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Parallel Universes front cover
Capa da coletânea Parallel Universes (Universos Paralelos) lançada em dezembro de 2017.

Parallel Universes - The best of Antonio Celso Barbieri.
O autor lança coletânea com direito a baixar gratuitamente!

Como prometi abaixo segue o link para baixarem gratuitamente minha coletânea "Universos Paralelos" que trás uma grande mostra do trabalho musical que venho desenvolvendo por mais de 30 anos. São 28 faixas cuidadosamente selecionadas. Preparei este "The Best" escolhendo faixas dos meus últimos 7 álbuns incluindo duas bônus tracks contendo faixas que provavelmente farão parte do meu novo álbum a ser lançado em 2018. Parallel Universes (Universos Paralelos), o nome deste ábum, é uma referência aos vários universos mentais que existem dentro de mim onde cada álbum parece explorar um território diferente.

Geralmente é sempre difícil para qualquer artista falar do seu próprio trabalho, portanto, o melhor mesmo será vocês escutarem e julgarem por si mesmos! Só posso lhes dizer sou uma pessoa eclética com um pé fincado no rock e o outro caminhando do clássico ao eletrônico, passando pelo industrial e, para falar a verdade, incorporando pitadas de tudo que me sensibiliza. Satisfazer e atender às expectativas de todo mundo será sempre muito difícil, mas, tenho certeza que se derem uma chance ao meu trabalho, descobrirão certamente alguma coisa de vosso agrado! Desde já agradeço-lhes-lhes por ouvirem meu trabalho! :-)

 Abaixo segue a listagem contendo o nome das músicas deste álbum
acompanhadas do nome dos álbuns de que foram retiradas:

01 Dueling With Myself - The String Theory (2017)
02 It's Time to Think! - It's Time to Think! (2016)
03 Bad Fish - On the Barber's Chair (2015)
04 Apocalipse Poison - The Brain Sexy Diet (1995)
05 Obsession - The Flowers Of Evil (2001)
06 AbSynth - Orion (2014)
07 Minimalistic Piano (Arranged) - The Brain Sexy Diet (1995)
08 The Needle - Better Ashes Than Dust (2012)
09 Tripping With The Native American Indians - It's Time to Think! (2016)
10 The Clock Is Ticking - The String Theory (2017)
11 The Old and the New - Orion (2014)
12 Love Travels (Instrumental) - The String Theory (2017)
13 Swimming in the Ganges - It's Time to Think! (2016)
14 The Clock - The Flowers Of Evil (2001)
15 The Mud - Better Ashes Than Dust (2012)
16 Misturando os Temperos - Noise Gate (Advanced track for 2018)
17 I Want To Be Clear - The Brain Sexy Diet (1995)
18 Ripples Of The Mind - Orion (2014)
19 I Can't Find Any Solution - It's Time to Think! (2016)
20 Thinking - Better Ashes Than Dust (2012)
21 Looking for Mondrian - Orion (2014)
22 Love Travels - The String Theory (2017)
23 For Ever The Same - The Flowers Of Evil (2001)
24 Viajando e Aprendendo - Noise Gate (Advanced track for 2018)
25 I think therefore... - Better Ashes Than Dust (2012)
26 Music - The Flowers Of Evil (2001)
27 Minimalistic Piano - The Brain Sexy Diet (1995)
28 Walking Over The Water - On the Barber's Chair (2015)

 

CLIQUEM AQUI PARA BAIXAREM GRATUITAMENTE ESTE ÁLBUM!

barbieri indica
Antonio Celso Barbieri

A voz da cena pesada do Brasil na Europa!
Entrevista feita por Alexandre Quadros para o site Toca do Shark

Talvez a nova geração não saiba associar seu nome à pessoa, mas Celso Barbieri é um nome que ficou gravado no subconsciente de duas gerações de bangers brasileiros, a geração dos anos 80 porque o conheceram in-loco e frequentaram inúmeros shows organizados por ele e a geração dos anos 90 porque leram muito do que ele escreveu na cultuada revista Dynamite.  Agora na segunda década do século XXI ele ressurge para a cena brasileira. Mesmo vivendo na Europa há quase 3 décadas, através da Internet e seu programa de rádio semanal "Barbieri Indica" na Rádio Rock Nation (que durou por dois anos) e de seu livro "Livro Negro do Rock" lançado em 2015.  Nas linhas abaixo você ficará sabendo de muitas histórias, que nem imaginava, sobre ele e suas bandas prediletas dos anos 80, que passaram pelas suas mãos, além de conhecer mais a fundo suas façanhas, aqui e além-mar.  Com vocês, a voz do Brasil na Europa, Antonio Celso Barbieri:

Toca do Shark: Como foi sua entrada no mundo do Rock?

Barbieri: Na minha adolescência, porque meu pai era ferroviário, morei em SP, dentro da estação de trem antiga Sorocabana no bairro da Barra Funda. Meu pai, na época, emprestou dinheiro para um companheiro de trabalho e como ele não pode pagar entregou uma vitrola como forma de pagamento. A vitrola, era uma enorme peça de mobília tipo armário com duas portas que quando abertas já continham dezenas e dezenas de compactos (vinil). Quase tudo era música para os “mais velhos” mas, no meio de todos estes compactos havia um da banda Credence Clearwater Revival contendo a música Suzie Q. Ouvi muito esta música. Logo fui na loja Museu do Disco e comprei, desta mesma banda, o álbum Bayou Country. Cabe lembrar que já conhecia os Beatles e a Jovem Guarda já estava acontecendo mas, nunca tinha ouvido algo assim “tão pesado”. Na sequência voltei na loja Museu do Disco e perguntei se tinham mais bandas assim pesadas e, então fui descobrindo Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Uriah Heep, etc… Logo descobri que o Brasil também tinha suas bandas como Os Mutantes, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, O Peso, Made in Brazil, Terreno Baldio, Casa das Máquinas e por aí vai… Assisti muitos shows destas bandas e mais para frente pude trabalhar com a Patrulha do Espaço e com o Made in Brazil.

Este foi, vamos dizer, o meu ponto de partida, onde começou o meu envolvimento com o Rock.

Toca do Shark: Como e porque você resolveu se envolver mais no lado organizacional e estrutural da formação de uma cena?

Barbieri: Envolvi-me mais no lado organizacional e estrutural do Rock principalmente porque eu não sabia tocar um instrumento. Por incrível que pareça eu achava que as pessoas já nasciam com um dom musical. Eu não sabia que “música” era apenas mais uma linguagem como por exemplo “inglês” ou “francês”. Que, com dedicação e estudo, podemos aprender e dominar a coisa. É lógico que geneticamente podemos nascer com certas predisposições e qualidades fantásticas mas, a verdade é que todo mundo pode fazer arte, qualquer tipo de arte!

Por outro lado, trabalhei 13 anos num banco. Lá progredi e cheguei a Chefe de Divisão controlando uns 30 funcionários. Aprendi a lidar com a burocracia, escrever cartas e memorandos, usar terno e gravata se necessário e portanto, estava habilitado para lidar com a prefeitura, Secretarias de Cultura, organizações de cunho cultural e imprensa. Quando comecei trabalhar com bandas logo percebi que muitos músicos não tinham habilidades nem para vender a sua própria banda quanto mais para organizar shows. Bandas, geralmente eram competitivas e sem capacidade de organização.

Quando organizava um show, me sentia como um músico, parte da banda, tanto que sempre dividia a renda do show por igual com todo mundo. 

devil logo
Logotipo idealizado por Barbieri à partir de uma foto de Rob Halford.

barbieri são power
Barbieri com dois dos seus lançamentos o álbum São Power e O Livro Negro do Rock. Foto: Claudio Alexandre Magalhães.

 
Toca do Shark: E a Devil Discos? Como surgiu sua parceria com o Chicão?

Barbieri: Não é muita gente que sabe mas, fui eu que lançou as primeiras camisetas de Rock no mercado. Logo várias lojas revendiam minhas camisetas! A Woodstock, a Punk Rock Discos e a Devil Discos, entre muitas outras lojas, eram meus revendedores. Portanto mantinha uma relação profissional e de amizade com todo mundo. Quando comecei produzir shows as lojas, principalmente as lojas das Grandes Galerias, hoje mais conhecida com Galeria do Rock, eram o meu ponto de encontro onde fazia os acordos de show com as bandas.

Chicão, o dono da Devil Discos era muito compreensivo e sempre permitia que eu usasse o telefone da loja para receber recados e mesmo para fazer ligações pois eu era um Produtor Cultural, sem escritório e sem dinheiro.  

devil korzus sao power advert
Uma publicidade feita pela Devil Discos.


Toca do Shark: Fale um pouco sobre os principais lançamentos, “Korzus ao Vivo” e “São Power”.

Barbieri: Logo percebi que que havia uma certa competição entre as lojas. A Baratos Afins era a loja de mais sucesso e agora também tinha virado gravadora. O Chicão da Devil Discos obviamente não escondia as suas ambições. Quando produzi o Projeto SP Metal no Teatro Lira Paulistana, sempre que possível gravei em fita K7, direto da mesa, os shows das bandas. No mesmo período produzi no SESC Pompéia um festival de muito sucesso chamado Metal, Rock & Cia com a participação de 19 bandas. Gravei tudo também direto da mesa. Meses haviam se passado e várias destas bandas já tinham terminado. Achei que seria muito legal lançar um álbum tipo histórico, documentando estas bandas que não tinham resistido a dura vida “on the road”. Dei o nome “São Power” para esta coletânea. Hoje este álbum é raro e está esgotado mas na época sua venda estava muito lenta e o Chicão comentou que se eu tivesse incluído uma música da banda Korzus, já teríamos vendido tudo. Expliquei para ele que as bandas do São Power já tinham acabado e o Korzus estava muito vivo! Propus então lançarmos um álbum ao vivo só do Korzus incluindo gravações do Teatro Lira Paulistana e SESC Pompéia. O álbum foi lançado e vendeu umas 6.000 cópias em poucos meses.

Toca do Shark: O quê te levou ao Reino Unido?

Barbieri: Na verdade eu não imaginava que iria parar em Londres. Um dia, em SP, um amigo que trabalhava num agência de viagens comentou que o Redson da banda punk Cólera tinha ido na sua agência comprar passagens para sua banda tocar na Europa. Os álbuns do Cólera tinham uma qualidade tão pobre quanto a dos álbuns que tinha produzido com o Chicão da Devil Discos. Pensei comigo, se o Redson pode então eu também! Fui no Chicão e perguntei para ele se ele poderia fazer um adiantamento da minha parte nas nossas produções. Chicão foi no caixa, tirou um cheque pré-datado emitido pelo Walcyr da Woodstock e disse: “...Walcyr acaba de comprar de uma vez, 1.000 cópias do álbum ‘Korzus ao Vivo’, vai lá na Woodstock e conversa com ele. Se o Walcyr pagar adiantado, o dinheiro é todo seu!”   Fui no Walcyr e ele disse que tinha uma grana para receber na sexta-feira de manhã. Pediu para que eu voltasse na sexta à tarde. Eu fui e por sorte recebi! Minha gratidão para com Walcyr Chalas não tem limites!!!

barbieri tower bridge
Barbieri em Londres. Foto: Andrea Falcão.


Cheguei em Madrid em Abril de 1987. Como na época o Korzus cantava apenas em português, minha ideia era produzir shows na Espanha ou Portugal. Bom, todo roqueiro que encontrei em Madrid e Barcelona me disse que eu estava no lugar errado! Uma garota chegou a dizer que Londres estava escrito na minha testa! Então usei quase todo dinheiro que tinha (não era muito) e cheguei em Londres só com 40 libras no bolso. Acreditem foi duro. Vivi em casas invadidas (Squatters) e comi o pão que o Diabo amassou!!! Levou 5 anos para conseguir dominar a língua, estar no lugar certo e na hora certa para realizar um sonho que foi produzir em 1992 um show da banda Korzus no lendário The Marquee Club.

Toca do Shark: É verdade que, já estabelecido na Inglaterra várias bandas brasileiras continuaram a te procurar como se você representasse “uma porta de entrada na Europa”?

Barbieri: É verdade. Logo que me estabeleci em Londres, passei a ser UK Correspondente da Revista Dynamite. Através da revista o povo tomou conhecimento da minha presença em Londres e muita gente acabou batendo na minha porta. Sempre que pude, dentro das minhas possibilidades, ajudei todo mundo. Hospedei incontáveis números de bandas brasileiras vindas de várias partes do nosso país.


Toca do Shark: Chegou a trabalhar profissionalmente em algum selo na Europa?

Barbieri: Como UK Correspondente, tive muito contato com gravadoras. Na época, meus conatos mais importantes foram principalmente, com a Virgin, EMI e Sony. Como estas gravadoras, tinham muitas coligações com outras gravadoras e selos, recebi muitos convites para cobrir concertos. Vocês podem imaginar, receber mais de 10 CD’s pelo correio toda semana era maravilhoso. Entrevistei de Metallica a Blur passando por Radiohead e muitos outros. Cobri shows importantes como o primeiro concerto em Londres do Foo Fighters e a volta do Sex Pistols além de ter presenciado o lendário James Brown ao vivo. Ainda fui privilegiado em poder ter assistido aqui em Londres os shows de Judas Priest, Iggy Pop e a inesquecível Tina Turner, assim como Geroge Clinton (Parliament e Funkadelic) e Jorge Benjor em Cannes. É claro que também estive presente nos concertos memoráveis do nosso João Gordo e Ratos de Porão e do mundialmente famoso Sepultura. Mandei material de bandas para muitas gravadoras mas, nunca consegui realmente emplacar uma banda. As vezes por culpa da própria banda, outras por culpa das gravadoras e, as vezes porque, infelizmente, não era para ser.


Toca do Shark: Cite 5 bandas em que você apostaria todas as fichas naqueles anos 80 no Brasil se pudesse.

Barbieri: Korzus, Cérbero, Viper, Patrulha do Espaço e a Chave do Sol.

Toca do Shark: Atualmente você tem um livro no mercado, “O Livro Negro do Rock” e um programa no ar na web-radio Radio Rock Nation, o “Barbieri Indica”, fale mais sobre esses projetos.

barbieri showing de book cover
Barbieri monstrando a  capa do O Llivro Negro do Rock

Barbieri: Como tudo na vida, certas coisas acontecem no tempo certo. Acreditem, não planejo nada. Temos que aprender e “ver” e “aproveitar” o que nos é oferecido pelo destino. "O Livro Negro do Rock”, surgiu como resultado de uma pesquisa sobre a cidade de Santos e seu porto que foi um dos caminhos por onde o Rock entrou no Brasil. As boates no porto de Santos só tocavam Rock catando em inglês que era para atrair a clientela de marujos que chegavam nos navios. Quando entrevistei para esta pesquisa o Zhema líder da banda santista VULCANO descobri que ele era uma pessoa ligada ao oculto e que seguia os pensamento de um mago controverso chamado Aleister Crowley.

barbieri e zhema
Barbieri com Zhema Rodero, lider da banda Vulcano, no dia do lançamento do Livro Negro do Rock.

Por outro lado, ao mesmo tempo queria escrever minhas memórias sobre os encontros esporádicos que tive com RAUL SEIXAS. Pesquisando sobre a sua Sociedade Alternativa descobri que ela era baseada também nas ideia de Aleister Crowley. Então naturalmente fui pesquisar Aleister Crowley e este mago me levou para BLACK SABBATH e LED ZEPPELIN… Bom uma coisa me levou a outra e quando vi estava escrevendo um livro sobre o oculto! Quando estive em São Paulo para lançamento do livro, de repente descobri que estava mais conhecido do que imaginava. Foi quando conheci Marcelo Santos que convidou-me para fazer um programa na rádio. A bem da verdade eu já tinha sido convidado para fazer um programa numa outra rádio mas a Radio Rock Nation tinha uma proposta diferente, sem comerciais, eu teria total autonomia para tocar o que quiser e falar o que quiser. Meu programa não teria interrupções e, principalmente a rádio tem como prioridade o Rock Nacional. (depois de dois anos nesta rádio, fazendo uma programa semanal, resolvi pedi um tempo para dedicar-me à outros projetos.)

Barbieri showing the bookA banda Korzus assim como muitas outras bndas brasileiras são citadas neste livro.

Nota da Toca do Shark: O programa Barbieri Indica não existe mais. Ele ia ao ar pela Radio Rock Nation toda quarta-feira das 19hs às 21hs.. O Livro Negro do Rock pode ser adiquirido pelo site 2bStar ou na Loja Woodstock Rock Store do lendário Walcyr Chalas no centro de São Paulo.

Toca do Shark: Com o lançamento dos projetos “Super Peso Brasil” e mais recentemente “Brasil Heavy Metal” (que, apesar de ter sido lançado mês passado, levou 8 anos pra ser concluído e permaneceu chamando atenção todo esse tempo), surgiu uma nova geração de olho nas bandas de 3 décadas atrás, as chamadas pioneiras, inclusive outros documentários saíram nesses moldes na última década, como o “Ruído das Minas” (sobre a cena de MG), “Botinada” mais voltado ao punk e “Woodstock – Mais que uma loja!”. Você acha saudável esse revival ou acha que essa nova leva de fãs deveriam se ater mais às novidades?

Barbieri: Um país sem história, não tem cultura! Não se pode construir um futuro melhor sem aprendermos as lições, com os erros e acertos cometido no passado. Lamentavelmente o Brasil deixa muito a desejar neste aspecto! Somos um país sem memória! A grande imprensa é surda, cega e muda. Existe uma diferença muito grande com relação a produção cultural (se é que podemos chamar de cultura o que vemos nas TV’s). A grande mídia não está preocupada em fazer uma pauta resultante de uma pesquisa mostrando o que realmente rola na cidade. A grande mídia geralmente inventa a pauta baseada em interesses econômicos próprios! Todos estes documentários e shows que você citou acima são o resultado de uma reação digna e corajosa de indivíduos que ouviram o clamor dos verdadeiros roqueiros brasileiros. Espero, de coração, que esta pressão contra o sistema continue porque é só assim que será possível mudar a consciência terceiro-mundista do roqueiro brasileiro que prefere pagar de R$400 a R$800 pelo ingresso de um show internacional do que uns meros R$20 para assistir o show de uma banda de Rock nacional. Esta atitude do roqueiro brasileiro é realmente vergonhosa!!!

Toca do Shark: Encerrando, indique 5 bandas novas brasileiras em que você apostaria todas suas fichas.

Barbieri: Desculpe-me mas recentemente ouvi tanta banda boa que seria desleal citar nomes! Só posso lhes dizer que o nível técnico das bandas novas está fenomenal. Percebo que, tem gente criando muita coisa inteligente, tomando riscos, copiando menos e realmente buscando por uma identidade própria. Estou realmente muito feliz e até surpreso com o nível do Rock brasileiro. Por outro lado, com raras exceções vejo que as bandas chamadas pioneiras, muito embora competentes, não conseguiram revitalizar o seu som e parecem viver nostalgicamente no passado.

Toca do Shark: Considerações finais.

Barbieri: Nos anos 80, as bandas conseguiram um certo sucesso porque fizeram parte de um “movimento”. Na parte que me toca, sempre fui contra “panelas” e sempre forcei as bandas que produzi a aceitarem bandas novas para abrirem o seus shows. No momento, acho que falta ainda muito para chegarmos naquele ponto de união novamente!  Juro que fiquei estou muito feliz com o seu interesse no meu trabalho! Gostaria de lembrar que aqui em Londres eu fiz 4 coisas realmente importantes que poucos brasileiros (ou nenhum) fez:

1) Em 1992 produzi um show da banda Korzus no lendário The Marquee Club.
2) Cedi uma música de minha autoria para ser usada em um programa de TV chamado Panorama da BBC.
3) Gravei no Abbey Road Studios, no Studio II onde os Beatles gravaram quase todos os seus álbuns. Lá gravei um improviso tocando no mesmo piano de cauda que John Lennon tocou.

barbieri no abbey road
Barbieri gravando no Abbey Road Studios. Foto: Marcelo Alcantara.

4) Recentemente participei da gravação de um programa na Rádio BBC4.

barbieri na BBC
Barbieri na BBC em 2016.

Outros lançamentos autorais de Barbieri:

5 albuns advert

Barbieri Agradece: Quero deixar aqui meus mais profundos agradecimentos ao caro Alexandre Quadros pelo respeito e amizade e solicitar que vocês leitores achem um tempo para checar o blog a Toca do Shark pois encontrarão lá muita coisa interessante! É só clicarem no link abaixo! Many Thanks!

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barbieri 65 years old
Antonio Celso Barbieri. Foto: Andrea Falcão. (2017)


Barbieri, o culto e o oculto do Rock Brasileiro

Entrevista feita por Luis Carlos para o site Arte Condenada

Se eu tivesse que entrevistar o Barbieri mais uma, duas, três vezes, ainda assim faltariam muitas histórias para contar.
Produtor, radialista, jornalista, essa figura incansável segue em frente com seu legado de amor pela arte.
Vamos ao papo!


Luis Carlos: Quem era o Barbieri antes de tornar-se essa pessoa multifacetada na música?

Barbieri: Bom, acho que sempre fui uma pessoa multifacetada. Já explico! É que minha vida desde que me entendo por gente foi multifacetada. Sempre fui um sonhador, o que hoje em dia o povo conhece como “nerd”. Fazer meu universo mental coexistir com a minha realidade física sempre foi muito difícil. Na escola prestar atenção nas aulas era uma tarefa quase impossível. Agora, aprofundar-me nos assuntos de meu interesse, quase uma obsessão. Para, caminhar da ficção científica à exploração espacial, filosofia da ciência, discos voadores, todo tipo de arte incluindo obviamente o rock, para mim, sempre fez muito sentido. A verdade é que meu jeito de ser causou-me desde criança um conflito com meu pai que não entendia o porquê das minhas notas baixas na escola. Então, muito cedo, adaptei-me e encontrei meu jeito de viver no meio dos “normais”. Me apelidei de “o mestre da corda bamba” e virei um “expert” em design, quero dizer, tudo para mim é a mesma coisa, texto, desenho, música, etc. Eu adoro, no computador, reagrupar coisas, juntar palavras e criar um conteúdo novo. Da mesma forma adoro juntar imagens já existentes e agrupa-las para transmissão de uma nova mensagem. Por exmeplo, geralmente gravo um improviso na guitarra ou no piano e depois picoto tudo e reagrupo criando algo totalmente diferente. Então, quando crio música, entendo que o rock é um grande camaleão que me permite de forma livre reagrupar vários elementos para criar o novo. Eu chamo isto de “colagem digital”.

Imagine, que com todas essas limitações, cheguei a ser um Chefe de Divisão, administrando a Divisão de Cadastro do Banco Noroeste do Estado de São Paulo. Neste período tinha que ter duas identidades. No banco usava terno e gravata e administrava uns 30 funcionários. Lá pelo começo dos anos 70 coloquei um brinco na minha orelha esquerda. Era fã da série de TV do pesquisador marítimo francês Jacques Cousteau e quando percebi que alguns de seus marinheiros usavam um brinco achei o máximo. Para mim era como se fossem símbolos de liberdade. Então, a roupa que usava para ir trabalhar, o terno e gravata eram apenas meu uniforme, considerava como se fossem parte da minha identidade falsa. Quando saia do banco imediatamente tirava a gravata e colocava o meu brinco bem pequeno, de ouro, formato argola que, quando colocado, ficava exatamente igual à dos marinheiros do programa de TV. Obviamente, quando colocava o brinco assumia imediatamente a minha outra identidade; a de roqueiro. Sabia que era apenas um brinquinho, mas, para mim era como tivesse assumido uma nova persona.

Sempre que podia, na hora do almoço ou quando saia do trabalho, fazia o circuito dos sebos de disco buscando por vinis raros. Cabe lembrar que, me refiro a sebos de disco porque, no começo, eram mesmo. Espalhados pelo centro velho de SP, um sebo de disco era apenas uma salinha, perdida em algum andar de um prédio velho, quase sempre sem muita mobília ou decoração e em alguns casos extremos, apenas com uma cadeira para o dono sentar sempre cercado de pilhas de vinis pelo chão. Este sim foram tempos emocionantes onde podíamos sair destas lojinhas com um álbum absurdamente raro debaixo do braço, mas, pago com um preço absurdamente barato.

Dentro da minha “patologia” colecionar coisas sempre foi uma constante: tampinhas garrafa, marcas de cigarro, figurinhas, gibis e mais tarde vinis, CDs, mp3, vídeos e sempre muitos livros...

Sempre me interessei por música, então, em 1974, mesmo trabalhando no banco abri em parceria com meu irmão Jorge uma lojinha de discos no Bairro do Limão chamada Stocking Music Center (Stocking significa “meia de seda” e era uma referência à androgenia de Alice Cooper, David Bowie e Marc Bolan). A loja durou apenas aproximadamente um ano, mas fiz amizades que duram até hoje. Anos depois abriria outra lojinha chamada Rocker. (Eu fui o primeiro a lançar as camisetas de rock no Brasil. A minha marca chamou-se Rocker e fui o primeiro revendedor da Galeria do Rock).

Foi só lá pelo começo dos anos 80 que tive a oportunidade de aprender tocar um pouco de piano. Foi com Enny Parejo, hoje uma renomada especialista no ensino musical. Na época nós éramos apenas namorados e nossa relação professor/aluno nunca foi fácil porque, sempre fui um estudante difícil para estudar e seguir normas e convenções. Entretanto, como percebi que Enny e seu amigo Vado (Oswaldo Mori, hoje falecido) faziam uma excelente dupla musical, logo estava produzindo vários show deste duo no Teatro Lira Paulistana, Centro Cultural e outros teatros.

Neste período, também virei o empresário da banda Avenger, uma das primeiras bandas 100% Heavy Metal de SP. Também levei-a para tocar no Teatro Lira Paulistana. O show do Avenger no Lira praticamente deu a partida para o Projeto SP Metal que rolou neste mesmo teatro em duas temporadas, durando vários meses. Com o início do Projeto SP Metal no Teatro Lira Paulistana “a pedra começou rolar” e logo eu estaria fazendo o Projeto Metal, Rock & Cia. no Sesc Pompéia, acabaria sendo convidado para ser o apresentador da Praça do Rock no Parque da Aclimação e como resultado, me tornado uma figura conhecida na cidade e principalmente na Galeria do Rock.

