você tem a capacidade de liderar a indústria conduzindo-a na direção que você quiser!

Nota: Enquanto você lia esta matéria escutava a música composta e gravada em 2014, aqui pelo Barbieri no seu estúdio, em um equipamento similar ao descrito na matéria acima. Desde o final dos anos 80 que tenho estado no topo da tecnologia de áudio digital e quero lembra-los que não sou dessa geração acima! :-)

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Antonio Celso Barbieri

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The Zero Theorem, filme dirigido por Terry Gillian.

O Teorema Zero, Buracos Negros e o Big Bang

escrito por Antonio Celso Barbieri

Confesso que sou um viciado por cinema. Principalmente pelo gênero ficção científica. Nestes filmes, fico sempre querendo "tomar aquela dose" que me leve para um lugar novo ou me revele uma ideia que me ajude à entender esta realidade em que vivo. Como sou obviamente um ser finito, e sei que minha perspectiva de vida, com muito otimismo, poderá durar mais ou menos apenas uns 30 anos no futuro (minha médica diz que estou probabilisticamente entre os que morrerão nos próximos 10 anos), estes filmes de ficção científica, para mim, servem como uma janela para que eu possa ver o que está por vir depois de minha morte. É minha forma de driblar o inevitável, é como usar a curvatura do espaço e, através de um "wormhole" (buraco de verme ou buraco de minhoca), pegar um atalho no tempo. Nestes filmes vemos a possibilidade de termos um futuro dominado por uma inteligência artificial ou por uma inteligência alienígena. Vemos um futuro onde poderemos descobrir que esta realidade é apenas um programa rodando dentro de um computador quântico ou que este universo é apenas um grão de pó no paletó de alguém andando em outro universo ou então, somos apenas o sonho ou pesadelo de um Deus ou superinteligência. À vezes estes filmes são um alerta, retratando um futuro pós apocalíptico, causado pela colisão de um gigantesco meteoro com nosso planeta ou causado pela nossa própria arrogância e estupidez.

Nos livros de ficção científica, acredito que o escritor Phillip K Dick foi um gênio, um profeta dos novos tempos. Ninguém supera este escritor quando se trata de descrever um cidadão, como eu ou você, absolutamente normal discutindo ou duvidando da sua própria realidade. Será tudo isto que vivemos apenas um sonho? Será o resultado de alguma droga alucinógena? Será tudo apenas uma grande conspiração? Somos controlados o tempo todo por forças desconhecidas ou governos?

A realidade é que nos últimos 30 anos, as ideias de Phillip K Dick tem sido, no cinema, usadas e abusadas. O universo de Phillip K Dick é pessimista, psicótico e basicamente desumano mas, sempre no final deixa uma porta aberta para a redenção onde vislumbramos o nosso poder para sobreviver às catástrofes mais terríveis. Outro admirador de Phillip K Dick é o famoso diretor de cinema Terry Gillian.

Na minha busca pelo novo, pelo futuro, pela verdade, o primeiro diretor à causar-me um choque intelectual foi Stanley Kubrick com seu clássico 2001: A Space Odyssey (2001: Uma Odisseia no Espaço) lançado em 1968 e baseado numa história chamada The Sentinel (O Sentinela) escrita por Arthur C. Clarke, um outro profeta da ficção científica. Stanley Kubrick ainda nos brindaria com outros filmes excelentes mas foi só em 1982 que o próximo filme à conquistar meu intelecto apareceu chamado Blade Runner (Blade Runner: O Caçador de Androides) e, baseado no excelente livro de Phillip K Dick intitulado Do Androids Dream of Electric Sheep? Muito embora filmes como Alien (1979) e Terminator (1984) sejam clássicos, foi só muito tempo depois, com o primeiro filme da série Matrix dirigido pelos irmãos The Wachowski que alguém discutiu a natureza da realidade de forma tão impactante. Infelizmente, no caso particular do filme Matrix, nesta trilogia, os dois outros filmes que se seguiram, bem ao estilo de Hollywood, apenas serviram para destruir e ridiculizar as propostas do primeiro.

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Bom, só mesmo o grande Terry Gillian, responsável por filmes clássicos como Time Bandits (1981), Brazil (1985), The Fisher King (1991), Twelve Monkeys (1995), Fear and Loathing in Las Vegas (1998) seria capaz de nos brindar com um filme como The Zero Theorem (2013).

Assisti este filme ontem e, fui dormir com a cabeça à mil. Acordei esta manhã com as ideias do filme ainda girando na minha cabeça e devo dizer que fazia tempo que um filme não causava-me uma agitação mental tão grande.

Mas do que se trata este filme? O Teorema Zero um filme é baseado no screenplay escrito por Pat Rushin um professor de escrita criativa do Departamento de Inglês da University of Central Florida e, basicamente é uma fantasia futurística onde o multitalentoso ator Christoph Waltz aparece como um hacker de computadores bem antissocial, um tipo de nerd com uma pitada de autismo, buscando pelo significado da vida, pelo significado da sua realidade ou existência através da tentativa de resolver um problema matemático insolúvel. O filme mistura temas como sofrimento e angústia existencial, controle e proliferação das grandes corporações e o quebra-cabeças da possibilidade de que tudo na verdade, todo o esforço da nossa existência resulte em nada, em apenas um grande zero! Para aqueles que já familiares com o estilo de Terry Gillian, reconhecerão imediatamente neste filme seu estilo "kitsch pós apocalíptico" que aliás foi muito bem absorvido, polido, embelezado e usado no filme Hunger Games (Jogos Vorazes). Seu estilo tem sido tão copiado à ponto de que alguns críticos acusaram Terry Gillian de estar se repetindo, copiando à si mesmo.

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Mas, voltando ao filme, uma das imagens centrais desta película é a de um Black Hole (Buraco Negro). É aí que a coisa realmente me tocou. Questionar a nossa realidade, nossa existência à partir de um Black Hole, para mim, é uma ideia nova que explica muita coisa.

Vejam bem, quando a comunidade científica aceita como viável a criação do nosso Universo como resultado de uma gigantesca explosão tendemos pela nossa ignorância cosmológica simplesmente concordar baixando a cabeça afirmativamente. Mas o que é um Buraco Negro? Primeiro devemos aceitar a ideia de que toda massa é sujeita aos efeitos da gravidade e que em condições especiais a maciça concentração desta massa num certo ponto, criará um campo gravitacional tão forte que, destruirá sua própria estrutura atômica e nem a luz será capaz de escapar. Dizemos que quando esta massa chega à este ponto extremo de concentração a física clássica não será mais capaz de explica-la e, este ponto passará a ser uma "singularidade".  Este Buraco Negro resultante, como um remoinho, atrairá tudo que se aproximar do seu "horizonte de eventos". Hoje já se sabe que praticamente toda galáxia (até a nossa Via Láctea) abriga no seu centro um Buraco Negro. Sabe-se também que ele pode criar um ponto de equilíbrio e não engolir toda a galáxia (sorte nossa!). Para onde vai toda esta matéria absorvida pelo Buraco Negro? Do ponto de vista da física nada se perde portando não podemos dizer que milhões de estrelas simplesmente foram engolidas e desapareceram. Alguns cientistas especulam que Buracos Negros sejam postais interdimensionais ou portais para outros Universos.

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Outra cena do filme The Zero Theorem dirigido por Terry Gillian.

Mas voltando ao Big Bang e a criação do nosso Universo, a ideia é que o nosso antigo Universo comprimiu-se até o tamanho de uma bola de tênis e explodiu. Desculpe-me mas, minha intuição diz que ele viraria uma singularidade, um Buraco Negro antes disso acontecer! Dentro de um racionalismo simplista, se o o Big Bang realmente aconteceu,  esta grande explosão junto com a expansão expeliu a sopa cósmica em todas as direções e, seguindo a Lei de Newton continuaria expandindo mas perdendo velocidade gradativamente devido a gravidade. A expansão então, em um futuro distante, encontraria o seu ponto de equilíbrio, pararia e lentamente começaria a comprimir-se novamente. Esta ideia propõem um Universo cíclico e predeterminado com começo meio e fim. Esta explicação de certa forma atende as nossas necessidades de sabermos de onde vimos e para onde vamos.

Entretanto, no momento já existem vários cientistas que acreditam que a expansão não terá fim, o que implica que o Big Ban não é um fenômeno cíclico, parecendo ser um evento único. Este tipo de solução parece criar mais perguntas do que respostas.

Esta manhã acordei com esta ideia de que, é bem possível que Buracos Negros não sejam passagens ou corredores mas sim criadores de Universos. Imagine o nosso Universo como uma gigantesca bolha de sabão que em determinado momento cria pelo lado de dentro na sua parede um Buraco Negro que começará à atrair a matéria e expeli-la criando uma outra pequena bolha pelo lado de fora, bolha esta que irá crescendo até um dia libertar-se do Buraco Negro que a criou e tornar-se em outro universo.

Do mesmo jeito, podemos imaginar que o nosso Universo também foi criado da mesma forma, como resultado de uma "sopa cósmica" expulsa por um Black Hole. Esta "sopa cósmica" foi expelida e, no processo adquiriu velocidade e causou a expansão que criou o nosso Universo.

Obviamente estou sendo muito simplista mas, no mínimo, todo este texto serviu para mostrar o impacto que causou-me o filme O Teorema Zero.

Professor Pat Rushin, autor do screenplay para The Zero Theorem, numa entrevista, disse que a ideia para seu script foi inspirada no livro Eclesiastes da Bíblia. "Vazio, vazio, vazio, tudo está vazio". É Pat Rushin quem diz:

"Quem falou isto foi Koheleth que é de onde tirei o nome "Cohen" para o meu ator principal. Basicamente, ele está murmurando e lamentando o fato de que não existe vida após a morte. O que é que o homem ganha por viver uma vida de bondade ou qualquer tipo de vida? Acredito que esta seja a primeira reclamação do Velho Testamento: querer um tipo de vida após a morte!"

Bom, Eu, por mim, acho que o meu pagamento deveria ser a revelação da "verdade" e, depois disto nunca mais ser enganado!

Nota final: Gostaria de desculpar-me por não citar aqui dezenas e dezenas de filmes realmente criativos e interessantes que marcaram a minha existência e talvêz a de muitos dos caros leitores! Para falar de todos estes filmes certamente teria que escrever um livro chamado Barbieri e a Ficção Científica. :-)

Antonio Celso Barbieri

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The Zero Theorem, caindo no Buraco Negro!

no love
"No Love" arte feita pelo Barbieri.

Porque, hoje em dia, o "amor" é a última coisa que você precisa
quando está tentando subir na parada de sucessos.

 De Londres, Jornal The Times 20/03/2014.
Tradução e comentários: Antonio Celso Barbieri
 


Quando os Beatles lançaram, em 1967, o seu compacto All You Need is Love, ele chegou ao número um da parada de sucessos em 9 países e tornou-se referência para o amor livre pregado pelo movimento Flower Power nos anos 60.

Quase 50 anos depois, os ouvintes não estão mais interessados por letras melosas. Um time de pesquisadores que estudaram as letras de todas as canções que chegaram ao topo das paradas de sucessos nos últimos 50 anos descobriram que a palavra "love" (amor) está sendo muito menos usada do que antes. As letras das músicas de hoje em dia falam de "desespero", "ambição" e "dor".

Este estudo descobriu que, no período de 10 anos em que aconteceu o ataque às Torre Gêmeas, uma recessão paralisante e duas guerras no Oriente Médio, as letras das músicas tornaram-se focadas na "ambição" e no "individualismo" esquecendo-se do "amor" e "romance". Estes pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte alimentaram seus computadores com as letras de todas as 100 músicas mais tocadas na listagem da Revista Billboard por muitos e muitos anos acrescentando também o nome dos temas de cada música.

Segundo David Henard, o autor líder deste estudo feito para o Jornal de Pesquisa de Publicidade, ele descobriu que, influências culturais e políticas foram os maiores temas através das décadas. Nos anos 60, "romance" e "rebelião" foram os dois temas comuns, com músicas falando de relações pessoais e temas refletindo o crescimento do movimento Flower Power e também do movimento contra a guerra do Vietnam. Já os anos 70, viram canções ainda falando de amor mas, com letras sem muito entusiasmo falando de "perda" e "rompimentos amorosos".

