Jorge Ben Jor: Entrevista em Cannes (1998)

Jorge Ben Jor nas estrêlas. Fotos e arte: A. C. Barbieri
Jorge Ben Jor entrevistado em Cannes
por Antonio Celso Barbieri
Em 1998 lá pelo começo ano aconteceu em Cannes, como todo ano, o Midem que é um grande encontro da indústria fonográfica mundial. Neste ano, quem marcou presença como convidado especial foi o lendário Jorge Ben Jor para, na noite reservada ao Brasil, num grande show mostrar porque é que a nossa música brasileira é tão bem conceituada fora do país.
No mesmo dia do show, à tarde, numa das salas de imprensa, no topo do próprio edifício da feira, o mestre do swing compareceu para um papo informal com a imprensa. Como tudo o que ele dizia era traduzido em voz alta para o francês e inglês, a coletiva mais pareceu uma Torre de Babel.
A entrevista
Barbieri: Diga-nos algo sobre sua música?
Jorge Ben Jor: (meio sem jeito) A minha música desde “Mais Que Nada”, “País Tropical”, “Taj Mahal”, Filho Maravilha”, eu faço dentro do meu estilo urbano e suburbano. Eu me considero um poeta urbano e suburbano. E este é meu jeito de compor.
Barbieri: Como você explica este pessoal novo regravando suas músicas (Paralamas do Sucesso, Biquini Cavadão, Skank, Barão Vermelho)?
Ben Jor: Eu queria dizer que a minha geração, a de 1945, do pós guerra, não entendeu muito a minha mensagem. Esta geração de agora, que eu acho linda, de 1970 para cá, entende melhor o meu trabalho, e é por isso que todos eles estão regravando minhas músicas antigas.
;Barbieri: Qual foi o ponto alto da sua carreira?
Ben Jor: Hoje está sendo um bom momento. Ontem no show de Paris foi um bom momento. Eu tenho grandes momentos musicais e grandes momentos de shows como, por exemplo, o Hollywood Rock com 150 mil pessoas no Sambódromo do Rio. Tenho também um show que eu fiz no Rio onde compareceram 1 milhão e 500 mil pessoas, todas vestidas de branco. Eu espero que hoje à noite aqui também seja um bom momento para mim e meus músicos.
Barbieri: A crítica brasileira considera “Tábua de Esmeraldas” seu melhor disco, mas eu gostaria de saber na sua opinião qual é o seu melhor trabalho.
Ben Jor: Pela primeira vez eu concordo com a crítica (risos). A “Tábua..” foi um trabalho muito bom onde eu falei de um tema muito desconhecido, muito hermético. Eu acho que eu fui um dos primeiros a falar e cantar sobre os alquimistas no Brasil.
Barbieri: Você está sempre ocupado. Você nunca pensou em parar um pouco por alguns anos e ir joga bola.
Ben Jor: Eu continuo fazendo tudo. Eu jogo bola, danço, canto e faço música. Quanto eu estou no palco cantando e tocando é a mesma coisa como que se eu tivesse jogando futebol na praia ou nos campos com meus amigos. Eu ainda quero fazer muito mais… Eu tenho um contrato, que diz que eu e a banda Zé Pretinho tocaremos até o ano 2035. (risos)

Jorge Ben Jor em Cannes. Foto: A. C. Barbieri
Barbieri: O que você pode falar sobre o seu último disco?
Ben Jor: O meu álbum mais recente chama-se “Músicas Para Tocar Em Elevador”, onde participa esta geração nova de músicos. Cada banda escolheu uma música antiga minha, fizeram seu próprio arranjo e eu canto junto com eles.
Barbieri: Você não acha que o público está mais preocupado com o ritmo em si do que com a sua mensagem, porque apesar da sua música ser altamente dançante, nas letras o conteúdo é bem cru e potente, tocando nos problemas da realidade?
Ben Jor: Eu me considero um poeta urbano e suburbano. As minhas canções refletem o dia-a-dia que eu vivo. Eu trabalho muito com as notícias dos jornais e com o que vejo na TV. Eu gosto muito de mexer com isto. Mas, realmente o forte da minha música é o ritmo. Eu faço músicas alegres que é para as pessoas ouvirem e ficarem felizes mas, todas as minhas músicas têm uma mensagem, simples mas forte. Eu acho que as pessoas entendem minha mensagem justamente por isso.