Evidentemente, existem muitos “Barbieris” dentro da minha cabeça. Existe o roqueiro, o músico, o político, o artista gráfico, o crítico musical, o jornalista, o escritor, o homem que se casou três vezes, etc. Cada um destes personagens daria material para um livro.... Portanto, fico por aqui e vamos para a próxima pergunta!


Luis Carlos:
Você que viveu a década de 70, quando falamos de música, qual a diferença daquela época para hoje?

Barbieri: Os anos 60 e 70, foram anos de profundas mudanças sociais e políticas. Foi uma época revolucionária em muitos aspectos e naturalmente o rock, de forma espetacular, refletiu isto. As centenas e centenas de bandas deste período não estavam apenas tocando, elas estavam criando um estilo, discutindo a realidade e mudando os costumes deste período para sempre. Os resultados destas mudanças são sentidos até hoje!

Hoje em dia raramente existe uma banda nacional ou mesmo internacional pesquisando algo novo e tomando riscos. A meu ver, a realidade é que, independentemente do nosso gosto musical ou em termos de estilo o último artista nacional que criou algo realmente novo e sofisticado foi Arrigo Barnabé. Nos anos 70, no Brasil, a única banda que realmente estava inovando e ao mesmo tempo sintonizada com o que acontecia no mundo, foi Mutantes. Isto não significa que estou diminuindo a qualidade das nossas bandas do período! Muito pelo contrário! Segui de perto além de Mutantes, Terço, Som Nosso de Cada Dia, Terreno Baldio, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Peso, Casa das Máquinas e muitas outras, todas excelentes.

Luis Carlos: Você que trabalhou com nomes importantes do Rock Brasileiro, indicaria alguém hoje que pudéssemos dizer que futuramente será um destaque na música Brasileira?

Barbieri: Uma vez, muitos anos atrás, aqui em Londres, bati um papo com o então editor chefe da lendária revista Metal Hammer. Na conversa perguntei para ele:

“Sabendo de antemão que o rock é um grande camaleão e uma vez que o senhor está no topo da coisa, recebendo centenas e centenas de pacotes semanais com material novo de bandas, qual acha que será a nova tendência do momento? Que estilo está por vir?” Sua resposta foi:

“Meu filho, seu eu soubesse, montava uma banda e ficava rico!”

Então, respondendo a sua pergunta, se soubesse quem é o grande nome da música brasileira, mais precisamente do rock brasileiro que fará sucesso, procuraria aproximar-me dele! Tendo dito isto recentemente tem gente dizendo que Yohan Kisser filho de Andreas Kisser (guitarrista da banda Sepultura) com seu projeto Lusco Fusco e também participando do projeto do seu pai o Kisser Clã, tem muito futuro pela frente. Aliás, como dizem “...filho de peixe peixinho é”. Em 2015, na 89FM, fui entrevistado por Andreas & Yohan no programa Pegadas do Andreas Kisser e na ocasião o rapaz me pareceu bem eclético musicalmente. Só espero que ele não seja tão cabeça dura quanto seu pai! :-)

arnaldo baptista e barbieri
Barbieri com Arnaldo Batista do Mutantes. Foto: Lido Valente (1985).

 

Luis Carlos: Ao se decepcionar com a política enquanto candidato, isso foi um fator importante para que você resolvesse ir embora do Brasil?

Barbieri: Sim, como resultado do falecimento recente de Ricardo Zarattini, fiz este comentário no facebook:

“Faleceu hoje (15/10/2017) o companheiro Ricardo Zarattini, militante histórico da esquerda brasileira. Ricardo Zarattini em 1986 fez uma parceria comigo onde, imediatamente após a legalização do PCB, nós saímos juntos para concorrer nas eleições daquele ano. Ele para Deputado Federal e eu para Deputado Estadual (por SP). Já sabíamos de antemão que ganhar seria muito difícil, porque a ditadura da direita tinha tido 30 anos para mexer os pauzinhos e, entre outras coisas, mudar a lei eleitoral, criando o voto de legenda. De qualquer forma para mim foi uma experiência emocionante e ao mesmo tempo muito difícil. Algumas portas se abriram, mas muitas se fecharam! Depois destas eleições minha desilusão foi muito grande, tanto com alguns amigos como com a própria política e acabaria sendo uma das razões porque, a primeira chance que tive, saí do país. ”

ricado zarattini e barbieriRicardo Zarattini e Barbieri.


Luis Carlos:
Durante todo esse tempo morando em Londres, qual a grande diferença daí pro Brasil e o que você destacaria como bom e como ruim na cena Inglesa? Pensa em voltar algum dia?

Barbieri: Cheguei em Londres, atravessando o Canal da Mancha em Calais na Franca em direção à Dover já na Inglaterra. Só tinha uma nota de 100 dólares que usei para pagar no barco pela travessia. Recebi de troco, já convertido, aproximadamente 40 libras. Era tudo o que eu tinha! Cheguei preparado para dormir na rua se necessário. Tive sorte e fui ajudado por um exilado político chileno comunista. Só aí entendi porque é que eu fui parar no PCB! Tudo tinha sua razão de ser!

Estou com 65 anos e até os 50 a coisa foi muito difícil. Por um período fiquei ilegal no país. A coisa melhorou bastante quando consegui meu passaporte italiano e mais ainda quando consegui minha cidadania britânica. Que fique claro, não estou rico, mas, hoje em dia, não tenho mais problemas financeiros e, portanto, vivo com dignidade. No momento, estou aposentado e posso dedicar-me apenas à minha vida conjugal, à busca do saber e todo tipo de atividade artística.

Para mim, a diferença, os motivos de estar aqui em Londres são: econômico, segurança, estar longe da minha família (família para mim é só competição e problema), estar mais perto do futuro, estar no topo do mundo, liberdade individual (posso ser criança para sempre) e por aí vai...

Quanto ao Brasil nem vou falar nada.... Todo mundo sabe que o sistema político e social brasilerio está muito ruim e as pessoas estão cada vez mais egoístas, consumistas e desumanizadas. O povo de São Paulo a cada ano que visito fala mais “caipira” e a cidade está mais feia e descuidada com o centro tomado por uma legião de zumbis drogados e comandada por mais um prefeito, como os anteriores, cheio de atitudes populistas, saqueando os cofres públicos com a única intenção de se eleger Presidente. Mas, voltando a cena inglesa, depois do chamado Britpop dos anos 90, fraquinho por sinal, nada aconteceu que me surpreendesse. Na minha opinião um dos momentos mais emocionantes foi a volta para apenas alguns shows no O2 Arena da banda Led Zeppelin em 2007. Infelizmente não pude assistir pois os ingressos esgotaram-se em apenas 10 minutos (e custavam uma fortuna).

Uma vez um amigo de uma gravadora aqui de Londres, frustrado me confidenciou que “hoje em dia para gravar aqui em UK o artista ou tem que ser gay, black ou formado por garotas ou garotos tipo bimbos. Na parada musical só dá dance, happers, girl bands e boy bands! Comparado com isto até o Britpop era bom!”.

Sinceramente, atualmente em dia a Suécia e os países escandinavos em geral estão dando de 10 nos ingleses! A BBC virou uma TV de puro saudosismo e só é salva pelas transmissões ao vivo dos festivais de verão, com destaque para o Festival de Glastonbury.

Quanto a voltar a viver definitivamente no Brasil, acho difícil, se ganhasse na loteria talvez achasse uma praia maravilhosa, com acesso à uma conexão Internet banda larga para viver todo dia olhando para o mar e estar ao mesmo tempo conectado com o mundo!

 

Luis Carlos: Mesmo morando fora do Brasil, existe uma conexão muito forte entre você e com o que é feito aqui no Brasil, inclusive de bandas que tiveram seus trabalhos divulgados no exterior e com Bandas que foram tocar em Londres. Conte-nos um pouco sobre isso.

Barbieri: Não sou religioso, mas, dizem que Jesus disse: “aquele que vir na minha direção eu irei me encontrar com ele no meio do caminho”. Eu acredito muito nesta ideia. Todas as bandas que, vieram na minha direção, bateram na minha porta ou tentaram se comunicar comigo, de alguma forma, na medida do possível, tentei ajudar.

Logo que cheguei em Londres passei a ser Correspondente Internacional da Revista Dynamite pertencente ao meu amigo André “Pomba” Cagni. Além de cobrir shows, exposições, lançamentos de bandas, tinha também minha coluna chamada London Calling e, nesta coluna, mencionava sempre meu endereço e naturalmente, literalmente bandas começaram a bater na minha porta e a dormirem pela sala e corredor. Cheguei até a ter um livro de visitas onde o povo deixava seus agradecimentos e até caricaturas.

Durante os anos, aprendi a perceber e respeitar as sincronologias, ver aquelas coincidências incríveis que acontecem. Músico que você à vezes nunca viu nem ouviu entrando na sua vida. São como redirecionamentos no meu destino.

Na minha vida, não planejo nada. Quer dizer, se existe um plano, é não planejar e deixar acontecer. Meu barquinho navega livre e estou mais preocupado com o aprendizado durante a viagem do que com o destino final.

Minha esposa, tem os pés mais no chão e me ajuda, questionando minhas atitudes. Ela diz:

“Você faz tudo de graça e por isso ninguém dá valor! Estas bandas brasileiras são todas iguais! Só lembram quando precisam! Usam e depois esquecem! Quantas vezes você já se decepcionou e sofreu por isto?” A minha resposta é sempre a mesma:

“Eu não tenho escolha! É o meu destino! Se fechar a porta para todo mundo vou virar um ermitão! Não podemos fazer as coisas esperando nada! Tudo tem o seu tempo! O que é meu de direito, um dia chegará! ”

A verdade é que tudo está chegando e cada vez mais rápido! Este convite para ser entrevistado aqui é uma prova disto! De que qualquer forma, aprendi que ser bom não é ser bobo! Tenho sido muito mais criterioso nas minhas escolhas!

Como disse, recebi muito músico aqui em casa, entrevistei e assisti vários shows de bandas brasileiras que pisaram aqui na terra da rainha, mas, gostaria de destacar que sou muito orgulhoso de ter produzido o show da banda Korzus no The Marquee Club em 1992 e de que, algumas vezes colaborei assessorado a banda Vulcano quando estiveram tocando por aqui. A colaboração com Vulcano intensificou-se ao ponto de tornar-me responsável pela criação de várias artes e capas de disco para sua banda além de ter recebido, quando escrevi meu livro O Livro Negro do Rock, a orientação de Zhema o lider desta banda.

barbier  no abbey road studios
Barbieri gravando no lendário estúdio Abbey Road. Foto:Marcelo Cavalcante

Luis Carlos: Quase impossível falar de você e não lembrar do Livro Negro do Rock. Fale-nos sobre ele e o que ele representa na sua carreira?

Barbieri: Tudo foi aprte de um processo, Escrevi centenas e centenas de artigos para a Revista Dynamite. Mais tarde criei este website chamado Barbieri - Memórias do Rock Brasileiro que já existe por mais de 10 anos, já passou dos 3 milhões de visitantes e conta com talvez mais de mil artigos escritos por mim. Portanto, acho que escrever um livro acabou sendo uma evolução natural do meu trabalho.

Quanto ao livro, como sempre, não programei nada. Como estava pesquisando sobre a história do porto de Santos pois tinha recebido um e-mail vindo de um músico contando-me que ele se interessou por rock, ainda garoto, quando escondido da família, ia ver as bandas que tocavam nas boates que ficam nas proximidades do porto de Santos, entrei em contato com duas bandas santistas com quem já tinha trabalhado no passado: Vulcano e Santuário. Na conversa que tive com Zhema, o líder do Vulcano fiquei sabendo que ele era um entendido sobre o oculto e muito influenciado pelos pensamentos de um mago muito controverso chamado Aleister Crowley.

Curiosamente, paralelamente, também estava pesquisando sobre Raul Seixas pois, durante a minha vida roqueira tinha cruzado com ele algumas vezes e queria contar estas memórias no meu site. Acontece que pesquisando sobre a sua Sociedade Alternativa descobri que, curiosamente, ela era também influenciado por Aleister Crowley.

Obviamente, vi a “sincronicidade” em ação, obedeci e fui pesquisar Aleister Crowley. Bom, nem preciso dizer que, quando percebi, estava escrevendo O Livro Negro do Rock.

Infelizmente, a realidade do Brasil é sempre pobre. O artista se quiser ver seu projeto lançado, tem que pôr a mão no bolso e lança-lo ele mesmo! Em conversa com meu editor, em resposta ao meu desabafo quanto a situação difícil do escritor brasileiro, ele apesar de dizer que o mercado editorial estava péssimo para todos, tanto escritores como editoras, tentou me incentivar dizendo que “muitas vezes um livro pode não vender bem, mas, em contra partida, ele poderá muito bem abrir portas para novas e inesperadas oportunidades profissionais que, como resultado, poderão até lhe trazer muito mais respeito". É verdade que a tiragem do meu livro foi pequena (está quase no fim), mas, o respeito que recebi foi muito mais do que o que recebi pelo meu trabalho de mais de 40 anos à serviço do Rock Brasileiro.

o livro negro do rock cover
A capa do O Livro Negro do Rock


Luis Carlos:
Diante das milhares de coisas que você fez e faz, ainda tem alguma coisa que gostaria de fazer?

Barbieri: Gostaria muito de ter minha música usada na trilha sonora de um filme ou comercial. Gostaria de um dia conseguir apresentar-me ao vivo tocando guitarra ou piano executando meu material autoral. Gostaria de atuar num filme num papel que eu me identificasse com o personagem e fosse emocionalmente intenso.

Luis Carlos: Qual você acha melhor, o Rock Inglês ou o Norte Americano?

Barbieri: Historicamente o Rock Inglês foi melhor, mas não podemos esquecer que eles foram inicialmente papagaios copiando e se apoderando do Blues Norte Americano. A análise torna-se complicada porque se não fossem os ingleses talvez não conhecêssemos Mud Water, B. B. King, Chuck Berry, além de muitos outros gênios da guitarra.

Os Beatles e os Rolling Stones literalmente colocaram os ingleses no mapa, mas, cabe lembrar que em 1969 o Festival Woodstock, em áudio e filme, com suas bandas a grande maioria Norte Americanas, influenciaram toda uma geração.

Foi no começo dos anos 70 que o Rock Pesado afirmou-se com a chegava de uma trilogia de bandas poderosas: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple (Eu sei! Tem muito mais!). O Rock Pesado ajudou desviar ainda mais o foco de atenção para a Inglaterra.

Hoje em dia a coisa está bem diferente e já faz tempo que meu único controle é o de qualidade! Só me interessa saber se a banda é boa ou ruim. Infelizmente muita gente no Brasil confunde qualidade com estilo! Eu escuto tudo quanto é estilo de rock! Meu único padrão é competência! Quando se trata de banda brasileira, já ganha de cara um ponto só por ser uma banda nossa. Sempre escuto qualquer banda brasileira do ponto de vista do produtor imaginando como ela seria bem melhor se tivesse acesso à bons estúdios, técnicos e o mesmo suporte que recebem as bandas grandes na Europa e Estados Unidos. 

Luis Carlos: Sendo um cara com tantas histórias para contar, quando é que teremos sua biografia?

Barbieri: Para escrever minha biografia, sinto que teria que honestamente abrir meu coração e contar não só os bons momentos como também as dificuldades, mal entendidos e amarguras porque passei:

Músico famoso roubando microfone do teatro durante o show.

Dono de loja se achando dono das bandas e sabotando o meu show.

Bandas achando que tinham 400 pessoas num lugar que só cabiam 200.

Shows acabando e na hora de fazer o acerto com a banda e assim, pegar a minha comissão, ser tratado como um abutre ladrão.

Músico sacaneando músicos de outras bandas ou seus próprios músicos na minha frente.

Músico ligando para dizer que não vai tocar no show que produzi porque ele não toca em show de comunista.

Bandas ficando hospedadas gratuitamente na minha casa por uma semana, mas negando depois uma música para acrescentar na coletânea que estava montando.

Empresário de banda que vai tocar no meu projeto, ligando em meu nome para centenas e centenas de músicos para comparecerem no dia do show que estou produzindo de sua própria banda, dizendo para comparecerem para assinar contrato comigo, criando o maior caos no teatro, etc.

Bom, a lista é grande, mas, infelizmente tenho boa memória. Alguns destes maus agradecidos, desonestos ou simplesmente irresponsáveis já morreram e não quero ficar remexendo neste passado.

Como John Lennon, prefiro dizer que não acredito mais na palavra de ninguém, só acredito em mim e na minha esposa Andrea. O sonho acabou!

Hoje meço todo mundo só pelas suas ações! Só palavras são para políticos! Juro, sempre, na medida do possível, procurei completar minhas palavras com ações. Perdoem-me se pareço-lhes pretencioso ou arrogante, mas, tem gente que fala, eu faço!

Por estas e outras, acho um grande desafio escrever minha biografia. Aliás, se procurarem e juntarem tudo que já escrevi e também nas vídeo entrevistas dadas acho que já daria uma boa biografia. Se fizessem gostaria que o nome fosse: Barbieri: O Sonho do Roqueiro Comunista! :-)

Barbieri agradece: Caro Luis Carlos, agradeço de coração pela oportunidade dada e aproveito para parabeniza-lo pelo teor das perguntas! Pergunta inteligente é assim, a resposta quase vira livro! 

Entrevista feita por Luis Carlos para o site Arte Condenada


Dois comentários deixados no site Arte Codenada:


Bruno Maia: Muito massa! O Barbieri é um cara da hora! A luta continua, Barbieri. Saravá!
Luis Carlos responde: Com certeza Bruno, é uma boa parte da história da nossa música, do nosso amado Rock and Roll na mente crativa e batalhadora dele.

Derico Moshilão: Caraca, que entrevista foda meu camarada. Barbieri é uma lenda, Parabéns ao Arte condenada!
Luis Carlos responde: Ele é uma lenda mesmo, inclusive, uma grande influência para mim, que faço esse blog Arte Condenada em prol da música.

The String Theory Brain Fusion
Este é o meu álbum gravado, o sétimo! Espero que gostem!

VISITEM O SITE
arte condenada

primaveradosdentes band edit
A Banda Primavera nso Dentes.

 

Primavera nos Dentes
Banda lança álbum antológico!
Será um novo Secos & Molhados para o Século XXI?


Em agosto de 1973, o grupo Secos & Molhados - um dos mais importantes da música brasileira dos anos 70 - lançava seu primeiro disco homônimo. Exatos 44 anos depois, Charles Gavin, Duda Brack, Pedro Coelho, Paulo Rafael e Felipe Ventura divulgam, em todas as plataformas digitais e em vinil, o álbum Primavera nos Dentes. O trabalho, lançado pela gravadora Deck, conta com releituras de 11 das 26 canções lançadas pelo trio durante a fase inicial do grupo (1973 a 1974), na época formado por João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão).

Charles Gavin:
"Artistas vão embora, as bandas se desfazem, mas a música fica"

Músico e pesquisador comenta o projeto Primavera nos Dentes,
que regravou Secos & Molhados

Escrito por André Felipe de Medeiros, para o site Monkeybuzz (30/08/2017)

Quando Charles Gavin falou ao Monkeybuzz sobre o projeto Primavera nos Dentes, o site já havia preparado terreno para o projeto - que regravou em modo 2017 o repertório da icônica Secos & Molhados - com dois artigos anteriores, um sobre a banda de Ney Matogrosso e outro sobre o próprio disco, lançado no último 18 de agosto. Por isso, nossa conversa por telefone teve o papel de ouvir em suas palavras sobre o processo de formação do novo grupo, assim como - e principalmente - o de reapresentar essas músicas ao público de hoje, em um ponto de vista pessoal do baterista e pesquisador sobre o tempo e a relevância dessa obra no contexto atual.

Quem ouviu o álbum Primavera nos Dentes bem sabe que suas faixas trazem aquelas composições que já conhecemos desde sempre em uma estética bastante contemporânea (aquela beleza de Pós-MPB) que adorna O Patrão Nosso de Cada Dia, Rosa de Hiroshima e outras canções enraizadas no repertório popular de quem nasceu e cresceu por aqui. Se a decisão de regravá-las veio “com toda a certeza”, nas palavras de Charles, o modo com que isso aconteceu foi bastante complexo. “Pegar um repertório desses como matéria prima não é algo fácil de se fazer”, explica ele, “a gente podia errar feio a mão”.

A escolha de gravá-lo veio como resultado de um processo muito anterior ao lançamento, que tem a ver com a época em que o músico desligou-se do trabalho com a banda Titãs. “Eu não estava bem em 2009, estava muito desgastado da estrada, a gente já vinha emendando discos com turnês e shows, e eu não estava bem de cabeça, confesso a você, eu precisava dar um tempo”, conta ele, “foi difícil me afastar, fiquei três anos sem tocar bateria. Foram três anos meio sabáticos quando fui me dedicar a outras coisas” - dentre elas, seu trabalho como pesquisador da diversidade musical produzida no país. “Eu pensava “quando é que eu vou conseguir voltar para os palcos?’”, relembra, “o objetivo [com um novo projeto] era poder voltar aos palcos”.

Regravar a obra de João Ricardo, Ney Matogrosso e Gérson Conrad veio como resposta ao questionamento “Qual música é relevante para mim e para minha geração, que está no meu DNA?”, ele comenta, o que foi fundamental na hora de iniciar um novo projeto. “Esses discos são a música clássica popular brasileira”, segundo ele, “ao lado de Os Mutantes, Novos Baianos, Gil, Raul Seixas, Rita Lee, Caetano, enfim. São discos atemporais, eles continuam relevantes após duzentos anos. E aí foi muito óbvio o caminho que se apresentou: Vamos recriar esse repertório icônico e emblemático”.

“Se é relevante para mim, que sou de 1960, e é relevante pra Duda, que vai fazer 24 anos daqui alguns dias, é relevante para muita gente. Os artistas vão embora, as bandas se desfazem, mas a música fica. A poesia é tão atual e os arranjos… eles são clássicos. Se alguém coloca essa música no rádio, automaticamente todo mundo fala ‘caramba, que coisa incrível, que bom ouvir essa música’. E a pessoa está familiarizada com a poesia. Ela pode não conhecer o nosso arranjo, mas vai saber cantar a letra. Isso ajuda uma relação de cumplicidade nos shows”.

Na hora de gravar, a palavra de ordem, conta o músico, era ter prazer no desafio de encontrar seus novos caminhos, priorizando a originalidade - “para cada música, a gente teve a preocupação de não se parecer com nada”. Com isso, referências a ritmos tipicamente brasileiros, como o Carimbó e o Coco, encontraram inspirações em vertentes do Rock (sobretudo Indie e Punk) e até mesmo Fiona Apple, o que resultou em uma sonoridade que reforça o caráter contemporâneo que as letras possuem.

Para Charles, nossa época é marcada “pela falta de perspectiva”. “Nos anos 1970, a perspectiva era ruim. Uma ditadura militar, uma sociedade conservadora e repressora, e aí vieram Os Mutantes, Novos Baianos e Secos & Molhados para quebrar ‘aquela caretice’, como disse Rita Lee. No nosso caso, vivemos uma ausência total de perspectiva. E esse resgate tem a ver com esse momento político, em que todas as estruturas desabara. Não tem fundo esse buraco, estamos sendo completamente ignorados por Brasília. Por muito menos, a gente estava na rua um ano e meio atrás, como é que a gente não está na rua agora com tudo o que está acontecendo?”.

“Eu penso bastante nessa visibilidade que eu tenho”, comenta ele, “em uma hora como essa em que a gente se lança sobre uma obra como [a da banda], isso provoca coisas. A gente transforma um sentimento negativo, a falta de perspectiva, em um prazer de tocar e de ouvir música”. Para além de instigar o pensamento através da poesia e da música, Primavera nos Dentes cumpre bem seu propósito de reapresentar um capítulo da música brasileira a uma nova geração. “Recebi uma mensagem no Facebook esses dias de um senhor que dizia ‘muito obrigado por apresentar Secos & Molhados aos meus filhos’. É uma responsabilidade que não se pode ignorar”, conclui.

André Felipe de Medeiros

Barbieri Comenta: Este trabalho é sem dúvida um trabalho muito bom mas, convenhamos, não deixa de ser um álbum de covers! Na entrevista acima citar o trabalho de Rita Lee como grande referência da música brasileira é à meu ver forçar a barra. Desde quando uma grande vendagem é 100% sinal de talento! Bom, só posso dizer que no caso aqui da banda Secos & Molhados definitivamente é! Muito embora o caro Charles Gavin venha de uma banda histórica (Titãs), outra coisa que me causou desconforto foi ele afirmar que este trabalho seja rock no senso da palavra e ainda mais querer afirmar que tenha uma influência punk. Está claro que este trabalho está mais para um MPB/POP com momentos bem pasteurizados de rock pesado. Agora citar influência de ritmos como Carimbó e o Coco é brincadeira! Eu aceitaria se a banda tivesse alegado que escutou um pouco da fase mais recente e eletrônica de David Bowie ou escutado um pouquinho de Brian Eno. Bom, sugestão, adoraria de ver esta ideia aplicada aos trabalhos de músicos como Raul Seixas, Tim Maia ou Jorge Benjor. Tendo dito isto, achei este trabalho excelente e tenho certeza que o mesmo sobreviverá muito bem, dispensando qualquer tipo de tentativa de explicação. Desde já fico feliz em saber que este lançamento conseguirá possivelmente ir mais longe do que muitos lançamentos atuais porque, cá entre nós, seus músicos são mais conectados, Charles Gavin tem uma longa história e principalmente porque as músicas já fazem parte de grande parte do inconsciente coletivo de muitos dos brasileiros.