Nos anos 80, com o advento da New Wave e da Dance Music a palavra "love" ainda era uma das mais usadas mas, outros temas começaram a aparecer incluindo, "confusão" e "aspiração". De qualquer forma durante os anos 80 e 90, décadas em que geralmente são vistas como tempos de abundância pessoal para muitos nos Estados Unidos e Reino Unido, "perda pessoal" foi um dos temas dominantes nas letras. O estudo, sugere que, a música popular em tempos turbulentos, em termos de letras, foca sua atenção menos na perda indivídual e mais na perda coletiva e outros assuntos mais gerais. Nos anos 90, "love" não foi mais a palavra mais usada, com as músicas usando mais a palavra "baby" aparecendo em meio ao crescimento do Rap e Rhythm and Blues.

Na virada do século e nos anos que se seguiram, a palavra "love" não chegou nem entre as 8 músicas mais tocadas das paradas de sucesso que, agora, incluem as palavras "baby" (bebê), "girl"(garota), "man"(homem) e pela primeira vez até um palavrão. Além disso, depois de mais de 40 anos, a palavra "desespero" tornou-se uma palavra chave. David Henard disse que "o tema desespero foi pouco representado até a virada do século mas agora nos anos 2000 ele está dominando e, equivale ao fenômeno acontecido com as palavras "dor" e "desejo" e podem estar associados como ao clima social criado apos 9/11 (ataque terrorista às Torres Gêmeas).

Barbieri Comenta:

Uma das coisas que sempre me atraíram em Bob Dylan e John Lennon foram seus agudos sensos artísticos para retratar o social à sua volta assim como, expor publicamente suas angustias e questionamentos pessoais. Sempre vi o artista como "analistas e comentadores do seu tempo". Sempre achei a arte sem conteúdo, uma atitude burguesa sem razão de ser. Não me entendam mal porque mesmo na pintura, por exemplo, no caso do Cubismo, havia uma grande mensagem refletindo a revolução quântica e, pretendia uma mudança de paradigma onde a representação da realidade havia perdido terreno para a fotografia e, a pintura agora tinha sido libertada para explorar outros ângulos e também o próprio subconsciente do pintor. Bom, no rock nacional, fora Raul Seixas poucos músicos tiveram a coragem de, realmente, continuamente, correrem riscos e discutirem a sua realidade social com tanta força.

Quando ouvia artistas como Roberto Carlos e Rita Lee compondo músicas açucaradas, feitas sob medida para "as ovelhas" e com a única intenção de vender, não os considerava realmente artistas. Na Inglaterra conheci uma frase usada na ginástica que diz "no pain no gain" (sem dor não se ganha). Acho que esta frase também serve muito bem para a arte. Se o compositor/artista, na momento de compor, não olhar para dentro dele mesmo, a sua música parecerá falsa e não terá o poder para realmente chegar no coração das pessoas. No rock brasileiro, cansei-me de ver letras que não passavam de adaptações baratas de clássicos internacionais. Raras são as bandas que buscam no seu dia-a-dia, na sua realidade social, no que está acontecendo no mundo ao seu redor, nas suas perguntas não respondidas, nos seus choques familiares, material para sua arte. Desculpem-me mas, para mim, aquele que fica somente na sua área de conforto, não toma riscos e não discute a realidade, realmente não é um artista!!!

colhendo coracoes
Colhendo Corações. Arte: Uma colagem digital de Antonio Celso Barbieri.

O Coração Criativo

introdução escrita por Antonio Celso Barbieri

Introdução

O processo criativo e a forma como o cérebro trabalha para executá-lo, ainda é um grande mistério. Me fascina o lado quase mágico e até viciante que esta atividade constante cria. Durante os anos, cada vez mais, para mim, a linha divisória ente os atos de compor música, criar artes gráficas e escrever parecem desaparecerem, onde o que mais importa, de fato, é criar sempre, não importando o que, de que forma ou com que técnica.  

Este capítulo do livro 1001 caminhos da Criatividade chamado O Coração Criativo que, aqui reproduzo, atraiu-me principalmente pelo uso da palavra “coração” que obviamente não refere-se à um coração orgânico mas, sim à um coração simbólico representando o centro das emoções.

Já faz um tempinho que venho buscando minha inspiração de forma orgânica e simbólica através do “estômago”. Já que costumamos, depois de muitos anos de luta, dizer que estamos “levando com a  barriga” acho nada mais natural do que criar por ela também. Aliás, existe muita emoção no abdômen pois, não é atoa que, em momentos difíceis, ficamos até com “um frio na barriga”.  Mas, falando sério, a verdade é que nosso corpo é uma máquina muito complexa onde tudo está interligado e, o ditado “Mente Sana em Corpo Sano” deixa a coisa bem clara.

Mas voltando ao ato de criar, isto me leva a questão da consciência  e como o cérebro, na sua incompreensível complexidade, cria a nossa realidade mental.  Descartes nos brindou com uma frase muito inteligente Penso Logo Existo (Cogito Ergo Sum) e, na falta de algo melhor, prendo-me à esta máxima.  Abaixo vocês lerão algumas palavras poéticas e inteligentes ligando o coração, tratado neste caso, como como já disse, como o centro das emoções e ligado à nossa criatividade.

Gostaria de lembra-lo que tudo em torno de você, desde esta tela que você está usando para ler está matéria até a sua roupa, sua casa, os prédios e o asfalto da rua foram pensados por um ser humano antes de terem tornado-se realidade.  Nós, construímos o nosso universo material e continuamente estamos desenvolvendo novas tecnologias,  modificando este mesmo universo material adicionando comodidades e ferramentas cada vez mais modernas, como por exemplo a própria Internet com todo o seu universo virtual online. Bom, está claro que acabamos ficando escravos das nossas próprias criações e, estas criações, por sua vez, estão transformando a humanidade que, por sua vez desenvolve mais tecnologia  e  assim por diante, num círculo vicioso. Portanto, acredito que a arte é um dos poucos recursos ainda à nossa disposição que nos permite acessarmos nossa verdadeira e original humanidade. Humanidade esta que, está sendo enterrada, como disse, por esta mesma realidade de nossa criação, uma realidade material e ligada ao consumismo. 

Portanto, à meu ver, nunca a arte, inspirada pelo coração, foi tão necessária! 

Antonio Celso Barbieri

O Coração Criativo
Como podemos criar conexões criativas e permitir que nossos corações nos guiem por caminhos novos e excitantes.
Texto traduzido por Antonio Celso Barbieri e extraído do livro  1001 Caminhos para Criatividade

"A única parte de você que pode viver para sempre é o seu coração e a forma que ele vive para sempre é através dos trabalhos que você cria."

"A arte é a alfabetização do coração." - Elliot Eisner

"Para você ser realmente criativo você tem que, primeiramente, colocar o seu ego de lado."

"A razão porque o coração é tão importante durante o processo criativo é porque toda originalidade vem da honestidade."

"As perguntas que o coração faz são sempre mais universais do que aquelas que a mente faz."

"Se minha criação vem do coração ela sempre funciona e se ela vem da cabeça quase nunca."

"Um coração partido pode produzir tanta criatividade, ou mais, do que um coração que nunca sentiu dor."

"Aquilo que você fizer com o coração tocará o coração dos outros…"

"Se você não abraçar as suas ideias elas nunca frutificarão. Tenha um coração valente!"

"Como é que você sente um sentimento? Sendo criativo!"

"O coração é o que nos mantém em contato com a natureza. Nós nos conectamos com o resto do mundo vivo através da empatia e compaixão. Se esta ligação é desconectada, somos incapazes de criar nada que seja significativo."

"Guarde sempre o seu coração na sua manga e molhe a sua caneta nele para criar."

"No coração de todo homem, existe um nervo secreto que responde às vibrações do belo." - Christopher Morley

"Algumas vezes, o coração é calmo mas, nunca totalmente silencioso."

"A mente nos ajuda muito quando buscamos a solução para um problema. Entretanto, na área de criação, o coração sempre lidera e nos guia na direção certa." 

"Um coração fraco nunca ganha honestamente na área de criação".

"Sempre que nosso coração muda, o mundo também muda um pouquinho."

"O maior engano que uma pessoa criativa pode fazer é sempre expressar-se dizendo que ela acha que deveria estar sentindo, em vez de o que ela realmente está sentindo."

"Se você sente vontade de chorar e rir ao mesmo tempo então provavelmente você está no caminho certo."

"Uma das melhores formas de relaxamento é concentrar-se nas batidas do seu coração. Desta forma, o coração relaxa a sua mente e assim, abre as portas da criatividade."

"Você não pode falsificar a criatividade. Se você não está preparado a trabalhar usando o seu coração, talvez seja melhor desistir desde já!"

"O coração nunca tem conhecimento de si mesmo. Se você aprender a confiar no seu coração, você logo descobrirá que pode criar livremente."

"O mais criativo presente que você pode oferecer ao mundo é a sua vida!"

"Todos os sentimentos internos da humanidade manifestam-se como uma realidade exterior." - Stuart Wilde

"Um ser sem coração é um ser sem arte."

"Use a sua mente e os seus sentidos para os pequenos detalhes e use o seu coração para ver o todo."

"Apaixone-se pela criatividade e ela se apaixonará por você também."

"Assim como o mundo, o coração também tem montanhas e precipícios. Nunca tenha medo de explorar os altos e baixos tanto no mundo como no coração."

"Todo retrato que é pintado com sentimento, na verdade, retrata o artistas e não o seu modelo." - Oscar Wilde 

"Faça com que o seu universo interior seja um lugar alegre para estar. Porque, senão você será simplesmente um marionete do seu ambiente exterior."

"O coração sabe o que quer dizer, o problema é silenciar a mente para que possamos escutá-lo claramente!"

"Em nossas vidas, as experiências que fazem nossos corações baterem mais forte, geralmente são as mesmas que nós fazem criar arte de qualidade."

"Para ser criativo, ao contrário de pensar criativamente, você tem é que sentir-se criativo." 

"O coração é um músculo que precisa de exercício como qualquer outro músculo." 

"As amizades mais duradouras, geralmente foram cultivadas através da colaboração em projetos criativos."

"O que é criatividade senão liberdade! Como você pode realmente sentir-se livre se não ser for totalmente livre; na mente, corpo e no espírito?"

"É somente com o coração que podemos ver completamente. O que é essencial é invisível aos olhos!" - Antoine de Saint-Exupéry

"Para explorar as emoções do coração temos que viajar por uma terra que só nós podemos visitar. O que você escolhe para usar no seu trabalho criativo nada mais é do que um guia para esta terra."

"Nesta sociedade, para que não pensem que somos loucos, estranhos ou diferentes, nós tendemos a passar nosso tempo tentando nos adaptar e nos conformar com o status quo. No entanto quando você estiver criando você tem que ser o mais louco, estranho ou diferente possível."

"Para criar o novo você tem que destruir ou, pelo menos, rearranjar o velho de forma inteligente. O novo trás no seu embrião a ruptura com o velho. O rock quando é bem feito e verdadeiro cria, não copia!" - Antonio Celso Barbieri

"Um coração entusiástico é a melhor proteção contra os desapontamentos que inevitavelmente encontram aqueles que trabalham na criação."

"Criatividade é o que acontece quando seu coração derrete."

"Muitas das melhores criações aconteceram resultados da luta entre o coração e a mente."

"A evolução e toda a esperança por um mundo melhor depende da visão de pessoas sem medo, de corações abertos e que abraçam a vida!" - John Lennon.

"A criança interior é o coração do adulto pedindo permissão para brincar!"

"A mente só pode lidar com o possível. Pra lidar com as impossibilidades da imaginação temos que usar o coração."

"Já existem milhões de trabalhos criativos neste mundo! Porque tenho que acrescentar mais um à esta pilha? A verdade é que a arte não é racional, ela é uma anseio, uma ordem que vem do coração."

"Seja como o Homem de lata do Mágico de Oz: Sai em busca do seu coração!"

"Criatividade é a batalha travada para dar eloquência aos murmúrios do coração."

O ato de pintar é à respeito de um coração  contando para o outro onde ele encontrou a salvação." - Francisco Goya.

"Os triunfos e desastres da paixão são a maior fonte de material para criação."

"Aquilo que o coração sente nunca está errado."

"Faça um esforço consciente para questionar o que você sente e porque."

"Nada do que você criar será realmente verdadeiro se o seu coração também não for verdadeiro."

"Preencha o seu papel com a respiração dos eu coração." - William Wordsworth

"O que é lógico à respeito das centenas de horas que Michelangelo gastou pintando o teto da Capela  Sistina." 

"A criatividade depende do imprevisível e, não existe nada mais imprevisível do que o coração humano."

"O empenho na pesquisa fornece o combustível para o trabalho criativo mas é sempre o coração que bota fogo neste combustível."

"Todos os gênios pintam com a cor da emoção."

"Nenhum coração é totalmente luminoso ou escuro. Da mesma forma, nenhuma arte é totalmente  luminosa ou escura."