Barbieri: Nos últimos anos a música brasileira, mais precisamente nossos ritmos, tem sido mais reconhecidos mundialmente. Paul Simon, Michael Jackson, Pet Shop Boys David Byrne todos usaram nossos músicos e ritmos. David Byrne inclusive até lançou em Londres uma coletânea só de bandas brasileiras, incluindo música sua. Você acha que nós estamos conseguindo espalhar a nossa mensagem musical?
Ben Jor: Eu acho que este povo todo está aprendendo com a música brasileira porque a nossa música é forte, ela é grande. Eu acho também que música não tem fronteira desde que sejam respeitados os direitos autorais. O Beck ligou para mim e disse que gostaria de fazer um trabalho comigo. Eu disse para ele que eu estou aberto para qualquer coisa e que gostaria muito também de trabalhar com ele…
Barbieri: Como você define a sua música?
Ben Jor: A minha música é uma mistura de ritmos. Tem Samba. Maracatu, Baião, um pouco de Funk.. é uma mistura.
Barbieri: Afinal porque você mudou de nome?
Ben Jor: Houve dois probleminhas. Primeiro foi porque eu troquei de gravadora. Eu era da Polygram e quando eu fui para a Warner, o presidente da gravadora José Midani achou que eu deveria fazer algo como que se eu estivesse recomeçando. Então, propus usar meu nome de família que é Benzabel. O sobrenome da minha mãe é de origem etíope. Inclusive, no começo da minha carreira, a Polygram não achou Benzabel um nome artístico e por isso ficou só Ben. Bom, no fim acrescentamos somente o Jor porque em casa todo mundo me chama de Jor. O outro problema era que aqui na Europa o povo pensava que a música “Mais Que Nada” não era do Jorge Bem e sim do George Benson. Coincidência ou não, eu conquistei uma geração nova com minhas músicas e de fato tripliquei a minha audiência.
Barbieri: Você fica surpreso com as interpretações que fazem das suas músicas?
Ben Jor: Eu gosto de ouvir e para mim é muito bom que todo mundo cante as minhas canções, da maneira que gostem. Às vezes eu fico surpreso quando ouço uma música minha cantada em francês, inglês e até em japonês. “Mais Que Nada” cantando em japonês é totalmente.. (ele faz um careta engraçada e não completa a frase).. Para mim é muito positivo.

Jorge Ben Jor em Cannes. Foto: A. C. Barbieri
Terminada a entrevista eu fui cumprimentá-lo:
Barbieri: A última vez que eu apertei a sua mão fazem uns 15 anos!
Ben Jor: Onde? (curioso)
Barbieri: Foi num festival de rock lá no Estádio do Cruzeiro em Minas. Além de você tocou um monte de gente boa: Raul Seixas, Made Brazil, Zé Ramalho, Roupa Nova, Diana Pequeno, etc..
Ben Jor: Não me diga! Eu lembro o nome.. deixa ver.. ha! Rock Horizonte!
Barbieri: É mesmo! Eu nem lembrava mais.. Que você vai fazer agora?
Ben Jor: Vou direto passar o som.
Barbieri: Boa sorte hoje à noite.
Ben Jor: Obrigado!
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Esta matéria é de autoria do Barbieri e foi originalmente escrita para a Revista Dynamite, tendo sido publicada na sua edição de fevereiro/março 1999.
Copy Desk Andrea Falcão
Diagramação, Revisão e Atualização A. C. Barbieri |
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Comentários
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Olá Celso, O ano foi de 1985, dois dias em que o Rainbow bombou de gente. Na minha percepção foram os dois melhores shows da curta carreira da banda. Depois eu te envio mais material para seu arquivo. Abraço.