Antonio Celso Barbieri

primavera nos dentes cover

ivan e rodrigo
Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicious

Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicious Duo
Os mestres da guitarra lançam um EP e um álbum,
audição obrigatória para aqueles que buscam qualidade!

Escrito por Antonio Celos Barbieri

Se o Rock Brasileiro, por tempos imemoriais, em termos de espaço na mídia, vive uma existência de sofrimento e agonia onde a nossa imprensa mais parece aqueles três macaquinhos onde um nada vê, o outro nada escuta e o terceiro obviamente nada fala, imaginem só as dificuldades porque passam as nossas bandas instrumentais!

Tendo feito este desabafo, fico surpreso quando encontro músicos não só com trabalho instrumental de qaulidade, mas, com a coragem de lançar dois álbuns no mesmo ano. É o caso do duo Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicious que recentemente lançaram o EP Standards? e o álbum Volume III.

Estes dois músicos, nestes últimos anos,  consistentemente continuam lançando gravações de alto nível sempre mostrando um domínio fantástico dos seus intrumentos e, mais importante, a coragem para fazer um tipo de música que eles mesmos já sabem chegará à apenas uma minoria dos brasileiros. Sim, eu mesmo já lhes disse que acredito que este tipo de trabalho altamente evoluído só encontrará um público que o entenderá e lhes dará o devido respeito no exterior, mais precisamente talvez na Europa.

standards capavolume 3 capa
As capas dos dois lançamentos: O EP "Standards?" e o álbum "Volume III".

Existe música para simplesmente ouvirmos, sem muito racionalismo, sem filtro nenhum e de fácil absorção. Na maior parte, acredito que este não é o caso deste duo. Para você realmente apreciar um trabalho como este, tem que ter alguma vivência musical, tem que ter ouvido Jazz, Clássico e estar aberto para todo tipo de música. No Brasil, a nossa música sofre muita restrição causada por um segmentalismo, uma copartimentação em estilos e "tribos" muito prejudicial à proliferação de bandas instrumentais e principalmente, aquelas com trabalhos experimentais, de vanguarda ou pesquisa. Então, é justamente por isto que considero estes dois lançamentos tão importantes pois, vivemos um momento social obscuro, polarizado, radical, conservador e culturalmente pobre e portanto estamos precisando desesperadamente de novos sons, novos ares e novas ideias!

Voltando à estes dois lançamentos, como era de se esperar todo o trabalho é excelente, mas, como curiosidade, destaco-lhes a primeria faixa do EP Stardards? chamada Cantaloupe Sandman onde o duo se apropria de um pedacinho da música Enter Sandman da banda Metallica para conduzir o ouvinte incauto para terras desconhecidas.

De qualquer forma, se nada do que disse fizer sentido apenas fiquem com a certeza de que Rodrigo e Ivan tocam muito! Escutem! Deem uma chance para o trabalho deles! :-)

NOTA: Quando acabarem de escutar o EP Stardards?, mais abaixo, encontrarão o player do álbum Volume III, cliquem no player do mesmo e dirvirtam-se ouvindo mais música de qualidade!

Antonio Celso Barbieri

standards capaRodrigo Chenta & Ivan Barasnevicious Duo - Standards? (2017)



standards encarte

volume 3 capa
Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius Duo - Volume III (2017)

volume 3 capa contracapa

tony babalu foto karen holtz
Tony Babalu. Foto: Karen Holtz.

Tony Babalu - Live Sessions II (Ao Vivo) - Agosto de 2017
O mestre da guitarra está de volta com novo álbum!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Se Tony Babalu, com uma história caminhando rapidamente para meio século de amor à sua guitarra já é uma figura lendária do Rock Paulista, agora, com este seu segundo lançamento, certamente, confirma-se como um dos grandes mestres da guitarra no Brasil.

Seu novo álbum Live Sessions II já nasceu “cult” e, quando escutei-o, a primeira coisa que notei foi a qualidade fenomenal conseguida pelo Estúdio Mosh na captação e gravação do som da banda, ainda mais considerando-se que são registros ao vivo, o nível de excelência conseguido pela banda está com uma qualidade fenomenal.

Recordo-me que, à 3 anos atrás, emocionado, ouvi seu primeiro álbum chamado Live sessions at Mosh (2014). Achei-o um trabalho irretocável, perfeito, corajoso, tudo no seu lugar. Na época imaginei que aquele trabalho seria impossível de ser superado. Quer dizer, já ficaria muito feliz, se Tony conseguisse repetir a mesma proeza!

Surpreendentemente, com este novo álbum, Tony Babalu não só conseguiu “expandir o envelope” mas também mostrou um bom gosto enorme na escolha não só do repertório mas como também dos timbres e efeitos. Outra coisa que impressionou-me, foi a forma como o resto da banda foi tratada. Aqui, como no álbum anterior os músicos não são apenas apresentados como simples banda de apoio e sim como parte integrante do processo criativo onde todos democraticamente recebem espaço para mostrarem todo seu talento. O resultado mostrado é o de uma banda unificada e coesa que, como um relógio, com um sincronismo perfeito, calibrada numa “vibe” anos 70, mas, com toda a qualidade possível dos dias de hoje nos brinda com um trabalho excelente e com aquela qualidade especial que fará com este álbum, como nos grandes clássicos, perdure para sempre.

Bom, o resultado deste álbum é fabuloso, de nível internacional! Nele Tony Babalu nos brinda com uma aula de técnica e bom gosto! Aliás, já faz um bom tempo que tenho notado que esta nova geração de guitarristas parece estar mais preocupada em enfiar o maior número possível de notas em um compasso do que, como demonstra Tony Babalu tão bem, transmitir neste novo álbum a emoção e o groove permitindo assim que possamos saborea-lo calmamente, degustando cada frase e curtindo assim toda esta sua essência que remonta aos grandes guitarristas do passado. Parabéns Mister Babalu e banda!

Esta banda excepcional é formada por: Tony Babalu (guitarra), Adriano Augusto (teclados), Leandro Gusman (baixo) e Percio Sapia (bateria).

Se você ainda não ouviu Tony Babalu, saia atrás! Não perca esta oportinidade de conhecer este som! Acreditem, seu trabalho é escuta obrigatória para todo músico sério!

Antonio Celso Barbieri

tony babalu live sessions II

Herói brasileiro da guitarra,
Babalu lança álbum de atmosfera 'vintage'

Escrito por Mauro Ferreira para G1 Globo

A imagem da capa do álbum Live sessions II expõe parte do braço de guitarra Fender Stratocaster de 1973. Fiel companheira de Tony Babalu, guitarrista e compositor paulistano que está em cena desde a década de 1970, a elétrica Stratocaster é a alma desse disco instrumental lançado neste segundo semestre de agosto de 2017 em edição do selo Ammelis Records distribuída via Tratore.


Live sessions II segue a linha e o conceito do antecessor Live sessions at Mosh (2014), CD lançado há três anos pelo mesmo selo e distribuidora. Em Live sessions II, Babalu – virtuoso herói brasileiro da guitarra que integrou a lendária banda Made in Brazil nos anos 1970 – apresenta seis temas calcados nos riffs e grooves de uma guitarra que, além de herdar toques dos seminais bluesmen norte-americanos do início do século XX, transita entre a pegada do rock, a batida do funk e a levada da música latina.

Todas de autoria do guitarrista, as composições Encrenca, In black, Locomotiva, Meio-fio, Valentina e Veia latina foram captadas integralmente ao vivo, sem overdubs ou emendas, em 28, 29 e 30 de dezembro de 2016, em fitas de rolo do Mosh Studios, em São Paulo (SP). Nessa atmosfera vintage, de sonoridade orgânica, o trio Adriano Augusto (teclados), Leandro Gusman (baixo) e Percio Sapia (bateria) se juntou a Tony Babalu para dar forma aos seis temas instrumentais que reafirmam no CD Live sessions II a excelência do toque da guitarra desse heroico músico paulistano.


(Crédito da imagem: capa do álbum Live sessions II. Projeto gráfico de Marina Abramowicz. Tony Babalu em foto de Karen Holtz)

Mauro Ferreira

Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987. Assinou críticas de discos em “O Globo” e na extinta revista “Bizz”, entre outros veículos. Autor do livro  “Cantadas – A sedução da voz feminina em 25 anos de jornalismo musical”.

 



johnny hansen
Johnny Hansen

 Meditações e lembranças sobre Johnny Hansen
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Londres, sábado dia 08 de abril de 2017

O sábado começa bonito. O Sol, para surpresa dos londrinos, resolveu despontar com toda a sua glória.

Despreparado, sem nenhuma suspeita, ligo o computador e vou ver o resultado da campanha que ontem à noite, disparei no Facebook para continuar divulgando o meu livro O Livro Negro do Rock.

Com incredulidade, sou bombardeado por mensagens de pesar. O lendário e querido amigo Johnny Hansen faleceu. Pulo de uma mensagem à outra, desejando que sejam apenas piadas de mal gosto, típicas destes tempos desumanos em que vivemos. Infelizmente, ao contrário dos quase 80% do que é publicado, esta notícia sim, é realmente verdadeira.

Sou inundado por um sentimento de tristeza enorme. Nunca tivemos oportunidade de nos sentarmos em algum lugar tranquilo e abrirmos o coração um para o outro, mas, sinto que perdi um irmão existencial. Todas as vezes que pude conversar com Hansen, senti algo triste e solitário, como se ele tivesse um senso de premonição a respeito do seu próprio destino, como se ele se sentisse como um tipo de “Dead Man Walking”. Mesmo quando sorria ele ainda parecia esconder este outro lado, típico de quem é diferente, de quem não se encaixa nos padrões normais.

Minha cabeça entrou num estado enevoado e confuso. A luz ensolarada que entrava pela janela aqui do sétimo andar, o canto dos pássaros, o som das pessoas caminhando lá embaixo, assim como o som dos carros foram diminuindo até eu ficar sozinho dentro de mim… sozinho e com um gosto amargo na boca….  

“Tenho que postar uma homenagem imediatamente". Pensei, agi e fui colocando no papel o que vinha na minha mente:

“Estou devastado! Faleceu Johnny Hansen! Mr Hansen foi sempre uma pessoa muito íntegra, um dos grandes nomes, senão o maior da música eletrônica e industrial brasileira! Guitarrista e vocalista de mão cheia, mesmo à distância manteve-se sempre um grande amigo. Sua banda Harry foi um marco seminal na história do Rock Brasileiro com seu som eletrônico & progressivo esbanjando referências norte europeias. Seus últimos trabalhos mostravam um músico maduro e no total domínio da sua arte. Sua história confunde-se com a história de outra lendária banda santista: Vulcano. Em 85 quando produzi no Teatro Lira Paulistana, dentro do meu Projeto SP Metal, um show da banda Vulcano o caro Johnny Hansen é quem foi o guitarrista. Johnny sempre defendeu que uma música, um verdadeiro hino do Vulcano, chamada Witches Sabbath,  era de sua autoria. Com seu ecletismo, ele podia transitar livremente do rock extremo e gutural ao clássico e introspectivo. Portanto não é nenhuma surpresa saber que, desde 2014, ele também desenvolvia um trabalho paralelo como guitarrista da banda santista This Fucking Hate.

Perdemos mais um gênio do Rock Brasileiro! Em 2015 incluí a música Fallen Angel da sua banda Harry na Coletânea São Power que lancei pela Rádio Rock Nation e, neste mesmo ano, em 15 de julho criei um vídeo para uma música desta mesma banda, chamada Sky Will Be Grey (O Céu Ficará Cinza). De fato, para mim, hoje, o céu ficou cinza! “

Quando terminei de postar minha homenagem no Face, fui no Youtube ver novamente o vídeo que, como já disse, fiz para a música Sky Will Be Grey. Tive que conter as lágrimas. Sentia que Johnny Hansen, como eu, era mais do que simplesmente um brasileiro, ele era um “homem do mundo” e sinto muito que infelizmente não tenha conseguido ajuda-lo a tocar aqui. Tenho certeza que, para ele, teria sido uma grande realização pessoal. Lamentavelmente, não tive e não tenho este poder financeiro para executar proezas desta natureza.  

“Vamos tomar nosso cappuccino? Celso? “ Era Andrea, minha esposa, como sempre, trazendo-me de volta à Terra.

Com dificuldade saí do meu universo nublado e confuso, cheio de lembranças do Hansen.

The show must go on! A única opção que nos sobra é tentar continuar levando a vida com a normalidade de sempre. Pensei comigo mesmo. 

Na rua, todo mundo parecia ter percebido que um dia tão bonito como este não poderia passar desapercebido. Muitos turistas, casais com crianças, gente tranquila, todos aproveitando o Sol, coisa rara aqui nesta época do ano. No final do inverno, normalmente, simplesmente olhando da janela, diria brincando que este Sol era apenas “um Sol de bobo”. Quer dizer, geralmente parece lindo, mas lá fora está um frio danado. Hoje, não! Deu até a sensação ilusória de que o verão já chegou.

Moro em Old Street e caminhamos mais ou menos um quilometro até Angel. Caminhei silenciosamente, meditando e às vezes confidenciando minhas memórias do caro Hansen com Andrea.  

Como sempre, fui uma pessoa musicalmente bem eclética e pessoalmente, já conhecia, desde o começo, a sua banda Harry. Ainda tenho os dois vinis lançados pela Wop Bop. Um de 1987 e outro de 1988. Aliás, o da foto acima lançando em 1988, possui na minha opinião uma das mais belas capas do Rock Brasileiro.

barbieri and harry album
Barbieri exibindo seu álbum da banda Harry comprando em 1988.

Com disse acima, a história de Johnny Hansen confunde-se com a história banda Vulcano.

Em 1985 produzi na capital de São Paulo, o primeiro show desta banda. Aconteceu no hoje extinto Teatro Lira Paulistana. A banda participava do meu Projeto SP Metal. Leiam abaixo este texto extraído do meu livro O Livro Negro do Rock:

Vulcano - Projeto SP Metal (1985)

Eu não conhecia o som do Vulcano. Sabia que esta banda, assim como uma outra chamada Santuário, eram originárias da cidade de Santos. Sabia também que se tratava de uma banda do tipo extrema e imaginava que o som deveria ser mais ou menos na linha da banda paulista Korzus. Naturalmente estava curioso. No dia do show os músicos chegaram meio calados, sinistros. Eu me comunicava apenas com Zhema que, além de ser o líder da banda, era e ainda é um tipo bem organizado e profissional. Portanto, não dei muita atenção aos outros músicos.

Minha memória é meio vaga, mas lembro-me dessa pessoa, antes do show, à meia-luz, andando pelo palco. Ele era um tipo escuro, meio arcado, parecia corcunda, sem camisa e com grandes cicatrizes parecendo queimaduras pelo corpo. Carregava um saco nas costas, parecia que carregava ossos humanos. No final espalhou-os pelo chão. Coisa bem macabra. Nessa noite o Teatro Lira Paulistana pela primeira vez estava com um clima bem carregado, pesado mesmo.

Quando a banda entrou no palco, o guitarrista usava um traje vermelho com capuz parecendo um monge satânico e diabólico, e o vocalista Angel, um músico alto, magro e ameaçador, usando duas enormes pulseiras cheias de pregos pontudos, já veio do camarim com o seu microfone Shure preso a um grande osso velho e amarelado parecendo um fêmur humano.

Curiosamente o instrumental da banda variava de Hard Rock com pitadas de Heavy Metal a Black Metal com o vocal gutural o tempo todo. Muito embora o som da banda variasse em estilo, ele foi brutal e extremo do começo ao final do show. A guitarra era bem pronunciada com distorções que se fundiam com microfonias intermináveis criando, tirado as devidas proporções, até um certo clima psicodélico.

O show da banda foi diferente, único. O show do Korzus era mais direto e o do Vulcano parecia que escondia algum segredo, alguma coisa hermética. Na verdade, confesso que fiquei mais preocupado foi com a possibilidade da presença surpresa da polícia porque, até explicar de onde tinham surgido aqueles ossos humanos, como responsável pelo projeto, já até podia imaginar-me entrando numa delegacia de polícia.

Quando o show acabou, como responsável pelo projeto tive que ficar no teatro até que todos os músicos se retirassem. Estava na porta do teatro supervisionando a retirada do equipamento quando notei esse rapaz jovem, de rosto meio gordinho e saudável, cabelos bem curtos e expressão relaxada. Ele não usava nenhum adereço de rock e mais parecia um músico de alguma banda pop. Saía tranquilo puxando um amplificador. Fiquei curioso e, incrédulo, perguntei-lhe se ele era o guitarrista da banda. Com um sorriso amigo ele confirmou. Então, fiquei sabendo que o nome dele era Hansen e que ele era também o guitarrista da banda eletrônica santista Harry. Ele mostrou-se uma pessoa bem inteligente e esclarecida. Explicou que a proposta da banda era simples. Ser a mais radical possível. "Se o público quer o demônio então damos o demônio!", foram suas últimas palavras...        

Quanto aos ossos humanos, se minha memória não me engana, parece que algum tempo depois foi noticiado em algum jornal que a banda tinha tido problemas com a polícia por terem invadido túmulos em um cemitério.

Quase 30 anos mais tarde, Zhema, o líder da banda, confirmou-me que a banda realmente tinha tido problemas com os ossos humanos e que, segundo ele, na verdade esses ossos tinham vindo de uma Faculdade de Medicina. Aparentemente, o baterista, quando entrevistado, só para criar um clima, disse que os ossos tinham sido roubados de um cemitério, o que causou uma série de problemas para a banda.Se é verdade ou não, nunca saberemos. Aliás, o começo do Vulcano está ligado a um grupo de teatro chamado Satanic.

Satanic

Esse grupo foi criado e liderado por Jasper Lopes Bastos. Seu trabalho envolvia música e teatro e tinha a vaga aparência de uma missa pagã. Num certo momento da peça, ao som da banda de apoio tocando, um grupo de pessoas vestidas com trajes e capuzes vermelhos entravam no palco carregando um caixão de defunto de verdade, contendo o nosso amigo Jasper dentro.

jasper and hansen
Jasper Lopes Bastos e Johnny Hansen

Muito embora o grupo Satanic não tenha influenciado Vulcano em termos esotéricos e nem mesmo em termos de som, esse grupo foi o celeiro de onde sairiam vários músicos para tocar no Vulcano. Isso aconteceu pela simples razão de Satanic, na Praia Grande (SP), ser um projeto que aglomerava o pessoal mais artístico e roqueiro do lugar. 

O vocalista Angel era apenas um ator nessa peça onde Hansen também teve uma breve participação. Aliás, segundo Hansen, a vestimenta vermelha que ele usou no show do Teatro Lira Paulistana em 85 foi justamente uma das que foram usadas para carregar o caixão na peça. Ainda, segundo Hansen, havia nessa peça uma mesa com um furo no meio onde a cabeça de Angel aparecia, criando a ilusão de que tinha sido decepada. Hansen também disse que foi do Satanic de onde vieram os ossos humanos. Do Satanic ainda sairia o baterista José Piloni que participaria no Vulcano do compacto On Pushne Namah e seu irmão Laudir Piloni que viria a tocar bateria nos álbuns Live! E Bloody Vengeance desta mesma banda.

Bom, estas lembranças retornaram na minha mente com força total até que, já em Angel, parei numa livraria. Automaticamente vasculhando, como de costume, as ofertas empilhadas num balcão ao Sol na frente da loja, deparei-me surpreso com 4 livros de autoria de Phillip K Dick o meu autor de ficção científica predileto. Comprei todos! Dentre eles havia um chamado Flow My tears, The Policeman Said (Derrame Minhas Lágrimas, Disse o Policial). Já faz um tempo que acredito no poder da “sincronicidade” que, através de coincidências, mensagens são transmitidas para aqueles que estão treinados e preparados para recebe-las.      

Neste livro, antes de começar a história, numa primeira página, está escrito:

“Flow my tears,
fall from yours springs!
Exiled forever
let me mourn;
Where night’s black bird
her sad infamy sings,
There let me live forlorn. "
“Derrame minhas lágrimas,
caia das tuas fontes!
Exílio para sempre,
deixe-me chorar por esta morte;
Onde o pássaro preto da noite,
sua triste infâmia canta,
Deixe-me viver desamparado. “


É como se o livro dissesse para mim: “é normal chorar, deixe as lágrimas jorrarem…”

Ainda com a introdução do livro martelando na minha cabeça, entramos num supermercado. Andrea foi lá dentro comprar algo para o almoço enquanto eu fiquei na entrada, na parte reservada aos jornais e revistas.

Quem decepção! A Inglaterra parece que vive cercada por uma redoma de vidro. Em todas as manchetes, o mundo lá fora parece estar entrando na Terceira Guerra Mundial! Temos um louco como presidente dos Estados Unidos e vários outros dementes pelo mundo afora (inclusive no Brasil). Tivemos outro ataque terrorista, agora em Estocolmo, na Suíça, onde a moda parece ser pegar um veículo qualquer e sair atropelando indiscriminadamente gente inocente…

De dentro do supermercado, olho para a rua e, como num mundo de fantasia, contraditoriamente, lá fora, o Sol brilha e todo mundo está feliz como se nada estivesse acontecendo. Parece a calmaria antes do Tsunami! Tenho vontade de chacoalhar a cabeça. Minha mente oscila entre a “calma do dia”, Johnny Hansen, Terceira Guerra Mundial e, neste momento, outra memória dele vem à tona:

Um dia, lá pelo meio dos anos 80, visitando uma outra galeria próxima das Grande Galerias (Galeria do Rock) deparei-me com uma loja de discos muito estranha. Apesar de existirem muitos discos pelas paredes, o centro da loja era ocupado por um caixão de defunto. Dentro dele, o mesmo era coberto por aproximadamente um palmo de areia onde CDs eram encaixados de forma aleatória. Por cima do caixão, talvez para evitar as mãos dos curiosos, arame farpado era cruzado em várias direções criando um visual perigoso e porque não dizer, gótico. Esta “instalação” passava um clima meio de trincheira que me lembrou imagens da Primeira Guerra Mundial.

Em pé lá no balcão da loja, de olho na situação, lá estava o nosso amigo Johnny Hansen. :-)

Não me recordo mais da nossa conversa. Só sei, de uma forma um pouco distante e respeitosa, foi a primeira vez tivemos um bom papo.

Caro amigo Johnny Hansen, se você tiver passado para uma outra realidade ou dimensão e puder saber o que está acontecendo aqui, quero que saibas que sua vida não foi em vão e que você deixou sua marca e muitos amigos! Sua mensagem continuará através da sua música! Descanse em paz!

rock brasileiro 3books
Versão reeditada de texto originalmente publicado no site Collectors Room. Arte: Barbieri.
Esta matéria foi dividida em 3 partes e foi aqui
publicada com permissão do site Consultoria do Rock.

Parte I, Parte II & Parte III
acima link para todas as partes

Parte III

Conforme informado anteriormente, esta terceira parte do texto cuidará de falar do rock brasileiro na mídia,  bandas de larga envergadura do período que não lançaram discos e também dos lançamentos fonográficos de 1976. Sugere-se ao leitor buscar referências nas duas partes precedentes para um panorama mais completo de todo o assunto tratado. Nos comentários serão postados links com materiais de referência a este texto.

CR0
O jornalista Nelson Motta na coluna no Jornal Hoje, da Rede Globo, em meados dos anos 70

Na TV, na mídia impressa e no rádio o rock, de alguma forma, crescia. A Rede Globo lançou o programa Sábado Som, que estreiou em março de 1974 e ficou no ar até fevereiro de 1975, deixando a moçada maluca com video tapes de grandes bandas da época e registros de seus concertos – Pink Floyd, Black Sabbath, Mahavisnhu Orchestra, Allman Brothers, Humble Pie, Johnny Winter, etc. Segundo relatos, o Veludo foi a única banda nacional a aparecer no programa. O programa era apresentado por Nelson Motta no início, que logo foi substituído pelo famoso disc joquei Big Boy (nome artístico do radialista Newton Alvarenga Duarte). Todo esse material se perdeu em um grande incêndio ocorrido nos estúdios da TV Globo em 1976 e muitos outros registros de grande relevância para toda a música brasileira.

No rádio, despontava com crescente sucesso entre a moçada a Rádio Eldorado, no FM, mais conhecida como Eldo Pop. O FM era novidade na época e a Eldo tocava material até então inédito no país, principalmente do rock progressivo e hard-rock contemporâneo (não só inglês e norte-americano, mas de vários outros países, inclusive som das bandas locais), sem locuções e com pouquíssimos intervalos, numa longa viagem sonora. A rádio começou em fins de 1972 e durou até 1978, pouco tempo depois da morte de Big Boy (ocorrida prematuramente em 1977), que era quem conseguia o fantástico material que a rádio veiculava e era seu principal programador. Deixou como legado uma imensa legião de órfãos que a cultuavam e que até hoje pesquisam nomes de algumas músicas que tocavam na programação, já que não eram anunciadas enquanto tocavam. Ainda atualmente, grupos de ouvintes da Eldo Pop se reúnem no Rio para celebrar as músicas de sua programação e diversos blogs e fóruns na internet rememoram seu legado.

Big Boy

O lendário Big Boy

Em São Paulo, grande repercussão tinha o programa Kaleidoscópio, apresentado diariamente nas madrugadas por Jacques do Kaleidoscópio. Em uma rádio católica (Rádio América AM), o radialista Jacques Gersgorin botava o fino do rock para rolar, com entrevistas e muito papo cabeça. O público podia assistir e curtir o programa no próprio auditório da rádio e o programa, apesar da vida curta, marcou época.