"Um indivíduo que não interessa-se pelos outros seres humanos, é que mais prejudica as outras pessoas e tem maiores dificuldades." - Alfred Adler

"Porque é que um vaso é um objeto de arte e a sua vida não?"

"Ter um grande sentimento à respeito de um projeto geralmente, é mais importante do que ter uma grande ideia." 

"Grandes cientistas pensam claramente, grandes artistas sentem claramente."

"Assim como raramente usamos todo o nosso potencial mental, raramente usamos todo o potencial do nosso coração."

"As únicas limitações do coração são aquelas impostas pela mente."

"O seu sucesso em ser criativo, somente depende do poder dos seus desejos."

"Você nunca poderá tocar o coração dos outros se você também não for capaz de rir e chorar."

"Nós nunca poderemos realmente entender os nosso sentimentos mas a criatividade os iluminarão de formas diferentes."

"Expandir a sua mente significa expandir o seu coração também."

"Trabalhe por uma causa não aplauso!"

"A arte tem que ser uma expressão de amor ou então não é nada." - Marc Chagall

"Os sentimentos que te pegam de surpresa são o que mais recompensam serem explorados."

"Quando a mente consciente sente-se sozinha é a criatividade que restaura seu senso de integridade."

"Os nossos cérebros estão cheios de pensamentos e ideias das quais não temos conhecimento. É o coração que pesca estas joias e as apresenta para nossa apreciação."

"Os trabalhos de criação geralmente parecem perfeitamente racionais mas eles raramente são produzidos através de processos puramente racionais."

"Não faça apenas brainstoms (tempestades mentais usadas no processo criativo). Deixe-se mergulhar também em um ocasional heartstom (tempestade emocional)."

"Um momento de insight (visão, descoberta) tem mais valor do que uma vida toda de busca sem encontrar nada."

"A arte nos atrai somente pelo que ela revela do nosso mais secreto ser." -Jean-Luc Godard

"Nunca aceite qualquer coisa que o seu coração manda cegamente. Analise seis instintos objetivamente porque algumas vezes estas mensagens podem não passar de apenas preconceitos." 

"Quanto mais você sentir, mais você irá criar!"

"Primeiro você deve escrever com o seu coração e depois deve reescrever coma sua mente."

"Nós criamos precisamente porque não sabemos tudo!"

"Os músculos da escrita não são visíveis mas ele são tão poderosos quanto os visíveis pois possuem determinação, curiosidade e um coração apaixonado." - Natalie Goldberg

"Todas as ideias são frágeis quando acabam de nascer. Seja gentil com elas e as alimentem até que elas possam levantarem-se firmemente sobre os seus dois pés."

"O desejo criativo precisa ser cuidado e regularmente nutrido."

"De o seu amor livremente e o amor voltará para você. Esta experiência enriquecerá a sua vida e o seu trabalho."

"O cérebro apoia-se na lógica do passado e do futuro mas o coração, por contraste, pulsa constantemente no presente."

"Uma das ações mais criativas que você pode fazer é encorajar e inspirar os outros nos seus projetos de criação." (Nota do Barbieri: Realmente eu pratico muito esta atividade e sei por prática que, no processo sempre aprendo alguma coisa, faço novas amizades e enriqueço o meu ser. Agora, aconselho sempre procurem fazer uma distinção entre ser "bom" e ser "bobo" porque, infelizmente tem muita gente ruim por aí.)

"O coração é jovem para sempre portanto consulte-o sempre que o corpo estiver cansado."

"Qualquer coisa que começada só com a metade do coração vai acabar acabada pela metade."

"Nos descrevemos certas experiências como comoventes. A criatividade pega algo comovente e o transforma numa jornada."

"Ser um artista é ter anjos sussurrando no seu ouvindo e demônios também!" -Graycie Harmon

"Não apenas aprenda coisas novas, sinta-as também!"

"Todo ato de criação é uma tentativa de por mais uma peça no quebra-cabeças da vida."

"Assim como duas cabeças são melhores do que uma, dois corações também são melhores do que um."

"Você saberá quando criou um trabalho de sucesso quando o seu coração inchar-se de orgulho!"

"Eu gosto de comparar energia psíquica com ondas de rádio. Mesmo que o rádio não esteja ligado o ar está cheio de sinais invisíveis provenientes de incontáveis estações de rádio operando em diversas frequências. Tudo que você tem que fazer para recebê-las é ligar o rádio e buscar uma estação." -John Edward

"Fique verdadeiramente, profundamente, loucamente apaixonado por criatividade!"

"Não existe uma coisa chamada realidade objetiva! Todos moldamos, usando nosso coração, nossa realidade subjetivamente."

"O coração criativo, trata toda experiência do mundo como um presente."

"Não tenha medo dos lados obscuros dos seu coração. Eles às vezes produzem os trabalhos mais ricos e criativos"

"Você realmente estará vivendo um sonho quando descobrir que está sonhando para viver."

"Nós somente podemos dizer que estamos vivos naqueles momentos em que o nosso coração está consciente dos nossos tesouros." -Thornton Wilder

"Umas das grandes maravilhas do mundo é o fato de que, para começar, nós somos capazes de nos maravilhar."

"O coração não tem apenas uma voz e sim um coral de vozes. Escute atenciosamente!"

"Dizem que as crianças deveriam serem vistas e não escutadas. A nossa criança interior não pode ser vista mas precisa ser escutada."

"Somente paixões, grandes paixões podem elevar a alma para grandes coisas. Sem elas não haverá nada sublime, tanto no lado moral quanto da criatividade. A arte nos retorna para a infância e a virtude." -Denis Diderot

"Já que uma grande porcentagem do nosso tempo é passado dormindo, nada mais natural do que uma grande porcentagem da nossa criatividade vir dos sonhos."

"Não é atoa que dizemos "conheço como a palma da minha mão", quando nos referimos à uma coisa que conhecemos de dentro para fora e de trás para diante."

"Quando nós falamos a palavra 'vida', você tem que entender que nós não estamos nos referindo à vida como nós a conhecemos pela sua superfície ou fato mas à respeito daquele frágil centro flutuante onde a forma nunca alcança." -Antonin Artaud

"O coração é como um pássaro chamado Magpie que roubas coisas sem percebermos. Dê uma olhadinha no ninho do seu coração e ficará surpreso com as suas descobertas." 

"Como é criamos alguma coisa do nada? Com desejo!"

"Consumir trabalhos criativos com seu coração é tão importante quanto criar com ele."

"Fique nervoso, fique triste, fique alegre, fique louco, fique do jeito que você quiser mas, sempre de forma apaixonada."

"Criatividade é o que surge quando o seu coração transborda."

"Nunca, jamais perca o seu coração!"

Introdução

O processo criativo e, a forma como o cérebro trabalha para executá-lo, ainda é um grande mistério. Me fascina o lado quase mágico e até viciante que esta atividade constante cria. Durante os anos, cada vez mais, para mim, a linha divisória ente os atos de compor música, criar artes gráficas e escrever parecem desaparecer, onde o que mais importa, de fato, é criar sempre, não importa o que, de que forma ou com que técnica.  

Este capítulo deste livro “O Coração Criativo” atraiu-me principalmente pelo uso da palavra “coração” que obviamente não fala de um coração orgânico mas, um coração simbólico como centro das emoções. Já faz um tempinho que venho buscando minha inspiração de forma orgânica e simbólica através do “estômago”. Já que costumamos, depois de muitos anos de luta, dizer que estamos “levando com a  barriga” acho nada mais natural do que criar por ela também. Aliás, existe muita emoção no abdômen pois, não é atoa que, em momentos difíceis, ficamos até com “um frio na barriga”.  Mas, falando sério, a verdade é que que nosso corpo é uma máquina muito complexa onde tudo está interligado e, o ditado “Mente Sana em Corpo Sano” deixa a coisa bem clara.

Mas voltando ao ato de criar, isto me leva a questão da consciência  e como o cérebro na sua incompreensível complexidade cria a nossa realidade mental.  Descartes nos brindou com uma frase muito inteligente “Cogito Ergo Sum”, (Penso Logo Existo) e na falta de algo melhor, prendo-me à esta máxima.  Abaixo vocês lerão algumas palavras poéticas e inteligentes ligando o coração, tratado neste caso, como como já disse, como o centro das emoções no ser humano e ligado à nossa criatividade.

Gostaria de lembra-los que tudo em torno de você, desde esta tela em você lê está matéria até a sua roupa, sua casa, os prédios e o asfalto da rua foram “pensados por um ser humano” antes de tornarem-se realidade.  Nós, construímos o nosso universo material e continuamente estamos desenvolvendo tecnologias,  modificando este mesmo universo material adicionando novas comodidades e ferramentas tipo a Internet com todo o seu universo online. Bom está claro que acabamos ficando escravos das nossas próprias criações. Acredito que a arte é um dos poucos recursos que nos restam para acessarmos a nossa verdadeira e original humanidade. Humanidade esta que está sendo enterrada por esta mesma realidade de nossa criação, material e ligada ao consumismo. 

 Portanto, à meu ver, nunca a arte, inspirada pelo “coração”, foi tão necessária! 

Antonio Celso Barbieri

O Coração Criativo

Um capítulo do livro 1001 Caminhos para Criatividade

Traduzido por Antonio Celso Barbieri

Como podemos criar conexões criativas e permitir que nossos corações nos guiem por caminhos novos e excitantes.

"A única parte de você que pode viver para sempre é o seu coração e a forma que ele vive para sempre é através dos trabalhos que você cria."

"A arte é a alfabetização do coração." - Elliot Eisner

"Para você ser realmente criativo você tem que, primeiramente, colocar o seu ego de lado."

"A razão porque o coração é tão importante durante o processo criativo é porque toda originalidade vem da honestidade."

"As perguntas que o coração faz são sempre mais universais do que aquelas que a mente faz."

"Se minha criação vem do coração ela sempre funciona e se ela vem da cabeça quase nunca."

"Um coração partido pode produzir tanta criatividade, ou mais, do que que um coração que nunca sentiu dor."

"Aquilo que você fizer com o coração tocará o coração dos outros…"

"Se você não abraçar as suas ideias elas nunca frutificarão. Tenha um coração valente!"

"Como é que você sente um sentimento? Sendo criativo!"

"O coração é o que nos mantém em contato coma natureza. Nós nos conectamos com o resto do mundo vivo através da empatia e compaixão. Se esta ligação é desconectada, somos incapazes de criar nada que seja significativo."

"Guarde sempre o seu coração na sua manga e molhe a sua caneta nele para criar."

"No coração de todo homem, existe um nervo secreto que responde às vibrações do belo." - Christopher Morley

"Algumas vezes, o coração é calmo mas, nunca totalmente silencioso."

"A mente nos ajuda muito quando buscamos a solução para um problema. Entretanto, na área de criação, o coração sempre lidera e nos guia na direção certa." 

"Um coração fraco nunca ganha honestamente área de criação".

"Sempre que nosso coração muda, o mundo também munda um pouquinho."

"O maior engano que uma pessoa criativa pode fazer é sempre expressar-se dizendo que ela acha que deveria estar sentindo em vez de o que ela realmente está sentindo."

"Se você sente vontade de chorar e rir ao mesmo tempo então provavelmente você está no caminho certo."

"Uma das melhores formas de relaxamento é concentrar-se nas batidas do seu coração. Desta forma, o coração relaxa a sua mente e assim, abre as portas das criatividade."

"Você não pode falsificar a criatividade. Se você não está preparado a trabalhar usando o seu coração, talvez seja melhor desistir desde já!"

"O coração nunca tem conhecimento de si mesmo. Se você aprender a confiar no seu coração, você logo descobrirá que pode criar livremente."

"O mais criativo presente que você pode oferecer ao mundo é a sua vida!"

"Todos os sentimentos internos da humanidade manifestam-se como uma realidade exterior." - Stuart Wilde

"Ser sem coração é ser sem arte."

"Use a sua mente e os seus sentidos para os pequenos detalhes e use o seu coração para ver o todo."

"Apaixone-se pela criatividade e ela se apaixonará por você também."

"Assim como o mundo, o coração também tem montanhas e precipícios. Nunca tenha medo de explorar os altos e baixos tanto no mundo como no coração."

"Todo retrato que é pintado com sentimento, na verdade, retrata o artistas e não o seu modelo." - Oscar Wilde 

"Faça com que o seu universo interior seja um lugar alegre para estar. Porque, senão você será simplesmente um marionete do seu ambiente exterior."

"O coração sabe o que quer dizer, o problema é silenciar a mente para que possamos escutá-lo claramente!"