10.05.13 14:41
Por Guest
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excellent
10.05.13 14:15
Por Guest
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Celso: Isso é coisa de quem não tem piano, como eu, que quando encontra um que pode tocar, acariciar, provocar, se encontra com essa parte de si mesmo que você comentou. É a busca, the quest, pela essência, pelo natural, pela música d'alma, do fundo do coração...relig are...innovare. ..ad eternum...é o rock das esferas! Barbieri comenta: É vero mister Zé Brasil! No meu caso eu espremi de todos os lados e realizei um grande sonho comprando um piano antigo, datado de 1929, o qual é justamente o re...
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Por Guest
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Era muito bom , frequentei muito esta loja. Conheci muitas bandas uma da mais loucas foi a Banda FOCUS
08.04.13 12:12
Por Guest
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Olá, boa noite! "Cai aqui" porque estava procurando matérias relacionadas a uma banda paulista dos anos 80, o Pozzeidon. Você tem gravação deles, é isso?! Abraço.
07.04.13 01:15
Por Guest
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Boa tarde! cara eu estava nesse show foi muito bom, só para informação sei o nome de algumas musicas, são elas, 1 Patamar dos sonhos , 3 Objetivo redemoinho e 4 Turma do rock. Poderia me enviar o arquivo em MP3. Grato.
05.04.13 19:56
Por Guest
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lembrem-se que a música "how do you SLEEP" do John fazia ácidas referências ao ex-parceiro. Talvez tenha sido um trocadilho pra rebater, nada tão profundo.
18.03.13 22:32
Por Guest
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Sounds crushing! Hail Vulcano!
16.03.13 11:19
Por Guest
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SIMPLESMENTE MARAVILHOSO, PAULADA DO INFERNO MUITO BEM DADA! ADOREI! (Juliana)
13.03.13 13:46
Por Guest
Vulcano: Escutem com exclusivi...
Fucking great!!!! Vulcano puro... Otimos petardos... Gostei dos vocais..parabén s Luizão... otima produção..
13.03.13 12:32
Por Guest
Vulcano: Escutem com exclusivi...
Muito bom, porradaria feita por quem sabe !! Underground metal na veia !!! Irei ddivulgar no meu blog GUARANÁ METAL ===>> http://guaranametal.blogspot.com.br/ . Abraço. H.Guaraná
12.03.13 21:39
Por Guest
Vulcano: Escutem com exclusivi...
Muito bom, agressivo, a cara do Vulcano! Boi.
12.03.13 15:19
Por Guest
Daniel Johnston, Arnaldo Bapti...
Conhecendo as obras de Daniel Johnston, Arnaldo Baptista e Kurt Cobain e mesclando suas loucuras além do limite permitido por essa sociedade hipócrita, passo a viajar pela frequência espiritual e me deparo por redemoinho explosivo não identificado que somente o senso criativo salva. Barbieri Responde: Amém!
02.03.13 16:00
Por lmarkoni Barreto
Barbieri na Internet
Olá, Mais algumas memórias: https://www.youtube.com/watch?v=92AQxUV22kE http://sergiopapagaio.blogspot.com.br/
25.02.13 17:56
Por Papagaio
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Outro grande trabalho gráfico! A parceria firmada entre Vulcano e Barbieri está mais forte do que nunca! A comunidade Metal agradece!
25.02.13 13:10
Por Luiz Carlos Louzada
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Parabéns pelo o site,isso para nós apreciadores da boa musica internacional e muito importante.
17.02.13 01:30
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Eu gostaria de comprar camisa e adesivo para carro da organização. Como eu faço para comprar? Barbieri Responde: Caro Alexandre. Infelizmente não tenho conhecimento suficiente para responder à sua pergunta. Sugiro que visite os links que menciono no final desta matéria ou, melhor ainda, mande fazer uns adesivos bem bonitos e distribua gratuitamente para todo mundo :-) Um abraço!
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Cara esse vocal era muito bom... quem conhece bem ele e o paulinho heavy ou o edu schultz procure eles pelo face que Vc acaba encontrando o aqua.... Abc valEu ae
07.02.13 13:01
Por
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Como roqueiro e comunista (ainda Hoje), tive muita honra de estar no showmício. Só lamento que o goldman tenha mudado de lado e hoje é de direita. Traiu nossa confiança.
07.02.13 02:31
Por