Página da revista Hit Pop, longeva publicação na década de 70

Como revistas de grande circulação, havia a Hit-Pop (que surgiu a partir da seção de música da revista teen Pop, da editora Abril), Jornal de Música (depois rebatizada como Revista Música) e a Rock: A História e a Glória, que além de anunciarem as novidades lançadas no Brasil e no mundo, encartavam posters de bandas que despontavam na época e traziam algumas resenhas e entrevistas. Acontecimentos como o Festival de Águas Claras e o Hollywood Rock foram notícia em grandes veículos da mídia tradicional da época. As citadas revistas, além de colocar a juventude brasileira a par das novidades do rock mundial e do rock brasileiro (as publicações dedicavam generoso espaço a lançamentos de grupos e artistas estreantes e comentavam lançamentos de artistas nacionais já renomados), contavam com os préstimos de críticos reconhecidos até hoje no ofício – Ana Maria Bahiana, Tarik e Okky de Souza, Ezequiel Neves, Luiz Carlos Maciel, dentre outros. Nestas publicações também era comum aparecerem colunas ou resenhas escritas por músicos e poetas – Jorge Mautner, Egídio Conde, Julio Medaglia, Julio Barroso, Rogério Duprat, etc.

CR5O Jornal de Música resenhando o trabalho da Barca do Sol

Não só no circuito Rio-São Paulo as coisas aconteciam. Em Porto Alegre, a agitação começou a partir da Rádio Continental, com o apresentador Julio Furst, que apresentava um programa patrocinado pela marca de calças jeans Lee. Após ser convidado para atuar como jurado no festival universitário Musipuc, o cara resolve apostar nas bandas locais. Julio propõe a rádio oferecer espaço para gravações semi-profissionais (em dois canais) para as bandas que participaram do Musipuc e outras que surgissem, para rolar em seu programa. Porto Alegre praticamente não possuía estúdios profissionais na época. A direção da rádio em princípio hesitou e colocou o risco do fracasso do projeto nas costas de Julio. Mas o cara seguiu com a idéia, auxiliando as bandas na divulgação do som e levando aquela música a uma amplitude maior dentro da região Sul. As bandas gravavam e as músicas rolavam no programa de Julio, que tinha grande audiência. E a partir disso começaram a surgir os eventos da rádio, com as bandas que tocavam no programa se apresentando nos palcos, principalmente da capital gaúcha.


Julio Furst, vulgo Mr. Lee, e Hermes Aquino

Vieram a tona nestes eventos bandas que ainda hoje permanecem obscuras, por não possuírem registros oficiais (fora os gravados na rádio), como o Bizarro (grupo de hard-progressivo), Inconsciente Coletivo (folk-MPB), Mantra (jazz-rock), Élbia (rock n’ roll), Utopia (folk progressivo) entre outros. Outro grupo importante da cena gaúcha na época era o Saudade Instantânea, que segundos relatos, tinha uma linha de som parecida com a dos Mutantes (fase progressiva). A banda, formada em 1972, era capitaneada pelo guitarrista Cláudio Vera Cruz, que viria a integrar o grupo mais famoso vindo da região sul na época, o Bixo da Seda (sobre o qual falaremos em seguida). A banda participou de vários eventos e esteve envolvida com teatro, criando trilhas sonoras para alguns espetáculos. Um de seus maiores feitos foi abrir o show dos Secos & Molhados em Porto Alegre, em 73. Já as bandas Inconsciente Coletivo, Bizarro e Utopia abriram o show do cantor Bill Halley, em 1975, no Gigantinho.

Na região nordeste (principalmente em Recife, João Pessoa e Fortaleza), acontecia a gestação de toda uma geração de compositores e interprétes, muitos com impressões digitais estritamente rockeiras. A partir de 1972, gente do calibre de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Lula Côrtes, Marconi Notaro, Zé Ramalho, Fagner, Ednardo, o pessoal do Ave Sangria, Quinteto Violado, Flaviola, passou a cantar em outras freguesias. Recomendo a leitura do valioso artigo de nosso colaborador Eudes Baima a respeito (veja aqui).


Lula Côrtes, um dos expoentes da geração ’70 no Nordeste

Em Minas Gerais, apareceria o Saeculum Saeculorum, que havia começado em 74. Participaram de um grande festival em Minas, chamado “Camping Pop” e em 76 entraram em estúdio para registrar uma fita demo, a fim de negociar um contrato com a gravadora Warner. O contrato não rolou e o material ficou esquecido, com a banda encerrando as atividades em 77. Somente nos idos de 1996 é que esse material veio à luz, graças ao garimpo do violinista do grupo, Marcus Viana (futuro integrante do grupo Sagrado Coração da Terra). A formação do grupo era Marcus Viana (violino e vocais), Giácomo Lombardi (piano), José Audísio (guitarras), Bob Walter (bateria) e Edson Plá Viegas (baixo) e a gravação revela um som de grande qualidade musical, numa linha sinfônica e com instrumental de primeira grandeza.


Saecula Saeculorum

A história do período não ficaria completa se não fossem citados os inúmeros casos de bandas da época que morreram antes de ter algum material oficial lançado (em alguns casos inexistem até mesmo os registros extra-oficiais). Destas, algumas merecem especial destaque por terem sido grande live-acts da época, serem aclamadas por público e crítica, e figurado em festivais e grandes shows – Veludo, Vímana, Soma, Rock da Mortalha e Burmah.

A trajetória do Veludo muitas vezes é confundida com a trajetória do Veludo Elétrico. Não necessariamente uma veio da outra, mas tiveram membros em comum. O Veludo Elétrico era um agrupamento de músicos cariocas que viriam a ficar celébres, seja no mainstream ou no underground do período. Na guitarra, estava um tal Luís Maurício (futuramente denominando-se Lulu Santos), que era tido com um jovem guitar hero da zona sul do Rio. Além dele, Fernando Gama (baixista) e Pedro Jaguaribe (também baixista) e os futuros Mutantes Paul de Castro (após sua passagem pelo Veludo), Rui Motta e Tulio Mourão. Então, dos ossos do Veludo Elétrico, surgiram músicos que abasteceram três das principais bandas progressivas do período – Veludo, Vímana e Mutantes.


Elias Mizhrai, tecladista, vocalista e fundador do Veludo

O Veludo mesmo foi formado a partir da banda de apoio que Zé Rodrix estava recrutando para seu novo show, no fim de 1973. Foi ali que Elias Mizhrai, tecladista, compositor e arranjador, trava encontro com o já rodado guitarrista paulista Paul de Castro (com passagens pel’O Bando e também pelo Veludo Elétrico, já no Rio). Elias tinha uma outra banda progressiva chamada Antena Coletiva, na qual já desenvolvia o som que viria a adotar para o Veludo. Junto com Pedro Jaguaribe (outro ex-Veludo Elétrico) e Gustavo Schroetter (que era baterista da Bolha) estreiam com muito sucesso no reveillon de 1973 no Teatro João Caetano (há um pequeno trecho em super 8 desse concerto, veja aqui), junto com outra estreante, o Vímana. Curiosamente, ambas tem o Veludo Elétrico em sua árvore genealógica. O som do Veludo era um rock progressivo de alto impacto, saindo da linha contemplativa de muitos grupos influenciados pelo Pink Floyd, rasgando-se entre violentas interações de guitarra e teclados e chocando-se com uma sólida cozinha de bateria e baixo, abusando de convenções e mudanças de andamento em suas longas suítes. Se o público se amarrava no som dos caras, as gravadoras tinham uma visão restritiva quanto ao tipo de música praticada; consideravam aquilo como um som para um nicho específico e pequeno, apenas. A despeito da grande repercussão na época, a banda não conseguiu nenhum contrato para gravar um disco. Em um show, inclusive, contaram com uma canja do ex-tecladista do Yes, Patrick Moraz, que estava se radicando no Brasil. Contudo, nem só de louros se conta a trajetória da banda. Ezequiel Neves, um notório detrator do rock progressivo, os detonava sem dó:

“O grupo do guitarrista Paul de Castro desaprendeu de forma chocante sua eficaz receita de rock-blues. Agora o Veludo entrou para o rol do som bolo de noiva, marca registrada do Terço, Mutantes, etc… Tudo de uma chatice sem limites. A competência instrumental a serviço da bobagem. Temas fantásticos totalmente jogados fora, sufocados por improvisações totalmente desprezíveis. O fato do Veludo, o Terço e os Mutantes estarem conscientemente batendo com a cabeça na parede, me deixa com pena é da parede”


Gustavo Schroetter e Paul de Castro, baterista e guitarrista do Veludo

No fim de 1974, Nelsinho Laranjeiras substitui Pedro Jaguaribe no baixo e em 1975, após o festival Banana Progressiva, em São Paulo, Gustavo Schroetter também se manda para ocupações mais rentáveis (entrou para a banda de Jorge Ben, tocou com Raul Seixas e depois formou o A Cor do Som no fim da década).  No lugar de Gustavo, o guitarrista Ari Mendes (que já tocara alguns anos antes com Nelsinho Laranjeiras) assume o posto de baterista de forma improvisada.

Elias Mizhrai, fundador do grupo, também buscou uma carreira solo e foi trabalhar com Ney Matogrosso, deixando momentaneamente a banda. Também Paul de Castro, por convite de Sergio Dias (um admirador confesso do grupo) assume o baixo nos Mutantes, no lugar de Antonio Pedro Fortuna. Nelsinho reestrutura totalmente o som do grupo, tornando o mais eclético e agregando elementos mais presentes de música brasileira e latina. A banda entrou em um vaivém de músicos (até o próprio Elias retornou por um tempo nessa nova fase do grupo) e prosseguiu com essa fusão de estilos até sua dissolução em 1978.


Matéria do Jornal de Música, dando destaque a shows do Terço, Veludo e Tony Osannah em 1976

No fim da década de 1990, surge um registro gravado da platéia do show da banda no festival Banana Progressiva, em 1975, no teatro da Fundação Getúlio Vargas, que pode dar uma idéia da qualidade do grupo e do calibre de sua possante fórmula musical (ouça aqui). Nos anos 2000, Elias Mizhrai reativa brevemente a banda e lança o disco A Re-volta; já Nelsinho Laranjeiras revive a segunda fase da banda, lançando em 2016 o álbum Penetrando por todo o caminho sem fraquejar, contando com a participação de alguns dos músicos que integraram a segunda fase da banda, relendo o repertório da época. Atualmente, os dois músicos buscam revitalizar o repertório do grupo separadamente.


Capa do lançamento póstumo do Veludo, ao vivo no Festival Banana Progressiva em 1975

O outro “braço” do Veludo Elétrico (Lulu Santos e Fernando Gama) juntou-se aos remanescentes do Módulo Mil (Candinho, baterista, e Luiz Paulo Simas, tecladista) e fundaram a banda Vímana no fim de 1973. Segundo Luiz Paulo Simas, o início do grupo era basicamente composto de longas jam sessions e sons improvisados. Freqüentes problemas de som atrapalharam os primeiros concertos do grupo, que começou a se desmotivar. Candinho pula fora na hora que percebe os movimentos dos outros colegas para tentar arranjar mais o som da banda e também estava mais interessado em seitas orientais e espiritualidade naquele momento. Nelson Motta dá uma força pra moçada e os coloca pra acompanhar uma peça de teatro da atriz Marília Pêra. No fim de 1974, a banda já estava novamente aquecida, tendo o ingresso de João Luís Woenderbarg, mais conhecido como Lobão, na bateria e do flautista e vocalista inglês Ritchie Court (que já tinha passado pelo Scaladácida em São Paulo, pelo Soma e A Barca do Sol no Rio).


Luiz Paulo Simas, em ação com o Vímana

O som do grupo tinha muito de rock progressivo, mas tinha também um tempero brasileiro com bastante swing, soando como uma fusão bastante elaborada. Essa nova fase (fim de 74 e todo o ano de 75) foi a de maior sucesso e repercussão do grupo; nessa época a banda grava o lendário disco que nunca viu a luz do disco, pela gravadora Som Livre, com produção de Guto Graça Melo. Uma entrevista concedida à rádio Eldo Pop (provavelmente de 1976) revela boa parte do material do que viria a ser o disco (desconsidere a coletânea não autorizada On the Rocks que circula na internet, que é uma salada de diversas fases da banda).


Fernando Gama, Lobão, Luiz Paulo Simas, Lulu Santos e Ritchie – o Vímana

Uma horda de problemas não permitiu que o material fosse finalizado e lançado e no meio disso tudo, a Som Livre passou a desconsiderar a viabilidade comercial do lançamento. Apenas em abril de 1977 é que uma das faixas do álbum viria a ser lançada – a curta peça prog “Masquerade“, como lado B do compacto. No lado A da bolachinha, uma faixa gravada posteriormente, chamada Zebra, composição de Lobão, que já mostrava a banda partindo para um som totalmente distinto e de apelo mais pop.


Relançamento do compacto do Vímana, com Zebra e Masquerade

Envolvida com o tecladista Patrick Moraz, que queria fazê-los sua banda de apoio, o Vímana passou a buscar um som mais comercial e com mais raízes brasileiras. A relação com o tecladista suíço é conhecida por suas bizarrices, desentendimentos e acusações de ambos os lados, sendo que nada rolou daí além de várias hilárias histórias. Algumas poucas faixas ao vivo (de baixa qualidade sonora) e as participações do Vímana como banda de apoio para Luiza Maria (com a bela balada “Maya“), Fagner e Walter Franco constituem tudo que existe de material sobre a banda. No início de 1978, tudo estava completamente desfeito para os caras. Contribui para o fato da gravação do disco permanecer engavetada até hoje o interesse quase nulo dos ex-integrantes da banda pelo antigo material, já que quase todos eles seguiram a trilha da música pop nos anos seguintes (Lulu Santos, Lobão e Ritchie; Fernando Gama com o Boca Livre e Luiz Paulo Simas na música instrumental e em trilhas sonoras) com bastante sucesso.

Lulu Santos e Fernando Gama ao vivo com o Vímana

O Soma era carioca e a história da banda começa em 1969, com Bruce Henry, jovem norte-americano que veio morar no Brasil em 66. Depois de ver uma domingueira no clube Monte Líbano com a Bolha no palco ficou impactado e decidiu que precisava urgentemente de uma nova banda (Bruce tocava com o grupo beat The Outcasts). A banda começou com Jaime Shields (guitarra e vocal, outro norte americano), Alírio Lima (bateria) e Ricardo Peixoto (guitarra), além do próprio Bruce Henry no baixo. Em pouco tempo de ensaios, já apareciam nos agitos mais loucos da zona sul carioca, em eventos multiculturais e happenings. Gravaram um compacto duplo com Jards Macalé em 1971 e compactos autorais que saíram na obscura coletânea Barbarella, de 1971.


Compacto de 1971 de Jards Macalé junto com o Soma

Participaram ainda de um dos primeiros festivais ao ar livre do país, o Festival de Guarapari em 1971, alternando-se entre sons próprios e releituras. Pela falta de repercussão do material lançado e outras perspectivas deram um tempo fora do país e só voltaram no ano seguinte. Bruce Henry ficou um bom tempo tocando com a poderosa banda de Gilberto Gil em sua fase Expresso 2222. Depois de um tempo tentando alugar um equipado sistema de som que adquiriu na Inglaterra, decidiu remontar o Soma em 1973. Seus espetáculos eram venerados pelo público e sua musicalidade cada vez mais eclética era plenamente apreciada e anunciada. Neste mesmo ano, diversas demos com canções da banda foram gravadas, mas nada de pintar um contrato. No fim de 1973, Ritchie Court ingressa na banda, em uma catártica estréia junto com os Mutantes e O Terço, no auditório do Museu de Arte Moderna (MAM). Nessa época, também contam com o tecladista Tomás Improta na formação do grupo. O único registro que se tem da banda neste período é a música “P.F” (que significava Paris-Frankfurt, mas para o disco foi dada também a conotação de “prato feito” tão típica para a gastronomia brasileira), que saiu no disco do espetáculo Banquete dos Mendigos organizado por Jards Macalé em comemoração aos 25 anos da declaração dos direitos humanos. O disco retrata um show/festival também ocorrido no MAM em dezembro de 1973. Mais alguns shows, com o lendário baterista Áureo de Souza (da banda de Caetano Veloso e do grupo inglês de jazz-rock Riff Raff), e tudo estava acabado, pela estafa de Bruce Henry de lidar com tanta adversidade e falta de grana. Gravaram também a trilha sonora de um filme sobre o famoso ladrão Ronald Briggs, mas nem o filme nem o disco chegaram a ser lançados e se perderam no tempo. O livro Histórias Secretas do Rock Brasileiro (veja nossa resenha a respeito aqui), do jornalista e escritor Nélio Rodrigues, detalha ferozmente a brilhante trajetória do grupo.


Jards Macalé divulgando o espetáculo que daria origem ao LP Banquete dos Mendigos

O Rock da Mortalha foi um grupo lendário da cena brasileira, porque, segundo relatos, seu som era extremamente pesado, um hard-heavy rock vigoroso, na linha do Black Sabbath. Os membros da banda, formada na periferia de São Bernardo do Campo, tocavam fantasiados e utilizavam temáticas obscuras e fantasiosas em suas letras. Existem relatos conflitantes e desencontrados a respeito da banda e até surgiram gravações de um suposto ensaio do grupo (com péssima qualidade sonora, ouça aqui e aqui) em que realmente percebe-se como o som era pesado. Mas há pessoas que conheceram pessoalmente a banda e seus membros que relatam que o som dos caras não era nada daquilo, e que o material poderia até ser de uma outra banda. Tiveram várias formações e estiveram ativos até o fim da década de 70, já indo numa direção mais heavy metal. Controvérsias a parte, os músicos que faziam parte da banda na época em que tocaram no Festival de Águas Claras (eram eles Orlando Luí no baixo, Marcos Baccas na guitarra e Julinho na bateria) já morreram (ou sumiram) e fica essa lacuna sobre a história do grupo. Também eram acompanhados eventualmente (o que não aconteceu no show em Iacanga) de um dançarino, chamado Lola, que era italiano e fazia performances teatrais durante os shows no período.


O obscuro Rock da Mortalha

Já o Burmah era um grupo argentino, com um dos membros brasileiros, com amigos que se conheceram num navio voltando da Europa. Esse intercâmbio não era exatamente incomum na época: Tony Ossanah era figura carimbada no rock brasileiro dos anos 70, oriundo da lendária Beat Boys que acompanhou Caetano Veloso e Gal Costa, dentre vários outros exemplos possíveis. Sua estreia aconteceu no Teatro Treze de Maio, em São Paulo, no evento Primeira Semana do Rock Paulista, ocorrido em dezembro de 74. O Burmah tocou no Festival de Águas Claras, na Banana Progressiva e no projeto Rock da Garoa, além de diversos eventos na capital paulista, onde estavam baseados. Eram formados por Norton Lagoa (contrabaixo, o único brasileiro no grupo), Eduardo Depose (guitarra), Javier Starrico (teclados) e Juan Piojo Abalas (bateria). Depois de terem problemas com os vistos de permanência no Brasil, a banda passou um tempo de molho; voltou para a Argentina, tocando e tendo boa repercussão por lá e agregando diversos músicos tarimbados na volta ao Brasil, como Franklin Paolilo (do Tutti Frutti), Rolando Castelo Junior (da Patrulha do Espaço) e Manito (Som Nosso de Cada Dia). Alguns registros surgiram em áudio e vídeo de apresentações do grupo (como este aqui), a despeito de não existir nenhum material oficial de estúdio lançado (relatos dão conta de um disco gravado em 1978).


Segunda formação do Burmah em destaque

Várias bandas são meros verbetes em enciclopédias e nem se sabe ao certo o tipo exato de som que praticavam. Aqui vão algumas meras tentativas (agradecemos correções que surgirem nos comentários) de fazer justiça a elas – Montanhas (Rio, hard rock); Movimento Parado (Paraná, rock progressivo), Manga Rosa (Minas, jazz-rock), Mytra (São Paulo, hard rock), Inconsciente Coletivo (Rio Grande do Sul, hard rock), Bizarro (Rio Grande do Sul, hard rock), Tapete Mágico (Paraná, hard rock), 20 Minutos Antes do Começo do Tempo (Minas, blues-rock), Fruto da Terra (São Paulo, blues-rock), Catarse (Minas, rock rural), Biscoito Celeste (Rio, hard rock), Pêndulo Mágico (São Paulo, rock progressivo), dentre outras.


Os gaúchos pauleiras do Bizarro

Durante o ano de 1976, aconteceram diversos lançamentos de grande qualidade musical e que fundamentaram a mensagem daquela geração de rockeiros em nosso país. O Terço, no rastro do sucesso de Criaturas da Noite, lançaram Casa Encantada, um trabalho que aprofundou as experiências sonoras anteriores, mas com um brilho ligeiramente menor. Havia referências mais claras à MPB e ao rock progressivo, porém não com a mesma inspiração. Algumas músicas do período ficaram de fora do disco, como a extensa Suíte, Velho Silêncio, Rapoza Azul, entre outras. . Hoje, esses sons podem ser conferidos no raro e limitado disco O Terço Ao Vivo 76, com uma apresentação da banda no Teatro João Caetano, com versões mais pesadas e intensas do que as de estúdio, como “Flor de La Noche“. O sucesso de Casa Encantada também foi grande e a banda se apresentou cerca de 200 vezes por ano (neste período entre 74 e 76), sem dúvidas, o período mais bem-sucedido do grupo, em público e crítica. No ano seguinte, Flávio Venturini viria a deixar o grupo.



Encarte do raro e disputado CD com o show ao vivo do Terço no Teatro João Caetano em 76

Um dos mais incríveis trabalhos do rock na época foi devidamente estragado por uma total falta de visão empresarial e outras questões comerciais – Mutantes Ao Vivo. A formação da banda na época era Sérgio Dias, Paul de Castro (creditado como Paulo de Castro, tocando baixo e violino), Rui Motta e Luciano Alves. A banda tinha feito uma temporada de concertos no MAM do Rio em agosto, e havia registrado o material para lançar um ousado projeto – um disco ao vivo quase todo de músicas inéditas. O plano era de que todo o material saísse num disco duplo, com produção gráfica caprichada. Mas foram limados pelo produtor Peninha Schmidt, que alegou que o projeto seria inviável porque o custo de um disco duplo não poderia ser repassado e o disco encalharia. Para piorar, o disco ainda foi todo retalhado – faixas cortadas e mixadas na ordem diferente da que foi executada no show. Isso gerou uma insatisfação muito grande na banda, e é uma triste constatação frente à qualidade do material, lançado no disco simples. Banda entrosadíssima e ótimas composições, boa qualidade sonora e energia pura. Quem sabe esse imenso equívoco seja desfeito possa ser desfeito no futuro e o show surja íntegra, como era o desejo da banda.



Casa das Máquinas, com o vocalista Simbas, ao vivo

O Casa das Máquinas daria uma outra guinada em seu som, dessa vez partindo para o rock n’ roll básico e pesado. Com a entrada do performático vocalista Simbas, a banda assume uma identidade mais “glam” no disco Casa de Rock, disco que teve como hits a faixa título, “Jogue tudo para a cabeça” e “Stress”. Esse seria o último disco da banda, que no fim de 77 se envolveria num polêmico episódio com um técnico da Rede Record. A banda iria tocar no estúdio da emissora e depois de um acidente entre um veículo da emissora e outro da banda, iniciou-se uma discussão que descambou para pancadaria. O técnico em questão apanhou bastante na confusão e já tinha a saúde debilitada. Pra não queimar o filme do pessoal que se envolveu na briga, o técnico foi instruído pela segurança da emissora a não contar nada. No dia seguinte, o cara piorou e morreu no hospital, com rompimento do fígado e duas costelas fraturadas. Isso sujou totalmente a carreira da banda, que só conseguiu seguir por um pouco mais de tempo, até 78. O julgamento acabou inocentando parcialmente os membros da banda, com Simbas pegando 1 ano de prisão por homicídio culposo (que cumpriu em liberdade por ser réu primário) com a responsabilidade sendo dividida com seu irmão, que na época era menor de idade.



Foto promo do Joelho de Porco no Mercado Municipal de São Paulo, com Gérson Tatini (Moto Perpétuo) a esquerda.

Quem estreou em disco em 1976 foi o Joelho de Porco, com o disco São Paulo 1554 Hoje. Existe certa divergência de informação na internet quanto a data do lançamento do disco – alguns dizem ser um disco de 73, outros de 74. Mas em consulta a revistas do período, 1976 é a data em que se propagou este lançamento e os shows que a banda passou a fazer. O grupo era composto pelo baterista e vocalista Próspero Albanense, Ricardo Petraglia (que no futuro viria a formar sua própria banda, Sindicato) no vocal, Tico Terpins no baixo (o principal compositor da banda) e Serginho Sá no piano. A banda passou por várias formações, tendo também a passagem de Gérson Tatini (baixo, futuro Moto Perpétuo) e Rodolfo Ayres Braga (futuro Terreno Baldio). O Joelho de Porco passou a ser um marco no período pela interessante combinação de um rock possante com um humor ácido e escrachado, usando eventualmente para tal, ritmos caribenhos, vaudeville e doo-wop em suas composições. As letras revelam uma visão crítica (feita com bastante irreverência) do cotidiano da megalópole paulista e musicalmente existem ali pérolas do nosso rock setentista, como “São Paulo By Day”, “Meus Vintes e Seis Anos” e “A Lâmpada de Edson”.

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Bixo da Seda ao vivo

No Sul, em 1976 o Bixo da Seda aparecia pela primeira (e única vez) em LP. A banda surgiu a partir do grupo Liverpool, formado em 67 no Rio Grande do Sul. Gravada em 69, com o instigante nome de Por Favor Sucesso, a estréia vinílica da banda não surtiu o efeito que o nome pregava, mesmo fazendo um bom som na esteira psicodélica-tropicalista. No ano seguinte, a banda seria responsável pela trilha do filme Marcelo Zona Sul, com Françoise Fourton e Stepan Necessian, hoje bastante disputado por colecionadores. O grupo passou a radicar-se no Rio de Janeiro e encerrou as atividades em 73, com vários dos músicos voltando para o sul. Em 75, um novo encontro dos músicos Foguete (vocal, flauta e percussão), Mimi Lessa (guitarra), Marcos Lessa (guitarra) e Édson Espíndola (bateria) geraria o Bixo da Seda. Após gravarem o disco, em fins de 75, se mudariam novamente para o Rio de Janeiro, onde agregaram Renato Ladeira (ex-A Bolha, tocando teclados) e durante o período também Vinícius Cantuária, numa época em que passaram a tocar com duas baterias. Fizeram muitos shows em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. O disco saiu em 76, batizado de Estação Elétrica, mesclando um rock n’ roll de primeira qualidade, por vezes pesado e com alguns toques progressivos no instrumental, como no caso da bela abertura com “Venus“. Depois do disco, houve algumas trocas de formação até o fim dos anos 70, sendo que uma parte da banda passou a acompanhar o emergente grupo pop-disco “As Frenéticas”. O disco acabou sendo o único do grupo, que se desmanchou depois de mais alguns poucos anos.