"Em nossas vidas, as experiências de fazem nossos corações baterem mais forte, geralmente são as mesmas que nós fazem criar grande arte."

"Para ser criativo, ao contrário de pensar criativamente, você tem é que sentir-se criativo." 

"O coração é um músculo que precisa de exercício como qualquer outro músculo." 

"As amizades mais duradouras, geralmente foram cultivadas através da colaboração em projetos criativos."

"O que é criatividade senão liberdade! Como você pode realmente sentir-se livre à não ser que seja totalmente livre; na mente, corpo e espírito?"

"É somente com o coração que podemos ver completamente. O que é essencial é invisível para os olhos!" - Antoine de Saint-Exupéry

"Para explorar as emoções do coração temos que viajar por uma terra que só nós podemos visitar. O que você escolhe para usar no seu trabalho criativo nada mais é do que um guia para esta terra."

"Nesta sociedade, para que não pensem que somos loucos, estranhos ou diferentes, nós tendemos a passar nosso tempo tentando nos adaptar e conformar com o status quo. No entanto quando você estiver criando você tem que ser o mais louco, estranho ou diferente possível."

"Para criar o novo você tem que destruir ou, pelo menos, rearranjar o velho de forma inteligente. O novo trás no seu embrião a ruptura com o velho. O rock quando é bem feito e verdadeiro cria, não copia!" - Antonio Celso Barbieri

"Um coração entusiástico é a melhor proteção contra os desapontamentos que inevitavelmente encontram aqueles que trabalham na criação."

"Criatividade é o que acontece quando seu coração derrete."

"Muitas das melhores criações aconteceram resultados da luta entre o coração e a mente."

"A evolução e toda a esperança por um mundo melhor depende da visão de pessoas sem medo, de corações abertos e que abraçam a vida!" - John Lennon.

"A criança interior é o coração do adulto pedindo permissão para brincar!"

"A mente só pode lidar com o possível. Pra lidar com as impossibilidades da imaginação temos que usar o coração."

"Já existem milhões de trabalhos criativos neste mundo! Porque tenho que acrescentar mais um à esta pilha? A verdade é que a arte não é racional, ela é uma anseio, uma ordem que vem do coração."

"Seja como o Homem de lata do Mágico de Oz: Sai em busca do seu coração!"

"Criatividade é a batalha travada para dar eloquência aos murmúrios do coração."

"O ato de pintar é à respeito de um coração contando para o outro onde foi que ele encontrou a salvação." - Francisco Goya.

"Os triunfos e desastres da paixão são a maior fonte de material para criação."

"Aquilo que o coração sente nunca está errado."

"Faça um esforço consciente para questionar o que você sente e porque."

"Nada do que você criar será realmente verdadeiro se o seu coração também não for verdadeiro."

"Preencha o seu papel com a respiração do seu coração." - William Wordsworth

"O que é lógico à respeito das centenas de horas que Michelangelo gastou pintando o teto da Capela Sistina." 

"A criatividade depende do imprevisível e, não existe nada mais imprevisível do que o coração humano."

"O empenho na pesquisa fornece o combustível para o trabalho criativo mas é sempre o coração que bota fogo neste combustível."

"Todos os gênios pintam com a cor da emoção."

"Nenhum coração é totalmente luminoso ou escuro. Da mesma forma, nenhuma arte é totalmente luminosa ou escura."

"Um indivíduo que não interessa-se pelos outros seres humanos, é quem mais prejudica as outras pessoas e acaba tendo as maiores dificuldades na vida." - Alfred Adler

"Porque é que um vaso é um objeto de arte e a sua vida não?"

"Ter um grande sentimento à respeito de um projeto, geralmente é mais importante do que ter uma grande ideia." 

"Grandes cientistas pensam claramente, grandes artistas sentem claramente."

"Assim como raramente usamos todo o nosso potencial mental, raramente usamos todo o potencial do nosso coração."

"As únicas limitações do coração são aquelas impostas pela mente."

"O seu sucesso em ser criativo, somente depende do poder dos seus desejos."

"Você nunca poderá tocar o coração dos outros se você também não for capaz de rir e chorar."

"Nós nunca poderemos realmente entender os nosso sentimentos mas, a criatividade os iluminará de formas diferentes."

"Expandir a sua mente significa expandir o seu coração também."

"Trabalhe por uma causa não aplauso!"

"A arte tem que ser uma expressão de amor ou então não é nada." - Marc Chagall

"Os sentimentos que te pegam de surpresa são o que mais recompensam serem explorados."

"Quando a mente consciente sente-se sozinha é a criatividade que restaura o seu senso de equilíbrio."

"Os nossos cérebros estão cheios de pensamentos e ideias das quais não temos conhecimento. É o coração que pesca estas joias e as apresenta para nossa apreciação."

"Os trabalhos de criação geralmente parecem perfeitamente racionais mas eles raramente são produzidos através de processos puramente racionais."

"Não faça apenas brainstoms (tempestades mentais usadas no processo criativo). Deixe-se mergulhar também em um ocasional heartstom (tempestade emocional)."

"Um momento de insight (visão, descoberta) tem mais valor do que uma vida toda de busca sem encontrar nada."

"A arte nos atrai somente pelo que ela revela do nosso mais secreto ser." -Jean-Luc Godard

"Nunca aceite qualquer coisa que o seu coração manda, cegamente. Analise seis instintos objetivamente porque algumas vezes estas mensagens podem não passar de apenas preconceitos." 

"Quanto mais você sentir, mais você irá criar!"

"Primeiro você deve escrever com o seu coração e depois deve reescrever com a sua mente."

"Nós criamos precisamente porque não sabemos tudo!"

"Os músculos da escrita não são visíveis mas ele são tão poderosos quanto os visíveis pois possuem determinação, curiosidade e um coração apaixonado." - Natalie Goldberg

"Todas as ideias são frágeis quando acabam de nascer. Seja gentil com elas e as alimentem até que elas possam levantarem-se firmemente sobre os seus dois pés."

"O desejo criativo precisa ser cuidado e regularmente nutrido."

"De o seu amor livremente e o amor voltará para você. Esta experiência enriquecerá a sua vida e o seu trabalho."

"O cérebro apoia-se na lógica do passado e do futuro mas o coração, por contraste, pulsa constantemente no presente."

"Uma das ações mais criativas que você pode fazer é encorajar e inspirar os outros nos seus projetos de criação." (Nota do Barbieri: Realmente eu pratico muito esta atividade e sei por prática que, no processo sempre aprendo alguma coisa, faço novas amizades e enriqueço o meu ser. Agora, aconselho sempre que procurem fazer uma distinção entre ser "bom" e ser "bobo" porque, infelizmente tem muita gente ruim por aí.)

"O coração é jovem para sempre portanto consulte-o sempre que o seu corpo estiver cansado."

"Qualquer coisa que é começada só com a metade do coração vai acabar pela metade."

"Nos descrevemos certas experiências como comoventes. A criatividade pega algo comovente e o transforma numa jornada."

"Ser um artista é ter anjos sussurrando no seu ouvido e demônios também!" -Graycie Harmon

"Não apenas aprenda coisas novas, sinta-as também!"

"Todo ato de criação é uma tentativa de por mais uma peça no quebra-cabeças da vida."

"Assim como duas cabeças são melhores do que uma, dois corações também são melhores do que um."

"Você saberá quando criou um trabalho de sucesso quando o seu coração inchar-se de orgulho!"

"Eu gosto de comparar energia psíquica com ondas de rádio. Mesmo que o rádio não esteja ligado o ar está cheio de sinais invisíveis provenientes de incontáveis estações de rádio operando em diversas frequências. Tudo que você tem que fazer para recebê-las é ligar o rádio e buscar uma estação." -John Edward

"Fique verdadeiramente, profundamente, loucamente apaixonado por criatividade!"

"Não existe uma coisa chamada realidade objetiva! Todos moldamos, usando nosso coração, nossa realidade subjetivamente."

"O coração criativo, trata toda experiência do mundo como um presente."

"Não tenha medo dos lados obscuros dos seu coração. Eles às vezes produzem os trabalhos mais ricos e criativos"

"Você realmente estará vivendo um sonho quando descobrir que está sonhando para viver."

"Nós somente podemos dizer que estamos vivos naqueles momentos em que o nosso coração está consciente dos nossos tesouros." -Thornton Wilder

"Umas das grandes maravilhas do mundo é o fato de que, para começar, nós somos capazes de nos maravilhar."

"O coração não tem apenas uma voz e sim um coral de vozes. Escute atenciosamente!"

"Dizem que as crianças deveriam serem vistas e não escutadas. A nossa criança interior não pode ser vista mas precisa ser escutada."

"Somente paixões, grandes paixões podem elevar a alma para grandes coisas. Sem elas não haverá nada sublime, tanto no lado moral quanto da criatividade. A arte nos retorna para a infância e a virtude." -Denis Diderot

"Já que uma grande porcentagem do nosso tempo é passado dormindo, nada mais natural do que uma grande porcentagem da nossa criatividade venha dos sonhos."

"Não é atoa que dizemos "conheço como a palma da minha mão", quando nos referimos à uma coisa que conhecemos de dentro para fora e de trás para diante."

"Quando nós falamos a palavra 'vida', você tem que entender que nós não estamos nos referindo à vida como nós a conhecemos pela sua superfície ou fato mas à respeito daquele frágil centro flutuante onde a forma nunca alcança." -Antonin Artaud

"O coração é como um pássaro chamado Magpie que roubas coisas sem percebermos. Dê uma olhadinha no ninho do seu coração e ficará surpreso com as suas descobertas." 

"Como é que criamos alguma coisa do nada? Com desejo!"

"Consumir trabalhos criativos com seu coração é tão importante quanto criar com ele."

"Fique nervoso, fique triste, fique alegre, fique louco, fique do jeito que você quiser mas, sempre de forma apaixonada."

"Criatividade é o que surge quando o seu coração transborda."

"Nunca, jamais perca o seu coração!"

angel with guitar
O anjo e a guitarra. Arte: Uma colagem digital de Antonio Celso Barbieri.

peace signO simbolo da paz, foi criado e usado pela primeira vez no Reino Unido, na Campanha Para o Desarmamento Nuclear e acabou transformando-se no mais importante símbolo da contracultura nos anos 60. Nos Estados Unidos e Canadá este símbolo também virou sinónimo de oposição à Guerra do Vietnam


Por uma Nova Contracultura
escrito por Antonio Celso Barbieri

O que é contracultura?

Muito embora, na minha juventude eu tenha sentido “na pele” o que foi a contracultura, nunca tive a necessidade de explica-la, de transformar em palavras o seu significado. Exemplos de nomes de músicos, escritores  e personagens da contracultura nunca me faltaram mas, com o tempo, percebi que o conceito de contracultura  acabou fundindo-se de forma leviana com a do Movimento Hippie. Portanto, suponho que este problema de transformar a nossa experiência em palavras não seja um problema só meu. Minha geração viveu a contracultura, são veteranos e portanto provavelmente não sentem a necessidade de falar sobre ela, mesmo porque, aos olhos desta nova geração que está aí, somos “os dinossauros” os “velhos hippies”. Bom, para criticar, temos que conhecer primeiro! Acho importante reconhecermos que o movimento contracultural mundial foi realmente revolucionário e suas marcas estão presentes até hoje. 

Este artigo que transcrevo abaixo, surpreendentemente foi publicado no Brasil em junho de 1974 no auge da Ditadura Militar. É incrível que ele tenha conseguido ser publicado. Também, o leitor perceberá que não existe nenhuma referência ao comunismo e até a palavra capitalismo não é citada. 

Hoje em dia, uma visão sociológica da contracultura certamente usaria a palavra “processo” dentro de uma visão quântica porque certamente a contracultura como mostra o artigo abaixo não surgiu do nada.



Precisamos de uma  Nova Contracultura?

Sim! Acredito que nossa rápida entrada neste “universo online” acelerou o processo da perda da individualidade, perda da privacidade, criou uma demanda viciante por tecnologia e certamente causará uma baixa do nível intelectual da população. Como recentemente declarou os escritor e mestre de semiótica Umberto Eco, estamos vivendo apenas com a “memória de curto prazo”. O passado não tem mais relevância e infelizmente sem o conhecimento do passado nunca criaremos um futuro melhor. O problema hoje em dia não é “informação”. Com o advento da Internet, informação é o que não falta! O duro é filtrar esta quantidade absurda de informação para encontrarmos nela “o conhecimento” que nós permitirá evoluir como Seres Humanos.



