Na minha opinião a história da banda A Chave do Sol, grupo de rock formado em 1983 na cidade de São Paulo foi a historia de uma banda buscando, em vão, pelo vocalista certo.
A Chave com seu som que na falta de uma definição mais adequada só poderia ser definido como "fusion", isto é, a mistura de rock com elementos do jazz, sempre encontrou muita dificuldade para achar um vocalista que se encaixasse com o som da banda.
A verdade é que nunca achei que a banda precisasse de um vocalista mesmo porque, um vocalista “Jazzy” com uma voz limpa e um talento tipo, vamos dizer, Sting ou Peter Frampton nunca seria fácil de se encontrar em São Paulo. Os vocalistas encontrados, não tinham nem o timbre de voz nem a postura de palco que combinassem com o som “clássico” da banda. O vocalistas encontrados ou não combinavam ou acabavam forçando a banda a mudar de estilo ou até de nome (The Key)
Acho que com um pouco de esforço e dedicação o Rubens preencheria muito bem a função de vocalista. Quer dizer, na Chave o instrumental sempre falaria mais alto de qualquer forma.
Muito embora eu classificasse o som da banda como um tipo de Jazz-Rock, eu diria que era um Jazz-Rock com a parte Jazz menos cansativa ao mesmo tempo que com a parte Rock mais voltada para o Hard Rock do que o Heavy Metal tradicional da época.
No palco, raramente vi um entrosamento musical tão perfeito quanto o mostrado pelos músicos Rubens Gióia (guitarra), Luiz Domingues (Tigueis)(baixo) e Zé Luiz (bateria).
A Chave sempre foi muito diferente das outras bandas dos anos 80 que produzi. A chave era uma banda exemplar. O profissionalismo da banda sempre foi perfeito. Produzi muitos shows da Chave. Seus músicos nunca me faltaram com respeito ou deixaram de estar na hora para a passagem do som, nunca questionaram minha honestidade ou levantaram qualquer dúvida quanto ao resultado da bilheteria. Por mais precário que fosse o sistema de som, estes músicos de forma tranqüila, sempre conseguiram miraculosamente tirar o melhor do equipamento à disposição e sempre agradeceram-me, ao vivo, durante o show.
Um outro aspecto interessante é que se não bastasse a boa aparência dos integrantes da banda, a moçada sempre mostrou muito bom gosto e elegância na escolha das roupas usadas nos shows. Talvez por isto mesmo, A Chave do Sol foi uma das primeiras bandas a trazer o público feminino para os concertos.
A Chave, pela qualide como músicos e atitude respeitosa para com as outras bandas, sempre gozou do respeito geral dos outros músicos da época, A Chave foi uma das únicas bandas deste período que a imprensa “poposa” não teve como chamar pejorativamente de “metaleira”.
Eu sugiro que o visitante leia a entrevista muito interessante que o Rubens Gióia deu para o Mundo do Rock. (clique aqui)
A gravação que coloco à disposição aqui na Rádio 2bStar foi feita no Teatro Lira Paulistana dentro do Projeto SP Metal numa noite em que o vocalista Fran não pode comparecer porque estava doente. Nesta noite, para minha satisfação, a Chave desfiou o seu repertorio antigo. O Técnico de som foi Can Robert. Como sempre a qualidade do som é pobre pois foi tirado um saída para retorno de palco.
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Por A. C. Barbieri |
Vejam abaixo vídeo da música "18 Horas" gravado ao vivo na Fabrica do Som lá pela metade dos anos 80 onde A Chave do Sol de forma tranquila e carismática mostra seus músicos com total controle do palco, imenso poder de fogo e um virtuosismo igual ou melhor do que muita banda internacional.
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