Selo do disco Estação Elétrica, do Bixo da Seda

1976 viu a banda A Barca do Sol lançar seu trabalho definitivo – Durante o Verão, novamente com produção de Egberto Gismonti. Tão lírico quanto os anteriores, com mais guitarra elétrica e bateria, esse disco é um ponto alto na música do período, mesmo não sendo puramente “rock”, como a própria banda gostava de deixar claro. Ainda A Barca do Sol gravaria mais um disco, chamado Pirata, em 78 e um outro disco em parceria com a cantora Olivia Byington.

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No mesmo ano, também apareceu o lançamento do primeiro disco do Terreno Baldio (que foi gravado ainda em 75), grupo paulistano que já estava na estrada dando o que falar. A formação clássica da banda era João Kurk nos vocais e flauta, Mozart Mello na guitarra, Ronaldo Lazzarini nos teclados, João Ascenção no baixo e Joaquim Côrrea na bateria. A história do grupo começa pelos idos de 66, quando Rodolfo Ayres Braga e Joaquim Correa formaram a banda Islanders, junto de João Kurk e Ronaldo Lazzarini, uma banda de covers que se concentrava em tocar o que havia de mais underground em termos de hard e rock psicodélico. Ficaram juntos nesse projeto até 1971. João Kurk também participou de outro grupo de covers, chamado Utopia. Os músicos foram amadurecendo até que João e Roberto partiram para as idéias próprias, por volta de 73-74, influenciadas pelas grandes bandas progressivas inglesas – Yes, Camel, Renaissance, Gentle Giant, etc. O disco homônimo, estréia da banda, sofreu de um mal similar ao que acometeu o lançamento do disco ao vivo dos Mutantes e também do não-lançamento da suíte “Amazônia” do Som Nosso de Cada Dia. Por pressão da gravadora, a banda não conseguiu gravar todo o material que tinha composto na época, previsto inicialmente para um disco duplo. Seus shows no período eram compostos de três movimentos – Aqueloô, Pássaro Azul e Terreno Baldio. É triste observar a produção pobre do disco, com um som fraco e mal equalizado, anos-luz distante da qualidade musical das composições, da letra e da interpretação do grupo. No ano seguinte, o Terreno gravaria outro importante trabalho – Além das Lendas Brasileiras, com uma formação diferente e uma produção um bocado mais digna.


A primeira formação do Terreno Baldio em ação

No lado mainstream da coisa, Rita Lee continuava botando todo mundo pra ferver com Entradas e Bandeiras e Raul Seixas continuava voando em sucesso com Eu Nasci Há 10.000 anos atrás. E no underground poderia-se citar muitos outros grupos bem ativos, como Sindicato, Flamboyant, Tony Osannah Band, Jazzco, Humauhaca, etc. Esse relato é uma mera síntese. Felizmente, cada vez mais pesquisadores tem se debruçado sobre o rock brasileiro do período, despidos de velhos e caricatos preconceitos. Ainda que seja importante manter sempre em alta a auto-crítica, é precisar dar o devido peso ao contexto e as táticas de guerra que nosso rock precisou adotar para sobreviver. Fica a história ainda obscurecida pela grande mídia nesse período, especialmente pela idéia largamente vendida de um “vácuo” entre a jovem guarda e a onda pop-rock dos anos 80, ignorando sumariamente que muitos dos nomes que despontaram nos anos 80 já tinham experiências musicais bem interessantes em anos anteriores. Seria ótimo ver cada vez mais gavetas e porões sendo abertos e materiais sendo disponibilizados sobre o rock brasileiro dessa época, que ainda carece tanto de fotografias, filmagens, reportagens, artigos e registros de áudio.

Ronaldo Rodrigues
CONSULTORIA DO ROCK

CR 250 x 100

A Consultoria do Rock surgiu em novembro de 2010 através da união entre amigos, de vários estados do Brasil, que se conheceram pela internet e encontraram um interesse em comum: a paixão pela música. Primeiramente como um blog, e agora como site, nossa missão sempre foi clara: compartilhar essa paixão com o maior número de pessoas possível, tendo o rock como ponto em comum, mas expandindo constantemente nossos limites

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Versão reeditada de texto originalmente publicado no site Collectors Room. Arte: Barbieri.
Esta matéria foi dividida em 3 partes e foi aqui
publicada com permissão do site Consultoria do Rock.

Parte I, Parte II & Parte III
acima link para todas as partes

Parte II

Ainda que o primeiro texto dessa série possa ter passado a impressão de que os acontecimentos seriam abordados de forma cronológica, o autor preferiu tratá-los por afinidade temática. Se no primeiro texto foi tratado do contexto do rock brasileiro no início dos anos 70 e de alguns lançamentos ocorridos em 1974, esta parte do texto abordará com maior ênfase os festivais e também alguns lançamentos fonográficos de 1975. A terceira parte cuidará de falar do crescimento do rock na mídia (televisão, rádio e imprensa), de bandas que eram populares na época mas que não chegaram a gravar nenhum material e também dos lançamentos fonográficos de 1976. Portanto, observa-se ao leitor que as partes I, II e III desse texto não correspondem automaticamente aos anos de 1974, 1975 e 1976 respectivamente, como se poderia sugerir.

Rita Lee, a soberana do nosso rock ’70

O biênio 1975-1976 seria um marco em grandes eventos e festivais (dadas as proporções do público existente) para o rock brasileiro.
Logo em janeiro de 1975, duas grandes ocasiões agitaram o rock brasileiro – o festival Hollywood Rock, ocorrido no Rio de Janeiro, e o festival de Águas Claras, no interior do estado de São Paulo.

Contracapa da coletânea do Hollywood Rock ’75

O empresário Nelson Motta (que já estava envolvido com o rock dos Brazões e dos Novos Baianos alguns anos antes, e apresentava o programa Sábado Som, na TV Globo) surge com o projeto “Hollywood Rock”, realizado no campo do Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Foram 4 fins de semana de som, cada um deles com atrações diferentes. O primeiro, em 11 de janeiro, teve como atração principal Rita Lee & Tutti Frutti. No dia 18 (coincidindo com o segundo dia do Festival de Águas Claras em Iacanga), estavam previstas apresentações do Veludo e dos Mutantes. O público, de aproximadamente 18.000 pessoas, lotava o espaço do campo. Após a apresentação do Veludo, os Mutantes sobem ao palco e logo são recepcionados por uma tempestade de verão, que destruiu o palco e acabou com a apresentação. Isso prejudicou muito a banda, que teve equipamentos danificados e os tirou da apresentação no Festival de Águas Claras (eles iriam direto do Rio para Iacanga, após o show, para se apresentarem no Festival de Águas Claras). No dia 25, as atrações eram O Peso, Vímana e O Terço (que tinha sido um dos headliners em Iacanga no fim de semana anterior). O Vímana foi prejudicado por uma falha no som durante parte do show e chegou a ser vaiado; já os dois outros shows levantaram a moçada. O derradeiro concerto da série recebeu dois artistas já históricos de nosso rock – Celly Campelo e Erasmo Carlos, além do emergente Raul Seixas. Erasmo Carlos vinha acompanhado de um supergrupo, batizado de Cia. Paulista de Rock, contando com os ex-Mutantes Liminha e Dinho Leme. Existe um “falso” registro em áudio de parte do festival, com as músicas de estúdio das bandas que se apresentaram, acrescidas de barulhos de platéia, e um registro raro em vídeo (chamado “Ritmo Alucinante”, cujo registro em vídeo pode ser visto aqui), infelizmente com baixa qualidade de som e imagem, de alguns trechos dessas apresentações, que pelo menos vale pra se ter uma idéia d’O Peso e do Vímana no palco. Houve tentativas da parte de Motta para levar o evento a outras capitais mas não deu certo. A Souza Cruz, patrocinadora do evento, inclusive, já tinha se comprometido com uma versão paulista do festival, que ocorreria no autódromo de Interlagos. Contudo, uma batida policial no hotel em que produção do evento estava hospedada encontrou drogas no local e a Souza Cruz retirou-se da jogada, inviabilizando o evento. Recentemente, foi descoberto no arquivo público do Estado do Rio de Janeiro o relatório de um agente do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) que esteve infiltrado no campo do Botafogo ao longo dos 4 fins de semana, tomando nota da loucura local. Uma de suas anotações destaca: “Inúmeros jovens de ambos os sexos apresentavam sinais de se encontrarem sob dependência psíquica; uns dançavam e contorciam-se no chão: olhos esgazeados, avermelhados, balbuciando frases desconexas.”

O Festival de Águas Claras, realizado entre 18 e 20 de janeiro em Iacanga, foi o maior festival ao ar livre ocorrido no Brasil na década de 70. Como era de se esperar, foi uma festa muito louca, com muita lama e anunciada pela mídia como nosso equivalente à Woodstock. Foram 3 dias (sexta, sábado e domingo) com instalações modestas para o público (eram 50 banheiros, 1 barraca de assistência médica e 2 ambulâncias para cerca de 15.000 pessoas), mas com a garra de organizadores, técnicos de som, luz e músicos para entregar ao público o que de melhor fosse possível, especialmente pelo fato do festival não ter tido patrocínios oficiais. O festival alternou bandas do primeiro escalão do nosso rock e outras bem desconhecidas até mesmo para o público do festival. Segundo relatos da mídia da época, subiram ao palco: Dan Rock-a-Billy (tocando covers de Elvis Presley e Bill Haley), Pedra, Cogumelos, Sacramento, Peyotes, Corpus, Tony Osannah, Movimento Parado e Rock da Mortalha, já varando a aurora do sábado. No sábado, Libertas, Eclipse, Dez Mandamentos, Orquestra Azul, A Chave, Mike (um guitarrista americano recém chegado ao Brasil), Jazzco, Terreno Baldio e Apokalypsis. No domingo, Flying Banana, Grupo Acaru, Tibet, Cézar das Mercês (que já tinha tocado baixo com O Terço e era parceiro de composição da banda carioca); Moto Perpétuo, Som Nosso de Cada Dia e O Terço foram a trinca de ferro que fechou o festival na madrugada de domingo.

CR61O poster oficial do Festival de Águas Claras 1975

O Som Nosso de Cada Dia contou com a participação do ex-Mutantes Liminha na guitarra
em sua apresentação no Festival de Águas Claras.

Também participaram do cast do festival Ursa Maior, Burmah (grupo argentino), Mitra, Jorge Mautner, Walter Franco, Odair Cabeça de Poeta e Grupo Capote. Contudo, poucos relatos dão maiores detalhes sobre os shows. O Moto Perpétuo, por exemplo, foi hostilizado por parte do público rockeiro mais radical durante as passagens mais tranqüilas de suas músicas; o Apokalypsis gerou grande catarse com a canção-manifesto “Liberdade”, executada ao raiar do sol; os argentinos do Burmah eram muito bem recebidos, bem como o blues-rock do hermano guitarrista/vocalista Tony Osannah. A Orquestra Azul também causou bastante impacto, por ter integrantes adolescentes (entre 15 e 19 anos) executando um jazz-rock de alto nível. Terço e Som Nosso de Cada Dia fizeram grandes espetáculos e deixaram todos despedidos com largos sorrisos nos lábios.

O festival ganhou as páginas de revistas e jornais da época

Entre 2008 e 2010 noticiou-se a elaboração de um documentário a respeito do festival, que ainda não viu a luz do dia e também foram disponibilizadas no Youtube imagens em Super 8 do festival, do acervo do fotógrafo e cinegrafista Mario Luiz Thompson (veja alguns desses registros aqui).

No Paraná, aconteceu no primeiro trimestre, o Festival de Rock da Praia do Leste. 5 mil estiveram presentes à beira-mar para curtir som de grupos locais e do sul do país. As atrações principais eram O Terço e Rita Lee & Tutti-Frutti. Assim como outros eventos que se tentaram realizar no período de verão, uma tempestade tropical prejudicou todo o equipamento e a estrutura do palco. Mesmo assim, a moçada pode curtir a reunião, bem como o som dos paranaenses do Jantar Rock, os gaúchos do Byzarro e do Bixo da Seda, um show solo de Cézar das Mercês (tendo em sua banda de apoio Celso Carvalho, futuro Celso Blues Boy), as bandas Pedal, Khaos e Movimento Parado. Em Porto Alegre, mas na primavera, ocorreu o Festival Primavera em dois dias no auditório Araujo Viana, contando com Flying Banana, Luzia Maria, Belchior, Utopia, Jorge Mautner e Gilberto Gil.

I Festival de Rock da Praia do Leste

A Banana Progressiva foi outra maravilhosa reunião da nata rock brasileira e da MPB relacionada ao rock. Projetada para ser um evento multicultural (com música, exposições de artes plásticas, fotografia e cinema) e para acontecer como uma temporada, aconteceu de fato no Teatro da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, em maio, organizado pela Trinka Produções, produtora que já organizava diversos agitos na capital paulista. Foram 4 noites de evento (29, 30 e 31/05 e 01/06/1975), começando numa quinta-feira. Na abertura do festival se apresentaram Veludo, Quarto Crescente (há outra banda com este nome nos anos 80, da qual fez parte o vocalista Percy Weiss, sem relação com esta), Bandolim e Som Nosso de Cada Dia. O segundo dia do evento foi a vez do grupo Montanhas, Edson Machado & A Rapaziada, Vimana e Burmah. Na noite seguinte, subiram ao palco Biscoito Celeste, A Bolha, Manito (já saído do Som Nosso de Cada Dia, se apresentando como artista solo) e Erasmo Carlo e Cia. Paulistana de Rock. E por fim, o domingo teve uma seleção maravilhosa de shows com Hermeto Pascoal, Barca do Sol, Jazzco e Terreno Baldio. A Banana Progressiva foi noticiada na época e musicalmente malhada pela crítica jornalística, que acusava os grupos de não terem originalidade e usarem fórmulas mal-copiadas de grandes grupos ingleses. O Festival foi bem sucedido em termos de público, porém a idéia de seguir como uma temporada de eventos não se firmou da maneira como a Trinka gostaria. Outras pequenas temporadas ocorreram no Opus 2004 e no Teatro Bandeirantes, todos em São Paulo, no segundo semestre de 75, mas ficou por ali. Recentemente, os registros em película da Banana Progressiva vieram a público, bem como o material gráfico foi digitalizado por um louvável esforço do selo PsicoBR; contudo, os áudios dos shows se perderam e na época já não tinham sido captados na íntegra (você pode conferir o histórico registro do festival aqui). A apresentação do Veludo na Banana Progressiva transformou-se em um disco lançado nos anos 2000 (não contém a íntegra da apresentação, mas boa parte dela), a partir do som capturado da plateia, com qualidade de som razoável e grande performance dos músicos, mostrando o calibre e a garra da banda.

A arte original da divulgação da Banana Progressiva redigitalizada pelo selo PsicoBR

Pedrinho Batera, vocal e bateria do Som Nosso de Cada Dia na Banana Progressiva

Também por iniciativa da Trinka Produções em 75, surgiu o projeto Rock da Garoa, que tinha a intenção de fazer um intercâmbio de bandas de São Paulo em outros estados brasileiros. Contudo, dadas as sabidas dificuldades de nosso show business, o projeto só pintou no Rio e na própria capital paulista, levando para os palcos grupos como o Apokalypsis (incluindo a parceria com o violonista e compositor Edu Viola), Tony Osannah e banda, Sindicato (banda formada pelo ator/cantor Ricardo Petraglia) e Platô, um grupo de jazz-rock vanguardista com Sizão Machado, Duda Neves, Paulo Machado, Datcha e José Neto, que passou a ser bastante cultuado na época e teve alguns de seus integrantes na banda de Hermeto Paschoal. De uma das apresentações do Rock da Garoa no Teatro Bandeirantes também foi retirado um registro do Apokalypsis ao vivo, de grande valor histórico e musical para o rock brasileiro do período.

A Cia. Paulista de Rock, supergrupo de apoio a Erasmo Carlos, em 1975

Nélson Motta novamente apareceu no ramo da produção de eventos, dessa vez buscando aliar o rock com um festival de surfe que ocorreria na cidade de Saquarema, no Rio de Janeiro. O Festival Som, Sol e Surf, ocorrido em maio de 1976, é repetidamente descrito como um grande fiasco, tanto artístico quanto de público. Nelson queria repetir a experiência de fraternidade ao ar livre de Woodstock e trouxe para o palco o que ele considerava o que de melhor havia no rock brasileiro. Segundo Nelson Motta, em depoimento, a idéia surgiu a partir do músico Flávio Espírito Santo, que tinha uma banda e residia no local. Ele interpelou Nelson dizendo que tinha toda a estrutura, alvarás, conhecia o prefeito, etc. A condição para tal era que sua banda pudesse também tocar no festival. Nelson Motta entrou achando que podia ser uma boa e saiu falido.

Logo no primeiro dia, uma chuva forte abateu o local do evento, prejudicando a estrutura organizada e o cronograma. A organização ficou no único hotel da cidade, decidindo o que fazer e confraternizando como podia com os artistas. Nesse metiê estavam, inclusive, artistas que nem iriam se apresentar, como Ney Matogrosso e Patrick Moraz (ex-tecladista do Yes). Fora isso, o público pagante foi pífio (ainda que tenham aparecido mais de 40.000 pessoas no local) e o organizador ficou praticamente falido. A cidade de 10.000 pessoas se viu virada do avesso, com falta de produtos de primeira necessidade e saneamento precário. Tocaram lá as bandas Made in Brazil, Vímana, Rita Lee & Tutti-Frutti (lançando o disco Entradas e Bandeiras) Raul Seixas, O Terço, Bixo da Seda (cuja atuação foi extremamente elogiada por público e crítica, no show de lançamento de seu disco Estação Elétrica) e Ângela Rô Rô (na época uma estreante cantora) e grupo Flamboyant, entre outros. Depoimentos de pessoas que estiveram presentes relatam a precariedade do local e o som que ficou devendo, mas o quanto a festa foi quente. O Jornal O Globo noticiou, em 2014, a elaboração de um documentário sobre o festival e um teaser chegou a ser divulgado. O festival foi filmado em película, com boa qualidade (veja trechos do show de Raul Seixas no festival aqui). Quando lançado, o documentário preencherá uma grande lacuna audiovisual no rock brasileiro.

Uma horda de gente invadiu Saquarema para curtir sol, som e surfe em ’76

Nelson Motta, staff e músicos do Som, Sol & Surf ’76

Aconteceram ainda vários eventos ao ar livre no Parque do Ibirapuera e no Parque da Aclimação, em São Paulo, e no MAM do Rio, além das freqüentes agitações que rolavam na Tenda do Calvário e no TUCA em São Paulo. No Rio, os palcos principais do rock eram o MAM (Museu de Arte Moderna) e os Teatros João Caetano e Tereza Rachel, com  produção de Carlos Alberto Sion e Samuca Wainer. No fim de 1975, cabe destacar as apoteóticas apresentações do mago dos teclados, Rick Wakeman. Foram 5 apresentações no país em novembro – duas em São Paulo, no estádio do Canindé (dias 13 e 14), uma em Porto Alegre, no Gigantinho (dia 18) e duas no Rio de Janeiro, no Maracanã (dias 20 e 21). Todas lotadas e exaltando o estrelato do tecladista que, naquele momento, vivia o ápice de sua carreira.

Em termos de discos lançados, os grandes destaques ficam com o lançamento de Criaturas da Noite, do Terço, um marco do rock brasileiro, e a guinada progressiva do grupo paulista Casa das Máquinas. Com a entrada do tecladista Mário Testoni, a banda envereda fortemente para um som mais elaborado e lançando o disco Lar de Maravilhas, um dos trabalhos mais representativos do rock progressivo do Brasil na época. Como já dito anteriormente, a banda já era bem profissionalizada, vinda do bem-sucedido núcleo d’Os Incríveis no fim dos anos 60, com bons equipamentos e uma certa experiência na lida fonográfica. O disco se saiu muito bem em vendas por conta da faixa de abertura “Vou morar no ar”, uma canção um pouco mais acessível comercialmente falando, que acabou entrando até como trilha sonora de novela da Rede Globo. O tecladista Mário Testoni também foi responsável posteriormente pela guinada ao progressivo da banda Pholhas.

O Terço atingia grande magnitude com as vendas de Criaturas da Noite e se lançara na tentativa de alcançar mercados internacionais. Gravaram uma versão em inglês deste disco que foi lançada na Itália, com algumas mudanças na mixagem da parte instrumental que não ficaram boas. Acabaram não tendo o resultado obtido, porém conseguiram algumas incursões em países vizinhos. Aqui, seus shows eram muito concorridos e a banda era um dos maiores nomes do rock neste período.

Outro marco no rock brasileiro de 1975 foi o primeiro (e único) disco da banda O Peso. Formada a partir da dupla Luis Carlos Porto e Antônio Fernando, vindos de Fortaleza para o Rio concorrendo com a música “O Pente” no FIC de 72, a banda registrou em 75 o disco Em busca do Tempo Perdido, com um rock básico, rasgado e pesado, com influências de blues-rock. A formação que gravou o disco e fez vários shows no período era Luís Carlos Porto (vocal), Carlinhos Scart (baixo), Gabriel O’Meara (guitarra), Constant Papineu (teclado) e Carlos Graça (bateria). O grupo, desiludido pela falta de sucesso e queimado com os empresários pela arruaça que provocava por onde passava, encerrou as atividades após dois anos na estrada. Os músicos do Peso se integrariam novamente nos idos de 76-77 com a banda Flamboyant, que contava com Gabriel, Papineu e Carlinhos, além de Zé da Gaita (que tinha participado do disco do Peso, tocando na faixa “Blues”) e Celso Blues Boy na guitarra. Chegaram a acompanhar Raul Seixas em alguns shows, mas não gravaram nada.

Rita Lee & Tutti-Frutti foram a sensação daquele ano, com seu lançamento mais bem sucedido até então – Fruto Proibido e Raul Seixas continuava numa ascendente com Novo Aeon. No underground pernambucano, a história foi escrita pelo coletivo capitaneado por Zé Ramalho e Lula Côrtes, que lançaram o mítico álbum Paêbirú. Totalmente radical, este foi um trabalho que levou à estratosfera a mistura de música regional nordestina com o espírito psicodélico de experimentação e muita loucura. Gravado em fins de 1974, o disco se tornou uma raridade muito rapidamente, por dois motivos – uma enchente abateu o depósito da gravadora onde estavam os discos prensados e grande parte do material se perdeu nessa ocasião; por conta do ocorrido, somado ao alto custo da prensagem (um encarte bastante caprichado acompanhava a edição original) e o baixo potencial de vendas, inviabilizaram novas produções pelo selo Rozenblitz. O que resta hoje é um legado maravilhoso desta obra, considerada como um dos discos mais valiosos (pelo valor musical e pela raridade) gravados no Brasil.

Adentrando nos territórios da MPB que transava o rock e vice-versa, há ainda que se destacar os lançamentos de Luiza Maria (Eu queria ser um anjo), com a participação dos músicos do Vímana, a estréia auto-intitulada do Azymuth, o primeiro disco solo de Ney Matogrosso, Fagner com Ave Noturna (também contando com músicos do Vímana), Milton Nascimento com Minas e Walter Franco com Revolver, entre outros.

Ronaldo Rodrigues
CONSULTORIA DO ROCK

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A Consultoria do Rock surgiu em novembro de 2010 através da união entre amigos, de vários estados do Brasil, que se conheceram pela internet e encontraram um interesse em comum: a paixão pela música. Primeiramente como um blog, e agora como site, nossa missão sempre foi clara: compartilhar essa paixão com o maior número de pessoas possível, tendo o rock como ponto em comum, mas expandindo constantemente nossos limites.

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Versão reeditada de texto originalmente publicado no site Collectors Room. Arte: Barbieri.
Esta matéria foi dividida em 3 partes e foi aqui
publicada com permissão do site Consultoria do Rock.

Parte I, Parte II & Parte III
acima link para todas as partes

Parte I

Falar de rock no Brasil, apesar dos narizes torcidos dos mais radicais, é falar também de MPB. Chega um ponto em que é praticamente impossível dissociar rock de MPB nos anos 70, numa via de dupla influência e muitas transas. Nesse assunto também, irremediavelmente, é necessário falar também de história e política. A fatalidade histórica que foi a ditadura militar no período 1964-1985 foi a forja na qual foi conformada a cara sofrida e suada de nosso rock e também foi a pá que cavou a sepultura de muitos jovens talentos.


Gilberto Gil e Gal Costa

Nossa juventude tinha muita dificuldade em estar sintonizada com o que acontecia com o rock nos EUA e Inglaterra. São inúmeros casos de discos que foram lançados aqui com atraso e outros tantos mutilados (com edições limadas, capas diferentes das originais, etc…), além, é claro, dos muitos e muitos que não chegaram nem a ser lançados. Por outro lado, a inventividade de nossa música também era atrativa aos jovens, que se identificavam com as canções de protesto e o espírito também jovem da MPB da época. Justamente o período de transição entre os Beatles e as novas tendências do rock – psicodelia, art-rock e heavy rock – na virada dos anos 1960 para os 1970 foi o período de maior vácuo para o rock brasileiro, que ainda vagava pelo som beat da Jovem Guarda (já descambando gradativamente para uma música pop de orientação adulta).