Infelizmente a ganância capitalista pelo lucro fácil, transformou os meios de comunicação numa cultura de celebridades sem nenhum valor cultural. Os alunos das universidades viraram apenas fonte de renda e milhares e milhares de profissionais de baixo nível são formados e colocados no mercado de trabalho todos os anos. Este profissionais sem cultura, acabaram chegando nas áreas de comunicação de massa e obviamente gerando conteúdo de baixa qualidade que por sua vez participará da formação de uma nova geração de incompetentes e assim por diante numa espiral negativa sem fim. Desta forma, a idiotocracia virou uma instituição. À um bom tempo atrás quando entrevistei Alice Cooper perguntei para ele como estava a arte de chocar. Sua resposta foi: "Como posso chocar álguem quando todo dia a CNN mostra filas de gente morta esticada pelo chão. Os artistas hoje vivem do rumor e do culto da celebridade!"

Pense desta forma: Olhe em volta e veja tudo ao seu redor. Esta tela que você esta usando para ler esta matéria foi primeiramente “pensada”, concebida dentro do cérebro de alguém antes de ser criada, a roupa que você veste, a casa onde você mora, os prédios, carros nas ruas e até as próprias ruas, etc. Foi tudo antes pensando. imaginado primeiro por pelos Seres Humanos. Quer dizer, só com o poder da nossa mente construímos o mundo em que vivemos. Agora, não satisfeitos com o “mundo real” estamos construindo um “mundo virtual digitalizado”. Para nos adaptarmos à este novo mundo, estamos mudando, com implicações não muito claras quanto ao nosso futuro e a evolução da nossa sociedade neste planeta. Fico até pensando se o “mundo real” é real mesmo!



Nunca achei que a solução para os nossos problemas seja colocar um freio no progresso. Muito pelo contrário mas, acho que é importantíssimo manter uma visão e atitude dialética onde possamos manter sempre a sociedade em cheque para nunca, de forma nenhuma, perdermos a nossa humanidade. Considere esta matéria abaixo como mais uma pequena contribuição minha para que tenhamos um futuro melhor.







Antonio Celso Barbieri

hippie art
Arte Hippie ou Arte Pop?

Contracultura
A outra face da sociedade moderna

Texto publicado no “fascículo de Cultura Moderna da revista MM em junho de 1974


O repúdio das gerações jovens à “coisificação” do indivíduo produzida pela sociedade de massas, origina o fenômeno da “contracultura”, fascinante e contraditório, que aspira configurar uma nova “consciência”.

Quando a geração mais jovem começou produzir sua própria realidade, procurando diferenciar-se de seus pais, a contracultura se transformou numa verdadeira recusa de toda a ordem social existente, levantando bandeiras políticas e colocando nas formas econômicas a causa da alienação e infelicidade humanas. Esses propósitos foram veementemente manifestados nas grandes concentrações públicas, que conseguiram reunir milhares de jovens de todo o mundo.

Se um traço parece ser distinto entre a década passada (nota do Barbieri: a matéria provavelmente refere-se aos anos 60) e o começo da década presente (anos 70) é aquele que como regra geral tem sido chamado de “rebelião juvenil”. Esse conceito, amplo e ambíguo, define uma das problemáticas mais palpáveis da realidade contemporânea e se explica por meio de dois fenômenos simultâneos em sua manifestação e justapostos em suas consequências: a nova consciência e a contracultura.

Atrás dessas denominações genéricas e um tanto difusas há, todavia, uma realidade inquestionável e um denominador comum: a repulsa das gerações mais jovens a tudo aquilo que seja tradição, padrões estabelecidos, normas inflexíveis, valores universais e definitivamente válidos.

Como forma peculiar de manifestar sua oposição ao sistema vigente, a juventude começou a produzir uma série de fenômenos  que, em termos antropológicos entram no amplo campo da cultura: anarquia no vestir (as primeiras tentativas de cabelo comprido e roupa desmazelada realizadas pelos jovens norte-americanos da década de 50), relaxamento dos costumes e das relações (expressas plenamente com o movimento  hippy, também conhecido como “hippie”), ruptura com os padrões artísticos aceitos por anos (aparecimento da “pop”, da “op” e outras anárquicas expressões de arte contemporânea) e, por último, questionamento da ordem social e econômica imperante (a crítica social do alemão Herbert Marcuse, que fundamentou as rebeliões estudantis de Paris em 1968).

Em síntese, a contracultura procura, de uma forma ou de outra, colocar um fim na ordem aprazível, na qual se havia encastelado o mundo ocidental e abrir-se em relação a um universo de dimensões e proporções desconhecidas, que ao mesmo tempo atrai e repugna. 

vietnan protest
Protesto contra a Guerra do Vietnam os jovens passam a contestar!

Tecnocracia e contestação



Logo ao término da Segundo Guerra Mundial, à medida que se afirmava a hegemonia internacional dos Estados Unidos, os padrões culturais dessa poderosa nação começaram a reger os desejos de todo o mundo ocidental. Assim, os ideias de “progresso sustentado”, “modernização constante”, “racionalização plena”, “planejamento absoluto” e outros similares, converteram-se em imperativos, indissoluvelmente ligados às esperanças de segurança social, felicidade individual, adequada relação entre homens e recursos, em suma, às esperanças que despertaram o fim dos horrores da guerra. 

O formidável desenvolvimento tecnológico e os assombrosos feitos da ciência, assim como o elevado nível de vida e a esplêndida satisfação de necessidades 
  de que desfrutou a população norte-americana durante os primeiros anos da década de 50, fizeram supor que aqueles ideias estavam a ponto de serem alcançados e que havia um único caminho para isto: a recém-institucionalização tecnocrática. Em termos sociológicos, esta é a forma em que a sociedade industrial avançada concebe todo o seu sistema organizativo. 

Segundo Theodore Roszak, o grande segredo da cega aceitação que durante muitos anos provocou a tecnocracia é a sua capacidade de convencer, sobre a verdade de três premissas que são fundamentais:

1. As necessidades vitais do homem são de caráter puramente técnico. Os requisitos da condição humana, portanto, podem ser adequadamente entendidos e resolvidos por meio de um sistema de análises e de um método operativo que se sustenta nesta afirmação.

2. A análise e a interpretação das necessidades do homem, assim como a sua satisfação programada, resultam infalíveis em 99% dos casos. Desta maneira, a tecnocracia instaura o princípio de que unicamente submetendo-se a seus ditados o homem encontrará progresso, segurança e bem-estar, inclusive ao preço de uma progressiva despersonalização e perda de responsabilidade.

3. Os especialistas da tecnocracia – habitualmente chamados tecnocratas, fazem parte de uma espécie de céu de eleitos que lhes possibilita não apenas o conhecimento das leis sociais, mas, também, e isso talvez seja o mais importante, uma elevada posição dentro do “status” existente. É fundamental, pois, alcançar, de qualquer forma, esta posição de privilégio.

Apesar do êxito inicial que tiveram esses postulados, logo a seguir algumas mentes começaram a assinalar, de forma isolada e até quase incoerente, os perigos que semelhante ordem social acarretava: perda da individualidade, alienação em função de um consumo crescente e desnecessário, incapacidade de tomar determinações pessoais e absoluta desvinculação dos centros de poder com a  massa da população.

Não obstante essas advertências, formuladas por pensadores como Norman Mailer, Herbert Marcuse, Henry Lefebre e Jean Paul Sartre, entre outros, os adultos dos anos 50 aceitaram passivamente a nova realidade social que se lhes estava impondo e deixaram a função de denúncia nas mãos de reduzidos grupos de intelectuais ou universitários. 

Alguns focos de rebeldia, marcados sobretudo pelo existencialismo sartreano começaram, não obstante, a propagar-se pelos países mais devastados da Europa e pelas cidades mais populosas dos Estados Unidos. Quem foram estes rebeldes? Como manifestaram sua insatisfação? Basicamente se tratou de artistas que que utilizaram diversos meios de expressão para tornar público seu desagrado, seu “fastio intelectual” como diziam alguns.

Na França, por exemplo, o movimento existencialista encontrou seu expoente máximo na cantora Juliette Greco que, sem nenhuma maquiagem ou vestuário especial, cantava temas onde o sonho de um mundo sem guerras e livre de opressões econômicas era um tema constante.  Nos Estados Unidos, o novelista Jack Keruac e o poeta Allan Ginsberg  postularam uma possibilidade redentora através da cultura oriental, até então completamente ignorada no ocidente.

Outros nomes, mais ou menos memoráveis, poderiam ainda serem citados. O jovem James Dean, por exemplo, construiu dentro do mundo cinematográfico o paradigma do inconformismo para muitos jovens do mundo todo. Outro ator, Marlon Brando, instaurou do mesmo modo a violência incontrolável como meio de manifestar repugnância em relação à sociedade norte-americana. O quase adolescente Andy Warholl, por seu lado, destruiu os clássicos moldes da expressão plástica e inaugurou um caminho que ainda transita com singular popularidade.

Todos, entretanto, não chegaram a se constituir em mais do que precursores do que apenas 20 anos depois seria um fenômeno de dimensões universais e de proporções incontroláveis: a contracultura em nível massivo e popular. Qual era – e qual é – seu objetivo primordial? Pode-se resumir nos seguintes postulados: 

“Opor à arregimentação da tecnocracia um mundo mais espontâneo, onde os indivíduos tenham um amplo campo de esclarecimento, onde as responsabilidades individuais e sociais sejam plenamente assumidas, onde o consumo deixe de ser o centro da vida de milhões de pessoas, onde os sentimentos humanos possam ser expressos livremente, onde os instintos do homem, finalmente, possam ser satisfeitos, sem nenhum tipo de condicionamento cultural.”

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Festival de Woodstock em 1969 ajuda a revelar para o mundo uma nova sexualidade.

Eros e civilização

Com efeito, desde que Sigmund Freud afirmou ser a base de toda a organização social o controle do “princípio do prazer” em nome da civilização, foram muitos os estudiosos que postularam a necessidade de que o homem, para ser autenticamente tal, devia livrar-se das pressões provocadas pelas sociedades que ele mesmo criara. 

Assim, o psicanalista, Wilhem Reich foi um dos primeiros, da década de 30, em insistir sobre a necessidade  de uma absoluta liberdade sexual: abolição da relação por casal, substituindo-a pela relação múltipla; ruptura com tabus sobre adultério e virgindade; liberação das travas que, através do sexo, a sociedade impõe, obstruindo o desenvolvimento da mulher; e reconhecimento humanitário da homossexualidade e bissexualidade em lugar de puni-las legalmente. Em suma, um catálogo de propostas de liberdade irrestrita na ordem erótica que, segundo afirmava Reich, haviam de conduzir à libertação total do ser humano.
Outro adulto, científico também, formado muito intimamente com a escola freudiana, é o alemão Herbert Marcuse, que recuperou como centro de seus estudos a oposição entre Eros e a Civilização  e cujos escritos políticos foram a bandeira teórica das rebeliões estudantis de Paris em 1968.


Mas, seria na volumosa obra de Jean Paul Sartre que essas – e outras – afirmações contra um regime social que os estudiosos consideram injusto, encontraria sua mais explosiva formulação e seus primeiros resultados práticos.

A força com que essas teorias se afirmaram entre a juventude dos anos 50 foi expressa por meio de profundas cabeleiras masculinas, os primeiros sinais de descuido no vestir, os tímidos intentos de uma moral menos puritana e mais liberal, o nascimento dos movimentos femininos de liberação e, muito especialmente, as expressões artísticas que denunciavam como complacentes e alienadas tudo o que havia sido feito até então.

Autores como Jean Genet, Albert Camus, Eugene Ionesco, Samuel Becket e os já mencionados Keruac e Ginsberg, expressaram através de suas obras teatrais, seus poemas e suas novelas, essa sensação de absurdo e essa espécie de insatisfação total ante os termos em que se concebia a vida na sociedade ocidental. Em todas as produções, como aríete, o sexo era o tema dominante.

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O congestionamento para chegar ao Festival de Woodstock.

A explosão juvenil



Mas, em mais de um sentido, essa atividade contra cultural continuava sendo eminentemente “cultural”. Eram produzidas por homens adultos e consumidas por intelectuais sofisticados. De fato, permanecia marginalizada em cenáculos de especialistas e não alcançavam nenhum tipo de transcendência massiva.

Foi necessário, pois,  que a geração mais jovem, a que nasceu por volta de 1940, começasse a produzir sua própria realidade, procurando diferenciar-se de seus pais. Nesse momento a contracultura se transformou numa verdadeira recusa de toda a ordem social existente, mas não fez, como no caso do existencialismo, em nome de um mero protesto individual, mas sim levantando bandeiras políticas e colocando nas formas econômicas a causa da alienação e infelicidade humana.

A quase ingênua rebeldia do Rock’n’Roll deixou lugar à revolução musical simbolizada pelos Beatles. Sons novos, ritmos incoerentes, bailes sem normas, canções com letras onde o amor livre e o relacionamento com a natureza eram uma constante, identificaram-se com o uso de roupas  não convencionais, com impressionantes cabeleiras e com atitudes desconcertantes.

Ao mesmo tempo, os setores mais inconformistas  procuraram segregar-se do corpo social que com relativa elasticidade havia acabado por aceitar e absorver aquilo tudo simbolizado pelos Beatles, formando pequenas comunidades, de autonomia autossuficiente, onde colocavam em prática uma série muito confusa de noções que caíram sob o denominador comum de “hippismo”.

Simultaneamente, também o mundo da arte acadêmica rompia as comportas e os movimentos radicais (pop, op, cinético, etc.) começaram a suceder-se vertiginosamente. As drogas como estimulantes na obtenção de sensações desconhecidas e a busca de verdades absolutas nas tradições orientais do budismo e a cultura foram, finalmente, os pontos culminantes e unificadores dessas tendências díspares. 



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Um dos muitos ônibus psicodélicos dos anos 60 sugerindo a vida em comunidade.

Um balanço revelador



Que é, em suma, o que trouxe de novo a contracultura?



Em tal sentido, o Institute of Social Research (Instituto de Pesquisa Social), de Nova York elaborou o seguinte esquema que, a título de balanço provisório, tenta traçar um sintético panorama das regaras abarcadas pela contracultura e seus efeitos mais visíveis na vida cotidiana:

1. Uma arte em caos permanente.
À convencional visão da arte ordenada e organizativa, a contracultura apôs, com melhores resultados, a noção da anarquia e o caos como fundamentos da produção artística.

2. Uma moral psicodélica.
Nada do que foi dito teria sido possível sem o prévio aparecimento de uma nova moral, mas essa também não teria se consolidado se não tivesse havido no terreno artístico a experiência psicodélica. A utilização consciente das drogas, a investigação a fundo dos sentidos, a ruptura do mundo das formas, cores e sons, permitiram aos contestatários suspeitar que a moral devia estar regida por valores em constante movimento.

3. O sexo como instrumento político.
A partir de Freud e de acordo com as investigações de vários psicanalistas, considerou-se que a repressão sexual da sociedade ocidental encobria sob suas normas morais e religiosas uma verdadeira repressão ideológica. A contra cultura arremeteu, através da defesa de todo tipo de sexualidade e, especialmente, dos movimentos de liberação feminina, contra a concepção, afirmando-se inequivocamente a “a função política do sexo”.

4. A busca do infinito perdido.
Tanto a análise do interior da sociedade como as informações oferecidas por especialistas em cultura oriental permitiram que a contra cultura levantasse como bandeira de luta a necessidade de admitir a existência de um vazio “de um infinito aterrador, onde o homem encontra a medida de si mesmo e dá um sentido verdadeiro à vida”.

5. A economia a serviço do homem.
Este é possivelmente o campo onde a contracultura logrou menos resultados diretos. Com efeito, nem as comunidades hippies, nem os atos de rebeldia estudantil, propuseram um sistema econômico que substituísse os existentes, limitando-se a criticar os resultados que estes motivam. Em troca, essa crítica radical e violenta originou uma série de revisões nos planos de economia mundial que, a título provisório, parecem indicar uma tendência generalizada em direção à “humanização” da economia. (Nota do Barbieri: como hoje bem sabemos o capitalismo reagiu e os neo conservadores no poder estão conseguindo anular todas as conquistas liberais deste período!)

6. Desmistificação da cultura.
Este item, segundo os especialistas, foi onde “se alcançou os resultados mais eficazes e revolucionários”. Contra o que consideram uma noção elitizante da chamada Alta Cultura, o movimento juvenil, dizem, “impôs, uma  concepção definitivamente democrática onde a cultura sem letra maiúscula e sem qualificativos é patrimônio comum a todos os homens”. Não se trata, acrescentam, da conhecida “cultura de massas” mas, pelo contrário, “de uma cultura destinada a satisfazer autenticamente as necessidades expressivas do ser humano”.

7. Objetividade contra mitologia.
Como resultado total da tarefa destruidora empreendida pela contracultura, a objetividade aparece como a contrapartida dialética da mitologia fundamentada na tecnocracia. Assim, enquanto as gerações adultas continuam crescendo em eficácia, no progresso constante, nas vantagens de uma crescente industrialização, a gente jovem renega não apenas essas crenças; consideram-nas “mitos modernos”, que ocultam a dinâmica da história, subtraem do indivíduo a capacidade de fabricar seu próprio destino, oferecem uma visão pessimista da realidade. 







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Foto emblemática do Festival de Woodstock que acontece no auge do Movimento Hippie.

Exploração da utopia



Como todo movimento social que se define no curso da ação social e que justifica, “a posteriori”, sua inexistente base ideológica, a contracultura alcançou uma espécie de clímax em que tudo parecia possível e começou logo a declinar, a retrair-se em seus próprios efeitos. Esse momento culminante foi o marcado pelas rebeliões estudantis ocorridas na Europa durante 1968 e cujos ecos tardios (por exemplo o festival de Avándaro) na América Latina, apenas lograram ocultar o acaso de uma década marcada  a fogo pela ideia da revolução.

Depois deste estalo brutal, a contracultura começou a depurar suas próprias filas, a integrar-se pacificamente no sistema que combate e ao qual impôs, sem dúvida, radicais transformações. Chegou então a hora dos balanços, do acerto de contas. E é nesse processo que se encontram atualmente seus teóricos mais importantes. Herbert Marcuse, por exemplo, dono de uma atividade criadora assombrosa, foi o primeiro a revisar muitas de suas concepções e a formular novas propostas a favor de um mundo melhor. Os radicais norte-americanos deixaram para trás o arrebatamento de Ginsberg e procuraram, através dos trabalhos de Noam Chomsky, uma base teórica que torne operativa a contracultura espontânea de estudantes e gente jovem em geral. Os artistas, que com tanto fervor romperam fronteiras durante a década passada, começaram a fixar novas metas e, a moral, tão ferozmente combatida, parece renascer sobre a base de conteúdos diferentes e formas originais.



Tudo indica, em seu conjunto, a síntese das experiências vividas e a formulação, partindo delas, de objetivos transformadores em escala mundial. O processo se verifica à margem de organismos oficiais e de sistemas institucionalizados, não reconhece nenhuma orientação precisa e se identifica, em todas as partes, como uma nova e vigorosa exploração da utopia.

Texto publicado no
fascículo de Cultura Moderna
da revista MM em junho de 1974

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O cartaz do Festival de Woodstock

london storm

O vendaval em Londres e a mentalidade do povo....
escrito por Antonio Celso Barbieri

Em outubro de 2013 Londres foi palco de uma tempestade muito forte. O vento foi tão forte que derrubou muitas árvores. No outro dia, de dentro de um ônibos, tive a inspiração para escrever o texto abaixo. Infelizmente notei que o mesmo continua tão válido quanto no dia que foi escrito:  

Hoje, junto com minha esposa tomamos o ônibus 141 e fomos até um Shopping Center tomar nosso costumeiro capuchino. O trajeto normalmente leva mais ou menos uns 20 ou 25 minutos. Neste período vimos dezenas e dezenas de árvores caídas. A maior parte isolada com faixas de segurança e muitas já sendo cortadas com serras elétricas. Lembrei-me que justamente no ano que cheguei em Londres, em 1987 aconteceu o maior vendaval dos últimos 100 anos. Na época foi a coisa mais assustadora que já tinha presenciado. O uivo do vento dentro do meu quarto era assustador e o vidro da janela não tinha nenhuma proteção. Da janela, pude ver enormes pedaços de madeira violentamente voando no céu e, um deles entrar por uma vidraça de um apartamento quebrando o vidro e depois a cortina voando para fora da janela parecendo desesperadamente estar pedindo por socorro. O barulho e o medo de que o vidro da minha janela quebrasse me fez ficar acordado a noite toda! No dia seguinte e por 3 dias Londres literalmente parou. Só no Hide Park 700 árvores tinham caído! 18 pessoas morreram.

Bom, o vendaval desta semana foi feio mas não pode ser comparado com o de 1987. Outro fato curioso é que o serviço de meteorologia da BBC, em 87, cometeu o maior erro de sua história. Ainda me recordo do repórter dizendo que as reportagens sobre o furacão vindas da França eram exageradas e que a população não deveria preocupar-se.

Coincidentemente eu tinha acabado de comprar um rádio Sony de ondas curtas para ver se captava alguma rádio brasileira.

Portanto, possivelmente em Londres, fui um dos poucos que sabia o que estava por vir pois captei transmissões de Paris falando que todos os portos com destino à Dover na Inglaterra tinham sido paralisados. Segui as transmissões até o furação chegar à Dover e daí por diante não deu nem para escutar o rádio e logo a eletricidade foi cortada. Foi brutal!

Recebi um e-mail ontem de um amigo perguntando: "Aí também tem isto?"

Hoje no ônibus vendo todas aquelas árvores caídas fiquei pensando na pergunta dele.

Desde quando a natureza escolhe lugar? O Primeiro Mundo não tem tragédias naturais? O Japão não tremeu e teve um tsunami devastador? USA não tem furacões terríveis todos os anos? Esta ideia de comparar o Brasil com os países do Primeiro Mundo parece cheio de ignorância e baseada em alguma falsa premissa. Aqui também tem enchentes, roubos, congestionamentos, erros médicos, maus professores, maus vizinhos, ladrões, muito tráfico de drogas, prostituição, abuso de crianças, tudo que tem aí. Só que, Londres comparado com São Paulo é uma pulga! Então estatisticamente, em SP tem mais violência que associada à desonestidade política normalmente aparece muito mais.

Querem saber uma verdade, o povão brasileiro é exatamente igual ao Inglês! A grande diferença é que os seus políticos que, também são gente de mal caráter, não roubam demais o seu povo e sim, o povo dos outros países que eles literalmente invadem e saqueiam. O povo inglês e norte americano é comprado com benefícios governamentais e educado desde criança com a ideia de que é superior e pertence à ordem dominante mas, no fundo, como os brasileiros, vivem também com viseiras correndo atrás de uma "cenoura consumista" pendurada na ponta de uma vareta capitalista!

 Antonio Celso Barbieri

Luiz Gushiken
Luiz Gushiken


Falece Luiz Gushiken, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores!


Sábado, 14 de setembro de 2013

Luiz Gushiken, ex-ministro das Comunicações no primeiro governo Lula morreu ontem à noite no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado com câncer. Tinha 63 anos. Gushiken,  era considerado, desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, um dos petistas mais próximos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Administrador de empresas e deputado federal durante três legislaturas, de 1987 a 1999, Gushiken também militou no grupo Liberdade e Luta, conhecido como Libelu.

Na década de 1970, quando foi funcionário do Banespa, participou intensamente do movimento sindical paulista, a ponto de ocupar diversos cargos na diretoria do Sindicato dos Bancários do Estado de SP entre 1978 e 1985, sendo este último ano marcado por ter liderado a categoria em uma greve nacional que mobilizou 700 mil pessoas.

Um ano após a grande paralisação, tornou-se membro do diretório nacional do PT e, em novembro, acabou eleito para seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

Considerado um ex-radical, o petista alcançou, em 11 de dezembro de 1988, a 1ª vice-presidência da Executiva Nacional do PT e tornou-se presidente interino a partir de janeiro do ano seguinte, ocupando lugar que era de Olívio Dutra. Gushiken permaneceu no cargo até 1991.

Em 1989, foi um dos principais coordenadores da campanha de Lula para a Presidência da República, na qual o candidato perdeu para Fernando Collor de Mello (PRN). Anos depois, Gushiken votou na Câmara a favor da abertura do processo de impeachment do então presidente Collor.

O ex-bancário também participou do comitê que organizou a campanha de Lula ao cargo de chefe do Executivo nacional nas eleições de 1998, porém novamente o petista saiu derrotado, desta vez por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Após algumas derrotas, finalmente, na eleição de 2002, o ex-metalúrgico tornou-se presidente da República. O líder de sua equipe de transição foi Antônio Palocci, que escolheu Luiz Gushiken para ser seu coordenador-adjunto. Ainda no mesmo ano, Lula indicou Gushiken para comandar a Secom (Secretaria de Comunicação do Governo), com uma verba para gastos em publicidade estimada à época em R$ 113,2 milhões.