Os Mutantes pareciam ser a grande novidade de larga difusão, altamente ligados com o conceito tropicalista naquele momento, em que a MPB era uma das engrenagens daquela usina sonora, com muito fuzz e experimentação. Também existiu, nas grandes cidades, uma cena beat paralela, de pequeno alcance, ligada ao circuito dos clubes e bailes, com bandas que iam evoluindo pouco a pouco para composições próprias de teor mais psicodélico e agressivo. Porém, existem pouquíssimos registros (a maioria em compactos) e que nem sempre eram realmente representativos dos sons que as bandas apresentavam nos palcos, devido ao total estranhamento das gravadoras e o medo da censura.

Banda Soma, do Rio de Janeiro. Começaram com os bailes, depois migraram para o som autoral,
experimentando diversas vertentes do rock.

Entre 1968 e 1972, uma época extremamente profícua para o rock, o Brasil ainda encontrava-se muito distanciado em quantidade de lançamentos como em qualidade (de gravação, não musical) até mesmo de outros países periféricos. Entre nomes que bradaram com valentia nesse período podemos citar Módulo 1000, A Bolha, A Década, Os Brazões, Os Leif’s, Equipe Mercado, Som Imaginário, Liverpool, Karma, Lôdo, A Década, Os Lobos, Paulo, Cláudio & Maurício, Os Baobás, Kris Kringle, The Gentlemen, O Bando, Quarteto Nova Era, Soma, Analfabitles, Som Beat…

Módulo 1000

O que aconteceu neste período foi a gestação de uma MPB temperada com rock em discos excelentes, e que agregaram o rock (principalmente a influência dos Beatles) como mais um adicto em sua flavorização. Transa de Caetano Veloso, Expresso 2222 de Gilberto Gil, Vento Sul de Marcos Valle, Clube da Esquina de Milton Nascimento e Lô Borges, Passado, Presente e Futuro de Sá, Rodrix & Guarabyra, Fa-tal de Gal Costa e Acabou Chorare dos Novos Baianos foram trabalhos que tiveram boa repercussão entre a moçada que escutava rock e tiveram uma ponta de sucesso dentro do mercado musical brasileiro. Nestes discos, há a participação em estúdio de vários músicos que viriam a ser parte da história do rock sessentista-setentista brasileiro como Robertinho Silva, Luiz Alves, Wagner Tiso, Novelli, Nelson Angelo, Pepeu Gomes, Dadi, Lanny Gordin, etc.

Gal Costa, na época do espetáculo-disco Fa-tal, contando com uma poderosa banda de apoio

Em 1973, um acontecimento marcante que abriu a porta para que outros conseguissem ao menos um registro fonográfico – o sucesso meteórico dos Secos & Molhados. Este é um grupo em que o binômio Rock-MPB é constante. Vendendo horrores e lotando ginásios por onde passava, a banda conseguiu colocar hits no rádio e aparecer na TV, com um som bastante ousado e uma atuação performática. Um feito realmente único até então e que fez com que as gravadoras passassem a compreender um pouco melhor o mercado para o rock no Brasil. No ano seguinte, surge à tona uma produção mais intensa das bandas locais. Os shows de Alice Cooper no Brasil arrebataram a atenção de milhares de jovens e colocaram o rock em pauta na grande mídia, para o bem e para o mal. Estes dois fatores propiciaram um tímido deslanche da produção local na época e nos anos de 74 a 76 aconteceram alguns dos melhores trabalhos do rock brasileiro na década de 70.

Secos & Molhados ao vivo

Ao analisar os trabalhos das bandas do período já se consegue perceber um alinhamento maior com a cultura mundializada do rock do que nos anos anteriores. A linguagem do rock progressivo, especialmente, foi interpretada muito bem no Brasil e assimilada mais ou menos na mesma época que em países periféricos da Europa. Por ter uma abordagem bem mais aberta e menos padronizada do que outros estilos de rock, o rock progressivo entrou com força no Brasil, trombando com a força de nossa música popular. A MPB teve papel fundamental para diferenciar completamente a produção de rock (progressivo) do Brasil, ao mesmo tempo que diluindo a face realmente “rock” da coisa, também colocava-lhe um toque altamente original.

Foto da contracapa do LP Tudo foi Feito pelo Sol. Os Mutantes em 1974.

Em 1974, a cisão dos Mutantes rendeu três rebentos – o disco Tudo foi Feito Pelo Sol, da inteiramente repaginada trupe assumida por Sérgio Dias; o disco Atrás do Porto tem um Cidade, de Rita Lee & Tutti Frutti, e o incensado Lóki, de Arnaldo Baptista. Cada um dos três eqüidistantes em termos sonoros. Sérgio Dias cada vez mais espiritualista em devaneios guitarrísticos e texturas eletrônicas de teclados, estava diametralmente oposto à confessionalidade mundana do irmão Arnaldo, que por sua vez, a anos- luz se distanciava de sua ex-esposa Rita Lee, que era só festa com seu Tutti Frutti. Se os três juntos eram geniais, separados também o foram, cada um a sua maneira. Tudo foi Feito pelo Sol foi lançado pela Som Livre e foi o maior sucesso comercial dos Mutantes, ainda que fosse constantemente massacrado pelas mãos de críticos do rock progressivo, como Ezequiel Neves. Os Mutantes, já bem experientes e até mesmo com pioneirismo, tinham o melhor equipamento de som do país naquela altura; o disco teve uma boa produção e destaca-se com facilidade dentro do rock brasileiro do período. Atrás do Porto tem uma Cidade foi só um beliscão para a Philips do que viria a ser o sucesso de Rita com o Tutti Frutti. Já Lóki, também lançado pela Philips, ficou bastante tempo incompreendido pelo público. Arnaldo Baptista tentou, neste período, firmar-se com uma banda de apoio, que batizou de Space Patrol (futuramente, aportuguesada para Patrulha do Espaço). Mas isso não aconteceu concretamente nos anos que se seguiram, por suas inconstâncias de comportamento e a depressão.

Os Secos & Molhados, depois do estrondoso sucesso de sua estréia, gravaram seu segundo disco. Mesmo sem o brilho e o apelo do primeiro disco, as vendas foram escandalosas para o padrão do nascente pop brasileiro. A ascenção foi tão meteórica quanto rápido deteriou-se o ambiente interno do grupo, que logo ruiu. Ney Matogrosso lançou-se em carreira solo logo em seguida e João Ricardo tentou tanto carreira solo, quanto seguir com o grupo, que só foi lançar outro trabalho em 1978. Mas em nenhuma dessas empreitadas teve sucesso próximo ao que experimentou entre 73-74.

O show de Alice Cooper, ocorrido em março de 74, foi uma ocasião gloriosa para um dos grandes grupos da época, o Som Nosso de Cada Dia. O ex-tecladista dos Incríveis, Manito, tinha em mente a criação de uma big band chamada Cabala, mas no fim das contas, ao travar contato com o multiinstrumentista e compositor Pedro Baldanza (guitarra, vocal) mixa suas ideias para o formato power-trio (completando o time com o baterista-vocalista Pedrinho Batera). Em 1973, entram no estúdio para gravar o antológico disco Snegs, com um rock progressivo psych impactante, autêntico e transcendente. A própria produção dos shows de Alice Cooper foi quem os selecionou para a abertura dos shows e quase se arrependeu disso, porque o trio roubou a cena. Os shows em São Paulo e no Rio foram uma catarse, um choque para a moçada local, sendo o primeiro grande show de rock a acontecer no Brasil. Até então, apenas o Santana tinha se apresentado por aqui (em 1971 e em 1973). Ravi Shankar era muito papo cabeça pra maioria e Jackson Five, água com açúcar em demasia. Alice Cooper sim – representava a eletricidade do rock.

O pavilhão do Anhembi lotado para o show de Alice Cooper

Apenas depois da abertura para Alice Cooper é que a gravadora Continental resolve concluir e lançar Snegs, um disco com a capa inacabada e uma produção indigna de sua música magnânima. Contudo, a formação do trio durou pouco e a banda se repaginou para quarteto no ano seguinte, com a inclusão de Egídio Conde (egresso do Moto Perpétuo) e Tuca Camargo (egresso do Apokalypsis). Nesta formação, começaram a trabalhar em um som mais atmosférico, construindo uma ambiciosa suíte chamada “Amazônia”, que nunca foi lançada integralmente. Fragmentos da suíte foram aproveitados no lado B do disco Som Nosso, de 1977, cujo lado A já mostrava a banda em um direcionamento totalmente distinto, partindo para uma abordagem funk-soul.

som nosso de cada dia

Pedro Baldanza, que já tinha estrada como músico de estúdio (havia participado de algumas gravações com os Novos Baianos), também aparece tocando baixo em outro trabalho de 1974, da banda paulistana Perfume Azul do Sol. Típica banda obscura, pouquíssimo sabe-se sobre sua trajetória. O grupo foi formado pelo casal Ana Maria Guedes (piano, vocal) e Benvindo (violão, vocal), que conseguiram ganhar a atenção do empresário Moracy do Val (que já era empresário dos Secos & Molhados e empresariaria o Moto Perpétuo em seguida) com suas composições. Porém, o empresário não investiu a grana merecida nos dois, que haviam formado uma banda. Porém, dessa relação com Moracy do Val, descolaram um contrato com o pequeno selo Chantecler e conseguem colocar na praça o disco Nascimento, que apesar da paupérrima produção, é uma gema da psicodelia hippie-brasileira do período. Apenas 120 cópias foram lançadas, praticamente todas distribuídas entre o círculo social da banda; apenas uma única sessão de fotos foi feita e uma rápida aparição na TV Cultura, de São Paulo. Nenhum outro show foi realizado e a banda se desfez rapidamente, pelo desinteresse de Ana Maria Guedes.

Já o Moto Perpétuo surgiu a partir de Guilherme Arantes, um jovem pianista que se equilibrava entre a vontade de seguir a carreira musical e estudar arquitetura na USP, e do baterista Diógenes Burani, um já tarimbado músico de estúdio, egresso d’O Bando e da banda de apoio de Gal Costa. Os dois se encontraram no palco tocando em uma peça de teatro. Dali, recrutam o baixista Gérson Tatini, um aficcionado pelo Yes, Cláudio Lucci, um violonista de formação clássica e Egídio Conde, guitarrista. O grupo se forma em 1974 e adquire um rápido e frenético entrosamento. Com as composições de tom lírico de Guilherme Arantes, conseguem um contrato com a Continental através de Moracy do Val e gravam, sob a batuta de Peninha Schmidt (um dos principais produtores fonográficos da época), o álbum auto intitulado no fim de 1974. Contudo, a Continental deu mais atenção a outra banda contratada – a carioca A Barca do Sol, o que dificultou a promoção do belo e progressivo trabalho do Moto Perpétuo. Em poucos meses e com poucas perspectivas de sucesso, veio a dissolução. Guilherme Arantes partiu para consolidar-se como um grande compositor e artista solo de sucesso a partir de 1976. Egydio Conde migrou para o Som Nosso de Cada Dia e os remanescentes tentaram continuar, sob a alcunha de São Quixote.

A formação do Apokalypsis

Diversas outras bandas ativas e freqüentadoras dos palcos existentes na capital paulista não chegaram a deixar nada registrado. É o caso do Apokalypsis, formado pelo baterista, vocalista e compositor Zé Brasil (que chegou a fazer parte do início da Space Patrol, de Arnaldo Baptista). Contando com Tuca Camargo (tecladista), Edu Ladessa Parada (baixo) e Prandini (guitarra, sax, flauta), estrearam em novembro de 1974 no Teatro da Universidade Católica e tocaram em diversos festivais de grande público da época. Não gravaram nada em estúdio como grupo, mas recentemente vieram a tona dois lançamentos ao vivo, um de 74 e outro de 75, no qual é possível escutar a interessante mistura sonora do grupo e suas letras utópicas e contestadoras. A trajetória do grupo ficaria em stand-by no fim de 75, mas é retomada entre 77-78. Apenas em 1976 Zé Brasil lançou um compacto pela CBS, apresentando-se como Maytrea & Silvelena (que era sua esposa), com duas singelas canções folk. De paulistanos sem discos, temos ainda o Scaladácida, bastante ativa no circuito de shows e festivais. Formada em fins de 72, abrigou o inglês Ritchie Court, flautista e vocalista, que ficaria famoso depois em carreira solo e que participou de outros projetos importantes. Cantavam em inglês um repertório de rock progressivo e jazz-rock, segundo relatos do próprio Ritchie. Apesar de serem considerados um importante live-act da época, não ter conseguido assinar um contrato foi um dos motivos do fim da banda, pois Ritchie estava como turista no país e teve problemas com o visto. A banda consistia de Azael Rodrigues (bateria, futuro membro do Divina Increnca), Fábio Gasparini (guitarra), Sérgio Kaffa (baixo, tocou com Arnaldo Baptista e depois integraria O Terço, além de inúmeras participações em gravações) e Ritchie Court (flauta e vocal). Existe material registrado ao vivo da banda, que até então não viu a luz do dia.

Sérgio Hinds e Roberto Moreno – o Terço no ápice de sua carreira

No Rio de Janeiro, o grupo O Terço dava seu definitivo passo rumo ao som progressivo que o tornou célebre e o colocou como um dos maiores nomes do rock brasileiro da época. Participaram como banda de apoio dos parceiros Sá & Guarabyra no disco Nunca, depois da partida de Zé Rodrix. Neste trabalho, já se destacam auxiliando nas vocalizações e em belos arranjos, oferecendo pequenos toques progressivos ao cancioneiro acústico da dupla. No ano anterior, haviam lançado seu segundo disco ainda como trio, balançando-se entre um nascente rock progressivo e uma linhagem puramente fuzz guitar. Em 74, estavam reformulados como quarteto, com adição do tecladista mineiro Flávio Venturini, que foi fundamental para a nova sonoridade do grupo, acrescentando positivamente na questão harmônica e vocal. No fim daquele ano (novembro de 74), entrariam em estúdio para registrar Criaturas da Noite, seu principal trabalho e um dos principais expoentes do rock progressivo brasileiro, com incursões pela música popular, especialmente a desenvolvida por Milton Nascimento a partir de Clube da Esquina e por Sá, Rodrix & Guarabyra. Apesar do disco ter saído em 75, a banda já experimentava, com sucesso, músicas do novo repertório nos shows anteriores ao lançamento.

Casa das Máquinas rodando o Brasil com seu ônibus

Fonograficamente, 1974 teve a estréia da Casa das Máquinas, banda já bem profissionalizada, formada pelo experiente baterista dos Incríveis, Netinho. Não foi com esse disco que a banda ficou famosa e obteve prestígio, pelo fato de ser um trabalho irregular e pouco direcionado. Esse seria apenas o começo de seu vôo. Ainda em São Paulo, em 1974, estreava em disco a lendária banda Made in Brazil. Desde seus primórdios, a fórmula do grupo era um rock básico e sem firulas, com figurino glam e muita distorção. No Rio, ocorreu a estréia do original grupo A Barca do Sol, que também contou com o flautista Ritchie Court, posteriormente. Um grupo que não aceitava o título de rock por si só, por ser baseado em instrumentos acústicos, mas que foi abraçado pelo público que circundava a cultura rock na época. Sua fusão sonora os aproximava bastante do folk-rock europeu, mas mantendo uma forte brasilidade. A banda foi formada por um grupo de jovens músicos de formação erudita, que se encontraram em um curso de extensão em música com Egberto Gismonti, que os produziu e participou em seu disco de estréia. Nando Carneiro (violonista, vocalista e compositor da Barca) era irmão do poeta e letrista Geraldo Carneiro (atualmente um imortal da Academia Brasileira de Letras), parceiro de Egberto Gismonti. A banda assinou com a Continental para lançar seu disco de estréia no fim de 74 e ganhou notoriedade, de público e crítica.

A legendária Barca do Sol e sua trupe acústica

Egberto Gismonti, padrinho da Barca do Sol, ao vivo

Tangenciando a MPB e o rock, há que se comentar dos lançamentos de Academia de Danças, de Egberto Gismonti, onde o virtuoso pianista ousava com sintetizadores e uma possante banda formada por Robertinho Silva e Luiz Alves (Som Imaginário) e o disco ao vivo de Milton Nascimento, Milagre dos Peixes, gravado majestosamente no Teatro Municipal de São Paulo, acompanhados também do Som Imaginário. No Nordeste, Alceu Valença estreava sozinho pela Som Livre com o trangressor Molhado de Suor, e a disruptiva Ave Sangria agitava com som e atitude o Recife de 1974. Ainda que o disco careça de punch, devida a precariedade da gravação realizada em apenas 5 dias em um estúdio carioca, a Ave Sangria atestou sua participação na história do rock no período, desviando de cacetetes e censuras da nossa ditadura. Os Novos Baianos encontravam-se no fim do sonho hippie da vida comunitária, mas ainda soltando fogo pelas ventas com o bem energéticos Novos Baianos, o último com o violonista e vocalista Moraes Moreira. Já o lançamento de Vamos pro Mundo, também de 1974, os mostrou mais como grupo de samba/carnaval.

Raul Seixas e seu parceiro Paulo Coelho

Por fim, é essencial falar de Raul Seixas, que atingiu o grande público com o disco Gitá em 74 e o enorme sucesso da faixa homônima. Raul se deu mal com a ditadura por pregar a tal “Sociedade Alternativa”. Foi preso em 73, tomou uns sopapos da polícia e foi mandado para umas “férias forçadas” nos EUA. Quando o disco estourou, a ditadura achou por bem acabar com o sumiço de Raul e trazê-lo de volta ao país, onde se consolidou como uns dos maiores nomes do rock e talvez o único dessa época que realmente rompeu a barreira do tempo.

Outros grupos que se iniciaram em 1974 foram o Terreno Baldio, em São Paulo, o Vímana, o Bacamarte e o Veludo no Rio.

Em 1974 o rock adquiriu escala no Brasil e as revistas noticiavam que a coisa viria num crescente, com apresentações a serem confirmadas de grandes bandas como Pink Floyd, Led Zeppelin, Yes, Black Sabbath, Joe Cocker, Black Oak Arkansas e várias outras. A única que realmente esteve mais próxima de se concretizar foi a do Traffic, que já tinha até data marcada, mas foi abortada porque a própria banda encerrou as atividades.

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Ronaldo Rodrigues
CONSULTORIA DO ROCK

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A Consultoria do Rock surgiu em novembro de 2010 através da união entre amigos, de vários estados do Brasil, que se conheceram pela internet e encontraram um interesse em comum: a paixão pela música. Primeiramente como um blog, e agora como site, nossa missão sempre foi clara: compartilhar essa paixão com o maior número de pessoas possível, tendo o rock como ponto em comum, mas expandindo constantemente nossos limites.

The String Theory Brain FusionCapa do álbum The String Theory. Arte: digital colagem criada por A. C. Barbieri

The String Theory
Barbieri adianta para escuta todas as faixas de seu novo álbum!

escrito por Antonio Celso Barbieri

The String Theory (A Teoria das Cordas) é o nome do meu novo álbum finalizado em junho de 2017. Ele foi gravado aqui no meu estúdio (Raw Vibe) em Londres.

Já fazem vários anos que venho estudando guitarra. Sempre sem professor e no meu tempo, sem pressa, de acordo com o meu interesse e prazer. Sei este aprendizado nunca terminará pois, estou sempre aprendendo alguma coisa nova aqui e ali.

No Youtube encontrei alguns tutoriais muito interessantes e aqui, na Internet, consegui "baixar" umas aulas muito boas. Como já devo ter comentado em alguma postagem, sou fã do blues e das escalas pentatônicas em particular. Sinto que o rock sem estas escalas não soa "de raiz", não soa rock como deveria. Atualmente, algumas bandas do estilo Stonner Rock estão fazendo muito uso destas mesmas escalas. É como se estivessem tocando um blues acelerado com uma batida pesada de Hard Rock acrescido de pitadas de psicodelismo. Eu gosto! Quando escuto, sinto uma nostalgia gostosa de um tempo que, acredito, foi muito importante na minha formação musical.

Fender
Neste Natal passado (2016) realizei um grande sonho comprando uma guitarra Fender Stratocast (USA). Não poderia ser uma Fender japonesa ou mexicana tinha que ser uma lendária norte-americana.  Eu já possuia por quase uns 20 anos uma guitarra Jackson Performer PS-1 mas, meu sonho mesmo era ter uma Fender. Segui meus instintos, comprei a guitarra e, realmente, estou muito feliz com esta decisão porque, a diferença em termos de qualidade entre minha antiga Jackson e esta Fender é brutal. Pela primeira vez sinto que tenho um instrumento realmente de primeira qualidade. A compra desta guitarra foi um dos principais fatores que me impulsionaram a gravar este álbum.

Barbieri comenta três faixas deste novo álbum
A primeira faixa chama-se Dueling With Myself (Duelando Comigo Mesmo) e mostra dentro da mesma temática músical o diálogo de dois solos, um limpo e outro distorcido. Os dois solos na verdade são apenas a subdivisão de um mesmo solo contínuo executado apenas com a ajuda, como refência de tempo, de um clique de metrônomo rolando no fone de ouvido. Como nas outras músicas, esta gravação foi resultado de um improviso gravado apenas uma vez e sem ensaio. Se estas músicas foram gravadas em tempo real e em sessões com duração de poucos minutos, as suas edições levaram vários dias num processo muito trabalhoso de edição "nota por nota". Bom, foi durante a mixagem de Dueling With Myself que testando vários pedais de efeito decidi dividir o solo em duas partes mais ou menos como num duelo de guitarras e como sou eu que toco as duas tornou-se obviamente um "duelo comigo mesmo" onde a palavra ganha mais que um significado porque refere-se também à minha luta pessoal para superar minhas próprias limitações musicais. A verdade é que durante a mixagem de uma música, geralmente ela começa "pedir" e "sugerir" mudanças. Eu apenas escuto e obedeço! Então, muitas vezes, durante o processo criativo me surpreendo com o resultado final.

A segunda faixa chama-se String Theory Experiment (Experimento com a Teoria das Cordas). Esta foi na verdade a primeira faixa que gravei. Já faz algum tempo que vinha brincando com esta ideia de criar um som com um toque meio medieval. Quando comecei tentar tocar sem usar a palheta, os primeiros exercícios levemente me lembraram de forma bem primitiva, pedacinhos, pequenas vinhetas, na linha de bandas como Led Zeppelin e mesmo Black Sabbath. Como já tinha pensado em dar o nome The String Theory (A Teoria das Cordas) ao álbum, um nome que joga com o sentido das palavras uma vez que A Teoria das Cordas é uma teoria revolucionária que até propoem a ideia da existência de várias dimensões além das 4 que já conhecemos e, ao mesmo tempo, para um músico, quando falamos de cordas geralmente ele é remetido para a ideia de um instrumento acústico ou, como no meu caso, às 6 cordas da guitarra, achei muito propício chamar esta música de "Experimento com a Teoria das Cordas".

A terceira faixa que escolhi para comentar chama-se My Blues From Another Dimension (Meu Blues de Outra Dimensão) e, parte dela, saiu como resultado dos meus estudos para aprender o solo da música Crossroads de autoria de Robert Johnson o lendário mestre do Blues. Na verdade, ela poderia muito bem ser chamada "Alien Blues" porque apesar das notas serem geralmente muito usadas no Blues a mixagem que fiz é, vamos dizer, meia futurista. :-)

A arte da capa
Não sei se perceberam pelas postagem anteriores, mas, o design da arte da capa foi lentamente evoluido. Acho que esta versão que agora lhes mostro é a final e conseguiu perfeitamente captar a ideia que buscava (O que vocês acham?).

Tenho que confessar que sempre fui um admirador de capas de discos, CDs, livros, posters de cinema, pinturas, etc.. Se o artista Roger Dean, o responsável por capas de álbuns de bandas seminais como Yes, Uriah Heep, Budge, Osibisa, etc., foi o meu ilustrador preferido, é a empresa Hipgnosis, responsável por capas sensacionais para álbuns de bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd, Peter Gabriel, Rainbow, Wishbone Ash e dezenas e dezenas de outros artistas e bandas, que é  a empresa, que como artista gráfico, uso como referência de qualidade. Então, gostaria que soubessem que esta capa acima e, muito do meu trabalho gráfico, justamente busca emular não só a qualidade do design como também o estilo usado pela Hipgnosis. Sou fã de Ficção Científica e a minha ideia com este trabalho foi a de criar um universo surreal bem na linha do pintor surrealista belga conhecido como Magritte.

Voltando à minha música, ela tem rock, mas, gostaria que percebessem que ela é muito mais do que um estilo e incorpora o meu próprio ecleticismo onde sou atraído não só pela guitarra e piano com também por vários outros instrumentos e estilos incluindo até música clássica. No meu trabalho uso muito a repetição, minimalismo e harpegio. Hamonicamete uso muito pouca complexidade. Basicamente, como já deixei claro, vivo nas escalas pentatônicas. Outra coisa que gostaria de salientar é que sinto que minha música sempre evoca imagens, tem um lado cinemático, como se fosse a trilha sonora para um filme que ainda não foi feito.

Bom, este álbum está pronto e conta com 16 composições. Gravei nunca pensando em interpreta-las ao vivo, mas, no entanto, gostaria muito, de algum dia, ouvir minha música sendo interpretada por alguma banda.

Para finalizar, quero confessar, que estou muito feliz com o resultado final dete trabalho porque sinto que tenho progredido muito como guitarrista, mas, quero que saibam que, para mim, o mais importante é que nesta minha busca pela perfeição, tanto como técnico de som como também como músico, não busco por fama e fortuna e sim apenas aprender mais, encontrar a minha paz interior e, durante esta minha viagem por este planeta, aproveitar para curtir a paisagem! Acreditem, que neste meu desenvolvimento artistico, sou guiado por um elevado senso crítico e, portanto, nem o silêncio de grande parte da comunidade musical conseguirá reduzir o meu senso de realização! :-)

Bom, espero que ouçam e apreciem! Um abraço a todos e desde já, agradeço por disporem um pouco do seu tempo para ouvirem meu trabalho!

Antonio Celso Barbieri

magnolio nos anos 70Magnólio nos anos 70. Foto retirada dos arquivos de Mário Pazcheco.