Luiz Gushiken hospital
O senador Suplicy visitou Luiz Gushiken no Hospital Sírio Libanês

A Trajetória

Gushiken nasceu no município de Osvaldo Cruz (SP) em 8 de maio de 1950. Em 1970, tornou-se escriturário do Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Começou a militar na tendência Liberdade e Luta (Libelu), braço estudantil da OSI (Organização Socialista Internacionalista), de orientação trotskista.

Em 1982 tornou-se secretário-geral do sindicato e, em 1985, presidente da categoria. Nesse mesmo ano, liderou uma greve nacional de três dias que paralisou 700 mil bancários.
Em 1980, participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) e, em 1983, da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Em 1986 foi eleito membro do Diretório Nacional do PT e, em novembro, foi eleito deputado federal pelo PT de São Paulo.

No final de 1986, deixou a presidência do Sindicato dos Bancários e, no ano seguinte, assumiu uma cadeira de deputado no Congresso Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988.

Em 1989 tornou-se presidente nacional do PT e coordenou a campanha de Lula à Presidência, que terminou em segundo lugar no pleito. Deixou a presidência do partido em 1991.
Em 1992, apoiou o impeachment do presidente Fernando Collor (PRN). Reeleito deputado federal em 1994, em 1998 desistiu de disputar novo mandato para coordenar outra campanha de Lula à Presidência. Depois, montou uma empresa de consultoria para a área de previdência.

Em 2002, após a eleição de Lula, tornou-se coordenador-adjunto da equipe de transição e foi nomeado ministro da Secretaria de Comunicação de Governo.

Em 2005, foi acusado pelo ex-dirigente do Banco do Brasil Henrique Pizzolato de ter influído nas decisões de investimentos de cinco fundos de pensão ligados a estatais, que contrataram a Globalprev Consultores Associados, que pertencia a dois ex-sócios de Gushiken. Gushiken negou as acusações.

Deixou a Secretaria de Comunicação e perdeu o status de ministro, assumindo a função de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos. Em novembro de 2006, pediu demissão do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência afirmando que as acusações se transformaram em "prova de culpa".

"Os aspectos deletérios daquela crise [do mensalão] também não podem ser esquecidos. Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa", afirmou o petista na carta.

Barbieri comenta:

Independentemente de sua posição política, devemos reconhecer que Gushiken, deixa um legado de fazer inveja. Sua história e carreira política foi sempre consistente com seus ideais revolucionários. Gushiken literalmente, como lá pelo começo dos anos 80,  pessoalmente descobri, nunca fugiu do perigo e, desde sua luta pela democracia até a sua última batalha contra o cancer, manteve sempre sua dignidade intácta. Descanse em paz!

Antonio Celso Barbieri

 

Não deixem de ler este artigo que escrevi

relatando o dia em que fui salvo por Luiz Gushiken

 


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ANGÚSTIA
48 Hour Film Project
London 2008

Escrito por Antonio Celso Barbieri

Mas que angústia! Eu sei, eu sei! O assunto é um pouco controverso! Especialmente para os meus amigos do rock. Mas, esta história, para mim, é muito interessante, foi um grande desafio para ser realizado e simplesmente não merece ser relegado ao esquecimento.

A proposta

Fazer um filme, do começo ao fim, em apenas 48 horas!

Como tudo começou!

Um dia, o telefone tocou. Era Ricardo Alcântara, um amigo, convidando-me para fazer parte do seu grupo chamado The Amigos Writers. Eles queriam participar do 48 Hour Film Project que passava por Londres. Ele achava que eu era a pessoa certa para editar o vídeo. É claro que aceitei o convite!

48 Hour Film Project é um evento que já vem acontecendo, à alguns anos, pelo mundo. A coisa funciona assim: Quando o projeto chega na sua cidade, os grupos que querem participar, registram-se e, no dia marcado, um representante de cada grupo comparece para, literalmente tirar da cartola um estilo. Pode ser drama, musical, comédia, terror, etc. Todos os “curtas”, vem que obedecer certos requisitos básicos que, podem variar de cidade para cidade. Nesta ocasião, estes foram os requisitos obrigatórios:

1) Um dos personagens deveria ter o nome Danny Thompson.
2) Um dos personagens deveria estar fazendo um curso sobre apreciação de vinhos.
3) Em algum momento, teríamos que usar uma lanterna.
4) Incluir a tradicional tela referência de cores no começo do vídeo (baixado da Internet).
5) Seguido pela curta animação do logo do festival (baixado da Internet).

No dia marcado pela organização do evento, Ricardo compareceu e, para sorte nossa, fomos brindados com o tema "drama".

À partir deste momento, a corrida contra o tempo começou! Tínhamos apenas 48 horas para criar uma ideia, escrever um roteiro (script), ensaiar, achar um lugar apropriado, filmar, editar, gravar um DVD  e entrega-lo no ponto de entrega da organização.

Corremos para uma casa,  sentamos todos em torno de uma mesa munidos de uma caneta e uma folha de papel em branco e começamos o "brainstorm".  Éramos apenas 4 pessoas.

As limitações e o processo de criação

Para mim, um dos grandes problemas, seria o tempo perdido buscando um lugar para filmar, sem contar a necessidade de autorizações legais para sairmos com uma câmera filmando pelas ruas de Londres. Se já não bastasse as taxas e burocracia existentes, com esta onda de terrorismo, a coisa andava muito séria e qualquer estrangeiro com uma câmera tinha que tomar muito cuidado com o que filmava.  Em Londres, se você estiver filmando com uma câmera de mão você ainda pode enganar mas, se colocar um tripé no chão a polícia pode surgir como um enxame de abelhas por todos os lados.   

Pensei imediatamente na possibilidade de filmarmos em um lugar fechado tipo um quarto. No entanto, buscava algo mais minimalista, mais atemporal. Ah! Uma barraca! Era só colocar uma barraca dentro de uma garagem, apagar todas as luzes, colocar uma trilha sonora com o som de grilos e já teríamos uma tenda na floresta.

Como chegar na tenda? No escuro, de olhos fechados… ou vendados… possivelmente usando uma lanterna?

Porque alguém chegaria numa tenda de olhos vendados? Talvez alguma coisa, boba, meio romântica?

Eu tinha acabado de ler um livro sobre Nietzsche, um grande filósofo, muito inteligente e, mais conhecido pela sua fala ácida, irônica e pesada. Suas frases fortes ainda continuavam rondando a minha mente. Pensei na possibilidade de colocar um homem e uma mulher tentando reconciliar um relacionamento que estava indo por agua abaixo e, aproveitar a situação para jogar umas frases do Nietzsche bem no meio do diálogo.

Na minha folha de papel, coloquei a ideia básica e um início de diálogo. Fiquei feliz quando minha ideia foi aceita mas, infelizmente, a única mulher do grupo, uma senhora, imediatamente negou-se à aceitar o papel que lhe caberia. Ficamos todos meio perdidos e em silêncio. Depois de alguns minutos, vendo que ninguém tinha uma solução para o problema, soltei a bomba! Porque não adaptarmos o roteiro para uma relação entre dois homens?

Steven Hyndman que já tinha experiência como ator, ofereceu-se, aceitando a ideia imediatamente. Ricardo Alcântara, era o dono da câmera e, desde o começo ficou claro que ele seria o câmera man então, não teve jeito, sobrou para mim!

Já era noite quando cheguei em casa. Fui direto para o computador e trabalhei no roteiro até 3 e meia da manhã. Dormi um pouco e logo de manhã, um sábado (28 de Setembro de 2008), levando uma barraca pequena, uma lanterna e 3 cópias do script fui para a garagem onde seria feito o vídeo.

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Steven Hyndman


Chegando lá, encontrei-me com Ricardo Alcântara. A garagem estava uma bagunça e perdemos um tempão abrindo espaço para montar a barraca. Steven Hyndman,  chegou lá pelo meio-dia e imediatamente, cada um com seu roteiro, começamos os ensaios. Primeiro, com os scripts nas mãos, lemos os diálogos muitas e muitas vezes. Quando já estávamos confortáveis com o texto, fomos pouco a pouco nos libertando do mesmo, abrindo espaço para a improvisação e desenvolvendo os nossos personagens.

Mais tarde, paramos para o almoço, ficamos meio isolados, concentrando-se nos nossos textos e, mais ou menos, dentro dos nossos personagens. Voltamos para a tenda, na garagem. O lugar era frio e o chão muito mais. Comecei ter dor nas costas e ficar cada vez mais desconfortável. Usei a dor e joguei tudo no meu personagem.

Como tinha concebido e escrito todo o texto, sabia exatamente como queria que ele fosse interpretado. Minha ideia era fazer um comentário social mostrando o lado difícil dos relacionamentos. Seria algo meio Woody Allen sem o lado cómico ou satírico, um drama sério sobre relacionamentos. Não queria fazer apenas mais um filme gay cheio de estereótipos. Queria que o vídeo trata-se do assunto com o devido respeito, resultando num trabalho que todos os sexos pudessem entender.

Um outro aspecto que gostaria de salientar é que, em se tratando de um relacionamento multi-racial, propositalmente decidi que inverteria os papéis e colocaria o brasileiro como aquele que sustenta a casa. Porque, como vocês devem já ter notado, aqui na Inglaterra, existem muitos casos de políticos e gente em altos cargos tendo relacionamentos com brasileiros. O último caso que me vem à mente, foi o do namorado do jornalista do The Guardian.

A filmagem

Nós perdemos um tempo precioso filmando 3 vezes toda a peça com uma câmera fixa instalada em um tripé fora da tenda. Os resultados ficaram muito pobres. Então fizemos uma experiência e filmamos 3 vezes com a câmera em movimento dentro da tenda. Os diálogos foram feitos do começo ao fim, sem cortes.  Desta experiência, a primeira filmagem, apesar de imperfeita, foi a melhor, mesmo porque, estávamos numa corrida contra o tempo que, acabava rapidamente.

A edição

Domingo, o dia seguinte foi o dia que reservamos para a edição do vídeo. Foi um dia de luta do começo ao fim. Para começar, minha câmera DV mostrou-se incompatível com as fitas gravadas por Ricardo Alcântara. Então, quando Ricardo chegou com sua câmera, por alguma razão obscura, o software que eu estava usando (iMovie HD) não queria importar o vídeo no computador. Depois, para fazer as coisas mais difíceis, antes de Ricardo chegar, já tinha adiantado o serviço e começado a edição do vídeo incluindo no começo a barra de ajuste de cores e a introdução do vídeo com o logo do festival. Criei um projeto no computador usando a dimensão 4:3, só para descobrir que Ricardo havia filmado tudo em 16:9 (widescreen). Fui forçado e refazer o projeto novamente!

Quando acabei a edição do vídeo, achei que, na história, terminar apenas apagando a luz, criava um tipo de anticlímax, parecia que estava faltando alguma coisa. Tínhamos que terminar a história com algo mais impactante, tipo uma surpresa! Porque não um tiro?

No final, também lutamos para render e exportar o vídeo e até o ultimo minuto estávamos com medo de que teríamos problemas com a sincronização do vídeo e áudio.

Em cima da hora, gravamos o DVD e, Ricardo saiu correndo, tomou um taxi e conseguiu entrega-lo, no último minuto, nas mãos dos organizadores do evento.

Considerando-se todos os problemas logísticos, tecnológicos e de tempo que enfrentamos, ainda mais que, reconhecidamente tenho um sotaque muito forte, até que o resultado final não ficou tão mau.

A apresentação

Todos os vídeos foram apresentados, uma semana depois, em sequência, no mesmo dia, no telão do cinema Renoir, no centro de Londres. O cinema estava lotado e, estaria mentindo, se não dissesse que foi uma experiência muito emocionante. Vários curtas passaram antes do nosso. A plateia reagia às vezes rindo com deboche ou mostrando total apatia. Alguns vídeos tinham uma qualidade técnica muito superior ao nosso. Entretanto, nenhum dos vídeo era sério como o nosso ou tocava no tema homossexual. Desde que nosso vídeo começou, o silêncio foi total e, quando no final, ouviu-se o tiro, pudemos ouvir vários murmúrios que terminaram em aplausos quando rolaram os créditos finais. Foi um alívio! Aparentemente o diálogo e a intensa movimentação de câmera contribuiram para criar um clima pesado e desconfortável que prendeu a audiência até o fim.

No final das apresentações um representante de cada grupo foi lá frente do telão para responder as perguntas da plateia. Steven Hyndman, o único inglês do nosso grupo, foi lá para a frente. Eu já o tinha orientado à não dizer quem foi o responsável pelo tiro e, como esperado, esta era a única coisa que a plateia queria saber. :-)

Quando as luzes do cinema acenderam-se e levantei-me da  minha poltrona para junto com Andrea, minha esposa, e nosso grupo, nos retirarmos do cinema, foi curioso ver a reação de algumas pessoas me reconhecendo. Nas escadas rolantes saindo do cinema uma garota com seu namorado aproximou-se para perguntar-me se eu era italiano. :-)

Eu confesso que achei a experiência de atuar fascinante, hipnótica e viciante. Fiquei ainda uns dias com sentimento de revolta contra o coitado do Steven que, alias propositalmente evitei fazer amizade desde o começo. Eu não o conhecia e o projeto durou apenas 48 horas. A última vez que eu o vi foi no cinema. Curiosamente, a pessoa que parece que ficou mais surpreendida com isto tudo foi minha esposa Andrea que, acabou conhecendo mais uma faceta do Barbieri, o Barbieri ator :-)

Antonio Celso Barbieri

QUEM MATOU QUEM? GOSTARÍAMOS DE SABER SUA OPINIÃO!
DEIXE A SUA INTERPRETAÇÃO NO ESPAÇO RESERVADO PARA COMENTÁRIOS!

steven barbieri e ricardo
Steven Hyndman, Barbieri e Ricardo Alcântara na fente do Renoir Cinema. Foto: Andrea Barbieri

ricardo e barbieriRicardo Alcântara e Barbieri. Foto: Andrea Barbieri

steven e barbieri Steven Hyndman e Barbieri. Foto: Andrea Barbieri

DANNY & MAX
(The Original Script)

Peça em um ato escrita por Antonio Celso Barbieri

IN THE DARK OF A FOREST...

MAX: Do you think was it really necessary to blindfold me?
DANNY: Yes!
MAX: Where are you taking me?
DANNY: You will see?
MAX: Well, I can't see anything!
DANNY: Patience!
MAX: Patience is not my strong point... you know?
DANNY: Oh! How I know...
MAX: What are you trying to say?
DANNY: Nothing really.... We are nearly there....

THE SOUND OF UNZIPING THE ENTRANCE OF A TENT

DANNY: Be careful now, bend your knees and get inside...
MAX: (makes a complaining noise)
DANNY: I told you!

THE SOUND OF ZIPING ON THE ENTRANCE OF THE TENT

DANNY: You can take out the blindfold!
MAX: (he takes the blindfold to find the light of a torch pointing to his eyes) Can I have my glasses now? Where are we?
DANNY: Here it's (passing the glasses). We are in a tent!
MAX: Of course we are in a tent Mr Danny Thompson.
DANNY: Why are you upset?
MAX: I am not upset!
DANNY: Yes you are! You only call me Mr Danny Thompson when you are upset!
MAX: You did not answer my question! Where are we?
DANNY: We are, somewhere in a forest.
MAX: So!
DANNY: We are in a holiday, far from everything and everybody so we can talk.
MAX: You and your little ideas, you are so...

AUUUUUUUUUUUUUUH!

MAX: (grabbing Danny by the arm) Oh my God! What was that?
DANNY: Most probably a wolf! By the way, what God has to do with it? You do not believe in anything!
MAX: Do not put words in my mouth!
DANNY: We are together for some time...
MAX: And. you are feeling the crunch...
DANNY: Do not put words in my mouth!
MAX: Uhhhh!
DANNY: There is a limit for everything...
MAX: Uhhhh! Tell me more! Don't you love me anymore?
DANNY: The root of a psychosis generally is a result of two conflicting feelings.
MAX: Love and Hate?
DANNY: Exactly!
MAX: Are you psychotic! (Laughing)
DANNY: You are a prate and a prank! You have no feelings at all! You had been fighting so hard to defeat the monsters that you became one. When you stares to the abyss the abyss stares to you!
MAX: So, am I you abyss? The distance... Our distance. It’s your own doing! You put this wall between us! Please tell me Mr Righteous where have you been for the last 3 months every Wednesdays and Fridays after work? Do you think I am stupid?
DANNY: Well, I had been doing a wine course!
MAX: I am very disappointed! I told you it was a waste of time and money! My money!
DANNY: First of all I paid with my savings! Secondly who do you think you are? God! Do you know why you can't be God? Because you have a stomach and I think “The King” leaves there!
MAX: (ignoring, looking to his nails) Very funny!
DANNY: Seriously, I do not know why I am still with you! Probably there is some madness in love and some reason in madness...

THE SCENE CHANGES ABRUPTLY

MAX: (arriving on the living room of an apartment) What do you think you are doing?
DANNY: (he is in a yoga position with his eyes closed. He opens his eyes, look to MAX with confidence and showing some irony) What do you think I am doing? I am training!

The End

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Arte: Mais uma "colagem digital" do Barbieri.

USA desrespeitando as Leis Internacionais!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

 

20 de agosto de 2013

Na matéria escrita por Fabio Brisolla e publicada hoje online pela Folha de São Paulo (UOL) está escrito:

 "Ainda não consegui processar tudo o que aconteceu", afirma o carioca David Michael dos Santos Miranda, 28,que ficou detido no aeroporto de Londres no domingo. Ele embarcou no dia 10 de agosto para Berlim para, além de turismo, encontrar Laura Poitras, documentarista que trabalha em conjunto com o jornalista Glenn Greenwald no caso Edward Snowden, o ex-agente da CIA que vazou documentos da agência nacional de segurança dos Estados Unidos associados, principalmente, à espionagem digital.

Namorado de Greenwald, Miranda entregou documentos secretos a Laura. E pretendia trazer outros dados, dos arquivos de Snowden, para o Brasil. Entretanto, ele acabou detido no aeroporto de Heathrow, onde ficou por onze horas, sendo quase nove no interior de uma sala com agentes da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres). "Em momento nenhum foi feita uma pergunta sequer sobre terrorismo. Não quiseram saber se eu era terrorista ou se tinha algum contato terrorista. Simplesmente usaram uma lei para obter o que eles queriam", afirma.

Nesta mesma matéria, quando David Miranda foi perguntado qual teria sido sua razão para viajar para a Alemanha, sua resposta foi:

"Embarquei para Berlim no dia 10 de agosto. Fui levar alguns dados para a Laura (Poitras), que trabalha junto com o Glenn desde o início do caso Snowden. Eu também ia trazer alguns dados armazenados em dois pen drives e em um HD externo. Tudo foi apreendido. Não sei nada sobre o conteúdo. São eles (Glenn e Laura) que cuidam disso."

Barbieri Comenta:

Nesta saga duas coisas deixaram-me perplexo:

1)  Não existe nada mais lamentável do que ler os comentários deixados pelos leitores que, podem ser divididos em três grupos:

a) O primeiro grupo, é o formado pelos neo conservadores de plantão que, mais parecem gente paga pelo governo Norte Americano para desinformar ou trivializar qualquer prospecto de desvendar toda a sujeira praticada por aquele país. Como já percebi, estes mesmos "neocons" também trabalham para Israel com a mesma intenção de trivializar a luta Palestina. Para este povo de extrema direita, as palavras sempre tem dois significados e, geralmente todos que forem contra a política externa Norte Americana serão taxados de terroristas (antigamente eram chamados de Comunistas).

b) O segundo grupo é o dos desinformados e sem cultura que misturam tudo e não compreendem a importância de certos eventos que, são muito sérios, com repercuções profundas para a nossa civilizacão, acontecimentos estes que estão jogando o Direito Internacional pela janela. Para estes comentaristas de botequim, deveríamos esquecer tudo e simplesmente lutar contra Dilma e Lula. Como se tirando estes dois mudaríamos alguma coisa. Este povo é incapaz de ter uma visão mais ampla e global, de ter uma visão de todo onde podemos lutar pela legalidade, igualdade e justiça em várias frentes ao mesmo tempo!

c) O terceiro grupo, o menor deles, é o da minoria inteligente que, honestamente e  genuinamente, busca a verdade. É o grupo daqueles que são críticos e não aceitam tudo que leem como verdade absoluta e sabem que a informação que recebem já vem "pasteurizada e enlatada" e, portanto precisa ser decifrada, decodificada, comparada e analizada. Que devemos perguntar sempre: QUEM GANHA COM ISTO TUDO!

2) A segunda coisa que deixou-me perplexo foi analisar a estupidez do Jornal The Guardian, do seu jornalista Glenn Greenwald e seu companheiro David Miranda.

Quer dizer, este pessoal compra uma briga com a maior potência do planeta e, não lhes passa pela cabeça que os órgãos de segurança tanto de USA como do Reino Unido já, não só ficharam todos os jornalistas deste jornal como também todos os seus familiares e amigos?

Agora, o mais patético é descobrir que David Miranda carregava com ele evidência física, ainda mais, tratando-se de material digitalizado que poderia ter sido transmitido seguramente via Internet! Inacreditável a burrice deste povo! Será que este pessoal nunca ouviu falar de "proxy", de material "encriptado" trasmitido desde um LAN House para um Cloud lá na Tailândia ou coisa parecida! Não acredito! Por favor! Contratem imediatamente um especialista em informática ou um hacker!

Entre inocência e ignorância existe uma linha divisória bem tênue e neste caso sou forçado a optar pela última opção! Será que o próprio jornal não está envolvido nesta charada e a única razão deste triste episódio foi para mandar um aviso para o planeta dizendo, "veja só o que acontece se vocês mexerem com a gente"!

Um cidadão brasileiro no exterior é uma extensão do seu próprio país e a Lei Internacional está aí para justamente regulamentar o seu movimento. Países tem suas próprias leis mas devem obedecer certas convenções.

Lamentavelmente, com o surgimento do "terrorismo" que, à meu ver, é praticado tanto pelos Estados Unidos como pelas nações à que ele ataca, criou-se esta desculpa para revogar, uma a uma,  todas as leis progressistas duramente conseguidas durante muitos anos. Agora, A Convenção de Genebra e qualquer preocupação com os direitos humanos estão sendo ignorados abertamente.

Abrindo novos precedentes

Com, a proibição do avião transportando o presidente da Bolívia, Evo Morales de cruzar o espaço aéreo da Espanha e Portugal, novo precedente foi aberto onde as Leis Internacionais foram novamente desrespeitadas e, pior ainda, para quem ainda tinha dúvidas, confirmou-se que, não só a Inglaterra, mas todos os países europeus são realmente capachos dos Norte Americanos.

Portanto, a detenção de David Miranda não pode e não deve ser considerado um fato isolado. Os Estados Unidos, como um bebe está testando seus pais, testando nossos limites e se o mundo não reagir esta será a norma e teremos que engolir para sempre as humilhações de um vilão "bully", egomaníaco e cheio de testosterona!


Antonio Celso Barbieri

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Esta música foi uma indicação muito oportuna do meu amigo Célio Antonio Manso.

John Lennon
Give Peace A Chance

Two, one two three four
Everybody's talking about
Bagism, Shagism, Dragism, Madism, Ragism, Tagism
This-ism, that-ism, is-m, is-m, is-m.
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

C'mon
Ev'rybody's talking about Ministers,
Sinisters, Banisters and canisters
Bishops and Fishops and Rabbis and Pop eyes,
And bye bye, bye byes.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Let me tell you now
Ev'rybody's talking about
Revolution, evolution, masturbation,
flagellation, regulation, integrations,
meditations, United Nations,
Congratulations.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Ev'rybody's talking about
John and Yoko, Timmy Leary, Rosemary,
Tommy Smothers, Bobby Dylan, Tommy Cooper,
Derek Taylor, Norman Mailer,
Alan Ginsberg, Hare Krishna,
Hare, Hare Krishna

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

John Lennon
Dê uma chance à paz

Um, dois, três, quatro
Todos estão falando sobre
Bagismo, Shaguismo, Draguismo, Madismo, Ragismo, Tagismo
Esse ismo, ismo, ismo
Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz
Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz

Qual é
Todos estão falando sobre Ministro
Sinistro, Corrimãos e Latas
Bispos, Peixes, Coelhos, Olhos Abertos
E tchau, tchau, tchau, tchaus.

Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz
Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz

Vou falar agora
Todos estão falando sobre
Revolução, Evolução, Masturbação
Flagelação, Regulamentação, Integrações
Mediações, Nações Unidas
Congratulações.

Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz
Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz

Todos estão falando sobre
John e Yoko, Timmy Leary, Rosemary
Tommy Smothers, Bobby Dylan, Tommy Cooper
Derek Taylor, Norman Mailer
Alan Ginsberg, Hare Krishna
Hare, Hare Krishna

Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz
Tudo o que dizemos é dê uma chance à paz

Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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