Relembrando Magnólio!
Escrito por Antonio celso Barbieri

Faleceu Magnólio! Para aqueles roqueiros que viveram intensamente os anos 70, Magnólio foi uma figura lendária, apresentador dos festivais que aconteceram no Parque do Ibirapuera, apresentador e um dos organizadores da lendório teatro de shows chamado Tenda do Calvário.  A "Tenda" teve uma história curta e tumultuada, tendo sofrido nas mãos do DEIC num momento em que a Ditadura Militar estava no pique da coisa.... A última vez que encontrei-me com "Mag" foi quando ele foi o irreverente mestre de cerimônias de um show acontecido no Playcenter onde , entre outras bandas, apresentou-se a banda Joelho de Porco.

Qualifica-lo simplesmente como "Palhaço", com todo respeito à esta profissão, é pouco! Ele sempre preferia definir-se como um "Palhaço Ecológico". Ele, além de ser um artista performático, sempre foi um grande ativista engajado que, divertindo, sempre passava uma mensagem de cunho humanitário e cultural.

Sempre que o encontrava, cobrava dele a devolução de umas fitas K7s que tinha gravado ao vivo num dos festivais do Ibirapuera e lhe emprestado. Entreguei as fitas em suas mãos dentro da Tenda do Calvário mas, a posterior invasão policial culminando com a prisão de todos os presentes mais toda a confusão e insegurança futura, de uma forma ou de outra, fêz com que nunca mais conseguisse recupera-las, não era para ser, estas fitas se perderam no tempo... Isto nunca impediu-me que sempre guardasse um enorme carinho por ele! Sonhava com o dia que pudessemos nos ver novamente! Descanse em paz caro amigo!

Quando Mag leu minha matéria sobre a Tenda do Calvário mandou-me esta mensagem:

“Celso, que bela obra, que linda leitura, que viagem me proporcionaste! Estou aqui na Amazônia querendo fazer um festival! DEBAIXO DA FLORESTA DA GENTE ...TEM ROCK. Vamos nesta!!!! " 

Magnólio

Quando eu fiz 60 anos ele me mandou esta mensagem hilárica:

“Comece a fazer SEXO à sério! Eu já tenho 62. Parabéns!"

Magnólio

Quando tive que fazer uma operação muito séria ele me enviou esta mensagem:

"Celso, receba daqui da Amazônia toda a força da mata e da floresta em pé! E o rock continua! Vaso ruim num quebra :-) ...calma! Abração, "

Magnólio

Lá na Tenda do Calvário, um dia à tarde eu estava no palco ajudando o técnico de iluminação. Mag aproximou-se todo silencioso, sério, me pegou pelo braço e sem dizer uma palavra me levou por uma pequena porta para atrás do teatro onde existia um jardim isolado. Lá havia uma meia duzia de pessoas já sentadas em círculo no chão. Nos sentamos juntos e aí passaram o "cachimbo da paz"! Ele era um guru!

Descoberta acidental de uma catacumba
Um dia, próximo da escada de acesso para a torre da igreja, durante os trabalhos de limpeza do local, um tijolo solto, quando retirado, revelou uma área aparentemente secreta. Vários tijolos foram retirados e revelaram um pequeno corredor que dava para uma escada de concreto sem corrimão que descia para uma grande sala. O Mag arrumou uma lâmpada com uma extenção e descemos as escadas para explorar. Nas paredes podia-se ver entradas seladas com tijolos. Tudo indica aquela sala era um grande túmulo. Será que a Tenda do Calvário foi castigada por tirar os sossego dos mortos? Leiam minha matéria sobre a Tenda do Calvário: (clique aqui)

magnolio foto by tatiana cardeal
Magnólio. foto: Tatiana Cardeal

Em Santarém uma homenagem especial!
Escrito por Fábio Pena


Familiares, amigos e admiradores do artista, advogado e educador social Paulo Roberto Sposito de Oliveira, mais conhecido como palhaço Magnólio, que faleceu em dezembro de 2016, se reúnem neste sábado, dia 15/04/2017 em Santarém para uma homenagem especial.

No encontro das águas dos rios em que ele sempre navegou, levando educação, saúde e alegria para as comunidades e movimentos sociais, serão jogadas parte de suas cinzas, num até logo que pessoas queridas preparam para o iluminado mestre da alegre que ele sempre foi. Veja abaixo a programação.

Paulo Roberto de Oliveira, nascido em São Paulo, se formou advogado, assistente social, professor de educação física e mestre em educação ambiental. Quando jovem, foi produtor musical no período efervescente do rock brasileiro, tendo apresentado shows de grupos como Os Mutantes e Novos Baianos.

Ao longo do tempo, com seu humor peculiar, foi se aproximando da arte circense. Foi ai que surgiu o Magnólio, seu personagem que além do nome, se tornou sua própria identidade.
Quis o destino que um belo dia lesse uma reportagem num jornal da capital paulistana, e se deparasse com um convite de uma ONG recém criada pelo médico Eugênio Scannavino e seu irmão Caetano Scannavino, contratando arte-educadores para atuar em comunidades da Amazônia. Era o palhaço encontrando suas novas trilhas de malabarismos da vida, desta vez em plena floresta Amazônica.

Consolidou sua parceria com o Projeto Saúde e Alegria, que atua desde 1987 em comunidades da Amazônia desenvolvendo programas integrados de saúde, educação, cultura, geração de renda, meio ambiente e direitos das crianças e adolescentes. E a parte que coube à Magnólio, foi ajudar a montar o Gran Circo Mocorongo, um circo mambembe para ajudar com que as mensagens educativas, os processos de mobilização social envolvessem as comunidades com doses de alegria. Desde então, Magnólio se tornou o palhaço mais conhecido da região de Santarém, especialmente nas comunidades ribeirinhas onde chegava de barco levando diversão, entretenimento e cidadania.Como coordenador pedagógico da organização, conseguia como poucos inovar nas metodologias de trabalho.

É dele a frase símbolo que diz: “saúde é a alegria do corpo. E a alegria é a saúde da alma”. Além da ludicidade, sempre procurava unir o conhecimento científico aos saberes populares. Com as parteiras tradicionais ajudou a criar uma associação, “Mãos que aparam vidas”. Com os jovens criou a “Teia Cabocla” para formação de novas lideranças. Com os professores da floresta criou a “educologia - a educação ambiental ativa”.Além do Saúde e Alegria, Magnólio também atuou em outros projetos e ONGs da Amazônia, como o projeto Iara, no qual ajudou no fortalecimento dos movimentos de pescadores da região. Na década de 90, seu programa Na Hora da Piracaia, era um dos mais ouvidos na Rádio Rural de Santarém. Depois, no Programa da Rede Mocoronga de Comunicação Popular, fazia sucesso com o seu famoso “caça talentos comunitários”.

Sua voz rouca inconfundível, era reconhecida rapidamente pelos pescadores à qualquer volta na beira do rio Tapajós.Mas sua trajetória alcançou também o mundo, sendo convidado para grandes eventos, especialmente os ligados aos movimentos socioambientais, do qual participou ativamente como militante. Geralmente se apresentando como o Eco Clown Amazônico (o palhaço ecologista). Especialista em moderação de eventos, suas dinâmicas e performances foram vistas em Conferências da ONU em Nova York, como no Brasil na Eco 92 e Rio + 20, bem como em congressos ambientalistas na Europa. Como enredo de suas performances, estava sempre a defesa dos povos das florestas.
Através disso Magnólio também se tornou uma liderança política, embaixador das causas socioambientais. Ele conseguia abordar com alegria um tema complexo com ribeirinhos e extrativistas das beiras dos rios da Amazônia, assim como também com autoridades com quem fazia o sorriso e a alegria mediar conflitos e produzir transformações.

magnolio open arms
Magnólio. Projeto Saúde e Alegria. Foto: Daniel Deák

A programação do evento

Sábado, dia 15 de abril de 2017

1º Encontro: Dom Frederico, próximo ao Estaleiro Gamboa.


15h - Encontro dos Artistas Mocorongos na casa onde o Magnolio morava. Saída em cortejo, passando pela Mendonça Furtado, rua dos Artistas, Praça São Sebastião, Orla até o palco da praça Mascotinho, em frente à Casa da Memória do IHGTAP - Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, onde também morou.

2º Encontro: Casa da Memória e Palco da Praça do Mascotinho


17h - Saída dos B/Ms Gaia e Saúde e Alegria, com a família Oliveira e Oliveira e convidados para a cerimônia de entrega das cinzas no Encontro das Águas Amazonas/Tapajós.

18h - Gran Circo Magnético, no elevado em frente a Casa da Memória -"Linha Imaginária", com apresentações circenses e teatrais, exposições de fotografias e vídeos.

20h - Encerramento com Carimbó, Rock, Reggae e fala fraternas.

Como participar: Todos estão convidados para os eventos na rua e praça (cortejo e o show de encerramento). Por limitação da lotação dos barcos, apenas os familiares e convidados poderão participar da ida até o encontro das águas. Os interessados devem entrar em contato com antecedência com a equipe do Projeto Saúde e Alegria, no número 30678000 ou por email: This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. para informações.

Fábio Pena


Magnólio: Livro Aberto
Escrito por Cristovam Sena
(13/05/2016)

Se não me engano, ele é paulista. Seu nome é Paulo Roberto Sposito. Conhecido como Magnólio. Cognome que recebeu quando ainda jovem estudante, sua acentuada rouquidão deixava sua voz parecida com a de um personagem de novela que se chamava Magnólio.  O conheci através de trabalhos que envolviam a Emater e o "Projeto Saúde e Alegria" - PSA. Organização fundada pelo médico Eugênio Scannavino Netto, em 1985, que veio de São Paulo e trabalhava nas comunidades ribeirinhas onde, por falta de informação da população sobre cuidados básicos com a saúde, o índice de mortalidade infantil provocado pela diarréia era alto. Eles começaram distribuindo cloro para combater essa calamidade que caracteriza as regiões pobres, que ainda persiste na rica Amazônia.

magnolio gran circo mocorongo magnolio 3 palhaços magnolio em ação
Magnolio palhaço bico magnolio palhaço 01 magnolio palhaço 02
Mangnólio em ação no Circo Mocorongo

Nessa época, mantínhamos um programa radiofônico na Rádio Rural, "Fruto da Terra", criado quando o amigo Rubens Cardoso era Supervisor Regional da Emater em Santarém. Programa semanal, no início apresentado pela Meive Piacese e eu. Eugênio foi entrevistado no programa para falar sobre sua atuação nas comunidades de várzea, mais de uma vez.  Retornando ao Magnólio, fiquei sabendo que ele era formado em técnicas circenses pela Academia Piolim, em São Paulo, e tinha concluído curso na área de serviços sociais. Essa mistura de circo com sociologia temperou seu caráter, suas ações profissionais ainda hoje estão alicerçadas na alegria e consciência social. Características cada dia mais escassas, que precisam ser valorizadas.

Como tínhamos algumas coisas em comum, principalmente gostar de livros e cerveja, nos aproximamos. Ele chegou a montar com sua companheira Gorda, o bar Relicário, onde íamos aos finais de tarde atualizar o papo com os amigos.  Passou a me convocar para participar de algumas reuniões do PREA - Tapajós (Pólo Regional de Educação Ambiental), que ele comandava. Atendendo seus convites, fui falar sobre "Sustentabilidade Cultural" em comemoração à Semana do Meio Ambiente, na ULBRA. Em outras ocasiões, sobre desenvolvimento global enfocando o meio ambiente, o lucro e a população do município. Sempre atendia suas solicitações.Um dia me telefonou, comunicava que o PSA estava montando ao longo do Rio Tapajós, nas comunidades trabalhadas por eles, bibliotecas comunitárias. Queria adquirir os livros regionais editados pelo ICBS. Ao todo Magnólio ajudou a montagem de cinco bibliotecas, sendo uma itinerante, dentro de um barco. Além das bibliotecas ele bolou o Circo Mocorongo, assim poderia aplicar as técnicas circenses adquiridas na Academia Piolim, guardando pra si o papel de palhaço.

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magnolio no barco magnolio T shirt magnolio vampiro
Magnólio sempre brincalhão!

Passamos bom tempo sem nos encontrar. Voltamos a nos ver em 2009 na residência do Antenor Giovannini. Aposentado da Cargill, Antenor resolveu estimular a criação de um grupo de amigos com o intuído de encaminhar debates e propostas sobre alguns problemas da cidade, dentre eles o abastecimento de água nos bairros periféricos. O grupo teve vida curta, como era de se esperar, pela variada opção política dos seus componentes e a complexidade dos problemas selecionados. No início denominado de "SOS Santarém" pelo Jota Ninos, o grupo foi rebatizado pelo Magnólio de "Santarém Pai d'Égua" e sumiu devido a divergências políticas internas. As reuniões aconteciam aos sábados, com direito a cerveja e tira-gosto preparado pelo anfitrião Antenor. Após novos desencontros, fui rever Magnólio já em 2012, nas telas do cinema. Fazia parte do elenco do filme "Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios", contracenando com Camila Pitanga. Só isso!

Em 2013 ganhei de presente um trabalho produzido por ele, denominado "Eu, lúdico, brinco, logo existo!". Um livro aberto, com folhas soltas, impresso em papel 180 gramas, com desenhos que ilustram as brincadeiras tradicionais das crianças do nosso tempo, que hoje nossos netos não brincam mais: pião; papagaio, aviãozinho e barquinho de papel, carrinho fabricado com latas de sardinha, bolinha de gude, botão de mesa, etc... A última, ou primeira página do seu livro aberto - as folhas soltas não são numeradas - é um poema que estimula nossa imaginação a entender a realidade dos meninos e meninas das beiradas do Rio Tapajós, que se confundem com "os meninos e meninas do Brasil, que a gente passa e finge que não vê!" Realidade que ele tentou transformar com seu trabalho no Projeto Saúde e Alegria.

Esse é o Magnólio que, de relance, cheguei a conhecer e conviver.   Ontem conversei com o professor de história Paulo Lima, fui informado que o Magnólio retornou para São Paulo. Está dodói.

Crianças e palhaços como o Magnólio não deviam adoecer. Aqui meu reconhecimento pelo muito que realizou!

Dedico ao amigo os versos do poeta e filósofo iluminista francês Voltaire (1694/1778):

"Um livro aberto é um cérebro que fala;
Fechado, um amigo que espera;
Esquecido, uma alma que perdoa;
Destruído, um coração que chora."

Voltaire

Eu, lúdico, brinco, logo existo!
livro infantil publicado por Magnólio

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Confira a mensagem postada na página do Projeto Saúde e Alegria

Magnólio, nosso amigo, parceiro, irmão

Hoje parece que você foi até ali na beira do rio Tapajós pegar um barco pra viajar até uma comunidade para educar os jovens, fazer os adultos voltarem a ser crianças e com o sorriso delas ensinar como a vida pode ser feita de alegria e uma eterna crença no futuro. Ensinar que a alegria não tira a seriedade das coisas importantes pelas quais devemos lutar, que o mundo espera o melhor de cada um de nós. Pegamos todos passagem nesse mesmo barco chamado vida e tivemos a sorte de ter você como nosso companheiro e comandante. Muitas vezes você foi o próprio combustível que fez o motor deste barco, as vezes com dificuldades, conseguir navegar e ir mais longe, chegar a mais comunidades, a mais pessoas no mundo. Não importa! Sua frase para os momentos difíceis virou nosso lema pra enfrentar os desafios. Sua alegria, otimismo, energia transmitida naturalmente às pessoas que lhe conheciam moveu os sonhos de uma Amazônia viva e com cidadania para seus povos. Esta planta não morreu, está viva e será sempre regada com suas ideias. Nosso amigo, cada cor da nossa cortina do Circo Mocorongo é uma maquiagem sua e estará sempre renovada todas as vezes que um novo palhaço fizer uma criança sorrir, um jovem acreditar no seu potencial, um adulto viver melhor e com sabedoria, e um velho voltar alegremente a ser criança.Hoje você fez uma viagem mais longa. Maior que aquelas de vários dias fazendo circo e distribuindo alegria às margens dos rios da Amazônia. Mas você estará sempre ancorado no porto das nossas melhores lembranças e nos encontraremos em qualquer parte desse universo. Acredite, cada um dos sorrisos que você promoveu, viraram sementes que alimentarão os sonhos de um mundo melhor.

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Confira a mensagem da poetisa Socorro Carvalho

Santarém está de luto.
Grande mestre circense pereceu.
Égua!! 2016!!
O que aconteceu?
Ah, deixa pra lá...
Vai ver que tem festa no céu.
E Deus precisou dele para alegrar.
Fazer mágica, encantar etc...
Ensinar peripécias aos anjos, talvez!!!
Enfim, são tantas justificativas
Para tentar relevar essa ausência...
Prefiro guardar
As noites inesquecíveis de mágica
No palco do velho Relicário.
Mas tem muito MAIS que isso
Tem os ensinamentos que deixou,
Os frutos que semeou...
O amor que dedicou ao Tapajós.
Por isso, também, será lembrado.
Mas não irei ficar triste!
A tristeza não combina
Com as cores de toda aquela alegria.
Égua, Magnólio!!
Não posso mais dizer nada,
Antes que que eu chore,
Por favor, fechem as cortinas...
Aplausos!!!

Socorro Carvalho

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A dupla lança novo álbum chamado ANTÍTESE
Escrito por Antonio Celso Barbieri

Antítese
Escutando este álbum, fiquei em dúvida… terei capacidade para escrever algo compatível com o nível deste trabalho? Em 2015 quando recebi o primeiro trabalho desta dupla virtuosa chamado Novos Caminhos cheguei até a sugerir que o mesmo poderia ser um novo caminho para o Jazz mas, agora com seu novo álbum recém lançado chamado Antítese, me pergunto novamente, se este não é um novo caminho para a Música Popular Brasileira? Bom, a bem da verdade, de popular este trabalho não tem nada pois, como no álbum anterior, o mesmo, devido ao nível técnico de execução, beira o tempo todo o Jazz e a música erudita.

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra Antítese representa uma figura pela qual se salienta a oposição entre duas palavras ou ideias. Bom, em qualquer sistema de raciocínio que procure chegar a verdade através do uso da argumentação, certamente acabaremos usando a “tese”, a "antítese" e a "síntese". Por exemplo, o "Inferno" é uma antítese do "Paraíso" assim como a "desordem" é uma antítese da "ordem". Antítese será então, uma justaposição de ideias contrastantes, opostas, geralmente usadas de uma forma coerente e balanceada.

E na música? Acredito que, nossos amigos Chenta e Barasnevicius, com uma técnica absurda, foram lá no caldeirão da música brasileira e colheram pedacinhos de bossa-nova, samba, baião, etc. e de forma minimalista buscaram chegar na essência da coisa, para depois reciclarem este material, repetindo-o, já vestido com uma nova roupagem que imediatamente remeteu-me ao Jazz só que, curiosamente fiquei sempre com aquela impressão de que nunca musicalmente saí do Brasil. É a “antítese” do velho, sem perder as suas origens. É a “antítese” do “Jazz” sem deixar de homenagear e respeitar os grandes mestres norte americanos do passado. É a “antítese” da “MPB” sem nunca deixar de soar "bem brasileiro".

Chamar este trabalho de música para as massas, de música fácil, seria um grande erro, mas, realmente não posso deixar de tirar o meu chapéu, porque senti a confluência dos estilos em composições perfeitas assim como um nível e qualidade da gravação maravilhoso que, somado à dedicação mostrada por Chenta e Barasnevicius torna Antítese um álbum essêncial, principalmente aos amantes da boa guitarra, acústica ou não.

Escutando este novo trabalho ficou claro que certamente estes músicos seriam muito mais respeitados e apreciados no exterior onde existe um público mais receptivo a este tipo de material sonoro. Só posso desejar que Chenta e Barasnevicius tenham a tenacidade para continuar criando, fazendo e nos brindando sempre com material desta qualidade! Parabéns!

Antonio Celso Barbieri

Release fornecido pelos músicos

Os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius iniciaram as atividades do seu duo em 2013, desenvolvendo técnicas de arranjo, composição, improvisação e interação musical. Utilizam apenas duas guitarras eletroacústicas com encordoamento liso.

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Seu repertório é feito de composições próprias. Alguns temas caminham por ambientes como a balada, a bossa nova, o jazz moderno, o samba e o groove, entretanto a maioria das obras musicais compostas pelo duo demonstram grande originalidade ao não se enquadrarem em gêneros e estilos musicais já formatados e difundidos. Algumas peças trazem elementos experimentais e são criadas no momento da sua execução através de jogos de improvisação ou partes literalmente livres.

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Rodrigo Chenta
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Ivan Barasnevicius

A diversidade timbrística é uma das características mais marcantes do duo. Cada guitarra possui uma sonoridade muito peculiar. Enquanto Rodrigo Chenta prioriza a utilização do som acústico de seu instrumento, Ivan Barasnevicius dá mais ênfase ao som do amplificador. Outra característica marcante é o formato não-standard adotado tanto nas composições como na maneira de interpretar e improvisar de ambos os músicos.
Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius compõem separadamente, no entanto os arranjos coletivos mostram como os dois músicos conseguem um notório entrosamento tanto musical como no âmbito das ideias e propostas artísticas.
Gravaram em 2015 o seu primeiro CD autoral intitulado "Novos Caminhos" que teve grande apreço da crítica especializada. Possui peças musicais escritas especificamente para a referida formação instrumental e adaptações com belos arranjos para temas compostos anteriormente.

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Em 2016, lançaram o álbum "Antítese", que além de aprofundar algumas propostas do primeiro trabalho, como a diversidade de timbres e o formato não-standard, também percorre novos e diversos caminhos ao atuar com canções que interagem tanto com jogos de improvisação, técnicas contrapontísticas, influências da música mineira dos anos 1970 e também do rock.

Rodrigo Chenta & Ivan Barasnevicius

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motorocker

"Uma banda brasileira excelente, muito influenciada por ACDC, crescendo, descobrindo seu caminho e produzindo um som autoral de alta qualidade!" - Antonio Celso Barbieri

 

 

motorocker logo

Release Oficial

O Motorocker segue forte depois de 21 anos e milhares de quilômetros na estrada. Desde o início, a banda sempre compôs músicas autorais. Os riffs e melodias para sucessos como Salve a Malária, Blues do Satanás e Tocando o Horror tiveram suas origens em 1992. No entanto, o acesso a estúdios de para a produção de musicas próprias era restrito e caro. Para sobreviver e ficar mais conhecida, a banda começou a tocar covers. Sua primeira grande oportunidade veio em 1996, quando o Motorocker foi considerada a melhor banda cover do AC/DC no mundo pelos irmãos Young e por Brian Johnson, que ouviram algumas musicas quando visitaram a cidade em turnê.

O sucesso em Curitiba, continuou a crescer ao longo da década. A banda foi capaz de gravar de forma independente seu primeiro álbum de canções originais, Igreja Universal do Reino do Rock, em 2006, apresentando a banda para o público nacional. IURR vendeu mais de cinco mil cópias em seu primeiro ano de lançamento.

Rock na Veia, o seu segundo disco, foi lançado em 2010, seguido por uma turnê com 200 shows em 60 cidades diferentes. O registro foi muito bem recebido pelos fãs e pela mídia e já ultrapassou em vendas o álbum anterior.

Em 2012, a banda lança o single Estação das Almas. Seu som é agora mais maduro, mas ainda segue a mesma filosofia de riffs pesados, batidas nervosas e vocais rasgados.

Não há nada melhor do que uma banda que começa o ano trabalhando duro. O Motorocker começou 2014 detonando e gravando seu novo álbum, Rock Brasil, lançado em agosto. Após o sucesso da Igreja Universal do Reino do Rock em 2006, o surpreendente Rocha na Veia em 2010 e seu mais recente single, Estação das Almas, em 2012, mais uma vez o Motorocker restabelece a ordem na cena rock independente brasileira. Rock Brasil carrega a alma do roqueiro brasileiro em seu DNA, com uma mistura explosiva de blues e heavy metal dos anos 80 e 90.

A formação do Motorocker apresenta Marcelus dos Santos nos vocais, Luciano Pico e Thomas Jefferson nas guitarras, Silvio Krüger no baixo e Juan Neto na bateria.

Conquistas

Em 2008, o Motorocker foi selecionado, juntamente com o Metallica e o Guns n'Roses, para fazer parte do álbum Ruby Nazareth Tribute. Este álbum, produzido pelo fundador da Nazareth, Manny Charlton, apresenta a banda tocando a musica Telegram, muito elogiada pelo próprio Manny. Quando ele veio para Curitiba, como parte de sua turnê brasileira, o Motorocker e o lendário roqueiro tocaram a música juntos.

Como prova de seu talento e carisma, o Motorocker também já dividiu o palco com bandas como Motörhead, Deep Purple, Glenn Hughes, Nazareth, Suicidal Tendencies, Biohazard, Sepultura, Iron Maiden, Guns`n`Roses, Twisted Sister e KISS, entre outros. O Guns`n`Roses ficou tão impressionado com o Motorocker que os roqueiros brasileiros foram convidados para abrir mais dois shows da turnê sul-americana.

O Motorocker se apresentou na edição do Rock in Rio 2015, um dos maiores festivais do mundo, o show foi muito aclamado gerando ótimas resenhas da crítica nacional.

Isto é o que Iron Maiden postou sobre o Motorocker no seu próprio site: Motorocker abriu o show e eles foram muito bem. Eles me lembraram o AC/DC antigo e até fizeram um cover de "Let There Be Rock." O publico também pareceu gostar bastante. Eu fiquei bem na frente e consegui ver a maioria do show dos caras. Uma banda espetacular ao vivo.

igreja universal do reino do rock cover 1

igreja universal do reino do rock cover 2
Cover arte, colagem digital alternativa criada por Barbieri.

SELFIES DO MOTOROCKER

motorocker no Rock in Rio 2015
Motorocker no Rock in Rio (2015).


motorocker e iron maiden
Motorocker abrindo para a banda Iron Maiden.

motorocker e guns n roses
Motorocker abrindo para a banda Guns'n'Roses.

motorocker e kiss
Motorocker abrindo para a banda Kiss.

Motorocker no Motorcycle Rock Cruise
Motorocker no Motorcycle Rock Cruise.

motorocker no palco selfy 1
Local não fornecido.

motorocker no palco selfy 2
Local não fornecido.

motorocker 02

Putos brothers band bottle

Putos BRothers Band

Putos BRothers Band

 foi formado em 2010, com proposta de fazer um Blues & Rock'n'Roll autoral bem pé no chão. Seu trabalho inclue a 

fusão de instrumentos como Viola Caipira, Gaita e Guitarra, permitindo inovação e criatividade.



O primeiro álbum da Putos BRothers Band foi gravado por André Batalha, de janeiro a outubro de 2013, no Gravina Estúdio em Campinas/SP e foi lançado em 2015, em vinil (LP), com tiragem limitada e numerada. Este álbum conta com 10 composições compostas pela dupla Araújo & Passos.



Curiosidade
Todas as linhas de baixo foram gravadas usando um velho amplificador valvulado combo da Giannini, modelo True Reverber, fabricado em 1967 que pertenceu a ao lendário Raul Seixas. Hoje este amplificador pertence a Sylvio Passos, gaitista e compositor da banda.  Sylvio Passos, além de amigo e confidente do Maluco Beleza é o guardião do maior acervo do pai do BRock.



Putos brothers band 2014

A Banda Putos BRothers

Sylvio Passos: gaita, jaw harp, washboard e backing vocals – Paulista, produtor cultural, músico, escritor, compositor e fundador do Raul Rock Club - Raul Seixas Oficial Fã-Clube (1981) em homenagem à seu amigo e ídolo. Tem se destacado em shows por diversas cidades brasileiras, seja com a Putos BRothers Band ou em participações especiais em shows de outros artistas e bandas como a que fez no Rock in Rio 2013 com a banda Detonautas, Zeca Baleiro e Zelia Duncan em show memorável em homenagem à Raul Seixas.
"Estou para gaita como Sid Vicious estava para o baixo."
Preferências & influências musicais: Blues e Rock and Roll, claro! Led Zeppelin, King Crimson, Frank Zappa, Muddy Waters, Eddie Cochran, Lou Reed, Robin Trower, Jethro Tull, John Mayall. Rolling Stones entre inúmeros outros.



Agnaldo Araújo: voz, guitarra e viola – vive em Campinas, músico, compositor e cantor iniciou sua carreira musical no início da década de 90 onde atuou em bandas da cena Rock e MPB do interior de São Paulo. Com 2 CDs gravados, participou de vários festivais de músicas pelo Brasil, fez direção musical e participou de várias peças teatrais como o musical de grande sucesso de público e crítica: "Meu Amigo Raul".
 Preferências & Influência Musicais: Blues, Rock and Roll e Música Brasileira. AC/DC, Black Sabbath, Led Zeppelin, Rolling Stones, Jimi Hendrix, Frank Zappa, B.B King, Pink Floyd, Deep Purple, Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Lenine e muitos outros.



Adriano Araújo: baixo, guitarra base, bateria e backing vocal – vive em Indaiatuba e atuou em diversas bandas de MPB e Rock no interior paulista além de multi-instrumentista (toca guitarra, violão, contrabaixo, teclado, bateria e percussão), também canta e toca guitarra na banda "Cogumelos Azuis".
Preferências & Influências musicais: Rock and Roll, Música Brasileira e Blues. Pink Floyd, Legião Urbana, Lenine, Raul Seixas, Chico César e muitos outros.



André Batera: bateria – vive em Indaiatuba, atuou em diversas bandas de Rock no interior paulista (além da bateria toca percussão). É baterista das bandas "Cogumelos Azuis" e "Rock Banda".
 Preferências & Influências musicais: Rock and Roll, Música Brasileira e Blues. Pink Floyd, Legião Urbana, Raul Seixas, Deep Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin, Rolling Stones e muitos outros.



Putos brothers band logo 1
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Sylvio Passos: (11) 98304-4568 e (11) 2948-2983 - This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
Agnaldo Araújo: (19)99715-1317 e (19)98343-2931 - This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.

Barbieri posta no Youtube, 37 anos depois, vídeo raro de Arnaldo & Patrulha do Espaço!
Escrito por Antonio Celso Barbieri

O release deste lançamento!

Antonio Celso Barbieri residente em Londres desde 1987, autor de O Livro Negro do Rock e responsável pelo site Barbieri - Memórias do Rock Brasileiro acaba de postar no Youtube vídeo inédito, dado como perdido, de uma gravação ao vivo da banda Arnaldo & Patrulha do Espaço acontecida nos estúdios da TV Bandeirantes e datado de 1978.

Este vídeo, mesmo depois de tanto tempo, ainda conta com uma qualidade incrível e mostra o ex Mutante Arnaldo Baptista (piano e vocal) e sua banda Patrulha do Espaço formada por Rolando Castello Junior (bateria), Eduardo “Dudu” Chermont (guitarra) e Oswaldo “Cokinho” Gennari (baixo) em excelente forma, executando três músicas: Sanguinho Novo, Sunshine e Cowboy.

Sem dúvida, trata-se de um documento raro muito importante para a história do rock brasileiro, não só por mostrar Arnaldo (antes do seu acidente) mas, também por mostra-lo tocando junto com a Patrulha do Espaço, banda que ele criou e não deixou muitos registros em vídeo. Outra razão para a importância deste vídeo é que o mostra dois músicos lendários e já falecidos: Dudu e Cokinho, respectivamente guitarrista e baixista em ação. Aliás, Barbieri aproveitou para, no final vídeo, incluir uma dedicatória póstuma a estes dois grandes músicos. Além dos motivos já citados, este vídeo serve também para mostrar a técnica e poder de fogo do lendário baterista Rolando Castello Junior verdadeiro sobrevivente do rock dos anos 70. Tanto Junior quanto Arnaldo continuam na ativa. Arnaldo tem conseguido consistentemente apresentar-se ao piano, com grande sucesso, nos seus shows intimistas e Junior continua pilotando a Patrulha e sempre que possível participando de workshops. Junior recentemente participou em SP, como baterista, no show da banda Aeroblus, banda que ele juntamente com o lendário guitarrista Pappus Blues, fundaram na Argentina. Além disso, a Patrulha do Espaço acaba de participar com uma música na coletânea São Power 2015 distribuída online gratuitamente pela Rádio Rock Nation (www.radiorocknation.com).

Histórico

É Barbieri quem explica: “há vários anos atrás ajudei Cokinho a estabelecer-se em Londres, hospedando-o, em minha casa, por três meses. Mais tarde quando Cokinho já estava morando sozinho, por ele ter sido um dos membros fundadores da Patrulha do Espaço, foi contatado e entrevistado pela produção do documentário produzindo pelo Canal Brasil sobre a vida de Arnaldo Baptista. Como Cokinho sabia que eu havia fotografado Arnaldo tanto durante o seu período solo como depois, no comecinho Patrulha do Espaço, achou por bem, passar também meus detalhes para o pessoal da produção do documentário.

Meu contato com o pessoal do documentário rendeu frutos e minha foto do Arnaldo ao piano tocando no Palácio das Convenções do Anhembi acabou sendo usada tanto para a capa como para o pôster publicitário do DVD que foi lançado.

Bom, foi neste período que fiquei sabendo por Cokinho da existência desta gravação rara feita nos estúdios da TV Bandeirantes. Pouco antes deste DVD ser lançado, Cokinho foi para o Brasil e quando voltou comentou comigo que tinha visto este vídeo com o pessoal da produção do documentário e que, tinha sido informado que infelizmente apenas alguns segundos dele seriam usados. Ainda, se não me falha a memória, ele disse que este vídeo aparentemente estava perdido nos arquivos da TV Bandeirantes por estar catalogado com nome errado.

À bem da verdade, não posso precisar a fonte deste vídeo que veio parar em minhas mãos. Recentemente, inesperadamente recebi um e-mail anônimo onde o autor do mesmo fornecia um link para que eu pudesse baixar este vídeo. O autor lamentava que este vídeo deveria já ter sido tornado público há muito tempo e concluía dizendo que, ele acompanhava meu trabalho à muito tempo e que, por morar em Londres, eu era a pessoa certa para divulga-lo.

Logicamente baixei o vídeo e, quando examinei-o, imediatamente notei que as imagens estavam com melhor qualidade do que o som, que apresentava muito chiado de fundo (white noise, hum, etc.). Então exportei o áudio e usando um plug-in Waves restaurei-o. Infelizmente este vídeo possui uma inconveniente barra negra de “timecode” centralizada na imagem. Achei melhor cobri-la com uma bandeira brasileira tremulante. Desculpem-me, mas, se não resolveu o problema pelo menos certamente amenizou a poluição visual.

Gostaria aqui de agradecer a todos aqueles que direta e indiretamente “conspiraram” para que este vídeo chegasse ao grande público. Para aqueles que acham que possuem algum direito sobre este vídeo, solicito-lhes que revejam as suas prioridades e coloquem a História do Rock Brasileiro em primeiro lugar! Possíveis créditos e informações inexistentes serão providos sempre que fornecidas pelos envolvidos! Desde de já agradeço a amizade e compreensão!

Antonio Celso Barbieri

 

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Festival de Águas Claras (Iacanga)

40 Anos!

Ouçam um rádio documentário imperdível!


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Barbieri Comenta:

Tomo a liberdade de reproduzir aqui um texto publicado na página do Facebook do meu amigo Luiz Lennon, mais conhecido entre os amigos antigos como simpelsmente John. Luiz Lennon é o criador e responsável por um dos mais antigos fã clubes dos Bealtles no Brasil, o lendário Beatles Cavern Club. Ele, juntamente com meu irmão Jorge Barbieri tiveram o privilégio de participar deste festival histórico. Acompanhem abaixo as peripécias destes, na época, dois jovens:

"Bom dia Galera Roqueira do Brasil, hoje eu, Luiz Lennon, quero recordar junto á voces a minha ida, junto com o amigo, o querido Jorge Barbieri, quando à 40 anos fomos atrás para do Primeiro Festival de Iacanga, no interior de SP.
 Na epoca eu tinha 22 anos e resolvemos ir na correria, na carona e batalhando grana para seguirmos em frente.
 Na Rodovia Castelo Branco pegamos uma carona em uma kombi, de carroceria aberta, e seguimos até a cidade de Sorocaba. 
Lá a coisa melhorou pois já encontramos muitos seguidores e pegamos o primeiro onibus e, todo o mundo com as janelas do ônibus abertas e um baseado na mão. Acabamos arrumando muita encrenca com o motorista que não queria seguir de jeito nenhum depois que percebeu a nossa farra. Fomos para na cidade de Botucatu, lá a cidade já estava cheia de mochileiros de todo o Brasil, todos sempre pedindo alguma coisa e enchendo o saco de todos. Eu mesmo, ia nas padarias pedir sonho ou um pão velho, logicamente eles davam paes fresquinhos.
 No final da tarde apareceu uma luz, um caminhão que se propôs, por 1 real por pessoa, a levar a quantidade de gente que coubesse na carreceria do mesmo. Acho que mais de 100 pesssoas subiram em cima da carroceria, foi uma grande festa, nunca mais esqueci deste dia.
 Quando chegamos lá ficamos com a sensação de entrar em Woodstock, uma enorme fazenda, com milhares de barracas de camping. 
Eles usavam Bambus como torneiras ou chuveiros, era um delícia tomar banho em agua gelada direto de um rio e ou mesmo de cima de uma arvore pular dentro do rio.
 Depois de acomodados fomos buscar pelos nosso amigos de turma. 
Quanto aos shows, teve  Raul Seixas, Made in Brazil, e muitos outros, afinal fomos prá lá prá curtir a galera, passar um fim de semana de boa curtindo a natureza.
 Uma das formas de arrumar grana era sair pela porta do evento, pegar uma senha vendê-la lá fora e depois andar um kilometro e entrar no festival pelo meio do mato ou barro, um brejo desgraçado, mas estava tudo no barato. 
A Volta a gente voltou de carona, fomos parar em Areiopolis, procuramos o Prefeito, que nos deu comida e nos levou de carona a São Manoel, procuramos a Policia, tiramos uma atestado de indigente para depois pedir uma passagem de trem para SP. Estavamos muito cansados. A zueira foi muito grande, milhares de pessoas e nós praticamente perdidos naquela maré de gente. Bem, de uma forma bem sintetizada, em breves palavras, mencionei aqui, como foi minha ida em um festival de rock inesquecível e junto da natureza."

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iacanga ingresso

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last joker logo
last joker band

Last Joker: Banda brasileira sediada na Inglaterra lança o álbum Ulterior Motives


last joker ulterior motives


last joker ao vivo
A banda Last Joker tocando ao vivo no Pub Cart and Horses em Londres, o bar onde a banda Iron Maiden fêz seus primeiros shows.

barbieri e last joker
Barbieri dentro do Pub Cart and Horses entrevistando a banda Last Joker.

Escutem esta entrevista feita pelo Barbieri
com exclusividade para a Radio Rock Nation

bi polar

Carlos Lichman: Escutem BI POLAR o novo trabalho deste guitarrista talentoso!
escrito por Antonio Celso Barbieri

Carlos acaba de chegar em Londres, vindo do Rio Grande do Sul, com a intenção de redirecionar sua carreira musical. Bom, como perceberão o homem é fera! No sábado (24/10/2015) tive o prazer de receber sua visita e, passamos a tarde ouvindo música onde ele naturalmente mostrou-me seu excelente material e eu aproveitei para, humildemente, mostrar-lhe o meu. Discutimos também suas possibilidades e possíveis dificuldades no desenvolvimento de sua carreira musical aqui na capital inglesa. Sinceramente acho que com dedicação e paciência Carlos tem tudo para chegar lá! Desejo-lhe muita sorte porque talento ele tem para dar e vender!

Antonio Celso Barbieri

bi polar

verso envelope
bolacha

São Power 2015
Barbieri em conjunção com Rádio Rock Nation
lançam uma coletânea poderosa!

No ano de 2015, comemorando os 30 anos do meu lançamento da coletânea SÃO POWER que foi lançada atravéz do Chicão o dono da lendária loja e gravadora paulista Devil Discos, lancei em conjunção com a Rádio Rock Nation esta coletânea mostrando alguns artistas e bandas que estavam na ativa naquele período. Esta coletânea foi lançada apenas online e com download gratuíto. Todas as faixas foram gentilmente sedidas pelas bandas. Barbieri foi responsável pela seleção musical, o remaster de todas as faixas, a preparação do álbum assim como pelo design da capa.

rock nation sao power 2015


rock nation sao power 2015

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super peso brasil logo

Super Peso Brasil (2013)
Um evento histórico para o Metal Brasileiro!
escrito por Antonio Celso Barbieri

O festival Super Peso Brasil foi um marco histórico para o Metal Nacional resgatando e, ao mesmo tempo, prestando uma grande homenagem aos pioneiros de Heavy Metal Brasileiro. Este festival aconteceu no dia 19 de novembro  de 2013 no Carioca Club em São Paulo e juntou pela primeria vez as bandas Taurus, Stress, Salário Mínimo, Metalmorphose e Centurias. Todas as bandas participantes deste evento começaram lá pelo princípio dos anos 80 sendo que a banda Stress em particular é creditada como sendo a primeira banda brasileira à gravar e lançar um álbum no estilo Heavy Metal.

Barbieri entrevista Ricardo Batalha
Ricardo Batalha
é jornalista, dono da revista Roadie Crew e um grande divulgador do Rock Nacional!

Barbieri: “De quem foi a ideia deste festival?”
Ricado Batalha: “A idealização foi minha e a produção de André Bighinzoli.”

Barbieri:  Você teve alguma participação no lançamento do DVD?”
Ricado Batalha: “Eu não tive nada a ver com a produção do DVD! Quem o produziu foi apenas o André Bighinzoli através de financiamento coletivo pelo Catarse.”

Barbieri: “Então, como foi que surgiu esta ideia de você criar este festival.
Ricado Batalha: “A ideia simplesmente veio porque eu via com frequência as pessoas falando do trabalho das bandas pioneiras com entusiasmo, recordando aquele início do Metal Brasileiro e mencionando sempre discos que se tornaram clássicos. Acontesse que muitas destas bandas retomaram as atividades, começaram a fazer shows e lançaram material novo. Entretanto, apesar disso tudo, nunca tinha visto uma celebração, uma homenagem a elas e daí veio a ideia de fazer o Super Peso Brasil. O evento foi o nosso 'muito obrigado' aos que abriram caminho para as gerações que vieram depois. A concepção foi minha e a produção executiva foi do André Bighinzoli do Metalmorphose, que viabilizou a ideia para sair do papel para o palco. Todas as bandas ajudaram e entenderam o sentido do evento.”

Barbieri: "...e esta ideia de pedir doações…"
Ricado Batalha: “A ideia do crowdfunding no site Catarse, a concepção do material e da campanha foram do André Bighinzoli. As bandas reuniram-se e como o material já estava gravado em vídeo, o Bighinzoli criou a campanha e colocou no ar. Bom, como sabemos, a campanha obteve sucesso e o DVD contendo este documento histórico foi lançado.”

Este DVD box, aqui postado, inclui o DVD do show e um CD com 15 faixas gravadas ao vivo neste mesmo evento. São faixas selecionadas com muito cuidado para que o ouvinte tenha uma boa ideia de como foram os shows. Este DVD box foi produzindo por André Bighinzoli graças ao financiamento e apoio coletivo de 489 doadores (onde humildemente me incluo), verdadeiros guerreiros do Metal Nacional! Este evento, como poderão observar, teve um nível de produção excelente e, portanto só podemos parabenizar os organizadores e desejar que o mesmo se repita! Parabéns!

Antonio Celso Barbieri

spb cover front

spb cd list


spb cover back

super peso brasil poster

super peso brasil camiseta

super peso brasil obrigado

rising curse logo2
Rising Curse: Conheçam mais uma banda de Rock Extremo vinda do litoral paulista!
escrito por Antonio Celso Barbieri

 

O litoral paulista na para de nos brindar com bandas pesadas! Desta vêz, da cidade de Mongaguá (SP), é a banda Rising Curse que nos enviou seu EP para apreciação. Esta banda foi formada em 2012 e detona um Deathcore extremo. No momento a banda é formada por Rafael Azk (vocais) Gustavo Dante (bateria) Yuri França (guitarra) e Hugo Lopes (guitarra) - estão à procura de um baixista. Originalmente a banda teve outra formação, com outro nome e outro estilo que com o tempo, aos poucos foi mudando.  Então, mais tarde, a banda acabou sendo reformulada pelos irmaos Yuri e Gustavo e passou por mais algumas formações mas apesar das mudanças, sempre procurou manter a essência do seu estilo caracteristico, buscando criar composições mostrando uma certa complexidade nos arranjos mas, sempre tocando com bastante brutalidade com destaque no peso da bateria e no som sujo das guitarras.

O EP DEMO disponibilizado aqui no site foi gravado e lançado em 2013. Este ano (2015) a banda lançou um vídeo clip gravado em 2015 (veja abaixo) que, foi dirigido pelo próprio guitarrista.

Rising Curse, está gravando de forma independente o seu primeiro album. Obviamente, seu EP lançado em 2013, por ser um demo, ainda estava um pouco tosco mas, mesmo assim, deixava claro o seu poder de fogo. Neste seu primeiro álbum que está por vir, tenho certeza que com uma boa produção Rising Curse conseguirá alcançar uma maior visibilidade e sucesso no universo do Metal Brasileiro! Desejo boa sorte à todos!

Antonio Celso Barbieri

rising curse first EP cover

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rising curse band

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Comentários

Anderson Freitas posted a comment in Monterey Pop Festival (1967): Contado por quem esteve lá!
Saudações! Eu sempre acesso esse site para ler essa história. Fique muito triste agora. O senhor Stan Delk faleceu em 2016.<br />https://www.findagrave.com/memorial/171638689<br /><br />Descanse em Paz!<br /><br />Barbieri Comenta: Ele foi muito gentil comigo, disponibilizou o seu texto e acreditou nas minhas boas intenções! Quanto a matéria ficou pronta ele ficou muito satisfeito! R. I. P.
Neuza Maria posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Muito interessante essa matéria sobre o Tony Osanah. Sou amiga pessoal dele há mais de 30 anos e hoje relembrei muitas coisas sobre ele, que já havia me esquecido. Grande talento! Ele está em visita no Brasil, esteve em Peruíbe até o dia 24 de janeiro e deverá retornar para a Alemanha no dia 07 de fevereiro. Pena que não programou nenhuma apresentação por aqui.
Daniel Faria posted a comment in JAJI: Homenagem postuma!
Tive o grande prazer de trabalhar com Jaji na decada de 1990. As festas no apartamento dele eram legendárias. Só fiquei sabendo da morte dele em 2017 e fiquei bem triste. Ele faz falta e será sempre honrado pelo público Metal de São Paulo.
Olá Barbieri! Que legal esse artigo, é sempre maravilhoso poder "beber" de fonte sábia. Neste sábado, 13/01/2018, teremos a chance de conferir o ensaio aberto da Volkana no Espaço Som, em São Paulo. A boa notícia é que, a exemplo do Vodu, que voltou à ativa em 2015, as meninas também decidiram se reunir, esperamos ansiosos que depois desse ensaio aberto role outros shows por ai. Um grande abraço!
Já sofremos muito também tentando fazer festivais. Mas resolvemos nos dedicar ao rock nacional de outras formas. Lançamos nosso primeiro disco https://base.mus.br que é para mostrar nosso amor pelo rock brasileiro.
André Luiz Daemon posted a comment in Luiz Lennon (Beatles Cavern Club)
Olá, boa noite! Alguém poderia me dizer o nome da música de abertura do programa Cavern Club que foi ao ar após o falecimento do saudoso e inesquecível Big Boy.<br />Logo após o seu falecimento, outro locutor entrou em seu lugar, e a abertura do programa era com o ex-Beatle Ringo Starr cantando.<br />Se alguém souber, por favor, me mande por e-mail, procuro essa música há muitos anos e signiifca muito para mim.<br />Valeu, abraços aos Beatlemaníacos que nem eu!!
José Carlos posted a comment in Tony Osanah: Um argentino bem brasileiro
Confirma pra mim, eu ouvi falar que o vocal da música Graffitti do Paris Group e de Tony Osanah, e que na realidade a banda nunca existiu. Foi um jingle produzido exclusivamente para a propaganda da calça Lewis e devido ao sucesso na televisão foi forjada uma banda para gravar um compacto e faturar uma grana em cima. É verdade?<br /><br />Oi José Carlos, sinto muito mas não tenho como confirmar esta história, entretanto, sei que nos anos 60 e 70 várias bandas brasilerias gravaram faixas em inglês usando nomes fictícios. Quer dizer, não será surpresa se for verdade!
Em se tratando de ROCK, é sem dúvida A Melhor Banda de ROCK até hoje.Acho o som deles o máximo. Conheci a pouco tempo (2010) e ouço desde então... Muito feras
jeronimo posted a comment in Delpht - Far Beyond (CDR Demo - 1997)
você podia disponibilizar essa demo para download pois ela não se encontra a venda
Parabéns Barbieri!!! ficou perfeito, muito original e harmônico, com o peso certo. Muito gostoso ouvir seu som.
CK posted a comment in Carioca & Devas
Ei! Obrigado por este artigo, ótima história e histórias.<br /><br />Hey! Thank you for this article, great history and stories. <br /><br />Thanks again!<br /><br />CK
Eu tinha 14 para15 anos em 1966 quando estava com outros amigos mais velhos e todos cabeludos na Av.Sao Luiz quando começaram a jogar pedras e saímos correndo pela. 7 de abril descemos a 24 de maio queriam nos matar uma multidão eu entrei no Mappin até chegar a polícia para nós tirar de lá.
De acordo com um set list desse show que achei na minha coleção, as músicas tocadas foram Maria Angélica, Perfume, British, Variações, Dissipações, Súplicas, Boca e Vade Retro.
Muito legal ver isso. Estive em muitos shows aqui relatados. O festival com o Dorsal, Vulcano em Santos, teve uma cena memorável quando o vocalista do Crânio Metálico, da Bahia, entendeu que as pessoas gritavam "côco metálico" para a banda e nao o nome coorreto. Ele se indignou com a falta de respeito e chamou as pessoas as briga. Muitos se solidarizaram com o vocalista da banda e o aplaudiram, repugnando o preconceito. Me lembro ainda que nesse show jogaram confete na apresentação do Vulcano e depois a serragem. Era tempo de ascenção do Death Metal e que muitos ridicularizavam o Black Metal... Cena triste também... Mas foi uma noite ótima. Vulcano mandou bem e Dorsal fez um show primoroso.
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
https://www.youtube.com/watch?v=Sn2ckIF0Gbk
Charles Campos posted a comment in Soul of Honor
Boas recordações de minha adolescência!!!<br />Assisti a uma apresentação do <br />Bodas de Sangue no Espaço Retrô (Senão estiver enganado)<br /><br />Foi uma baita apresentação!!!
CASSIO VIEIRA posted a comment in Carioca & Devas
Pessoal, alguém saberia me dizer se neste 'Ensaio (1977)' é o Tom (acho que o sobrenome dele é De Maia ou algo assim) que está tocando bateria? Ele morava no meu bairro, e o pai dele era dono da escola em que eu estudava, Colégio 7 de Setembro.
"Suspeitei desde o principio..." (Chapolin Colorado)<br /><br />Muito legal o texto, vivo fazendo coisas no automatico e com o maior temor de ter um colapso mental, e tenho tambem aprendido coisas novas sempre, autodidata por natureza. Agora estou mais tranquilo e posso tranquilizar outras pessoas a minha volta, a solucao e a causa do problema sao simples, (talvez eu tenha que me render aos passinhos de dança do ventre de vez em quando...).<br />Parabens pelo texto
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